All Things Go...
17 Bad Witches Bitches
Notas iniciais
– Eram quase seis da manhã, no quintal o galo cantava informando sobre o nascer do sol, vovó já havia feito o café, entre as árvores surgiam mais e mais pessoas, mulheres velhas, jovens vestindo lindos vestidos dos séculos passado pretos e alguns ate meio rasgados, grandes capas de tecido negro tocavam a lama de barro vermelho do solo, havia caído uma leve chuva noite passada, essa é a melhor parte de morar na Flórida, um clima totalmente bipolar, algumas apareciam das sombras trajando vestidos azuis como um céu sem nuvens. — Eu estava na porta da cozinha apenas observado em meio ainda a escuridão, agora teria de correr e Escobar os dentes, aproveitando que Maria saiu do banheiro, se May entrasse antes de mim só iria sair no fim das férias. — Os pisos de madeira puidos, passar as mãos pelas paredes sempre me remeteu a visões de quando a casa foi construída, visões de homens de pele escura, fortes subindo colina acima com caixotes cheios de tijolos, cada passo que meu avô deu e cada pequena martelada errada que foi parar em um de seus dedos, tudo ali remetia a passado, até mesmo a banheira que um dia serviu de Tina para dar água as vacas e hoje esta aqui, uma banheira de madeira digna dos antigos reis e rainhas donos de terra e escravos.- Robert saia já do banheiro preciso fazer pipi. — May gritava no meio do corredor, e batia na porta, a casa da minha avó não tinha muitas portas, pois elas eram sinônimo de privacidade, o que segundo vovó não existia muito ali. — Espere May vou escovar meus dentes e lavar meu rosto, vai demorar tipo quatro minutos ou menos que isso. — Gritei, May iria passar duas horas para arrumar o cabelo e tudo mais. — Deixei ela entrar minutos depois, só pra que ela não perca a celebração, não sou tão mal como as pessoas pensam, sou uma pessoa mal compreendida, mas não malvada.
– Três das velhas senhoras estavam alí, paradas na frente da porta do quintal, elas eram altas, magras e esguias, cada uma delas tirou o capuz do rosto, revelando faces jovens, cabelos bonitos, aparência de jovens de 20 anos, uma ruiva de cabelo curto, uma loira com o cabelo preso por uma armação de metal na parte de trás de sua cabeça, uma com os longos cabelos negros jogados atrás das orelhas e aqueles olhos agressivamente verdes, aquosos. — Olá Aphodis, quanto tempo não nós reunimos aqui? Sete ou dez anos ? — Vovó estava vestindo um belo modelo blusa branca calça amarela. — Fazem quase seis anos, Francine, a quantos séculos você e tão dramática? Sinceramente você tem mais de duzentos anos não? Acho que esse drama deveria ter ficado no século passado. — Francine sorriu e abraçou vovó, eu nunca havia visto ela algumas vezes na casa da minha tia avó. — E você Zendaya esta quieta hoje. — Vovó falou olhando para a loira branquela. — Ela não sorriu. — Aphodis sempre tão mais velha, feliz e andando com mortais e semi trouxas. — Ela foi irônica, pra minha sorte Mamãe era uma Solarium, papai era um Willians então não sou um semi trouxa, tenho mais poder no meu dedo mindinho que qualquer uma dessas velhas em todo o corpo. — Cadê seu neto Aphodis? — A mulher de longos cabelos negros falou e vovó apenas ergueu o dedo indicador em minha direção. — Aquele alí é o meu neto, Robert Solarium Williams Abraham Segundo. — Eu era o segundo por causa de meu avô por parte de pai, ele havia sido o primeiro Robert na família Williams, mas esses nomes não existiam na minha certidão ou identidade, não eu não tenho carteira de motorista.. — Venha, aproxime-se rapaz, queremos ver um dos netos que Aphodis jurava que não era bruxo, grande mancha e decepção sua mãe causou a uma família tão forte e poderosa como os Solarium, pensar que passei tantos anos preparando aquela menina para ser uma grande bruxa, uma ótima feiticeira que assumiria a maior cadeira do conselho, trazer o poder dos Solarium de volta ao comando, mas resolveu casar e ter uma vida sem magia ao lado de Ellye quem mandava em tudo quando o assunto era Salém, uma das pessoas que se tornou prefeito antes mesmo de atingir a maior idade. — Estava atrás de vovó quando surgi bem na frente da mulher. — Oi desculpa, mas quem é você? — Perguntei sendo sonso e cara de pau mesmo. — Sou Ravenna a segunda a governar