All I ever wanted

14 Gravidez? Não!


Notas iniciais
Oi gente! Não postei ontem pq fiquei sem internet. Espero que gostem do capítulo. Boa leitura!

Estefânia chegou à Catarina por volta das oito da noite, ante o trabalho de manutenção e conservação da rodovia que interliga as duas cidades. Entretanto, o atraso na estrada não acabou com o bom humor da estilista, que estava determinada a convencer Cecília de toda a armação que ela e seu primo foram vítimas. A única pergunta que ecoava em sua mente dizia respeito à André, afinal, não queria prejudicar nenhum terceiro, embora a tarefa fosse praticamente impossível. Alguém sempre sai perdendo. E eu sinceramente espero que não seja o Gustavo.

Ao passar pela frente da Supreme, percebeu que o expediente externo já havia encerrado. Perspicaz, Estefânia desceu de seu conversível prata e se dirigiu à porta da cafeteria. Sorriu ao constatar que os funcionários ainda estavam presentes. Alguém vai ter que passar por aqui, pensou. Não demorou muito para que uma loira abrisse a porta dos fundos e saísse às pressas.

Estefânia praticamente correu e chamou pela jovem:

— Ei, moça!

Lisandra olhou para trás, assustada.

— Oi. O que você quer? — questionou, ainda ressabiada.

— Sou Estefânia Lários, amiga da Cecília. Sei que ela trabalhou aqui e...

A garçonete a interrompeu.

— Desculpa, dona, mas a Cecília não trabalha mais aqui. Não tenho informações sobre ela — mentiu — Agora, eu tenho que ir.

— Por favor! Olha, eu não sabia que ela abandonou o trabalho, mas eu realmente preciso conversar com ela, é importante! — argumentou a estilista.

A loira ruborizou.

— Peraí. A Cecília não abandonou o emprego. Ela foi demitida — corrigiu, enfática — e graças a isso, estou com meu trabalho dobrado, além de ter que aguentar os chiliques do meu gerente — Lisandra revirou os olhos ao falar de Henrique — E com todo o respeito, dona, vou lhe dizer uma coisa: sua família já causou muita dor a ela.

A estilista arregalou os olhos com a afirmação convicta da garçonete. Embora não tenha gostado da falta de educação da subordinada de Gustavo, Estefânia preferiu ser mais incisiva.

— Então significa que você e a Cecília eram mais do que colegas de trabalho e sim, confidentes. Eu a conheço bem e sei que ela não contaria detalhes da vida íntima para qualquer pessoa que não tivesse confiança — deduziu a tia de Dulce, para inquietação de Lisandra.

— Ok. A dona venceu. Espero que seja algo realmente importante e que não faça minha amiga sofrer — adiantou — O que quer saber? — disse, rendida.

Perucas sorriu, vitoriosa.

— Preciso contar à Cecília que a Verônica, a secretária do meu primo, não está grávida — sussurrou.

Foi a vez de Lisandra se surpreender.

— Mas como assim? Ela e o Senhor Gustavo não tinham um caso?

— É, eles tinham um affair, mas não um filho. Meu primo é pai da Dulce Maria, apenas — expôs Estefânia, um pouco desconfortável.

— Caraca! — exclamou a garçonete — A Ceci tem que saber disso logo! Ainda mais que o Bonitão pediu ela em casamento — completou rapidamente, pondo as mãos na boca.

Estefânia sentiu uma vertigem.

— Como?

— É isso aí, dona. O Dr. Bonitão tá indo pros States estudar e quer que a Ceci vá com ele. E como ela é toda certinha, ele não perdeu tempo e praticamente a pediu em casamento.

— Meu Deus — Estefânia pôs as mãos na boca — Preciso do endereço dela, agora! Por favor...

— Lisandra, mas pode me chamar de Lis — disse a loira, agora mais cortês.

— E você pode me chamar pelo nome. Não temos muita diferença de idade, Lis — brincou a estilista.

— Olha, eu vou lhe passar o endereço, mas não conta nada pra ela! Senão, ela vai me matar! — pediu Lisandra, pegando um bloco da bolsa e uma caneta.

— Fique tranquila, Lis. Mas, preciso saber uma última coisa. Você sabe se ela está apaixonada pelo Dr. André? — indagou a estilista, tensa com a possível resposta.

Lisandra suspirou.

— Vou ser bem sincera. Eu fui uma das pessoas que mais incentivou a Ceci pra que ela desse uma chance pro bonitão, entende? Ele é um bom homem e ela estava arrasada, por causa do seu primo e de saudades da Dulce Maria. Depois que eles se encontraram aqui na cidade, a Ceci colocou na cabeça que não podia afastar o seu Gustavo da Verônica, porque eles iam ter um filho... E então decidiu namorar o André.

Uma pontada de esperança nasceu na jovem.

— Você não respondeu minha pergunta. Ela o ama ou não?

— Claro que não! — exclamou Lisandra — Ela bem que tenta fingir, mas ela é louca pelo Senhor Gustavo. E é só por isso que eu estou contando tudo isso pra do... você — corrigiu-se a tempo.

