Notas iniciais
Oi gente... Ainda querem me matar? Hahaha. Vim em missão de paz, se acalmem! Não virei DreCília, nem enlouqueci. Como prometido, postando no feriado. Capítulo saindo do forno e estou escrevendo o próximo. Queria muito postar com mais frequência, mas minha vida anda uma loucura ultimamente. Obrigada pelo carinho de todos! E fiquem tranquilas, a vingança contra a Verônica está próxima! Boa leitura!

Dias depois, Gustavo continuava sendo gentil e agradável com Verônica, embora a tarefa não fosse nada agradável. Mas, para reconquistar a confiança de Cecília, o esforço valeria a pena. Ao descer as escadas, encontrou o irmão e a prima reunidos na sala.

— Bom dia. Já tomaram café? — questionou, sentando-se entre os dois.

— Bom dia, primo. Eu estou sem fome — respondeu Tia Perucas — E aí, temos alguma novidade?

— Nada. Confesso que tem horas que sinto vontade de esquecer essa história e demitir a Verônica de uma vez por todas — confessou o empresário.

— Tenha fé, meu irmão. Tudo irá se resolver — disse o padre, apontando para o alto.

— É, eu sei — suspirou e no mesmo momento, olhou para a prima — O que houve, Stef? Porque você está tão pálida?

Estefânia olhava atentamente para o tablet. A notícia que acabara de ler na coluna social do jornal online de Doce Horizonte não era das melhores. Gustavo se aproximou subitamente e leu a nota, incrédulo.


Namoro ou amizade?

No último dia 26, o prestativo e renomado pediatra do Hospital Geral, Dr. André Renato Vieira, completou mais um ano de vida. E pelo visto, o médico não integra mais o time de solteiros cobiçados de Doce Horizonte. Há alguns dias, o Doutor tem sido visto com frequência ao lado de uma morena desconhecida em Catarina. Segundo as fontes confiáveis do nosso site, o novo casal tem sido discreto e estão sempre em clima de romance. A equipe do Conta Tudo deseja muitas felicidades!

Acima da nota da coluna, haviam fotos onde Cecília e André estão sentados à uma mesa de um restaurante, aos risos. Na outra, aparece o pediatra beijando a mão da ex-noviça, que sorria encabulada. E por fim, a última imagem ilustra o novo casal saindo de mãos dadas do restaurante.

Ao assimilar as informações em segundos, Gustavo arremessou o tablet da prima contra a parede do cômodo.

— COMO ESSE DOUTORZINHO PODE ESTAR COM A CECÍLIA? ERA SÓ O QUE ME FALTAVA! — esbravejou o Rei do Café, inconformado.

— Gustavo, controle-se! — asseverou Gabriel, juntando o tablet de Estefânia, que estava em pedaços.

— E surtar vai resolver seus problemas? Já vou avisando que eu quero um novo — ralhou a estilista.

— Isso é o de menos, Stef. Me perdoe — pediu o homem, ainda nervoso. O pai de Dulce Maria começou a andar pela sala, com a mão entre os cabelos.

— Eu não entendo... Naquele dia em que encontrei a Cecília, eu percebi que ela ainda sentia algo por mim, por mais que ela negasse. E agora, isso... Acho que nos enganamos seriamente com essa... mulher — ralhou Gustavo, decepcionado.

— Um momento, primo — pontuou Estefânia — A Cecília não é mais uma noviça. Portanto, sair e namorar não é nenhum pecado, afinal ela é livre.

— Eu sei disso, Estefânia! Mas mesmo assim... eu não esperava isso dela.

— Sabe o que isso tudo me parece? — interferiu Gabriel — Que a Cecília está disposta a encontrar um novo amor.

— Nossa Padre, ótima constatação — rebateu Gustavo irônico, batendo palmas para o irmão.

— Isso pode ser porque ela ainda sente algo por você, mas sente medo de viver esse amor.

— Que maravilha, meu irmão. E agora, o que eu faço?

— Calma, Gustavo. Continue sondando a Verônica. Você precisa saber se ela e o André tem alguma relação. Porque tudo isso é coincidência demais pro meu gosto — pensou Tia Perucas.

— Sabe do que mais? Que a Cecília e esse doutorzinho se danem. Eu vou pro escritório — finalizou Gustavo, pegando a pasta que estava sobre a mesa de centro e saindo porta afora.

Gabriel e Estefânia se entreolharam, atônitos. Ambos sabiam que o choque daquela notícia poderia fazer com que Gustavo decidisse voltar para o exterior, deixando Dulce Maria novamente sozinha.

— Nós temos que fazer alguma coisa, Gabriel.

Enquanto isso, Cecília seguia sua rotina entre a Supreme e o relacionamento com André. Muito embora estar com o médico era prazeroso e nunca entediante, a garçonete ainda pensava em Gustavo. A angústia tomava conta de seu coração ao lembrar de Dulce Maria. Será que o Gustavo contou que veio me ver? Será que ela me odeia? E a carta, terá recebido?

— Cecilia... Terra chamando! — brincou Lisandra, estalando os dedos na tentativa de despertá-la daquele transe, afinal, a cafeteria abriria em meia-hora.

