Ele levantou-se da cama e começou a se arrumar. Primeiro a cueca box, em seguida suas calças e a por último a blusa social. Quando estava terminando de abotoar a camisa, sentiu dois braços o envolvendo em um forte abraço e palavras sendo sussurradas em seu ouvido.

-Aonde você pensa que vai?

Ele podia sentir o corpo nu pressionado ao seu, os braços fortes o envolvendo e os lábios tocando a sua face. Suspirou e disse:

-Você sabe muito bem que tenho que ir. Já está tarde e preciso voltar para casa. – dizendo isso, soltou-se do abraço e terminou de se arrumar.

O outro se sentou na cama e fazendo bico, disse:

-Não se vá. Fique aqui comigo, Arthur.

Arthur virou-se e o encarou.

-Não posso afinal você casado e sua esposa pode acabar nos pegando juntos, Alfred.

-Não se preocupe com ela. Natalia viajou e só vai voltar semana que vem. Podemos ficar juntos o tempo que quisermos.

Arthur aproximou-se do outro e tocou sua face. Seus dedos acariciaram gentilmente a sua bochecha e subiram até os fios de cabelo, onde repousaram.

-Eu não posso. Isso seria arriscado demais para você.

“Afinal, sua cama não é lugar para um simples amante” – pensou.

Alfred inclinou a cabeça para receber melhor o afeto do outro e fechou os olhos, dizendo:

-Todas as vezes que você vai embora eu me sinto sozinho. Tudo que eu queria era poder acordar de manhã e estar com você ao meu lado. Poder te dar “bom dia” e te beijar. Sinto sua falta todos os dias, Arthur.

Arthur afastou-se e começou a recolher suas coisas. Aquilo era demais para ele. Amava o outro, isso não tinha dúvidas e odiava o fato de que os dois só podiam encontrar-se daquele jeito, como amantes.

Alfred suspirou e disse:

-Pelo menos me deixe fazer algo por você. Você está com fome? Podemos comer algo e então eu te levo para casa...

-Alfred! Eu estou bem, ok? Volte para cama e durma. –dizendo isso ele dirigiu-se até a porta do quarto.

-Arthur – disse o outro – Eu te amo. Nunca se esqueça disso.

Arthur estancou em frente à porta e sem se virar disse:

-Não diga palavras tolas. Somos só amantes. Nada disso tem haver com amor. – e com isso saiu deixando o outro para trás.

--

Dois anos atrás

Alfred estava no topo de sua carreira como ator. Havia começado de baixo fazendo papéis secundários em filmes que quase ninguém conhecia. Até que finalmente um diretor famoso o viu em um desses filmes e o chamou para atuar no seu mais novo sucesso. Era um filme de ação em que Alfred atuou como principal. Todos adoraram o filme e a crítica elogiou aquele ator desconhecido que havia brilhado no papel principal. Desde então, Alfred tem estado muito ocupado realizando filmes e mais filmes, sempre de ação, em que mostram um grande herói, invejado pelos homens e desejado pelas mulheres, salvando o dia das mais diversas maneiras.

Aquilo era tudo que o jovem queria. Hollywood o amava e ele havia conquistado tudo que sempre sonhou. Fama, sucesso, e uma bela noiva, a quem teve orgulho de mostrar para todos os paparazzis que os perseguia.

Só que a fama e o sucesso exigiam dele coisas que às vezes ele não queria realizar. Alfred morria de medo de perder seu prestígio e por isso aceitava tudo que seu agente dizia que ele tinha que fazer. Como tinha que se vestir, aonde ir e que filmes aceitar. Tinha chegado o momento em que ele sentia-se um mero boneco de Hollywood. Casou-se, mas não se sentia totalmente feliz. A vida que ele tanto quis havia custado sua felicidade.

Um dia, decidiu que iria escapar daquilo ou ia acabar enlouquecendo. Sem ser visto, pegou o seu carro e dirigiu até o lado aposto da cidade. Foi até o subúrbio e começou a rodar pela região. Ele estava cansado daquela vida de mansões, carros de luxo e partidas de tênis. Queria voltar a andar pelas ruas que ele andava antes de ser uma grande estrela.

Ao passar, percebia que estava chamando atenção com seu carro e por isso o estacionou em um estacionamento particular e começou a andar a pé. Estava disfarçado com boné, óculos escuros e roupas largas, mas mesmo assim temia ser reconhecido. Por sua sorte, as pessoas não o reconheceram e algumas nem ligavam muito para ele.

