All Things Go...
21 Florida Kilos
Notas iniciais
– Estamos todos na parte de fora de casa esperando os bruxos e bruxas aparecerem entre as árvores. — Nossa Robert só bi você tao elegante assim quando saímos pra ir na Times Square, mas você esta lindo. — Maria havia acabado de chegar alguns minutos atrás. — Obrigado Maria, mas você também esta linda, nossa irreconhecível. — Maria estava de trança e com uma maquiagem bem clara, mas o batom vermelho estava terrivelmente lindo.
– Vamos gente, está quase dando oito horas e vão começar a cerimonia a qual quer minuto. — May e Olivia correram juntas quando uma garota de capa preta e vermelho. — Onde estão Ravenna e Francine? — Vovó perguntou. — Não sei, Francine falou que iria chegar encima da hora, mas Ravenna não sei onde ela se meteu. — Não poderia revelar que Francine havia ido a New York para resolver meus problemas. — Mas venha aqui Robert, não tivemos tempo de conversar ainda, depois de hoje de tarde. — Minha avó me abraçou e nós saímos andando devagar, Maria vinha dois passos atrás de nós. — Como é conseguiu a maldição e a marca do sol? — Minha avó era grossa e reta. — Já disse vovó, foi uma menina que me amaldiçoou, mas não sei nada sobre a marca. — Vovó nem imaginava que eu era gay, melhor nem imagina que sou gay, amo ela e tudo mais, mas entre ela e minha felicidade eu fico mais propenso a escolher minha felicidade...
– Faltam poucos minutos pra lua subir ao céu e ficar vermelha, Francine nem Hugo e muito menos Ravenna apareceram. May está ao lado de Olívia, há varias pessoas, bruxos, bruxas e feiticeiros de todo o pais ou de metade do mundo, todos olham pro céu avidamente pra começar o ritual, Segundo o que sei já sou abençoado pelo sol, agora preciso da bênção da lua e serei um feiticeiro completo. Essa ansiedade, essa averbação esta me matando aos poucos, mas não sei o que fazer pra esse sentimento parar. — Filhos e filhas da noite, sabemos que dentro de três minutos a nossa deusa, mãe e rainha ira nos dar o maior poder que já tivemos em cem anos, a lua vermelha demora quase uma década para nos agraciar com sua presença, agora vamos brindar essa visita, vamos pedir sua bênção a nossos novos bruxos e bruxas, vamos pedir tudo que precisamos e queremos. — A voz se calou e do nada a árvore do sussurro começou a pegar fogo. — Ao longe se via uma sombra andando rapidamente até onde nós estávamos, o medo me tomou de uma forma estranha e integralmente inaceitável. — Todas as mulheres e homens ali ainda estavam quietos e já havia se passado seus máximos três ou dois minutos. — A lua vermelha esta quase chegando. — Tia Prya tentava me acalmar, já que na hora da explosão vovó saiu correndo. — O que aconteceu? — Perguntei a titia. — Não sei filho, mas seja o que for, vovó vai resolver, temos milhares de pessoas aqui, vai ver alguém resolveu preparar uma pegadinha. — Achei que não se brincava com deuses e coisas que envolvem magia. — Eu falei meio ignorante. — Ora, ora, pra quem iniciou na magia a tão pouco tempo, você sabe até que coisas demais. — Titia era meio doida, mas ela não se preocupava com o fogo, bem muito menos a sombra que caminhava. — Não consegui ficar ali olhando, esperando aquela sombra chegar ali. Corri o mais rápido que pude, pulei dentro de uma árvore e quando sai estava perto demais do riacho, sai no topo do pé de eucalipto que fica dentro do riacho.
– Minha respiração acelerada e a atmosfera pesando conta mim, faziam meu corpo pender. Entre o cai, não cai que eu estava era melhor. Tentei entrar novamente, mas algo havia bloqueado a magia da árvore, eu não estava conseguindo entrar, não sabia como sair dali, a terra mais próxima estava a tipo milhares de metros de distância e bem por um acaso eu não sei voar, bem não tive tempo para aprender. Depois que Órion se foi ficou ainda pior.
