All Out War

4 The Cost of Living


Notas iniciais
Anteriormente Todos foram delegados por Rick e Andrea para as suas novas funções dentro de Alexandria. Porém, antes que Amanda e Tom tomassem seus postos, um ataque iminente de errantes fez com que Abraham, homem responsável pelos muros, organizasse uma verdadeira faxina. Agora Tom e Amanda se veem diante de uma gigantesca manada que se aproxima ferozmente dos portões da comunidade.

̶ Não posso deixar você aqui! – Exclamou Amanda. Seus olhares dividiam-se entre o portão e a manada faminta de mortos vivos que se aproximava em bloco, como um único organismo.

̶ Qual o seu problema? – Vociferou raivoso Tom – Vai porra, abre o portão e entra! Avisa pra todo mundo lá dentro sobre a merda que tá rolando aqui fora! Vai Amanda, agora!

Um som seco e estridente ressona de repente, um tiro, disparado da torre do campanário, não tinha como objetivo eliminar nenhuma daquelas criaturas, mas sim alertar a todos sobre o perigo que se aproximava na forma de um bando de monstros desmortos. Parece esse ter sido o alerta que precisava para Amanda finalmente executar o mandado de Tom, correndo na direção dos portões e abrindo-o de forma rápida e ágil. Após adentrá-lo, a mulher não hesitou em correr na direção das casas, alertando a quem fosse sobre o perigo pelo qual Alexandria estava passando.

Tom seguia impávido, não arredaria os pés dali por nada, poderia parecer estranho ele estar arriscando a vida por um lugar que conhece a pouquíssimo tempo, habitado por pessoas que ele mal pode atestar se são ou não de boa índole, mas ele conseguira captar a mensagem dada por Rick Grimes logo que chegara a comunidade. Tom conseguiu absorver o potencial de Alexandria, o quanto aquele lugar poderia ser valioso a longo prazo, talvez, ele finalmente tivera encontrado o lugar certo, que o faria parar de fugir, para poder de uma vez por todas planejar o seu futuro de forma tranquila. Mas para que tudo isso se concretizasse, aqueles muros precisariam seguir de pé. O primeiro monstro partira para cima de Tom com a mandíbula escancarada, aguardando sedentamente pela primeira mordida em seu jantar, mas o ex-soldador não se deixaria ser devorado tão facilmente, com o martelo arqueado, ele descera a ferramenta com enorme força sobre a têmpora do morto vivo, rachando o seu crânio em decomposição e espalhando miolos por sua roupa e solo.

Outros dois aproximaram-se com igual ferocidade, o primeiro, que um dia fora um homem de meia idade, hoje mal pode ser percebido com um ser humano, tamanho avançado o seu estado de deterioração. Com os olhos leitosos e os braços esticados, na tentativa de capturar sua presa, o errante logo tem seu avanço interrompido por um novo golpe de martelo, de baixo pra cima, acertando o queixo do monstro, deslocando sua mandíbula e jogando-o ao solo. O segundo que tentava aproveitar-se da ‘distração’ de Tom, empreende um ataque pelas costas, mas também é impossibilitado quando recebe um golpe entre os parietais, prendendo a arma de Tom na caixa craniana da criatura. O martelo é retirado, mais sangue é espirrado e, aproveitando-se do movimento, Price dirige com igual força uma pancada no meio do rosto de mais um patife, deformando ainda mais sua horrenda face e lançando-o ao chão imediatamente.

As criaturas começaram a aglomerar-se aos montes ao redor de Tom, seria fisicamente impossível exterminar aquela imensidão de corpos andantes, mas talvez ele conseguisse afastá-los do portão por tempo suficiente para que a ajuda chegasse. Mesmo assim, desenhava-se uma extenuante batalha que exigiria um grande número de pessoas dispostas a se arriscarem para manter toda aquela estrutura com êxito. Seu martelo seguia estourando cabeças o quanto podia, aos que estavam próximos demais ou tentavam mordê-lo pela retaguarda, Price utilizava-se de chutes e empurrões para afastá-los a uma distância que ele pudesse utilizar sua ferramenta para eliminá-los em segurança. Porém, conforme a manada se aproximava, ficava mais difícil conseguir desferir os golpes, além disso, Tom já estava ficando afadigado, nunca lutara com uma quantidade tão de grande de errantes e, talvez não tivesse essa oportunidade novamente. De qualquer forma, acontecesse o que fosse, ele não podia recuar, não naquele momento.