o ciclo do país e uma das mentoras do ciclo estrela do amanhã. — Ela se expôs de uma forma tao grandiosa, mas na verdade é que se passou tantos anos que ela foi esquecida pela maioria das pessoas. — Escuta aqui Ravenna, sou realmente poderoso, minha mãe também, se ela não quis seguir seus passos é por que realmente não valia a pena ou você nem mesmo fincou esses seus pés de gárgula no chão. — A velha me analisou dos pés a cabeça, eu estava totalmente sendo eu, shorts amarelo caqui, blusa moletom que eu ganhei de Fábricio antes de viajar. — Você não acha que deve ter respeito por alguém mais velho e mais poderoso que você? — A senhora não parecia ter mais que vinte anos, desrespeitou minha mãe e ainda quer respeito? — Você não é mais velha que ninguém aqui, alias mesmo assim não ligo, ninguém fala mal da minha mãe assim na minha cara, se quiser briga, terrenos uma. — Encarei a jovem velha frente a frente. — Chega com isso, você não esta aqui para convidar ninguém para um feudo e você Ravenna que vergonha primeiro por falar da minha filha, segundo por tentar duelar com meu neto. — Minha avó me defendendo? Meus deuses o mundo esta de cabeça para baixo. — Então você deveria ter dado mais educação a esse menino Aphodis. — Ravenna esbravejava. — Ele foi educado ouvindo tudo que você falou sobre a mãe dele. Se fosse comigo haveria matado você na segunda palavra que ouvi. — Todas as senhoras estavam alarmadas, uma bruxa ameaçando outra e uma criança criada no meio dos mortais. — Chega, ninguém vai criar feudos em minha frente e a todos e todas aqui reunidos Aphodis não ameaçou ninguém e Ravenna será punida pela atitude. — Francine gritou em uma voz calma e que fez tudo se acalmar. — Agora se aproxime Robert, Mayane e Maria. — As mãos de Francine se movimentavam fazendo com que o ar passasse entre elas, May e Maria saíram correndo e agarraram minhas mãos. — Pela atitude do mocinho aqui, vocês não... — Francine fez uma pausa dramática. — Não terão de passar em teste algum, Mayane é irmã então deve ter o mesmo espírito batalhador de Robert e Maria sei que não é fácil pra você, ainda mais sendo uma suja, mesmo assim tenha orgulho, pois você é mais poderosa que muitas bruxas de sangue completo e com magia saindo pelos ouvidos, mas Aphodis ainda temos um problema. — Ravenna sorriu, Zendaya apenas observava com aquela cara de arlequim. — Qual seria esse problema Francine? — Vovó perguntava de um modo estranhamente comum. — Ele está amaldiçoado, vocês não estão sentindo o cheiro de azedo nesse garoto? essa maldição está bem camuflada. — Francine mexeu os dedos como se fossem minhocas. Depois disso soprou e uma ventania com um cheiro mais horrível e nojento do mundo de espalhou. — Esse é o cheiro da maldição, podre como uma carcaça de um animal morto.- Todas as pessoas que estavam ali ficaram chocadas com aquele fedor de coisa morta. — Menino você sabe quem lhe amaldiçoou assim? — Finalmente Zendaya me dirigiu uma palavra. — Sei, mas nai seu porque, nem o que ela irá fazer comigo. — Respondi a garota. — Vejam o sol esta nascendo. — Gritou Ravenna. — Todos os olhos foram para o lado do vale onde o sol nascia. — Vamos descobrir mais sobre essa maldição agora. — Francine falou olhando para vovó e me empurrando pra perto dela. — Depois de um ritual bem estranho ao nascer do sol, finalmente descobri o que iria acontecer comigo. -" No meio da luz vermelha da lua um beijo de amor seria dado, nesse beijo de amor algo de mim será roubado, não será jóias ou brilhantes, será algo ainda mais interessante, para poder recuperar não poderei escolher irei do amor abdicar e em outra vida morar." Francine narrava tudo novamente agira usando roupas mortais. Na cozinha todas estavam sentadas, pelo menos as dez que faziam parte do conselho. — Ele vai morrer se beijar alguém é isso? — Perguntou Maria quase em um berro. — Sim, mas ele não vai morrer agora, ele tem um selo antigo sobre ele que transforma a morte em algo mais falho tipo uma reencarnação apenas com metade das lembranças e da a ele o benéfico de ter os mesmos poderes que ele tinha antes de morrer, digamos que ele morra hoje, amanhã ele iria renascer como ele, mas se ele for beijado por alguém que ele ama hoje, ele ira vagar pelo limbo alguns dias, anos ou séculos