All The Things She Said
1 If They Hurt You, They Hurt Me Too
Ele era um garoto muito fofo, incrível. Comigo. E porque as pessoas diziam que ele era apaixonado por mim sendo que éramos melhores amigos? Tinha a Paloma, uma garota na minha escola que, simplesmente, achava que todos os garotos da escola eram seus, ela estava enganada!
Não Gabriel, Gabriel não era dela, e sim, eu, Anne, gostava dele e sentia ciúmes do modo como ele procurava ser legal com ela, mas dava para perceber que aquilo era um tanto forçado da parte dele.
Eu tinha 12 anos, e já sofria bastante, pois meus pais havia me abandonado quando eu tinha 7 anos, me deixando com minha tia Débora, da qual eu agradecia por tudo, pois ela me ajudou bastante. Minha mãe ás vezes vinha até minha casa, mas a gente mal conversava direito, era apenas um oi e talvez um abraço e logo a via indo embora.
Mas eu ficava mal toda vez que ela vinha até minha casa, pois sabia que da parte dela não havia amor de mãe, nunca houve. Mas eu sabia que podia contar com Gabriel, meu melhor amigo, mas nem sempre, pois ás vezes ele estava com alguma coisa pra fazer, mas eu sabia que ele procurava me dar a maior proteção que alguém pode dar á outra pessoa. Mas com o tempo, percebi que ele não era aquilo que eu pensava. Aquele garoto meigo que é diferente dos outros, talvez até seja, pelo menos tenta passar essa imagem pra mim, mas eu sabia que, como vários outros garotos, ele gostava de ir á festas e beijar algumas meninas, sem ter que namorar ou gostar delas. Talvez isso me incomodasse um pouco, principalmente quando eu finalmente percebi isso, mas eu já tinha quase 14 anos. Ele continuava aquele amigo presente, protetor e querido, até que Paloma começou a “fazer a cabeça dele”, mas não contra mim, apenas á favor dela. Mas acho que ele não conseguia cair naquela conversa dela, não totalmente.
Ele começou a ficar distante de mim, quando eu já estava com meus 16, quase 17 anos. Mas eu sabia, que quando Gabriel não estivesse lá, Eduardo estaria e me apoiaria o quanto eu precisasse. E a cada mês as coisas estavam cada vez mais me machucando, Gabriel estava me machucando. Eu sempre fui sensível, talvez pela minha infância sem meus pais por perto, afinal na escola não havia nada do que eu pudesse reclamar. Eu estava chorando quase sempre, mas não tinha coragem de dizer ao Gabriel o que eu sentia por ele, e eu sabia que talvez nunca tivesse.
Então, hoje, eu estava decidida de que eu teria de dar um fim naquilo, naquele sofrimento, por mais que eu soubesse que seria mais difícil ainda ter que me despedir de meus amigos, de Gabriel. Por algum motivo, acho que alguém havia contado á ele, afinal, quando olhei em meu celular, havia 24 chamadas não atendidas, de Gabriel. E ele continuava á me ligar, mas em nenhum momento eu atendi.
Eu estava lá, no meu quarto, tudo estava vazio, e eu estava chorando, chorando muito, como nunca pensei que fosse chorar. Coloquei um casaco, pois estava muito frio lá fora agora, e sai de casa, indo em direção ao carro de minha tia.
Entrei no carro, coloquei a música Hello, da banda Evanescence, pois combinava bastante com o momento, e fiquei ouvindo, chorando, mas com as mãos no rosto, para que não fosse tão fácil perceber.
Chegando na cidade que iriamos morar a partir de agora, eu olhei para minha nova casa, e logo desci do carro e fiquei admirando-a.
Esqueci-me de dizer também, que duas amigas minhas, que eram da mesma cidade, chamadas Gabriele e Stefani, iriam morar comigo naquela cidade a partir de agora. Para Gabriele não seria fácil também, pois ela teria de deixar seu amor, Igor, para trás. Igor era um grande amigo de Gabriel, e meu também.
Entrando em casa, subi para meu quarto, e elas foram para o delas, logo depois vindo ao meu e Stefani, bem alegre, falando:
Nossa, meu quarto é lindo, e o seu também, Anne! – Disse Stefani, logo caminhando pelo meu quarto e olhando com um belo sorriso no rosto. Já Gabi não parecia estar tão feliz assim, e eu a entendo, pois estava passando pela mesma situação. Fui em direção a ela e a abracei, logo dizendo:
Não fica assim, Gabi. As coisas iram melhorar, e tudo ficará bem, ok? – Eu disse, tentando fazer com que ela ficasse mais tranquila. Eu sabia que também estava mal, mas eu tinha a mania de, mesmo estando mal, eu queria que meus amigos ficassem bem, pois eu ficaria mais tranquila vendo eles bem.