— Deixa isso comigo, Lis. Em breve, você vai ser convidada do casamento desses dois — piscou a jovem, abraçando a garçonete — Muito obrigada! Você ajudou a salvar uma família e trazer a alegria pra uma das pessoas mais doces desse mundo — completou, enxugando uma lágrima ao lembrar da sobrinha.

— Imagina. Quero que a Ceci seja feliz. Agora, eu tenho que ir, Estefânia. Boa sorte — a garçonete se despediu, pegando a chave de sua motocicleta da bolsa.

— Obrigada — finalizou Estefânia, adentrando em seguida em seu carro e configurando o GPS com as informações fornecidas por Lisandra.

— Cinco minutos... espera, ela mora nessa rua? — sorriu a estilista — Essa Lisandra só esqueceu de avisar que eu posso ir a pé.

Ao chegar no edifício de Cecília e confirmar com o síndico de que ela e a irmã moravam ali, Estefânia pegou o elevador, ansiosa. Enquanto isso, Cecília estava terminando de se arrumar para um jantar com André. Desta vez, o pediatra não viria buscá-la, pois estava saindo de um plantão. Entretanto, o cansaço não seria impedimento para que o médico formalizasse seu pedido de casamento à namorada.

— Clarissa, eu preciso da chave do carro, pode me emprestar? — questionou a morena, conferindo se todos os itens necessários estavam na pequena bolsa que carregava.

— Sinceramente? Eu deveria mandar você ir à pé — bufou a mais velha.

A jovem revirou os olhos.

— E posso saber porquê tanta revolta nesse coraçãozinho tão bondoso? — perguntou, abraçando a irmã.

— Nem vem. Hoje à noite você vai cometer a maior loucura da sua vida. Será que você não enxerga que não ama o André? Como quer casar com ele? — exclamou Clarissa, irritada.

— Não estou com tempo e nem vontade pra discutir isso agora. Por favor, me dê as chaves — respondeu Cecília seriamente.

Subitamente a campainha tocou.

— Quem será? — perguntou a mais nova, curiosa.

— Tomara que seja um anjo pra te salvar dessa maluquice — completou Clarissa, indo em direção à porta, momento em que se espantou com uma jovem sorridente que usava um look monocromático.

— Boa noite, a Cecília está em casa? — saudou Estefânia, ajeitando os fios da peruca branca.

— Sim, mas quem é você?

Antes que a prima de Gustavo pudesse responder, a garçonete apareceu no cômodo e abraçou a visitante calorosamente.

— Estefânia, que surpresa!

— Cecília, quanto tempo! Meu Deus — exclamou — Quanta beleza que estava escondida por trás daquele hábito — ponderou, analisando-a dos pés à cabeça — Mulher, você está linda! — elogiou a estilista, deixando a ex-noviça envergonhada.

— Obrigada, Stef. Esta é minha irmã, Clarissa. Clarissa, essa é a Estefânia, tia da Dulce e uma grande amiga — explicou Cecília, enquanto as mulheres se cumprimentavam com um beijo no rosto.

— E você deu sorte! A Cecília estava de saída — começou Clarissa, tentando sinalizar para a nova conhecida.

Embora não entendesse muito bem a intenção da irmã mais velha de Cecília, a prima de Gustavo deduziu que ela estava indo se encontrar com o possível noivo. E ela precisava impedir.

— Eu ainda tenho alguns minutos, Clarissa — brigou a mais nova — Entre, fique a vontade, Stef.

— E eu estou voltando pro meu filme. Qualquer coisa, estarei no meu quarto — disse Clarissa, piscando para Estefânia antes de sumir da sala de estar do apartamento.

— Não liga pra ela, Estefânia. A Clarissa é meio de lua, mas tem um ótimo coração — esclareceu, sem graça — Mas me diga, o que devo a honra dessa visita?

A estilista respirou fundo.

— Cecília, eu vim até aqui porque eu sinto que você precisa saber de algo muito importante. Só o Vitor e a Solange sabem dessa minha "viagem". Quero que você abra e leia isso — pediu, entregando-lhe um envelope.

Apreensiva, Cecília abriu o envelope e leu o conteúdo, sem entender o que estava acontecendo.

— Desculpa, mas você pode ser mais clara?

— Esses são os exames da Verônica. Como você pode perceber, o exame de Beta HCG deu como resultado não reagente. Em outras palavras, ela não está grávida.

O silêncio ecoou no ambiente. A morena olhava para os exames, atônita.

—Mas, como assim, não está grávida? Como você conseguiu isso? — questionou a ex-noviça, incrédula.

— A Verônica passou mal na empresa ontem. Então, foi encaminhada ao hospital para fazer uns exames. A primeira suspeita dos médicos foi a gravidez. E aí está a prova de que ela não está esperando um filho, muito menos do Gustavo — expôs Estefânia.