Alfred sorriu e começou seu tour. Passou por algumas lojas e parou em uma rede de fast food famosa para comer algo. Seu agente o fazia malhar e comer coisas saudáveis todos os dias. Tudo para manter o corpo perfeito. Quase nunca podia comer os alimentos gordurosos que tanto amava. Sentiu lágrimas escorrendo dos olhos quando mordeu um hambúrguer. Aquele dia estava sendo perfeito.

Quando saiu, passou por uma locadora e olhou os pôsteres. A maioria era de filmes famosos, mas tinha alguns de que ele nunca tinha ouvido falar. Sua curiosidade foi maior e ele decidiu entrar.

A primeira coisa que notou foi que a locadora era diferente. As estantes eram de madeira (e de boa qualidade). Não só tinham DVDs, mas em outra parte também haviam livros. Pôsteres estavam espalhados pela loja e eles eram uma mistura de filmes conhecidos e outros que ele nunca tinha visto. Reconheceu um como sendo um dos filmes independentes que ele tinha feito há tanto tempo atrás.

Andou até o balcão, que também era de madeira, e tocou uma campainha que havia em cima dele. Percebeu que havia uma porta atrás do balcão e que estava aberta.

-Já estou indo – respondeu uma voz.

Alfred esperou um pouco e um jovem apareceu. Ele era alto, magro e tinha cabelos loiros. Seus olhos eram verdes e ele possuía espessas sobrancelhas. Apesar disso, era muito bonito e Alfred acabou se perdendo naquele olhar.

-Posso ajudá-lo, senhor? – disse o jovem, tirando-lhe de seus pensamentos.

-Ah... sim... gostaria de saber se tem o filme “Carga Mortal” disponível.

Arthur franziu as sobrancelhas e andou até uma das estantes onde ficava a seção dos filmes de ação. Ele passou os olhos pelos DVDs até encontrar o que queria.

-Aqui está. – disse.

Alfred olhou para o DVD e seus olhos iluminaram-se. Aquele tinha sido o filme que o lançou em Hollywood. Apesar das consequências, ele realmente tinha gostado de ter feito o filme.

-Muito obrigado. Esse filme é ótimo e o ator principal é incrível.

Alfred falou com muito orgulho de si, mas o jovem não lhe deu muita atenção.

-Ah, claro – respondeu.

Aquilo deixou o ator curioso. Nunca tinha visto uma reação daquela.

-Então, você não gosta de filmes de ação.

O jovem cruzou os braços e disse:

-Depende do filme. Antigamente os filmes de ação tinham mais história e suspense. Hoje em dia são as mesmas histórias combinadas com explosões e rostos bonitos.

Alfred sorriu com o último comentário.

-Mas esse filme é uma fórmula de sucesso. Vai me dizer que não gosta do grande ator Alfred F. Jones?

-Alfred, huh? Eu o conheço. Gostava mais dele quando fazia filmes independentes. Veja aquele filme – disse, apontando para o cartaz que Alfred tinha reconhecido. – Ele atuou perfeitamente bem nesse filme e em outros também. Eu cheguei a ser um fã dele, mas vê-lo nesses blockbusters me decepcionou muito. Ele já não atua como antes.

Alfred surpreendeu-se. Tinha conhecido fãs antes, mas nunca dá época que era um desconhecido. Aliais, não sabia que tinha um fã por causa desses filmes.

-Qual... seu nome?

O jovem estranhou a pergunta, mas respondeu.

-Me chamo Arthur.

“Então ele se chama Arthur. É um belo nome...” – pensou.

-O senhor já é cadastrado aqui? – disse Arthur, tirando-lhe de seus pensamentos.

-Hum? A... não... eu não sou cadastrado.

-Então peço que o senhor por gentileza me entregue seu RG, pois precisarei dele para fazer uma ficha.

Alfred lembrou que estavam com seus documentos originais. Não podia (nem queria) revelar quem ele era para o jovem e por isso afastou-se dando uma desculpa.

-Me desculpe, mas eu lembrei que tenho um compromisso que não posso faltar.- e com isso saiu.

-Senhor e o seu DVD?

Tarde demais, Alfred já tinha saído.

Arthur observou a porta com sobrancelhas franzidas e pensou:

“Que sujeito esquisito” e com isso ele voltou para o interior da loja.