Quando a morte já parecia certa, o som de passos acelerados se aproximando pareceu ser a luz no fim do túnel para Tom Price. O grupo de Abraham e Glenn que partiram com o objetivo de eliminar os monstros que se prostravam ao redor dos muros, retornaram o mais rápido que puderam assim que ouviram o tiro de alerta, disparado da torre. O gigante ruivo sinalizou a todos para adentrarem os portões antes que a manada se elegesse como nova proprietária do lugar. Os portões foram abertos e todos que ali se encontravam começaram a se deslocar para o lado de dentro, contudo, um dos homens que acompanhava Abraham em sua missão, acabara sendo pego por uma das criaturas, atacado no pescoço, urrou de dor quando sua jugular fora rompida após uma poderosa mordida. Glenn tentou ajudá-lo, mas fora impedido por uma mulher de curtos cabelos loiros, que deixava escorrer uma lágrima por seus olhos marcantes. O homem condenado à morte, de nome Bruce, clamava por sua vida enquanto afogava-se em seus próprios fluidos. Coube então a Abraham, com um vigoroso golpe de facão no centro de seu parietal, finalizar com o sofrimento do amigo.

No mesmo instante em que todos, com exceção de Bruce, conseguiram transpassar o portal de entrada, Rick e sua fiel escudeira, a mulher negra de feições fechadas e cabelos em mechas dreds, portando na mão sua inseparável katana, avizinharam-se diante do portão. Tom estava exaurido, dobrou o corpo sobre os joelhos tentando buscar o ar que parecia não conseguir mais chegar até seus alvéolos. O rosto manchado de sangue sinalizava o quão árdua fora sua batalha solitária contra a enormidade de monstros que persistiam em tentar entrar, pressionando os corpos fétidos contra a grade. Holly, a mulher loira de curtos cabelos, jogara-se aos prantos nos braços de Abraham, ainda lamentando a perda do companheiro de sobrevivência. O bigodudo ruivo por sua vez, tentava manter-se indiferente ante a situação, mas seus olhos tristonhos acabavam por entregar seus verdadeiros sentimentos.

̶ Acorrentem os dois lados do portão! – Ordenou Rick sinalizando com sua mão – Usem correntes extras, qualquer coisa que segure essas grades de pé! Coloquem também o nosso veículo militar à frente da entrada, talvez se tamparmos a visão deles, talvez essas coisas se acalmem...

Por conta de toda a movimentação e gritaria, um aglomerado de pessoas começou a se formar próximo ao portão de entrada. Mulheres, crianças, todos assustados com o que acabara de ocorrer, olhando fixamente para Rick, aguardando que o mandatário tomasse alguma decisão, executasse algo, ou pelo menos se posicionasse a respeito do ataque repentino.

̶ Que diabos vamos fazer agora? – Inquiriu um homem em meio à multidão. A sua frente, seu filho de não mais do que oito anos, observava a tudo claramente espantado.

̶ Vamos todos nos acalmar! – Bradou Grimes, iniciando um pomposo discurso – Entendo que você esteja preocupado Nicholas – Ele olhou agora para o homem que o indagara – Mas acho que podemos discutir sobre isso de forma civilizada – Seus braços ponderavam no compasso de sua fala – A primeira coisa que devemos fazer agora é o mínimo de barulho... Essa manada provavelmente irá nos cercar e, com tudo o que acabara de ocorrer, só irá aumentar ainda mais de tamanho! E isso com toda a certeza, é muito ruim! – Ele faz uma breve pausa – Ainda assim sei que podemos superar isso... Só precisamos agir agora com inteligência!

Assim que Rick proferiu a última frase, uma alva neve começou a cair dos céus. A temperatura, que perceptivelmente ia caindo cada vez mais conforme a manhã ia deixando-os, tenderia agora a chegar a valores cada vez mais inferiores. O frio nunca era um bom sinal, tempos difíceis estariam próximos de recair sobre todos.

̶ E a comida? – Manifestou-se Susie, nos braços a jovem mãe trazia seu pequeno Jacob – O inverno chegou... Quanto tempo nossos suprimentos durarão? – Preocupou-se.

