Notas iniciais
Oi... Tem alguém aí? hahaha Gente, me perdoem mais uma vez pela demora. Estou estudando muito e tive um sério bloqueio. Espero que gostem do capítulo. Boa leitura!!

Apesar da abrupta demissão de Verônica, o expediente na presidência da Rey Café transcorreu normalmente. Porém, ao fim do dia, Cristóvão se viu obrigado a explicar para Silvana as razões pelas quais a assistente de Gustavo fora dispensada.

— Que cretina. O pior é que temos muito trabalho. Já aviso que não dou conta de todo o serviço sozinha — advertiu, visivelmente irritada.

— Eu sei disso, Silvana. Vou conversar com o Gustavo sobre isso, não se preocupe — prometeu o chefe, arrancando um sorriso de alívio dela.

— Obrigada, Cristóvão. Você é o melhor chefe do mundo — completou a morena, aproveitando o momento para elogiá-lo.

No entanto, como de costume, o diretor jurídico desconversou.

— Até amanhã, Silvana.

— Até — disse ela, não escondendo a decepção em sua voz.

Ao adentrar no carro, Cristóvão tratou de ligar para o empresário, já que naquele dia, não tinha ido ao trabalho. Estranhou quando o melhor amigo não atendeu prontamente a chamada.

[Give me love — Ed Sheeran]

Enquanto isso, o Rei do Café estava trancado desde o início da tarde em seu escritório e avisou os empregados que não queria ser incomodado em hipótese alguma. A atitude fez Silvestre recordar das primeiras duas semanas após a morte de Teresa, onde Gustavo permanecia isolado no recinto, até decidir viajar pelo mundo na tentativa de aplacar sua dor.

Naquele momento, o homem estava em sua confortável poltrona com um copo de uísque pela metade em uma das mãos. Apesar de estar com os sentidos alterados por conta da bebida, as lembranças daquela noite ao lado de Cecília ainda ecoavam em sua mente. O sorriso, as carícias e os beijos apaixonados eram impossíveis de esquecer. A contragosto, resolveu atender o celular, que vibrava pela terceira vez consecutiva em menos de cinco minutos.

— O que quer, Cristóvão? — ralhou.

— Boa noite pra você também. Só estou cumprindo suas ordens, boss— defendeu-se o procurador.

— Deixe de ser palhaço — bufou e foi direto ao assunto — Demitiu a Verônica?

— Sim. Ela já assinou a rescisão e já foi ao RH.

O pai de Dulce Maria sorriu com certa dificuldade.

— Ótimo. Estamos livres dessa infeliz.

— Gustavo, está tudo bem? — questionou o advogado, ao constatar que o amigo não estava sóbrio.

— Tô ótimo. Não me amole. Aliás, você não é meu pai — resmungou o empresário, com uma das mãos sobre a têmpora.

— Eu sei, mas me parece que ...

— Estou bêbado? — o empresário deu uma risada sarcástica — Vai dizer que o competente Dr. Cristóvão Váldez nunca tomou um porre? Por favor. Eu perdi as contas de quantas vezes você ficou mal por culpa da minha prima.

O diretor jurídico engoliu em seco.

— Não precisa pegar pesado. Vou desligar. Qualquer coisa, me ligue.

— Ah, vá — disse o Rei do Café pondo fim a chamada. Não queria conversar com ninguém, nem ao menos seu braço direito.

Em seguida, o moreno zapeou a agenda de contatos no celular e fitou um determinado nome. Havia conseguido o telefone dela após descobrir que a jovem era, por coincidência do destino, sua funcionária. O desejo de ouvir a voz de Cecília só aumentou naquele instante, mas ele sabia que era o cúmulo da humilhação falar com ela no estado em que estava. De repente, lembrou das fotos onde Cecília e André estavam felizes e apaixonados. O sangue ferveu só de imaginar os lábios doces da ex-noviça beijando o então pediatra de sua filha.

Tomado pelo ciúme e pela raiva mais uma vez, o empresário arremessou seu celular contra a parede do cômodo. Sentiu vontade de gritar, mas sabia que chamaria atenção de todo o prédio. E na verdade, a culpa de tudo aquilo era apenas dele. Afinal, pensou, se apaixonar por uma religiosa não poderia ter um final feliz.

[...]

