All Things Go...
10 O almoço, o jantar e os céus que não caem.
Notas iniciais
– O carro parou bem na porta da loja, a rua estava agitada e cheia de pessoas em seus casacos rodando de um lado para o outro. — A maioria ia trabalhar ou estava fazendo compras. — Amor se cuida e não esquece de chamar Tori tudo bem? — Fabrício abria a porta do carro. — Tudo bem amor, eu juro que não vou esquecer, agora tenho de ir se não vou querer passar o dia inteiro aqui nesse carro te beijando. — Ele sorriu. — Eu também amor, agora tenho que ir para o banco. — O terno preto, a camisa branca, as abotoaduras e tudo mais, esse era o verdadeiro dia com Fabrício. — Robert, pensei que você não iria mais chegar. — Era Tori chegando com a bolsinha dela e belos sapatos vermelhos, para minha surpresa ao lado dela vinha outra menina bem conhecida, Órion vinha bem devagar ao lado de Tori. — Oi Tori, tudo bem? — Perguntou Fabrício saindo de dentro do carro, Tori tomou um susto, mas já era de se esperar. — T-tudo neh, bem eu estou bem e você ou sei lá vocês? — Ele sorria e eu ficava quieto apenas observando a forma como Tori estava agindo, ela estava totalmente desconfortável com a presença de Fabrício alí, acho que isso tudo por que ela pensava que nada iria dar certo entre nós. — Você está bem Tori? — Perguntei. — Gostaria de ir no medico talvez? — Fabrício perguntou. — Não, não precisa, vou entrar tenho que trabalhar, ah a propósito Rob, aqui estão as copias das chaves da loja, acho que você precisa. — Ela sorriu e me entregou um molho de chaves com um bonequinho de madeira esculpido.
– Tudo bem amor vou deixar você trabalhar, até por que tenho que chegar logo ao banco, mas nos vemos antes do jantar e minha mae vai estar na porta pontualmente as 17:59, ah ia esquecendo, aqui estão suas chaves também. — Ele me entregou um segundo molho de chaves seguro apenas por um arco metálico circular. — Tori queremos que você vá também e leve uns livros de receita. — Fabrício encarava Tori, que também fazia o mesmo. — Meus deuses vocês parecerem crianças birrentas, sei que o primeiro encontro de vocês foi uma merda, mas agora chega, Fabrício peça desculpas a Tori e a Tori vai fazer o mesmo só que com a elegância feminina que ela possui. — Eles sorriram e Fabrício olhou pra mim. — Parabéns Rob você conseguiu lidar como um adulto com a situação. — Tori deu uma corridinha e abraçou Fabrício. — Eu sabia de tudo eu que dei a ideia para a aliança, ele viu você entrando aqui na loja dois dias antes, quando você saiu para almoçar nós conversamos e ele pediu ajuda com as alianças e lógico eu ajudei. — Tori abraçava Fabrício que retribuía o aperto fortemente. — Não acredito Tori que você me fez pensar que vocês se odiavam a troco de nada, isso e pilantragem, mas espera só que vai ter troco. — Órion sorria e erguia as mãos batendo palmas ao longe. — Então quero vocês dois antes da minha família maluca chegar, eu vou chegar alguns minutos depois e se chegar a tempo ajudo vocês com os preparativos finais. — Ele falou soltando Tori e entrando dentro do carro preto. — Mas antes de ir quero um beijo seu. — Ele me puxou e tascou-me o beijo mais longo, quente e gostoso que já tive. — Tori abriu a porta e nós incluindo Órion entramos e ela ascendeu as luzes e subiu as cortinas deixando a luz do sol entrar e banhar tudo com o calor banhar tudo. — Nossa Rob isso foi maldade. — Órion estava na minha frente com aqueles grandes olhos meio chorosos.- O que Órion? Eu ter voltado com Fabrício? Eu ter aceitado o pedido de casamento. — Ela fechava cada vez mais a cara em uma expressão de raiva. — Não seu invertido burro, nossa Rob eu pensava que nossa família havia se tornado uma coisa meio absurda, mas pelo que eu percebi ela também se tornou uma casa de pessoas burras, meus ancestrais e os seus devem estar se revirando no tumulo nessa hora. — Órion conseguia mesmo fazer um maremoto em uma caneca de água e olha que esse maremoto seria capaz de estragar Vegas de uma forma devastadora. — Então o que? Ô velha anciã que fala de uma forma estranha misturando parafraseados de épocas não conhecidas pelo homem. — Eu peguei um dos livros que estava repousado sobre uma das mesas de leitura e carreguei até o balcão. — Você sabe muito bem invertido que apenas um assovio pode me chamar onde quer que eu esteja, poderia muito bem me contar que está noivo se claro você quisesse me contar, tive de saber por Tori antes de transformar seu pretendente em um sapo. — Tori deu de ombros para simplificar a historia que Órion estava me contando. — Não acredito nisso, por que você iria fazer isso? — Perguntei olhando dentro