All That I Am
5 The blackest of rooms...
Notas iniciais
Acordei com o sol batendo no meu rosto, era mais ou menos 10h da manhã. Pedro estava dormindo ao meu lado. Me levantei e fui me olhar no espelho. Estava com o rosto inchado de tanto chorar, estava pálida e sentia uma fraqueza terrível. Não era física, era espiritual. Estava me sentindo pequena, desprotegida. Mas eu estava desprotegida. Tinha perdido minha mãe.
CLA: Quem vai cuidar de mim agora? – me perguntei em voz alta.
PLA: Eu! Eu te disse que você não está sozinha nessa, vou estar com você pra sempre.
CLA: Bom dia – eu disse e sorri fraco.
PLA: Bom dia! Pronta pra tudo?
CLA: Acho que eu nunca vou estar pronta, mas vamos lá. – eu disse suspirando.
Pedro levantou e veio até mim, me abraçando pela cintura.
PLA: Tá certo. Mas vamos falar de coisa boa... – Pedro disse bagunçando meus cabelos.
CLA: Tek Pix não! Essa piada já tá ficando chata. – Eu disse fazendo cara feia.
PLA: Ei, quem disse que eu ia falar Tek Pix? – ele disse dando uma risada gostosa. – eu ia dizer que você fica linda até com o rosto inchado de tanto chorar.
CLA: Você é muito meigo, nossa! Eu não te mereço, eu sou muito animal. – disse fazendo bico.
PLA: Eu gosto das animais, rawr – ele respondeu me beijando. Um beijo calmo, mas com um toque de desejo. Eu amava os beijos do Pedro. E amava ele também.
Nosso beijo foi interrompido com o telefone tocando.
Pedro não parava de me beijar. Me afastei um pouco dele.
CLA: Deixa eu ir atender...
PLA: Hmmm... não, fica aqui. – ele disse me puxando.
CLA: Não, vai que é... – desci pra sala correndo.
CLA: Alô?
xXx: É a senhora Clarissa Marie Fenizzi?
CLA: Sim sou eu. – eu disse com a voz tremula. Eu meio que já sabia do que se tratava a ligação.
xXx: Aqui é do IML de Juiz de Fora, estamos ligando pra tratar sobre os corpos de...
CLA: Maria Claudia Fenizzi e Clarisse Fenizzi.
xXx: Elas mesmas. A policia já liberou os corpos, só falta nós sabermos quando será o velório para mandarmos ai pra São Paulo.
CLA: Eu ainda não marquei nada. Estou meio atordoada com essa perda repentina, mas vou tomar providencias sobre isso hoje. Assim que eu resolver tudo, ligo pra ai informando o dia, tudo bem?
xXx: Ok. Obrigada, senhora.
CLA: Que isso, obrigada você.
Desliguei o telefone e sentei no sofá, desatando a chorar.
Eu estava sem forças, não queria me arrumar e sair pra resolver coisas sobre o velório da minha mãe e da minha avó, não queria fazer contato com meus outros parentes. Eu estava sozinha nisso.
Fiquei perdida em pensamentos, até que criei coragem de me levantar e ir tomar um banho pra sair e resolver tudo isso de uma vez.
Subi para o meu quarto e encontrei Pedro sentado na minha cama.
PLA: Quem era?
CLA: Era do IML de Juiz de Fora. Já liberaram os corpos.
Pedro levantou e veio até mim.
CLA: Não sei se vou ser forte o suficiente pra cuidar dessas coisas.
PLA: Tô aqui com você, pequena. Não se preocupa.
CLA: Obrigada, tá? – respondi acariciando seu rosto – Bom, vou tomar meu banho e ir pro corre. Quanto mais rápido eu resolver essas coisas, melhor pra mim.
PLA: É, vai lá. Enquanto isso vou lá em casa contar pra família o que houve, tomar um banho e a gente se encontra no shopping pra almoçar, fechado?
CLA: Ok.
PLA: Até daqui a pouco. Te amo, fica bem, tá? – ele disse me dando um selinho e saindo do quarto logo em seguida.
CLA: Te amo também. – gritei.
PLA: Eu te amo mais. – ele gritou já na sala.
Ri sozinha e fui tomar um banho.
Fiquei 40 minutos no chuveiro, esperava que a água levasse aquela tristeza, aquela fraqueza toda embora.
Mas foi em vão.
Quando cai do chuveiro ainda estava do mesmo jeito. Tirei a conclusão de que aquilo seria eterno.
Sequei meus cabelos e os penteei em comportados cachos grandes, não usei o aspecto bagunçado de sempre. Escolhi uma roupa (http://looklet.com/look/13298117) e fui pra sala.
Parei ao pé da escada e fitei a sala vazia. Como todos os dias, esperava que minha mãe estivesse sentada no sofá, deslumbrante, com uma saia tubinho preta na altura do joelho, uma pólo branca e um blazer preto, esperando o motorista pra ir trabalhar. Mas ela não estava lá e nunca mais ia estar.
Sacudi a cabeça tentando esquecer isso por um momento. Tinha coisas serias pra resolver.
Fui pra cozinha. Abri a geladeira e peguei um bolo de chocolate que minha mãe tinha deixado feito pra mim, antes de ir pra Juiz de Fora. Ela sabia que eu era um desastre na cozinha.
Peguei uma jarra de suco de laranja e coloquei na mesa.
Me sentei e comi vagarosamente.
Minha vontade era de me enfiar num buraco e sair de lá só quando me sentisse forte o suficiente pra enfrentar a vida sozinha.