Ao chegar em casa, Clarissa se espantou ao encontrar a irmã com as malas na pequena sala do apartamento.

— Ficou louca? — questionou, com uma das mãos sobre a boca.

— Realmente, vou fazer uma loucura necessária. Amanhã, irei à Doce Horizonte.

— Oi? O André não vai pros Estados Unidos?

— Não me interessa nem um pouco pra onde o André vai, Clarissa.

— Isso quer dizer que...

— Estou indo atrás do homem da minha vida. Da pessoa que nunca deveria ter me afastado.

Clarissa precisou se sentar para continuar a conversa.

— Quem é você e o que fez com a minha irmã? Sério mesmo que estás pensando em falar com o Gustavo depois de tudo o que aconteceu? — indagava, incrédula.

— Eu sei que provavelmente ele sequer vai me escutar. Mas preciso pelo menos tentar me entender com ele — respondeu a morena, temerosa.

Clarissa suspirou e foi ao encontro da irmã e segurou suas mãos.

— Eu te desejo toda a sorte do mundo. Dói pensar que pode ser que a gente se afaste outra vez — choramingou — mas o que eu quero é te ver feliz.

Cecília teve que conter uma lágrima, emocionada.

— Calma aí, sister. Não cante vitória antes do tempo. Pode ser que eu volte outra vez pra cá — brincou.

— Venha quando quiser. Mas tenho esperanças de que agora em diante, você apenas virá me visitar — continuou a loira, dando um sorriso maroto e abraçando a mais nova.

Ao mesmo tempo, não muito longe dali, André recebeu uma visitante nada agradável em seu apartamento.

— Verônica? O que aconteceu?

— A casa caiu — respondeu, adentrando sem cerimônias — Fui despedida.

O pediatra ficou boquiaberto.

— Pelo visto a maré de azar chegou até Doce Horizonte — concluiu ele, desanimado.

A morena o observou atentamente. Percebeu que o médico tinha profundas olheiras e estava despenteado. Podia jurar que ele tinha passado o dia no sofá, já que haviam latas de cerveja ao lado do móvel.

— Não vai me dizer que você e a branquela...

— Sim, nós terminamos. Ela descobriu tudo.

— POR QUÊ VOCÊ NÃO ME AVISOU, SEU INÚTIL? — gritou a mulher a plenos pulmões — Estou na rua por sua culpa!

— Um momento — interviu André — você está na rua por SUA culpa. Foi você quem adulterou os ofícios. Eu avisei que iriam descobrir — lembrou ele, erguendo as mãos — Seu plano estava fadado ao fracasso desde o início. Sabe por quê? Porque eles se amam. Não adianta, o destino sempre prevalece.

— Não sabia que você conseguia ser mais besta — debochou — Eu não nasci pra perder, entendeu? — ela o advertiu, com o dedo em riste — Isso ainda não acabou.

— Concordar com seu plano foi a maior besteira que cometi na vida — frisou o pediatra, arrependido. Ele continuou, se afastando e indo em direção à porta -Te desejar boa sorte é perda de tempo. Não temos mais nada pra conversar.

— Idiota — ela o esbofeteou — Você é um bebê chorão. O Gustavo jamais faria isso. Não foi por acaso que a Cecília não te quis.

— Não me faça perder a paciência, Verônica — o tom de voz de André se alterou drasticamente — Vá embora.

— Perdedor! Escute o que estou lhe dizendo: aqueles dois vão me pagar! — vociferou ela, sendo praticamente empurrada pelo médico, que fechou a porta rapidamente. Verônica proferiu mais meia-dúzia de xingamentos e foi embora.

O pensamento do pediatra era um só: conseguir o perdão de Cecília para ir em paz para Harvard. Se sentia muito mal por todo o mal que causara a mulher que amava e não queria deixar assuntos mal resolvidos. O problema seria como conseguiria voltar a conversar com a ex-namorada, já que fora categórica em dizer que não queria mais vê-lo.

[...]

No dia seguinte, por volta das sete da manhã, Cecília estava ansiosa na rodoviária de Catarina com o bilhete de passagem em mãos, sendo amparada por Clarissa, igualmente nervosa.

— Ceci, tem certeza do que está fazendo? — ela indagou pela milésima vez em menos de doze horas.