̶ Temos comida pra pelo menos um mês! – Interpôs-se Glenn. A seu lado, sua esposa Maggie, uma jovem mulher de aproximadamente vinte e um anos, corpo magro, cabelos negros curtos e olhos amendoados e grandes, segurava em sua mão enquanto assistia a todo o desenrolar. A frente dos dois, Sophia, a filha ‘adotada’ do casal, uma garotinha de dez anos, cabelos loiros ondulados e compridos, pele branca com algumas sardas abaixo dos olhos, parecia admirar-se enquanto o seu ‘pai’ prosseguia demonstrando o seu ponto – Se começarmos a racionar os suprimentos agora, eles podem durar por muito mais... Vamos ficar bem!

̶ Glenn está correto Susie! – Voltou a dizer Rick – Comida não é o nosso maior problema agora... Minha grande preocupação é a segurança dos muros. Enquanto eles estiverem de pé, ficaremos bem... Enquanto isso precisaremos pensar em uma maneira de eliminar esses mortos que estão nos cercando! Abraham – Disse ele olhando diretamente para o ruivo – Reúna uma equipe e a divida, preciso de alguns grupos rondando o perímetro para identificar se há algum ponto frágil na cerca. Se houver, deve ser reforçado imediatamente! Michonne – Rick agora refere-se à calada mulher negra portando sua katana – Organize um sistema de vigilância noturno, precisamos de gente de olho o tempo inteiro... Além disso, acho que seria bom termos observadores nos telhados, assim teremos uma noção maior do quão numerosos são essas coisas... – Rick faz uma breve pausa, todos o observam com o máximo de atenção – Todos vocês sabem que nossa energia é oriunda das placas solares, com a chegada do inverno – Grimes passa a mão sobre os lisos cabelos retirando o excesso de neve – O nosso gerador vai ser levado ao máximo pra nos manter aquecidos, por isso precisaremos economizar, vamos voltar a dividir as casas... Eu também irei abrir o arsenal, acho que nessa situação extrema todos devem portar uma arma! – Seu rosto claramente preocupado, tenta fechar-se agora em uma expressão mais otimista – Vamos conseguir lidar com isso pessoal, eu sei que vamos... Obrigado!

Aos poucos, após o ativo e enérgico discurso do líder de Alexandria, as pessoas começaram a caminhar ainda sobressaltadas com tudo o que se sucedera, em meio à neve que já caia de forma vigorosa, cobrindo aos poucos o chão das ruas e o teto das casas com uma tonalidade branca translúcida. A maioria da população de Alexandria parecia viver em uma bolha, grande parte deles estava abrigada ali desde que tudo começou e por isso, não estavam nem um pouco habituados a ter que lidar com os mortos vivos. Muito provavelmente se qualquer uma delas fosse jogada na fria e tenebrosa realidade do mundo lá fora, não sobreviveria por muito tempo.

Vincent e Leah também assistiram ao pronunciamento de Rick, o médico que passara parte da manhã no casa da doutora Denise Cloyd, que também funciona como consultório, respirava fundo e já previa o que poderia ocorrer. Com a cabeça coberta pelo capuz de seu casaco, ele escutara a tudo com os olhos vidrados nas expressões do homem que prometera fazer com que tudo ficasse bem. Mas seria isso realmente possível? Hall pensava em sua segurança obviamente, mas importava-se muito mais com Leah, que assustada, segurava firmemente em seu braço, como se buscasse ali um porto seguro para todos os seus temores. Lentamente, após tudo ter sido encerrado, os dois começaram a caminhar de volta para a residência, apenas aguardando que tudo realmente ficasse bem.

̶ E agora? – Indagou a garota receosa. Suas madeixas claras recobriam-se por um gorro negro, pelos lábios da menina, um gélido sopro partia a cada frase proferida.

̶ Vou te deixar em casa, acho que a escola não vai funcionar hoje... Depois eu vou voltar para o consultório da doutora Cloyd, podem precisar de mim por lá... – Vincent respira fundo – Quando tudo isso passar, você vai voltar a estudar... Vamos conseguir tocar nossas vidas, vai ser um recomeço...

̶ Acha mesmo que isso vai passar? – Os olhos de Leah estavam visivelmente tristes.

Hall aproxima-se da menina e beija sua testa.

̶ É claro que vai... Os muros vão resistir e o senhor Grimes vai encontrar uma solução para acabarmos com esses bichos... Confia em mim!