dos olhos de Órion. — Não sei, apenas não gostei da forma que ele tratou Tori. — Eu abri a caixa registradora e contei quanto tinha de Troco para escrever no livro de contas dessa semana. — Exatamente noventa e nove dólares e oito centavos. Aliás é claro que você não gostou da forma que ele tratou Tori, eles estavam fingindo, atuando e essas coisas assim, apenas pra me enganar. — Órion estava agora sentada encima da vitrine. — Tudo bem, mesmo assim desculpa por querer transformar seu noivo em sapo. — Ela sorria. — Desculpas aceitas, agora pra ficarmos quites, desculpa por não ter assobiado pra contar. — Coloquei minha cabeça pro lado direito olhando de uma forma torta para Órion. — Agora venham aqui que eu quero um abraço. — Tori abriu os braços. E tanto eu como Órion corremos para o abraço grupal. — Rob eu também posso ir no jantar? — Órion perguntou. — Sim pode ir sim, mas eu já ia te chamar, aliás chamar não obriagar. Minha guardiã, minha amiga e minha avô não iria faltar no jantar especial, mesmo que você não coma. — Tori apertava nossos rostos. — Agora vamos trabalhar, Rob quero que você organize as prateleiras e eu e Órion vamos pesquisar algumas coisas nos livros do estoque. — A sineta da porta tocou e três pessoas entraram. — Oi bom dia aqui é a Lake Books and Cofee? — O loiro alto e de olhos verdes perguntou. — Sim, você está no lugar certo, mas e ai o que vocês precisam? — O loiro sorria e o cara de cabelo castanho olhava as prateleiras. — Precisamos fazer algumas pesquisas sobre a flauta de prata de Arnuha. — Os olhares bem diversos correndo sobre as prateleiras, isso era cheiro de sangue novo na loja, pois geralmente quem vinha aqui eram pessoas de ciclos ou apenas bruxos que tinham curiosidade sobre algo e eles eram as mesmas pessoas sempre, mas bem isso não vem ao caso agora. — Tudo bem venham comigo e eu irei mostrar onde encontrarão tudo sobre artefatos e objetos de magia antiga que poderão pesquisar. — O branquelo loiro e alto sorriu e me analisou dos pés a cabeça, meu avental vermelho e minha aliança. — Venham por aqui. — Sai andando com meus sapatos batendo no piso de madeira. — Aqui essa sessão de A até Z são apenas livros sobre artefatos antigos então podem procurar, mas pra ajudar eu iria primeiro nos livros vermelhos com letras prateadas, eles são sobre contos do século XV que foi a primeira vez que ouviram falar sobre a flauta. — As maos começaram a correr entre os livros e os olhos atentos as letras pratas. — Enquanto isso quero um expresso. — Disse o loiro. — Tudo bem, mas apenas uma pergunta. — Falei para o loiro. — Pode perguntar. — Ele olhou dentro dos meus olhos. — Qual é o seu nome? — Ele sorriu. — Sou Richard, mas pode me chamar de Richie, ele e Ben, e o barbudo que fingi ser hippie é o Artche, mas e o seu? — Artche puxou um dos livros bem na hora e começou a folhear. — Sou Robert, mas pode me chamar de Rob.
– Fui direto para o estoque onde Tori estava sentada ao lado de Órion, Elas olhavam bem para um livro grande e com a capa de madeira que estava na frente delas, era o mesmo livro que dizia que Tori era sobrinha de Órion, o mesmo livro que falava bastante sobre os Solaruim e nossas alianças, falava tambem sobre maldições e essas coisas. — Aqui esta sua maldição vovó, ela foi nomeada de Estrela do amanhã e diz que seu corpo foi preso a estrela que tem seu nome. — Acho que estou interrompendo vocês, mas temos clientes. — Juro pelos deuses que ao ouvir a palavra 'Clientes' Tori saltou do lugar que estava e saiu correndo, enquanto Órion tentava usar seus poderes para reabrir o livro. — O que está acontecendo Órion, você não consegue abir o livro sozinha? — Ela me olhou e levantou do lugar. — Não sei Rob, mas meus poderes estão ficando fora do meu ritmo, estão diferentes. — Olhei para o livro e passei a mão pelos detalhes feitos de uma espécie de tinta vermelha bem clara como uma mistura meio aquosa. — Resumindo, você está ficando sem poderes. É isso não? — Ela me encarou com uma expressão meio chorosa. — Sim é isso ai, estou ficando fraca demais, desde que cheguei aqui nessa época estou me sentindo devastada e gasta como se houvesse um sanguessuga retirando minha energia, então eu e Tori estávamos pesquisando sobre minha maldição. — Órion realmente estava mais quieta do que no dia que a conheci, estava tão quieta e desanimada. — Estão procurando uma forma de fazer você voltar ao seu corpo, eu sei e estive pensando nisso, mas e a sua imortalidade? — Perguntei, mas um barulho de coisas quebrando me deu um susto e me fez correr para frente da loja.
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