Decidi que não iria ficar ali parado esperando cair e morrer afogado, então pulei dentro da água, tento ir ao galho mais baixo, pra poder cair dentro da água sem morrer. Quando me joguei senti meu corpo mole, era como se eu fosse uma folha que cai dentro do riacho, cai e segui pro fundo da água, minutos depois consegui por a cabeça pra fora da água, mas mesmo assim acho que minha roupa já era, ela está suja de lama, molhada e tudo mais. — Ô Deuses, porque resolveram me foder tanto, primeiro me tiram meu namorado, depois tiram minha primeira cerimônia da lua vermelha, levaram Órion, O que mais vão levar de mim? — No ultimo segundo vi que a luz da lua que estava prata resolveu ficar vermelha, tudo estava banhado em vermelho sangue, era terrível, um raio bem destinado dessa luz foi parar em uma das beiradas do riacho, dava pra se ver como parecia um holofote desses usados na Broadway. Uma figura feminina brotou do solo ali, centralizada pela luz. — Meu doce menino, eu não esqueci, nem quero fazer nada errado contra você. Tu mesmo sabes que não posso cuidar de meus filhos, enquanto vós se lastimava sozinho tua família, amigos e pessoas a quem tu nunca vistes na vida estão lá lutando contra tua morte que viestes buscar tua alma, enquanto isso dois outros filhos meus estão em tua cidade brigando contra um dos meus filhos que se revoltou e acabou abraçando o lado negro. — Olhei para a sabia mulher, limpando a água do meu rosto, o frio estava quase me matando, meus lábios já estavam terrivelmente doloridos. — Eu sei ô senhora Dona da Noite, mas não pedi para ninguém lutar minha batalha, todos estão se sacrificando por... — Não consegui completar a frase. — Amor, Amor a tua pessoa, amor a natureza justa e amor ao direito de toda criatura poder viver com quem quiser, assim como os filhos das fadas podem namorar humanos, bruxos ou qual quer ser tendo ele sexo ou não. Meus galhos e meus filhos são livres, assim como os lobos são donos da florestas, Vampiros da imortalidade e vocês da magia, o poder de todos são divididos igualmente, mas bruxos, feiticeiros e outros seres filhos da noite que utilizam magia são fortes, muito mais fortes que qualquer ser, bem as fadas são quase como vocês, mas voltando, vim aqui para lhe abençoar. ,- A mulher era tão simples, parecia riscos sobre o papel branco, um vestido vermelho se sobrepunha a pele pálida, os olhos dela eram vazios, apenas as orbitas oculares estavam ali dentro, nada de íris. Ela ergueu uma das mãos e me tirou de dentro da água. — Meu filho, Robert eu lhe abençoou, espero que tenha mais sorte na sua próxima vida, porque nessa hora amanhã você deve estar morto. — A mulher sorriu. — Mas como assim? Eu estarei morto? Quero saber como eu morro. — Mas ela apenas sorriu. — Lhe darei um último presente, entre nessa árvore e só saia quando sentir e ver o último filete de luz vermelha. — Assim que ela terminou de falar, uma luz caiu sobre a árvore e sobre mim, tudo que eu precisei fazer foi uma reverência pra mulher e pular dentro da árvore. — quando vi a luz vermelha, sai e pra minha surpresa não sai em um lugar conhecido, estava na frente de um posto de gasolina, na frente do posto um ônibus estava parado, do lado do ônibus um carro lindo, preto com cara de que deve ter custado alguns milhões de dólares. Tudo era iluminado apenas por uma luz na frente do posto. — Então o senhor segue aqui, vira a esquerda a duzentos metros e suga a placa que diz " Wood-Village" — Um homem de boné e calça jeans rasgada ensinava a outro branquelo meio conhecido, a rainha estava certa, ela havia me dado um último presente, o homem extremamente branco era Fabrico, cabelo jogado pro lado, feições belas e aquela barba de desleixo, faziam apenas dois dias que havia viajado, assim que o homem começou a apontar com as mãos, eu corri, ficar mais um segundo sem ter ele ao meu lado seria como morrer dez vezes e mais dez vezes por segundo. — Cuidado Maluco, saia do meio da estada, porra. — Gritou alguém bem idiota que quase me atropelou. — Fábricio, meu amor. — Gritei, ele olhou de onde o grito havia vindo e finalmente olhou pro meu rosto assutado e meio sujo de suor e lágrimas com um pouco de seiva de árvore e lama. — Robert é você? — Ele gritou. — Não consegui mais esperar os carros passarem, corri de encontro a Fábricio, ele me abraçou e eu não conseguia tirar meus braços da cintura dele, queria ficar ali o resto da minha vida, o cheiro de Alfazema, sabonete e amaciante de roupas era familiar e delicioso, ali era meu território. — Como você chegou aqui? — Perguntei. — Ele não respondeu, apenas continuou a ficar ali me abraçando, com o rosto no meu pescoço e eu enterrado no pescoço dele. — Robert, pensei que iriam se passar