— Oi, Lis. O que foi?

— Você estava longe, hein? O Dr. Bonitão está te deixando assim? — brincou a loira.

— Quem me dera se fosse — disse ela, saudosa — Estava pensando na Dulce Maria.

— E deixa eu adivinhar: também estava pensando no Papai-Chefe Gostosão?

— LIS! PELO AMOR DE DEUS, FALA BAIXO! — repreendeu a morena — Já pensou se o André escuta isso?

— Então quer dizer que eu acertei, né? Sempre tão previsível... — gabou-se Lisandra, limpando o balcão da cafeteria.

— Menos, Lis. Tá bem, estava pensando neles. Que droga!

— Acho bom você mudar essa cara... olha quem está chegando — apontou Lisandra com o olhar para a porta, onde André acenava.

Cecília arregalou os olhos. Verificou se Henrique não estava por perto — afinal, ele odiava flertes e encontros no trabalho — e se dirigiu a passos largos ao namorado.

— Olá, linda — cumprimentou o pediatra, beijando seus lábios por um instante

— Oi — respondeu a garçonete, ressabiada — O que você está fazendo aqui?

— Eu sei que o Henrique não quer que eu venha te ver no horário de expediente, mas eu precisava te dar essa notícia pessoalmente — os olhos de André brilhavam — Fui aprovado no mestrado.

Cecília sorriu e o abraçou fortemente.

— Parabéns! Eu sabia que você ia conseguir. Estou muito orgulhosa de você — disse ela, tentando ser carinhosa.

— Obrigada, meu amor — disse ele, beijando-lhe as mãos — Vim te convidar pra jantar.

— Nossa, que novidade — ironizou Cecília e eles sorriram — Onde vamos?

— Surpresa. Te pego às nove — piscou ele.

— Ok. Até mais — disse a morena se despedindo dele, já que o setor de Recursos Humanos a chamava.

Cecília subiu a escadaria sorrindo. Apesar de não amar André como ele merecia, ela se alegrava com as conquistas do namorado. Ofegante, a garçonete bateu à porta e cumprimentou Tatiane, a responsável pelo setor.

— Sente-se, Cecília — disse a ruiva, em um tom apreensivo.

— Obrigada. Você queria falar comigo?

— Sim. Nem sei como começar, Cecília... — reiniciou a jovem, cabisbaixa.

— Estou ficando preocupada, Tatiane. O que houve? Fiz algo errado? — questionou Cecília, nervosa.

— Não, imagine. Você é uma excelente funcionária, Cecília. O problema é que eu recebi ordens do jurídico para enxugar a folha de pagamentos... começando pelos mais novos.

Cecília sentiu uma pontada no peito.

— Quer dizer que eu... vou ser demitida? — gaguejou.

— Infelizmente, sim. Sinto muito, Cecília. Se eu puder intervir, dispensaria outros empregados, porque realmente, você não merecia. Mas não tenho escolha.

— Eu entendo — respondeu Cecília tristemente.

A ruiva se levantou, pegou algumas folhas que estavam sobre a mesa de Henrique e abriu a gaveta da escrivaninha.

— Este é o seu termo de demissão. Aqui estão suas verbas rescisórias. Se quiser, pode conferir — disse Tatiane, entregando a Cecília um pequeno bolo de notas dobradas.

As lágrimas vieram com força. Aprendera a amar aquele lugar, embora fosse muito diferente da vida que tinha deixado em Doce Horizonte. A sensação de partida não era nada agradável. Assinou os papéis e entregou a superior.

— Obrigada por tudo, Tatiane. Nos vemos por aí — disse Cecília ao abraçar a funcionária.

— Sentiremos sua falta, Cecília. Volte aqui em uns dois dias, vou confeccionar a sua carta de recomendação. Você pode ir e pegar suas coisas — finalizou, tentando não chorar, pois a garçonete era muito querida por todos.

— Obrigada.

Ao descer as escadarias e ver Lisandra, Cecília voltou a chorar.

— O que houve, amiga? — perguntou a loira, assustada.

— Fui demitida, Lis.

— COMO ASSIM? A TATI TÁ MALUCA? — gritou — Não pode ser, você é uma ótima funcionária. Quem deveria ir embora sou eu — disse ela, com a voz embargada.

— O jurídico determinou que a folha de pagamentos fosse enxugada. E o corte, claro, começa pelos mais novos — explicou — Não fique assim. Virei aqui ver se você não está cometendo nenhuma loucura — brincou ela, tentando animar a amiga.

— Isso tudo é muito estranho e injusto, não me conformo — esbravejava a loira.

— Lis, a vida não é justa. Mas temos que seguir. Deixe um abraço para o Henrique e o resto do pessoal, tá?

As amigas se abraçaram mais uma vez.

— Vou te visitar toda semana. Não vai se livrar de mim, eu juro — ameaçou a veterana.

— Quem disse que eu quero me livrar? Sempre será bem-vinda. Obrigada por tudo, Lis.

— Não me agradeça.

Ao deixar o estabelecimento, Cecília se permitiu chorar e se dirigiu a uma praça próxima dali. Não estava em condições de contar a notícia para Clarissa naquele momento e precisava por as ideias em ordem.

