All Star
8 All Star.
Notas iniciais
Loki voltou com todos para a sala de controle, meu humor já não estava tão bom como sempre, uma seriedade sinistra permanecia em cima de minha cabeça, como uma nuvem gigante.
Loki sentou-se ao meu lado, ainda falando com Stark, dando coordenadas e explicando a maneira mais fácil de desestabilizar os aliens inimigos.
–Plástico. – Loki informou, rindo um pouco.
–Você só pode estar de brincadeira... –Natasha bufou.
–Não estou brincando, plástico, cutuquem os malditos com uma arma de brinquedo e eles apagam por horas.
–Nossa, isso será bem mais fácil do que imaginávamos. – Steve riu colocando os braços atrás da cabeça.
–Concordo. – Loki olhou-me por um instante, mordiscando o lábio e se virou para Nick. – Vou precisar de proteção.
–Acredito que isso seja um modo Asgardiano de pedir favores. – “Purry”, riu, mas acenou. – Vamos providenciar, mas saiba que, você terá que cooperar conosco que outros aliens vierem nos atacar.
–Claro. – Loki assentiu, consciente.
–E eventualmente você terá que voltar para Asgard um dia, e imagino que de lá eles não poderão te defender. – Thor comentou.
Os super-heróis assentiram, e Loki abaixou a cabeça um pouco cabisbaixo.
–Porém, em Asgard eu consigo te defender sozinho. Eu contarei ao nosso pai e a todos as histórias maravilhosas que você poderá ter quando voltar. –Thor aliviou seu irmão, com um sorriso caloroso.
Agente Maria apareceu na porta rapidamente, e acenou uma joínha para Nick.
–Heróis, hora de pegar as armaduras. Achamos um bom ponto de ataque. Vamos lá!
E assim, os heróis saíram da sala, levando Loki, para minha infelicidade.
Como um encontro mal sucedido, me senti triste com um pouco de raiva.
As perguntas que não tinha feito ao longo dos dias me assombravam agora, e eu não queria estar sozinha.
Um agente infeliz me levou até um computador, e me disse que eu tinha internet ilimitada até a missão estar completa.
Então senti aquela sensação que acho que só as mulheres já sentiram, a de felicidade após o levar um bolo no encontro, aquela sensação de quando você olha para o seu sorvete, ou chocolate, e sente como se estivesse encontrando um velho amigo, muito prazeroso por sinal.
Eu só não queria era sentir a sensação de inchaço do dia seguinte, menos a culpa.
Enquanto fiquei na internet, me esqueci do tempo e de tudo enquanto jogava aqueles jogos de vestir, e salvei todos em uma pasta chamada “LOLLAAAAALLALALA”
Loki voltou, um pouco cansado, e os heróis também.
Jantei enquanto eles se recuperavam, comiam e tomavam banhos.
Senti um sono terrível percorrendo todo meu ser. Aquele tipo de sono que você tem quando você fica olhando para a TV sem realmente ver em uma tarde de domingo.
Aquele sono que você sabe que por mais que seja um filme maravilhoso, você vai pegar no sono.
Era como se ao invés de barulhos de motores, e pessoas andando, fossem canções de ninar.
Me carreguei para o quarto, cambaleando como uma bêbada, e me senti meio estranha.
Tinha uma trava em algum lugar do meu ser, eu não podia pensar em ir... Ir aonde?
Loki entrou no quarto, e sorriu para mim.
–Tudo ocorreu bem, no final das contas. – Ele se sentou ao meu lado na cama.
–Estou com medo. – Cuspi.
Eu não cuspi, tipo, cuspir. Eu cuspi tipo aquela cuspida que os professores dão que molham a turma toda e todos ficam ‘Ohh, ele disse um palavrão’. Aquele pensamento que estava na sua boca, pronto para ser cuspido.
Então, cuspi.
–De quê?
–De dormir. – Eu disse com uma voz meio embargada.
–Mas você está com tanto sono. – Ele riu, e me empurrou para deitar, se deitando ao meu lado.
–Eu sei... – Suspirei. – Loki, prometa-me uma coisa.
–Qualquer coisa. – Ele disse com um ar apaixonado.
– Fique com ela. A mulher, Sif, a que você gosta em Asgard. Diga-a que gosta dela, grite se for preciso. Se ela não te der bola, ou não gostar de você de volta, não fique triste, saiba que se ela não retribuir o sentimento, ela não é boa para você. Se arrisque, mesmo que as consequências fiquem mais doloridas que dormir em cima do braço. Loki, eu sei o quanto você gosta de ser você, mas tente ser você duplamente. Tente ser um você melhorado, mas não para os outros, para você mesmo.