— Tenho, sister. Mesmo que a conversa não tenha o rumo que espero, preciso conversar com o Gustavo. Ele precisa saber dos meus motivos por tê-lo ignorado e ter sido tão fria com ele.

O cobrador anunciou a última chamada para Doce Horizonte.

— Preciso ir — suspirou a morena — Reze por mim, Clarissa.

— Claro. Não sou muito religiosa, mas Deus sempre me ouve — ela sorriu, dando-lhe uma piscadela — Se cuide, sister. E lembre-se: minha casa está de portas abertas pra tudo.

As irmãs se abraçaram, emocionadas. Em seguida, Cecília entregou as malas ao cobrador e adentrou no ônibus. Sentou-se ao lado da janela e durante o trajeto, rezou mentalmente, pedindo a Deus que ela não se arrependesse da decisão que havia tomado e que pudesse ter o privilégio de ver o sorriso de sua amada menina ainda naquele mesmo dia.

Duas horas depois, o ônibus estacionou em Doce Horizonte. Os olhos de Cecília lacrimejaram ao rever paisagens, prédios e cores daquela cidade que foi seu lar por tanto tempo. Em seguida, pegou sua bagagem e tomou um táxi em direção a um pequeno hotel na região central. Seu coração parecia saltar pela boca quando o veículo passou pela frente da imponente Rey Café. Para evitar que alguém a reconhecesse, pôs rapidamente os óculos de sol que ganhara da irmã.

Ela suspirou ao perceber que tinha razão em ouvir sua intuição, pois o sinal havia fechado e Estefânia vinha caminhando tranquilamente pela calçada, em direção à empresa. Não queria que a amiga adiantasse ao primo sobre seu regresso. Não levou muito tempo para que o veículo arrancasse e a deixasse em seu destino. Tratou de fazer o check-in, tomar um banho e tomar a coragem que precisava para encontrar Gustavo.

Era uma sexta-feira nublada típica de outono, embora o mês de Março mal havia começado. O Rei do Café havia acordado mais cedo que o habitual e se dirigiu à empresa, isolando-se em sua sala. Desde a demissão de Verônica, Gustavo conversava estritamente o necessário com os funcionários, a fim de evitar questionamentos desagradáveis sobre sua ex-secretária.

Para surpresa de Cecília, o silêncio pairava na presidência. Ao chegar na recepção, percebeu que a mesa de Verônica estava limpa, vazia e sem pertences. Logo concluiu que Gustavo estava novamente sem assistente, o que justificava também a ausência de Silvana em seu posto, já que provavelmente estava atulhada de serviços. Tomada pela coragem, a jovem se dirigiu a sala de Gustavo a passos largos.

Embora continuasse com o olhar fixo na tela de seu notebook, o empresário ralhou:

— Mas será que é tão difícil bater na porta, Silvana?

— Desculpe. Entrei por minha conta.

Ao reconhecer o tom de voz tão familiar, o pai de Dulce Maria olhou incrédulo para a mulher que estava à sua frente. Embora a surpresa, o homem se manteve rude.

— Algum problema com suas verbas rescisórias, Senhorita Santos? — questionou, tentando não evidenciar a tensão ao rever a morena.

A frieza de Gustavo a atingiu como uma faca afiada. Ainda assim, prosseguiu firmemente.

— Não. O assunto que me trouxe aqui é de cunho particular.

Ele pigarreou.

— Me perdoe, mas não temos nada para conversar. Como pode ver, tenho muito trabalho. Por favor, vá embora.

— Eu já sei de tudo — explicou.

O empresário voltou a fitá-la, erguendo uma das espessas sobrancelhas.

— Ah, sabe? Sempre foi muito cheia de si, senhorita. Isso não me surpreende nem um pouco.

— Será que pode parar de tentar me ofender e me ouvir? — reclamou a ex-noviça, irritada com a atitude infantil do Rei do Café.

— Eu já disse que não tenho nada pra falar com você. Preciso desenhar? -debochou, levantando-se da poltrona.

— Mas eu tenho e você vai me ouvir — exclamou Cecília — Sei que errei, mas se coloque no meu lugar. Eu não poderia sequer pensar em ter um relacionamento com você, sabendo que uma amiga esperava um filho seu! Sei o quanto o quanto dói não ter uma família completa — expôs Cecília, enquanto ele permanecia de costas.