Aham. Obrigado, Anne, você é realmente incrível! – Disse Gabi, logo me abraçando novamente com um sorriso no rosto. Eu sorri, abraçando-a.
Então, suas chatas, o que acham de sairmos? Sei lá, irmos á um shopping? – Disse Stefani, fazendo com que eu e Gabriele nos olhássemos com uma cara de quem não achava que aquela seria a hora certa para sair.
Ah, qual é gente, vamos, por favor? – Disse Stefani, dando pulinhos junto a suas mãos que se encontravam uma apertando a outra. Ela estava fazendo um pequeno beicinho.
Tá bem. – Eu disse, sorrindo. – Mas nem pense em querer voltar tarde, ou ir a algum lugar sem ser no shopping, ok? – Eu disse, usando uma voz autoritária que a fez rir. Eu ri junto.
Fomos ao shopping. E depois daquele dia, tudo estava bem, pelo menos naquele lugar. Mas eu acordava e ia dormir pensando em Gabriel, todos os dias. Fiquei 1 ano ali, e quando completei meus 19, eu pensei em voltar á cidade da qual vivi minha infância, da qual conheci o garoto em quem eu pensava todos os dias.
Estávamos arrumadas, malas prontas, o carro de Gabi estava lá na rua, já esperando por nós. Eu e Stefani saímos de casa, e entramos no carro. A viagem foi tranquila, muitas risadas. Eu combinei com as meninas de que, se caso eu encontrasse Gabriel, ou algum dos amigos deles, eu iria fingir que não os conhecia, que eu não era a mesma Alanne.
Por incrível que pareça, nesses quase 3 anos, eu havia mudado muito, tanto na aparência quando no meu jeito de ser. Eu estava mais decidida, mais madura, muito mais madura. Não era mais aquela menina inocente, que deixava que tudo a magoasse, eu havia mudado, MUITO!
Chegando na casa que não era a mesma de antes, porém na mesma rua, eu percebi que a casa de Gabriel ainda era a mesma e no mesmo local. Não sabia se aquilo era motivo de arrependimento por ter escolhido aquele lugar para morar ou motivo de alegria por, novamente, ser vizinha dele.
No mesmo dia, á pedido de Stefani, fomos ao cinema. Nós nos divertimos muito, e depois fomos ao MacDonald’s. Eu estava comendo tranquilamente, até que eu me levantei para ir embora e, sem querer, eu esbarro em um garoto que estava atrás de mim, então eu me viro para pedir desculpas e eu percebo que conhecia aquelas cabelos castanhos e aqueles olhos azuis. Era Gabriel, com certeza. Ele me olhou, mas pareceu não me reconhecer. Melhor assim. Eu fiquei 5 segundos o encarando e depois me toquei de que estava olhando demais.
Er, me desculpe... – Eu disse nervosa, não sabia se ele havia ou não me reconhecido. Mas parecia que não.
Não, tudo bem... Seu nome é? – Ele perguntou e, por um momento, senti meu corpo tremer e não soube se mentia ou falava meu nome. Não gosto de mentir, então falei meu nome, não o apelido do qual ele era acostumado a me chamar.
É Alanne. E o seu? – Eu disse, ainda nervosa.
É Gabriel. Bonito nome. – Ele deu um sorriso, mas logo depois percebi que sua expressão agora era de tristeza.
Então, meninas, o que vocês acham de ir hoje á noite em uma festa que terá aqui perto do shopping? – Perguntou Lucas, um amigo nosso de infância.
Nós adoraríamos. – Disse Stefani. No mesmo momento, senti vontade de bater nela. Porque ela fez isso? Ela sabe que não era para tentar se reaproximar mais deles, pelo menos não agora.
Ok então. Onde vocês moram? – Igor disse, logo lançando um sorriso para Gabi, que ficou estranha.
Acho que somos vizinhas do seu amigo aí. – Stefani disse, logo soltando uma leve risada, e apontando para Gabriel.
Eu me senti nervosa pelo o que poderia acontecer. Eu não queria que Gabriel soubesse quem eu era, não agora. Eu queria fazer, de alguma forma, com que ele sofresse o mesmo que eu sofri, por causa dele. Mas eu o amava, e doía saber que estava prestes a me vingar do que ele fez pra mim...
Continua...
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