All Things Go...
13 Viajem a Casa Da Vovó, Conhecendo Um Ciclo...
Notas iniciais
– Bom dia New New New York, vocês estão se sentindo bem hoje? Esta fazendo vinte graus lá fora e vocês precisam de um bom guarda chuva depois das três da tarde, o vento vai trazer muita bagunça pra cidade, mas depois das sete iremos ver belas estrelas e uma lua mais bela ainda, agora vamos ficar com mais uma música maravilhosa dos Bee Gee's. — O radio relógio dizia que era hora de acordar, finalmente voltei pra casa, minha mãe quase me matou e Tori segundo May ligou mais de noventa vezes, Fabrício ligou perguntando por que eu não atendia, passei três dias na casa de Fabrício e dois em casa trancado, sentia saudades de Órion, da velha Tori, das minhas risadas e do meu mundo velho, não sei se estava numa péssima fase do luto, não sei se era apenas o mundo pós jantar com os pais do meu noivo, ou se era apenas o efeito final do ano de 1978, bem não sei ao certo o que seria, mas era pesado, difícil e duro. — Robert desce venha comer algo, vão fazer quase 36 horas que você não come nada, seu noivo ligou novamente e eu não vou mais mentir e dizer que você está no Bronx na casa da sua tia. — Era minha mãe fazendo o seu famoso escândalo matinal. — Rob, acho melhor você descer ou mamãe vai ligar pro Fabrício e pra Tori. — Era May na minha porta tentando me convencer a ir tomar café. — Quero saber desde quando mamãe está tão intima de Fabrício. — May sorriu entrou no meu quanto e abriu as cortinas. — Anda, vamos comer e depois você pode mofar mais um pouco aqui, mamãe só quer que você coma um pouco. — Nem consegui sorrir, apenas levantei, fui ao banheiro, escovei os dentes e encontrei por May que arrumava minha cama. — Sabe o que podemos fazer Rob? Já que você esta tão triste e estou de férias da escola. — May era maluca, mas mesmo assim gostava dela da forma que ela era, doida, calculada.- Não sei não May, mas você poderia me contar. — Ela sorriu. — As moças do ciclo, falaram que talvez um tempo com pessoas mais velhas me ajudasse com meus poderes. — Eu e ela paramos no mio da escada. — Já sei o que você quer dizer. — Uma troca de olhares meio doida rolou entre nós. — Sim, sim, sim. — Ela falou. — Casa da Vovó. — Falamos juntos. — Sorrimos com a ideia, fazia muito tempo desde que fomos a casa da vovó, bem não fazia tanto tempo assim, na verdade se passaram seis meses, passamos quase um mês lá, mas voltei antes pra poder ficar com Fabrício, May escondeu toda a mentira e fingiu que éramos apenas ela, Johanna, Kassie. — minhas duas irmãs mais velhas por parte de pai, até alguns anos atrás, antes delas casar tudo era maravilhoso na casa da vovó, tomávamos leite direto da vaca, comíamos muitas frutas, tomávamos banhos de rio, andávamos no pântano, andávamos de capivara, dávamos comida as ovelhas. — Descemos as escadas e sentamos na mesa, estava abarrotada de panquecas e torradas, geleias e suco de uva, continuamos a conversar sobre casa da vovó e meu pai sentou na mesa pegou milhares de panquecas. — Lembra May no dia que a ovelha comeu o cabelo da Kassie? — May