Os dois seguiram caminhando, a nevasca que parecia aumentar de intensidade cada vez mais, fez com que a grande maioria das pessoas saísse das ruas, apenas os responsáveis pela ronda e a vigília nas placas de metal dos muros prosseguiram por ali. O sistema de segurança funcionaria em plantões, com trocas constantes para assegurar que toda a área permaneceria segura, assim como a vistoria dos muros, que precisava ser feita com o máximo de atenção, já que caso qualquer brecha não fosse identificada, a vida de muitos estaria em risco.

Assim que a tarde chegara, a temperatura ambiente parece ter se estabilizado, ainda estava frio, todavia, para alívio geral, não havia previsão de que o clima fosse piorar. A nevasca já havia acabado e a cidade inteira parecia ter entrado em um sistema de hibernação, o silêncio vindo das vielas só era interrompido pelo grunhido das criaturas que insistiam em se aglomerar contra os portões e paredes do recinto. Em uma das casas daquele complexo, o doutor Vincent Hall ainda tentava se habituar ao que a partir de agora viria a ser a sua profissão, uma versão arcaica e limitada do que ele já fazia antes do fim dos tempos. Chegara a hora de mostrar todas as suas habilidades médicas, já que a partir de agora seria preciso cuidar dos doentes com pouquíssimos recursos. O consultório/leito/centro cirúrgico funcionava basicamente em um único quarto, salvo quando mais de uma pessoa necessitava de um atendimento mais intricado simultaneamente, aí a mesma estrutura era copiada em outro dormitório. Na sala de estar daquela residência, Hall, Cloyd, Heath e Rosita conversavam sobre como é necessário ter pensamento lógico, instantâneo, além de uma capacidade enorme de improviso para conseguir obter uma solução nos momentos mais inóspitos.

Heath é um rapaz negro de longos cabelos crespos amarrados para trás, com não mais do que vinte e seis anos, está sempre usando um óculos de grau quadrado, que o ajuda desde a infância a enxergar melhor. Denise Cloyd ainda gosta de usar o seu jaleco quando está de ‘plantão’, faz com que ela se lembre minimamente dos tempos que corria de um lado para o outro nos corredores do Hahnemann University Hospital, a mulher que beira os trinta e cinco anos, também usa óculos de grau, e gosta de manter os cabelos castanhos enrolados e longos amarrados para trás ou presos por uma tiara. Rosita Espinoza é uma bela jovem de vinte e poucos anos, de pele morena e traços latinos, tem olhos amendoados que parecem estar sempre em estado de atenção ou desconfiança, os cabelos negros e lisos, partidos ao meio e presos ao estilo pigtail sob um boné, parecem salientar ainda mais as duas vistosas argolas que utiliza nas orelhas.

̶ Ainda acho impressionante o que você vem conseguindo fazer aqui doutora Cloyd! – Expressou-se Vincent admirado.

̶ Estou muito mais esperançosa agora... – Uma pausa dramática é feita por Cloyd – Tínhamos outro médico, mas o perdemos... Agora você apareceu, acredito que as coisas irão melhorar...

̶ Piorar será impossível... – Interpôs-se Heath cético – Além de todos os problemas nos portões que temos que lidar, ainda tem a Andrea... Ela é nossa observadora na torre do campanário, foi ela que disparou o tiro de aviso quando os bichos começaram a avançar na direção do portal... Mas como a torre fica do lado de fora, ela acabou ficando presa e por conta dos mortos vivos no caminho, ainda está lá... Impossibilitada de retornar... Falei com o Glenn, talvez a gente consiga ir a uma missão de resgate, nós somo ágeis, fazemos coisas parecidas quando vamos até a cidade, mas... Eu realmente não sei se será possível dessa vez...

Um breve momento de silêncio fora feito, era com muito pesar que todos atestavam que aquele realmente não era um momento para cultivar sorrisos ou esperança.

̶ Estou preocupada com o Abraham... – Lamentou Rosita cabisbaixa – Ele vai virar a noite vigiando os muros... Tenho medo desses patifes conseguirem entrar!

̶ Ele é mais forte do que todos nós Rosita... – Exprimiu Cloyd, com um otimismo velado – E não vai ficar sozinho, ele terá ajuda! Além do mais, confio nos nossos muros, não acredito que aquelas placas de metal possam ceder tão facilmente.