e irá nascer em outro corpo com algumas das memórias antigas. — Francine era uma ótima pessoa com suas explicações de como eu poderia morrer e tudo mais. — Mas quem fez o símbolo antigo nele? — Minha avó perguntou. — Não sei Aphodis, nunca vi um símbolo desses. Em tantos séculos nunca vi uma bruxa desenhar algo tao perfeito, sem feridas internas, sem tinta deslocada, sem nada de efeito colateral, não sei, mas não tem como dizer, porém essa marca não foi feita por um ser humano. — Vovó estava conversando baixinho com Zendaya, Ravenna estava tomando algo que borbulhava e era negro como a noite, dentro do cristal fino da taça podia se ver o líquido borbulhando. — Zendaya e eu achamos que a mãe dele pode ter feito isso ou até mesmo meu cunhado, ele é capaz, se conseguiu conter o espírito de Abigail em Salém, não há muito o que duvidar. — Francine olhava alguns papeis com riscos estranhos de uma tinta preta. — Não, não, não, já disse não é humano, isso foi feito por algo maior que um ser humano. — Zendaya e minha avó voltavam para a parte não lógica do raciocínio, ninguém a não ser Maria sabia sobre Órion, pra ser algo tão grande assim, só ela saberia fazer. — Então me diga garoto, como um feiticeiro se apaixona e ganha uma maldição assim? — Ravenna perguntou girando a taça de líquido negro. — Não sei, sinceramente não Faço a minima ideia de como aconteceu isso. — Ravenna sorria e aquele líquido girando estava fazendo meu estomago embrulhar. — Ele esta mentindo, olhem a expressão dele, olhem como ele não consegue olhar dentro dos meus olhos. — Enquanto isso no quintal, em várias mesas as outras bruxas jovens, velhas e novas, tomavam café e conversavam, esse era realmente uma festa pré sabá, Maria conversava com um menino alto loiro de impossíveis olhos negros como uma noite sem estrelas. — Eu conheci uma menina estranha uma vez, mas não acho que ela tenha nada haver com isso. — Ravenna continuava a me analisar minuciosamente. — Ainda está mentindo, crie vergonha na sua cara e responda a verdade. — Quando levantei e sai, algo me puxou de volta para a cadeira que eu estava sentado. — Não pediu permissão para levantar e aprenda a nunca dar as costas a ninguém. — Zendaya segurava a mão de uma forma contorcida e totalmente sombria. — Eu realmente não pedi permissão e se não me soltar agora eu juro que nem que eu morra, mas acabo com você e sim isso é uma ameaça. — Zendaya e até mesmo vovó estavam impressionados com minha ousadia. — Aphodis não tem como mentir, esse garoto e realmente seu neto. — Ravenna falou enquanto Francine analisava a situação e vovó apenas olhava e sorria. — Pelo menos essa pessoa que te ama está longe da Flórida, não está? — Francine finalmente abriu a boca. — Está, bem se não estiver eu vou subir uma barreira sobre essa região e quem quer que seja não vai conseguir passar. — Vovó falou. — Vamos fazer isso agora Aphodis. — Disse Ravenna e chamou Zendaya. — Ficamos apenas eu e Francine na mesa. — Não precisa ficar se não quiser, mas quero conversar com você. — Francine me olhava e eu encarava ela. — Mas antes que você saia para ameaçar mais alguém saiba que seu sei o que você esta passando, não é fácil, mas se você me baixar te ajudar, vai ser mais fácil e suportável. — Cruzei minhas pernas, coloquei meus cotovelos na mesa e finalmente abri a boca para tomar um ar. — Então me explique como você pode saver disso tudo, já que nasceu a tipo milhares de anos atrás. — Ela não respondeu, apenas não tirava os olhos de mim. — Assim. — Ela abaixou um pouco da alça do vestido cheio de flores. Ali se encontrava uma cicatriz enorme e algumas pintas e uma mancha em formato de coração. — você acha wue chegar onde estou hoje foi fácil? — Ela sorriu. — Isso tudo foi minha mãe que fez, minha própria mãe tentou arrancar meu coração de dentro de mim. — Ela estava ficando um pouco mais confiável. — Me conte mais, claro se não for muito incômodo. — Tinha de saber mais sobre aquilo, meus deuses ela tinha de falar pelo menos em meias palavras, mas tinha de falar. — Eu conto, mas se você prometer que vai contar o que esta acontecendo com você. — Ela deu um pequeno sorriso. — Tudo bem concordo. — Sorri e ela sentou novamente arrumando o vestido.
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