começou a rir de uma forma totalmente solta e os olhos lacrimejavam. — Ou de quando a Johanna acabou com o seio preso na cerca do riacho da Madrinha Susan, — Lembranças brotavam de uma forma itinerante do meu cérebro, coisas boas, idiotices que fizemos ou apenas simplicidade que vovó mantinha. -Então já que estão falando em visitas que fizeram a avó de vocês que tal irem para a Flórida, estão de férias, Robert precisa de um tempo pra pensar e você precisa escolher um caminho humano, não pode ir pela magia, não vou perder mais alguém da família pra algo assim. — Então papai começou a comer as panquecas sem nem mesmo olhar pra May, ela estava muito envolvida com o ciclo e admitia isso, mas infelizmente magia se tornou uma obsessão pra ela, a alguns dias atrás mamãe encontrou um livro de magia negra no quarto de May, mas não falou nada. — Então voltando ao assunto, eu quero ir pra casa da vovó, mas não tenho dinheiro pra pagar a passagem. — Papai sorriu. — Já pensou em pedir o dinheiro ou uma carona, ouvi dizer que sua tia Prya está indo pra lá também. — Papai falando sobre tia Prya? Eu estou ficando louco, mamãe e ela se odeiam a tantos anos. — Mamãe iria odiar essa ideia, elas brigaram a muitos anos e titia nunca vem pro jantar de natal ou aceita os cartões que sempre retornam no dia primeiro. — May olhou pra papai e eles deviam estar em um momento compartilhado de pai e filha. — Vamos chegar lá e vocês irão falar pra mãe de vocês que foram de ônibus, elas não se falam, mas eu ainda sou amigo dela, nós nos falamos, mesmo que exista essa rixa, eu e sua tia somos amigos a tanto tempo, desde que eu tive meu primeiro casamento nós já eramos amigos, depois que Elisabeth morreu ela que me apresentou a sua mãe, mesmo que seu avô me odiasse por já ter sido casado e ser de uma família mais pobre e não mágica. — Papai sorria e May ficou calada, o fato é que papai poderia pagar as passagens de ônibus, mas não teríamos dinheiro para curtir na cidade. — Então ouçam o plano, eu vou sair e avisar a tia de vocês com o pretexto de comprar as passagens, ela vai hoje as 20:00 o ônibus pra Flórida parte as 19:40 então quando eu chegar as malas devem estar prontas e vocês devem estar arrumados. — Mamãe chegou bem na hora que papai iria terminar de contar o plano. — Estão conversando sobre o que? — Mamãe perguntou olhando para nós que tentávamos disfarçar a conversa. — Nada, sobre a viajem que vamos fazer hoje pra casa da vovó. — Mamãe olhou com um rabo de olho pra mim. — Como se você não tem dinheiro? Você não juntou nada pra pagar a passagem, aliás, você não visita a mamãe a alguns belos meses. — Assenti com a cabeça. — Papai falou que vai dar as passagens pra gente. — Mamãe sentou ao lado de May na mesa. — Mas e como vocês vão "curtir" com qual dinheiro? Porque claro que vão querer sair, ir em Lagunna , vão querer ir ao Pântano Overtewn e vocês sabem que mamãe não tem carro. — Fiquei apenas olhando pra minha mãe, ela era uma deusa quando o assunto era mentiras, ela sabia mentir tão bem que até os quatro anos eu achava que bebês vinham de ovos.