Terminei de comer e sai pela porta dos fundos. Iria sair no meu carro (http://goo.gl/Wz2ly)
Abri o portão da garagem e sai. Fui até uma agência funerária e resolvi tudo. Marquei o funeral para sexta-feira. Contratei uma pessoa para ligar para os parentes, para perguntar se eles viriam. Não queria falar com aquela gentinha que abominava minha mãe e eu. Eu até esperava que eles não viessem, eles nunca gostaram de mim, nem da minha mãe, muito menos da vovó. Agora depois das duas mortas, acho que eles iriam fazer festa.
Depois de resolver tudo segui para o shopping para encontrar com o Pedro.
Parei o carro no estacionamento e liguei pra ele.
PLA: Alô?
CLA: Amor, você já chegou?
PLA: Já sim! Tô aqui no restaurante japonês, você já chegou?
CLA: Já, tô no estacionamento, liguei só pra ver se você já tinha chegado, porque eu ia fazer umas comprinhas antes.
PLA: Vem pra cá, ai a gente almoça e depois fazemos compras. Também tô precisando comprar algumas coisas.
CLA: Tudo bem, tô subindo pra ai. Beijo.
Desliguei o celular e sai do carro.
O restaurante japonês ficava no 2ª andar do shopping. Andei rápido até chegar no restaurante.
Estava vazio e foi fácil achar o Pedro.
Fui andando até a mesa e me sentei. Ele nem percebeu que eu tinha chegado. Estava muito distraído com seu temaki.
Me movimentei um pouco na cadeira e Pedro olhou pra frente tomando um susto.
CLA: Oi viciado em temaki. – eu disse me aproximando para dar um selinho.
PLA: Nossa, nem te vi chegar.
CLA: É, eu percebi.
O garçom veio até nossa mesa e eu pedi um temaki também. Adorava aquilo.
PLA: E ai, resolveu tudo?
CLA: Sim, marquei pra sexta.
PLA: Hoje é que dia, hein? – Pedro me perguntou confuso.
CLA: Terça, Pedro. – eu disse rindo.
PLA: É? Essa rotina me deixa doido.
CLA: Que rotina? Não tô te vendo fazendo show!
PLA: Mas uma semana atrás eu tava, acabei de entrar de f... Ah, você entendeu. – ele disse voltando atenção ao seu temaki.
Enquanto isso o meu chegou.
Pedro terminou de comer e me esperou terminar. Fomos fazer compras.
Compramos roupas para usar no funeral e algumas besteirinhas.
Saimos do shopping ás 15h e seguimos em direção á minha casa, cada um em seu carro.
Entrei com meu carro na garagem e Pedro estacionou o dele do outro lado da rua.
PLA: Vamos lá pra casa? Bom que você conhece sua sogrinha. – ele disse me puxando pela cintura para um beijo.
CLA: Vamos, né. – disse entre o beijo.
Fui até seu carro e entrei no lado do passageiro.
A casa de Pedro era até perto da minha. Chegamos em poucos minutos.
CLA: Pedro, tô nervosa.
PLA: Não precisa. Minha mãe é um amor. – ele disse rindo.
Pegamos o elevador que por sorte estava indo pro mesmo andar do apartamento de Pedro.
Era no 10ª andar. Chegamos e andamos por um pequeno corredor, até uma porta do lado esquerdo.
PLA: Pronta?
CLA: Não, né? Mas vamos.
Ele riu e abriu a porta.
PLA: Família, tem visita!
xXx: Pedro Gabriel, onde você se meteu? Acordei hoje cedo e seu quarto tava vazio... – ouvi uma voz vindo da cozinha até que eu vi quem era. Era a Leni, amiga da minha mãe. Perai... ela era a mãe do Pedro?
LENI: Clarissa?
CLA: Leni? Você é a mãe do Pedro?
LENI: Sou sim! E você é a namorada dele?
Então era o meu Pedro que era o filho dela que ela tanto falava, mas eu nunca tive a oportunidade de comhecer, porque ele viaja muito fazendo turnê. Eu nunca soube que o sobrenome dela era Lanza.
CLA: Sou! Ah, vem cá me dar um abraço.
Fui até ela e lhe dei um abraço apertado. Ela estava com uma cara muito boa, ela ainda não sabia o que tinha acontecido. Pedro não havia contado pra ela.
Conversamos um pouco até que eu tive coragem de tocar no assunto.
CLA: Você já sabe o que aconteceu? – resolvi começar como nos filmes. Sou muito imatura, eu sei.
LENI: O que, minha linda?
CLA: Err... eu não sei como começar. Houve um tiroteio em uma pracinha em Juiz de Fora e minha mãe estava passeando lá com a minha avó, ai... – as lagrimas quem sempre vinham quando eu tocava nesse assunto, me impediram de continuar.
LENI: O QUÊ? A MARIA CLAUDIA MORREU? – Leni perguntou aos prantos. E eu balancei a cabeça confirmando.
Eu abracei ela e nós choramos juntas.
Pedro foi pegar uma água pra ela e pra mim.
Tomamos e ela continuo a chorar, mais calma.
LENI: A dona Clarisse morreu também?
CLA: Sim.
LENI: Meu Deus, que tragédia. – Leni disse apoiando a cabeça nos joelhos.
Ficamos conversando, lembrando dos momentos felizes que ela passou ao lado da minha mãe. Ficou bem tarde e eu resolvi dormir por lá mesmo.
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