--

Depois daquele encontro com Arthur, Alfred começou a ir à locadora sempre que podia. Todas às vezes ele arranjava desculpas para poder ir até o subúrbio da cidade. Sempre disfarçado, ele entrava na locadora e ficava puxando assunto com seu dono.

Arthur a principio estranhou o fato daquele rapaz (que se apresentou como Michael e que sempre andava de boné, óculos escuros e roupas folgadas) estar sempre indo e voltando a sua locadora. A rotina era quase a sempre a mesma. Ele chegava, dizia um nome de algum DVD que gostaria de alugar e ficava conversando por horas. Tinha vezes que ele estava só de passagem e pedia sugestões de filmes para assistir (o que o deixava extremamente feliz, já que se sentia contente em poder compartilhar os filmes que gostava com outras pessoas) e surpreendentemente quando ele voltava, os dois ficavam conversando sobre os filmes.

-Estou te dizendo Michael, “Orgulho e Preconceito” é um clássico. Eu tenho até o livro aqui para locar, se você quiser. – disse Arthur, uma vez.

-Nah, muito obrigado. Eu achei extremamente entediante. Se colocassem zumbis... seria mais emocionante — respondeu o outro.

Arthur sentiu seu sangue ferver com tamanha blasfêmia.

-Não estrague uma boa obra com coisas sem sentido! – disse, irritado.

De filmes, passaram a conversar sobre eles mesmos. Na verdade, Alfred evitava o máximo falar de si e sempre inventava alguma coisa para desviar o assunto. Ele estava mais interessado no outro e em uma das conversas descobriu que Arthur era inglês e que tinha vindo para os Estados Unidos há sete anos por questões familiares. Também descobriu que ele gostava muito de filmes e livros e que tinha o sonho de ser escritor.

-Por que você acabou se tornando dono desta locadora, Arthur?

-Eu vim para os Estados Unidos tentando fugir da vida que eu tinha lá. Meu tio era dono desta locadora e eu comecei ajudando ele. Quando percebi, ele morreu e eu acabei herdando a loja. No começo eu tinha o sonho idiota de conseguir escrever um livro, mas a realidade é pior do que eu imaginava.

-Você fala como um velho e só tem vinte sete anos!

Arthur encarou o rapaz em sua frente e disse:

-E você? Vem aqui quase todos os dois, ás vezes passa longos períodos sem vir. Quem é Michael e por que diabos você só anda com esse boné ridículo, óculos escuros e roupas que não combinam com você?

Alfred ficou um tempo em silêncio encarando o outro. Depois de um tempo, suspirou e disse:

-Você que saber quem eu sou? De verdade?- disse.

Arthur estreitou os olhos.

-Por acaso você é procurado pelo FBI ou algo assim? Por que não tira esse boné e esses óculos?

Alfred riu levemente com aquele comentário, mas também se aproximou do rapaz ficando poucos centímetros longe da face do outro. Uma vontade estranha se apossou dele e quando menos percebeu, disse:

-Eu só tiro se você me der um beijo.

Os olhos de Arthur arregalaram-se, sua boca abriu em surpresa e ele sentiu o rosto esquentar.

-O-OQUE?- disse em choque

Alfred sentiu as bochechas corarem também, mas foi firme.

-Este é o trato. Um beijo. É tudo que peço.

-Você está louco! Eu não te conheço! Você não pode...

-Arthur- disse, cortando o outro – se você não fizer... eu vou... – dizendo isso se aproximou mais do rapaz.

Arthur sentiu o coração bater mais rápido e ao invés de afastar o outro, ele acabou fechando os olhos em antecipação. Quando sentiu os lábios do outro roçarem nos seus, ele tirou o boné de sua cabeça e percebeu que ele tirou os óculos. Beijaram-se levemente, sentindo o gosto um do outro. As línguas tocando-se, fazendo os dois se arrepiarem. Quando se separam, Arthur abriu os olhos e não acreditou no que viu.

-A-Alfred!?

Continua...

Notas finais
Orgulho e Preconceito e... ZUMBIS! EU TENHO ESSE LIVRO HAHAHAHA. Recomendo XD
HOLA O/
Mais uma vez estou aqui com uma nova fic weee
Olha, eu sei que deveria estar atualizando a outra, mas a ideia veio na mente e eu TINHA que escrever T.T
Eu não tenho muito o que dizer... espero que gostem...
Bjos o/