– Depois de muita conversa sobre a viajem no café da manhã, subi e fui pro meu quarto arrumar as minhas malas, inda iria passar na loja e deixar uma carta pra Fabrício na casa dele, não sei o que aconteceu, mas eu preciso sair do Brooklyn e ficar longe de tudo com apenas minha avó, minhas tias e uma televisão por perto, quero apenas sossego, estrelas e mosquitos. — Depois de arrumar as malas fui ao quarto de May e avisei que eu iria sair e voltar a tarde, peguei meus patins e sai com minha mochila nas costas. — Quando cheguei a rua da loja, tudo estava igual, o movimento de pessoas, as portas das lojas, a floricultura, tudo era a mesma coisa. — A sineta da porta anunciou minha entrada, lá estava Artche atrás do balcão, Ben levando uma das bandejas pretas para uma mesa, o engraçado era que a loja estava lotada, cheia de gente, copos repousados sobre as mesas, livros e tudo mais. Ritchie vinha com uma pilha de livros de dentro do estoque, Tori vinha com dois sacos de café em grãos, tudo estava da mesma forma que eu deixei, só que agora haviam pessoas pagantes. — Robert? Sumido tudo bem? — Tori correu e me abraçou. — Tudo e eu não sumi, só preciso de um tempo. — Tori me olhou e olhou mais ainda para os meus patins. — Quando pretende voltar para o ciclo e para a loja? — Ela perguntou. — Não sei ainda, vou passar alguns dias na casa da minha avó e não sei quantos dias eu vou passar longe de New York, mas se eu passar mais de um mês eu mando uma carta ou te ligo. — Tori estava meio insegura sobre meu retorno a loja, ciclo, vida dela. Órion havia morrido, isso é fato, mas não era o motivo que estava deixando Tori para trás, ela havia mudado de uma hora a outra, eu não me sentia mais bem perto dela, me sentia acuado, silenciado, morto. — Tudo bem, vou continuar mandando os cheques para sua casa, espero que você volte logo. — Ela me abraçou novamente e eu a apertei. — Também quero voltar logo. — Assim que ela me soltou, senti um arrepio enorme na minha espinha que desceu pro meu corpo inteiro. — Sai da loja sem olhar para trás, era como uma despedida de filme, ainda virei o rosto uma duzia de vezes apenas para me certificar que a loja ainda estava ali. — Como um bom amigo fui a loja de brinquedos agradecer ao Hay, que estava no estoque enquanto seu pai cuidava da registradora na frente da loja. — Olá senhor Hayden tudo bem com o senhor? — Perguntei ao velho senhor assim que constatei que Hay não estava ali. — Estou bem garotão, com certeza está procurando pelo Hay, não? — O senhor me observava tirar o capacete e as joelheiras. — Ele esta lá atrás não? — Perguntei ao senhor que olhava fixamente para um brinquedo dentro de sua caixa, uma boneca de lindos cabelos castanhos. — Posso entrar pra falar com ele? — Perguntei ao velho senhor que não conseguia tirar os olhos da pequena boneca. — Ele assentiu com a cabeça e eu sem pensar duas vezes sai entrando por um longo corredor de brinquedos de corda. — Chegando ao final uma pequena poeta de madeira aberta mostrava a entrada do estoque. — Hay? Você esta ai? — Gritei. — Sim estou. — Respondeu a voz de Hay em retorno. — Vou entrar. — Falei. — Tudo bem pode vir. — Hay gritou novamente. — Entrando encontro Hay dependurado numa escada esguia. — Oi Robert, o que você faz aqui? Tori falou que você tinha ido viajar, não sabia quando você voltava. — Hay sorria enquanto pegava uma caixa enorme cheia de bonecas lindas com cabeças de porcelana e belos vestidos vermelhos, azuis e outras cores em seda. — Eu viajo hoje a noite, só passei pra dar adeus e obrigado. — Ele desceu da escada e me abraçou, Hay era todo meigo. — Que bom que você lembrou de mim, nem sei porque lembrou. — Hay não me largava de jeito maneira. — Eu não esqueceria de você, alias eu irei voltar, não vou ficar na Florida pelo resto da vida nem que eu tenha de me matar pra voltar, mas New York e a minha casa. — Ele finalmente me largou e sorriu. — Que bom espero que volte com a cabeça fria e que esteja pronto para novos rumos. — Hay era uma pessoa doce e completamente simpático e bonito, mas ele era ou melhor é hétero. Bem quando quando conheci ele estava com uma garota loira tomando café lá na loja, isso foi no meu primeiro dia, quando eu sem querer derramei Cappuccino frio sem canela e com creme extra nele. — Então ate a sua volta, estarei esperando... — Ele falou e me levou até a frente da loja. — Não queria chorar, mas quando sai rua a fora com meus patins várias lágrimas soltaram se, não foi juntamente por causa de Hay, mas de tudo que eu estava deixando pra trás, seguindo com a viajem a Flórida, eu estava com saudades da vovó, mas mesmo assim quero sei lá algo mais forte.
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