— Eu não entendo... Uma pessoa me falou que ela estava com sintomas de gravidez... e como ela se relacionava com o Gustavo, eu pensei que... Meu Deus, o que eu fiz — dizia Cecília desesperada, andando pelo cômodo.

Chegou o momento das peças se alinharem ao quebra-cabeças. E a prima de Gustavo não perderia essa oportunidade.

— Cecília, me responde uma coisa. Quem te falou sobre essa suspeita de gravidez?

— Bom, o André estava de plantão um dia e disse que encontrou o Gustavo no setor de emergência do hospital. E pelo que ele soube, a Verônica estava apresentando sintomas de uma gestação, como náuseas e tonturas.

— Realmente, um outro dia, o Gustavo comentou comigo que a Verônica havia se sentido mal na empresa. Mas, pelo que eu soube, era por causa do calor — lembrou Perucas — E como o André sabia que era a Verônica quem estava com o Gustavo no hospital? Agora tudo faz sentido! — constatou a estilista, sorrindo — Cecília, será que você ainda não percebeu? O André e a Verônica não são somente meros conhecidos! E pelo que tudo indica, os dois armaram esse plano pra separar você do meu primo. Acorda!

Cecília voltou a caminhar pelo cômodo, inquieta.

— Não, não. O André não iria mentir desse jeito pra mim.... ele acompanhou todo meu sofrimento longe da Dulce, do internato, do Gustavo... não pode ser, não pode — dizia, com a voz embargada.

A namorada de Vitor a amparou com um abraço.

— Acalme-se, minha amiga. Não vim até aqui pra fazer você sofrer. Só quero que você reflita sobre tudo isso que está acontecendo. Você não merecia ser enganada desse jeito.

— Ai Estefânia — As lágrimas tomavam o rosto da garçonete — eu fui tão rude com o Gustavo... Ele não merecia tanta frieza! Mas eu fiz isso pra que ele esquecesse de mim e ficasse com a Verônica e o filho. Eu sei o quanto é triste não ter uma família completa por perto — falava entre soluços.

— Eu te entendo. Mas, você há de concordar comigo que de nada adianta um casal estar junto sem amor, não é mesmo? Ainda que a Verônica estivesse grávida, o Gustavo assumiria a paternidade da criança e lhe daria muito amor, mas sem necessidade de estar em um relacionamento com a mãe, entende?

A jovem apenas assentiu com a cabeça.

— Você conhece o meu primo. Sabe que ele é um orgulhoso, cabeça dura, mas é um homem justo e responsável. Ele jamais deixaria um filho desamparado. Mas, graças a Deus, ele é apenas pai da Dulce... ainda — completou, com um sorriso zombeteiro.

A ex-noviça se assustou.

— Como assim? Ele está pensando em ser pai outra vez? — gaguejou.

— Ah, com certeza. Só que dessa vez, ele quer que você seja a mãe — brincou Estefânia, pondo uma mão sobre o ombro da morena.

— Eu adoraria ser mãe — Cecília esboçou um fraco sorriso — isso foi um dos motivos para ter deixado o noviciado. Mas sei que o Gustavo não vai me perdoar.

— Isso você só vai saber se conversar com ele — pontuou a estilista — Por quê você não volta pra Doce Horizonte comigo?

A garçonete gelou. No mesmo instante, seu celular tocou.

— É o André.

— Atende, vai!

— Oi André... sim, está tudo bem. É que a Clarissa perdeu as chaves do carro — mentiu, e Estefânia segurou o riso — não, não precisa vir até aqui. Eu já estou saindo. Em meia-hora estou no restaurante. Um beijo — se despediu, desligando o telefone apreensivamente.

— Quem diria que eu viveria pra ver você mentir — ironizou a tia de Dulce — Bom, missão cumprida da minha parte — continuou, levantando-se do sofá — Não quero pressionar você, minha amiga. Mas, pense com carinho na nossa conversa. Não duvide do amor sincero que o Gustavo tem por você — completou, segurando as mãos da ex-noviça com força.

— Obrigada por tudo, Stef — disse Cecília, abraçando-a — Dê um abraço de urso na minha menina.

— Digamos que eu vou esperar que você o faça pessoalmente — piscou, marota, indo até a porta — Até breve. Mande um beijo pra sua irmã.

— Até.

A morena se recostou na porta, confusa. Em seguida, Clarissa veio ao seu encontro.

— Minha irmã, que loucura foi essa? — indagou, abraçando a mais nova.

Cecília suspirou.

— Não sei, sister. Só sei que o destino desta noite está traçado.

Notas finais
Gente, vou ser honesta com vocês. Estou com o tempo cada vez mais curto e a inspiração está escassa. Mas, isso não significa que vou abandonar a fic. Não mesmo! Só que eu acredito que vocês merecem o melhor de mim, principalmente nas cenas de vingança da Verônica e a reconciliação Gucilia. Por isso, estou "esticando" um pouco os capítulos que poderiam ser mais enxutos, como esse de hoje. Peço paciência, vai valer a pena. Obrigada por tudo! Um beijo!