[...]

Já na Rey Café, a manhã estava tranquila, sendo alvo de comentários entre as secretárias.

— Percebeu que as coisas aqui estão mais tranquilas, Silvana? — questionou Verônica.

— Eu tenho que admitir que sim. Você até que é eficiente — ironizou a secretária sênior e as duas sorriram.

— Vou considerar um elogio — brincou Verônica, tentando ser agradável, afinal, sabia da confiança que Gustavo depositava na morena.

Em seguida, o presidente da Rey Café adentra no setor.

— Bom dia — cumprimentou-as, secamente, batendo a porta do escritório em seguida.

— Bom dia — responderam em uníssono.

— Pelo visto, nossa paz está com os minutos contados — observou Silvana.

— Vou levar os contratos pra ele assinar e descobrir o que aconteceu — adiantou-se Verônica.

— Você é quem sabe. Se fosse eu, não iria.

— Tenho meus métodos — gabou-se a morena, antes de adentrar na sala do chefe.

— Gustavo, perdoe te incomodar agora, mas preciso das suas assinaturas nesses contratos. Tudo bem? — questionou ela, com a voz macia.

O empresário olhava a cidade pela janela, perdido em pensamentos.

— Tudo bem, Verônica. Já assino e te chamo em seguida. Mas preciso ficar sozinho.

— Posso ajudar em alguma coisa? indagou ela novamente, enlaçando seus braços ao redor do pescoço do moreno.

— Não é nada, fique tranquila. Depois conversamos — respondeu ele,

tentando ser cordial.

— Tudo bem. Você é quem manda, boss — brincou, lhe dando uma piscadela marota. Ele sorriu e ela fechou a porta.

O que farei agora? De que adianta essa farsa se a Cecília está com outro? E só de pensar nisso, sinto tanta raiva. Sou um idiota.

Quando Gustavo estava prestes a arremessar um copo de vidro na parede, foi interrompido por Silvana, visivelmente alterada.

— O que houve, Silvana? Já disse um milhão de vezes que odeio que entrem na minha sala sem bater! — ralhou o empresário.

— Me desculpe Senhor Lários. Preciso de ajuda. A Verônica desmaiou.

[...]

Em poucos minutos, Gustavo e Cristóvão estavam no Hospital Geral de Doce Horizonte na sala de espera, aguardando notícias do estado de saúde de Verônica. Embora estivessem chateados com a situação que envolvia a secretária e Cecília, ambos estavam preocupados.

— Você tem certeza de que ela estava bem quando entrou na sua sala? — perguntou o advogado.

— Sim, estava normal. Não a destratei, se é o que quer saber — atalhou ele, zangado.

— Tudo bem — disse o amigo, erguendo as mãos.

Subitamente, o médico plantonista se aproxima.

— Quem é o responsável por Verônica Batista?

— Sou eu, Doutor. Sou Gustavo Lários ... namorado da Verônica — respondeu Gustavo, ao sinal de Cristóvão.

— Muito bem, Senhor Lários. Serei direto e franco. Sua namorada está se alimentando bem, tem enfrentado situações estressantes no trabalho?

— Eu creio que sim. Ela é secretária da minha empresa e nos últimos dias, o volume de trabalho está controlado — explicou — Mas afinal, o que ela tem?

— Ainda não sabemos. Mas uma coisa posso garantir: ela não está grávida.

— Fizeram os exames? — o olhar de Gustavo ganhou brilho.

— Sim, afinal, desmaios em uma mulher em idade fértil nos levam a gravidez como hipótese principal — respondeu o clínico geral, confuso ao constatar a visível felicidade dos amigos com a notícia.

— Desculpe me intrometer Doutor, mas quando os exames impressos estão disponíveis para retirada na portaria? — se adiantou Cristóvão.

— Creio que em setenta e duas horas vocês terão acesso a todos os exames. Com licença — finalizou o médico, se retirando.

— Finalmente, cara! Acabou o teatro! — afirmou o diretor jurídico, eufórico.

— Pelo menos, uma boa notícia — respondeu Gustavo, pesaroso.

— Boa notícia? Você vai poder provar para a Cecília que a Verônica não está grávida! E ao que tudo indica, vai poder dispensá-la sem justa causa. Não entendo sua decepção, meu amigo.

Gustavo suspirou.

—Tarde demais. Cecília e o Dr. André estão juntos.

O Rei do Café pegou o celular e abriu o link da notícia. Cristóvão olhou, atordoado ao reconhecer as feições da ex-noviça ao lado do pediatra de Dulce Maria.

— Não sei o que dizer.

— Não tem o que dizer. Eu a perdi, Cristóvão. Só isso.

Notas finais
E aí, ainda chateadas comigo? Muita coisa ainda vai acontecer. Convenhamos: o Papai Galã merece sentir muito ciúme da Ceci. Não mandei ele bancar o garanhão kkk Será que o Gustavo mandou despedir a Cecília? E o jantar com o Dr. Bonitão? E o chega pra lá na Verônica? Aguardem os próximos capítulos! Um beijo!