̶ Bom, vamos mudar o clima disso aqui – Disse Vicent, batendo com as palmas das mãos sobre as coxas, tentando levantar o astral da sala – Por que você não vem comigo Rosita? A doutora Cloyd disse que precisa de um inventário sobre os medicamentos que possuímos aqui e já que você será a aprendiz dela, poderia me ajudar nessa tarefa... Eu sei que parece chato, e provavelmente é, mas vai servir para você aprender um pouco mais e de quebra esquecer os problemas... – Ele ergue-se do sofá onde estava sentado e estende a mão na direção da moça – Vamos, pelo menos daremos um pouco de privacidade pra esses dois – Completou com um sorriso e com a cabeça sinalizou na direção de Heath e Cloyd, que apenas riram ligeiramente.

̶ Tudo bem... – Respondeu ela, alegrando levemente suas feições.

Assim que anoiteceu, as trocas de ronda começaram a ser executadas. Michonne, Morgan, Glenn e Rick, passaram a caminhar pelas ruas em frente às casas, assegurando-se de que tudo seguia nos conformes. Abraham, Tobin, Spencer e agora Tom, que assumira um dos postos pouco depois da meia noite, seguiam observando minuciosamente todos os detalhes dos muros, torcendo para que ele seguisse resistindo. Price carrega consigo agora sua ruger, só que dessa vez carregada juntamente a uma pistola automática também com o pente cheio. Caminhando lentamente, ele e Abraham, que ficaram responsáveis por cobrir metade dos muros enquanto que outra dupla encarregava-se da outra metade, mantinham uma distância segura um do outro enquanto que com suas lanternas iluminavam as paredes a fim de conferir cada detalhe.

̶ Mandou bem com aquele martelo! – Exclamou Abraham, alguns passos atrás de Tom, ainda se referindo à matança de mortos vivos pela manhã.

̶ Não podia deixar aqueles merdas entrarem... – Respondeu sem olhar para trás.

̶ Gosto disso – Voltou a manifestar-se Abraham – É esse o empenho que precisamos aqui!

̶ Eu... Só preciso acreditar que isso pode dar certo... Não quero me encher de ilusões e depois perder tudo... – Tom prossegue enquanto ilumina uma das placas em busca de qualquer não conformidade – Se passarmos por isso, se realmente conseguir passar por isso... Aí talvez Alexandria deixe de ser uma ilusão pra mim...

̶ Sei bem como é isso parceiro – Refutou o bigodudo homem – Quando eu cheguei aqui logo pensei que...

A conversa é subitamente interrompida por um ranger de metal, vindo de uma das placas do muro. Os olhos de Tom arregalam-se instantaneamente, e rapidamente ele e Abraham começam a iluminar tal extensão em busca da origem do barulho. O som se amplia, junto dele também é possível ouvir o clamor medonho vindo das pútridas bocas dos cabeças ocas que ali se encontram, tentando penetrar o lugar a qualquer custo.

̶ Caralho! – Gritam os dois quase que simultaneamente.

Uma das placas de metal começa a ceder lentamente, o material, que estava previamente soldado a vigas presas ao solo, começava a soltar-se dos pilares, criando uma fenda naquela parte do muro. Os braços das criaturas iam adentrando o lugar assim que a abertura ia tornando-se maior, o odor fétido já começava a se espalhar por toda a parte, e ficava claro que logo tudo viria a baixo. Sem pensar direito, apenas deixando o seu instinto de sobrevivência falar mais alto novamente, Tom utilizou as próprias costas como contrapeso, em uma tentativa de impedir que aquela parte do muro tombasse. Fincando os pés sobre a neve acumulada, o soldador utilizava todas as suas forças com um único intuito, não permitir que os errantes tomassem a comunidade.

̶ Abraham, chama ajuda! Precisamos de mais gente pra segurar essa porra! – Vociferou Price. O ruivo prontamente partiu de forma veloz em direção as casas mais próximas.

As garras das criaturas começavam a raspar no casaco de Tom, o bafo exalado por elas causavam um arrepio aterrador em sua nuca, suas mandíbulas, desesperadas em saborear carne fresca, abriam e fechavam cada vez se aproximando mais do pescoço daquele que a qualquer momento poderia virar uma presa. O peso sobre suas costas era imenso, sua testa pingava de suor mesmo com a temperatura baixa. Ele não sabia quanto tempo aguentaria, só sabia que mais uma vez aquele não era o momento de correr. Tom não podia fugir.

Notas finais
Bom, aqui estou eu em mais um capítulo... Como de praxe, o próximo sairá no próximo domingo, nesse mesmo horário e nesse mesmo canal hehe... Até!