–Por que você está dizendo isso, querida? – Ele perguntou, um pouco preocupado.
–Você está prestando atenção? – Perguntei, um pouco irritada.
–Claro, claro que estou. – Ele riu, esfregou sua bochecha contra meus cabelos.
–Se você me escutou, você sabe do que tenho medo. Se você me escutou, você vai entender.
–E se você me escutou e me viu todo esse tempo, você vai saber que eu te amo. – Ele me abraçou mais perto. – E não há nada que eu não faça por você, Lolla. Você é para mim, como já disse, todas as estrelas e um pouco mais.
–Você já disse isso?
–Sim, muitas vezes. E repito. – Ele riu.
–Ah é, agora me lembro.
–Então você me ouviu. – Ele me beijou, levemente, seus lábios frescos e lisos contra os meus, era uma coisa divina, não foi carnal, ou sedutor, não houve nada com nossas línguas, foi um beijo. Um selinho. Um gesto de amor e nada mais. – Como esses tênis imbecis que você usa, que não imaginaram nada além de um ícone para uma marca, ou talvez não, talvez eles tenham pensado em algo bonito. Obrigado Lolla, por me fazer rir, e pensar mais leve. Agora, durma...
Ele sussurrou coisas bonitas em meu ouvido, mas meu cérebro já não podia mais processar.
A última coisa que ouvi foi um sussurro gélido e infantil dizendo: Minha estrela, todas as estrelas, todos os reinos, tudo que me guiará, desejo que ilumine um caminho para mim.
Parecia uma oração, uma oração de criança, uma oração perdida. Uma oração, eu creio que, para mim.
Acordei de supetão, na cama, com a mão no coração, tentando prendê-lo lá. Para não pular, não saltar fora da minha caixa torácica e deixar um buraco feio lá.
Levantei-me, e eu estava no quarto.
Não no quarto com Loki.
No meu quarto.
Em minha casa.
Havia um papel, um papel na minha mesinha de cabeceira.
Suspirei e o peguei, com medo do que encontraria. Talvez fosse uma carta de despedida, talvez uma simples 'mensagem' da minha mãe, dizendo que ela ia me acordar as sete.
Mas eu tinha fé de que tudo tinha sido real, então um frescor e um alívio me tocou assim que desdobrei o papel.
Eu conhecia aquela ortografia, de onde, não sei, só havia duas palavras, em inglês.
"All Star"
Peguei meu netbook rosa e coloquei no google tradutor.
"Toda estrela"
Ah, mas é claro.
Só poderia ser ele, quem mais escreveria isso, com essa ortografia de Shakespeare?
Guardei o computador e abri as janelas, olhando para o céu.
Certamente, amanhã iria fazer sol.
Haviam milhões de estrelas no céu, pequenos grãos de açúcar, ou vagalumes que grudaram na teia do céu.
–Ah Loki... — Dei um meio sorriso, e me peguei chorando fortemente.
Eu não tinha motivos para chorar.
Eu não estava triste.
Mas, deuses, a saudade doía.
A saudade que eu não deveria sentir, mas a saudade e a insegurança de não saber, não saber quando, ou se eu o veria novamente.
Ele não era meu namorado, ou amante. Mas eu tinha uma oração, para mim. Feita por ele, ou sua versão criança.
Sorri, feliz e contente, mas com lágrimas escorrendo.
Sabendo que eu cumpri, e que a dor que eu iria sentir para os próximos dias seria pior do que dormir debaixo do braço.
Mas eu ia aguentar.
Uma estrela cadente passou pelo céu, e um vento forte entrou pela janela.
Com aquele vento não muito frio, nem muito quente me abraçando, eu quase pude sentí-lo.
– Eu desejo uma estrela, uma estrela para me cuidar e para me guiar, um pedido tolo para um Deus, mas eu desejo, eu ainda oro para ela, e ainda desejo.
O vento sussurrou.
Eu sorri, um sorriso tão grande que minhas bochechas doeram.
–Obrigada por me chamar.
Me sentei em uma cadeira perto da janela, e deixei as lágrimas traçarem o seu curso, para que elas soubessem mais do que eu sobre mim mesma.
E então, suspirei fundo.
All Star.
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