— Sabe o que mais machuca? — explodiu Gustavo — É o fato de você achar que eu sou um homem tão desprezível ao ponto de pensar que eu abandonaria uma criança!

— Gustavo, tente compreender...

— Compreender? — Ele deu uma risada sarcástica — Você dizia me amar e agora sua foto está estampada nos tabloides da região ao lado do renomado Dr. André Vieira — ele cuspiu o nome do pediatra, demonstrando todo seu ciúme — Veio chamar a Dulce para ser daminha do seu casamento, é isso? — atacou o empresário, furioso.

— Por favor, Gustavo — pediu a morena, com a voz embargada — Vim aqui te pedir perdão por não ter acreditado em você. Apenas aceitei o pedido de namoro do André porque...

— Não me interessam suas razões, Cecília — ele a interrompeu — Pouco me importa. Se você veio disposta a obter meu perdão, perdeu seu tempo.

As lágrimas brotaram dos olhos azuis e a morena não conseguiu mais se conter.

— Está certo. Eu imaginei que isso ia acontecer. Mas precisava tentar lutar pelo nosso amor pela última vez — admitiu ela, com as mãos sobre o rosto — Desculpe tomar seu tempo, Senhor Lários. Adeus — finalizou derrotada, indo até a porta.

[One — Ed Sheeran]

Ao ouvir aquelas palavras e perceber que ela novamente o chamava com toda a formalidade, as lembranças vieram a mente de Gustavo em segundos, do primeiro encontro à briga em Catarina. Recordou dos conselhos de seu irmão e de sua prima e em especial, da expressão ofuscada e triste de sua garotinha após a partida de sua amada professora.

— Espere — ele pediu.

O coração de Cecília voltou a bater freneticamente.

— Pode falar — balbuciou, novamente de frente para o homem que amava.

Ele se aproximou com o olhar fixo nos olhos azuis, agora vermelhos e inchados. Uma dor lancinante lhe atravessou o peito ao perceber que estavam assim por sua conta de suas duras palavras.

— Você não faz ideia da raiva que senti ao saber que você não confiava em mim. Mas o que mais me enlouqueceu foi te ver ao lado de outro homem — confessou, com uma das mãos sobre o rosto da jovem.

— Eu não podia mais voltar para o internato, já que meu coração não estava mais na vocação religiosa. Precisava esquecer você, mas...

Foi a vez de Gustavo pôr os dedos sobre sua boca macia, que estremeceu com outro toque repentino.

— Não precisa dizer mais nada — foram as últimas palavras de Gustavo antes de puxá-la contra si e buscar seus lábios em um beijo apaixonado, lento e tenro. Uma verdadeira forma de reconhecimento e saudade. Em seguida, Gustavo a abraçou fortemente.

— Me perdoa, por favor — implorou.

— Você é quem tem que me perdoar — gaguejou a morena, desta vez em êxtase.

— Esqueça isso — disse, beijando os nós dos dedos frios de Cecília.

— Eu te amo — sussurrou ela, sem acreditar no que estava acontecendo.

— Não ouvi direito. Pode repetir? — disse Gustavo com um sorriso zombeteiro.

Ela gargalhou com as mãos sobre seu peito definido. Finalmente poderia expressar seus sentimentos sem culpa alguma.

— Eu te amo, Gustavo Lários. Você é o amor da minha vida.

— E eu amo você, Cecília Santos. E é ao seu lado que quero estar pro resto dos meus dias, dividir cada instante. Você me fez sentir de novo o que achei que jamais sentiria por outra mulher. Preciso de você comigo. Não vá embora.

Ela voltou para o aconchego dos braços do homem que amava e lhe fez uma promessa.

— Nada vai me separar de você outra vez, Gustavo. Eu juro.

Notas finais
Então... cá estou ansiosa e temerosa com a reação de vocês. Gostaram? Detestaram? Me contem, por favor! Acham que a Verônica vai se dar por vencida? E qual será a reação de Dulce ao rever sua amada Ceci? A fic vai se encaminhando para os capítulos finais. Creio que teremos no máximo, mais quatro capítulos. E meu coração já está apertado. Obrigada por todo o carinho, gente! P.S: Sim, eu amo o Ed Sheeran! Sempre quis escrever uma cena de "bad" do Gustavo com bebida kkk Um grande beijo!