milhares de anos antes de ver você novamente. — Eu sorria era difícil pensar com ele respirando no meu pescoço, era como se meu cérebro estivesse sendo moído a cada novo fio da respiração dele. — Eu não queria partir e te deixar em New York, mas eu precisava sair daquele lugar o mais rápido possível, queria poder trazer você, mas se trouxesse, vovó iria desconfiar ainda mais de mim, então foi melhor pra nós dois que eu viesse. — Senti algo quente começar a escorrer pelo meu pescoço quando ouvi o primeiro soluço. — Fá, você esta chorando? — Perguntei. Quando levantei o rosto dele e estava vermelho. — Me diz Robert, por que você resolveu vir pra Flórida, não me falar nada sobre endereço ou ponto de referência. — As lágrimas dele escorriam pelo rosto e a barba por fazer me arranhava. — Vamos sair daqui e eu te conto tudo, mas não precisa chorar, eu te amo, sempre te amei e sempre vou te amar... — Não sei o que aconteceu em seguida, mas entramos dentro do carro e seguimos a rodovia, paramos na frente do Hotel " Many The Miles" Mas eu não poderia entrar sem documentos e para meu azar tudo havia ficado na minha mala. Então resolvemos seguira para um hotel mais a frente, um hotel onde poderíamos ficar mais de duas horas e que eu poderia entrar. — No radio da recepcionista tocava uma música do A-ha, nosso quarto era o 306 e quando chegamos no quarto vi que Fábricio estava viajando a muitos dias apenas com uma mala pequena de roupas, ele estava apenas me procurando. — Fá, quem te falou onde eu estava? — Perguntei enquanto ele brigava com a mão pra ver quem iria levar a mala dele. — Sua mãe, quem mais? Mas também tive de ficar quase duas horas insistindo. — Ele finalmente sorriu. — E ela ainda disse " É pra ir falar com ele e voltar pra New York, com cuidado pra minha mãe não ver vocês, se ela souber que o Robert é gay, ele vai ser deserdado." já era pra que eu tivesse chegado lá, mas o transito e essa região me deixaram perturbado e perdido. — Eu não consegui pegar a mala da mão dele, mas sorri e entramos no quarto, eu estava realmente meio sujo e descabelado. — Vamos tomar um banho? — Perguntei. — Sim , ainda mais por que você esta sujo como uma doninha. — Ele sorria e tentava tirar a blusa de frio que vestia, enquanto eu e meu quimono ficávamos observando. — Nossa amor, não sei como eu assim tão feiinho, consegui namorar com você. — Ele sorriu. — Para Robert, você não é feio. Antes você era apenas mal arrumado, ainda mais andava com aqueles Hippies estranhos. — Ele quase morria de rir. — Para amor, não fale assim de J.P. Ele é um ótimo amigo. Ron também é meio doido mas uma ótima pessoa. — Tirei meus sapatos molhados, minhas meias de seda marrons estavam vermelhas de terra, meu cabelo estava totalmente embaraçado, a água do riacho estava muito agitada. — Você conseguiu ver a lua vermelha? — Perguntei a Fábricio. — Ele balançou a cabeça em afirmativa. — Acredite ou não, ela me trouxe até você. — Ele estava apenas de calça, o tórax a mostra, tudo nele era tão belo e perfeito assim como a imagem de um anjo. — Que foi? Você não para de me olhar e ficar quieto, estou te achando um tanto estranho. — Eu fui até o guarda roupas do hotel e encontrei algumas toalhas, shampoo e um perfume com um cheiro horrível de cravo da índia e canela. — Meus deuses Robert, você soltou um pum? — Fábricio perguntou quando eu abri o frasco. — Não, esse e o cheiro desse perfume fedorento, prefiro ficar com meu cheiro de fuinha a usar isso. — Ele sorriu. — Não vai ficar fedendo e nem vai usar esse perfume vagabundo, vamos tomar banho, tire essa roupa estranha. — Eu fiquei meio sem reação, tomar banho com Fábricio era uma das coisas mais maravilhosas do mundo, mas não estávamos em casa, não teríamos nossas coisas. — Vem Rob, pare de pensar.
– Depois de sair do banheiro, ficamos deitados, eu vesti uma roupa de Fábricio que não ficou assim tão frouxa em mim. — Sabe que não precisava ter chorado né? — Eu falei, olhando dentro das duas lagoas verdes. — Eu sei, mas se não fizesse aquilo eu iria explodir. — Ele passava os dedos em meu cabelo molhado. Meu nariz estava formigando, acho que uma bela gripe estava por vir... — Tudo bem, mas não quero mais ver você chorando por mim, quero que siga sua vida, apenas como se eu fosse uma lembrança distante... O ar ficou pesado, o clima ficou diferente. Ele subiu encima de mim e ficou me olhando nos olhos. — Você nunca será uma lembrança distante, olhe para nossos dedos. — Realmente as duas únicas jóias que eu tinha encima de mim era meu colar de Sol e minha aliança. Então como quem não quer nada eu comecei a passar a mão no pescoço dele, sabia que minha hora estava chegando...
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