Notas iniciais
Tudo começou com um desenho feito ao participar de um concurso do site 'deviantART'. Este one-shot é apenas um complemente e uma forma escrita do desenho (se tieverem a curiosidades é só checar o site).
Não consigo descrever o tamanho carinho que tenho pelo Ivan, e estaria mentindo se eu disser que ele não é o meu personagem preferido.
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Mas sem demandas, vamos o que interessa.
Uma boa leitura, mademoiselles e monsieurs.
p.s: o trecho da música pertence a música 'Boy and the Ghost' da Tarja Turunen (ex-vocalista de Nightwish).

One-shot

All I wanted was your Love



"Desespero, solitas, debilis, desolo."






A ausência de movimento do seu corpo roubou-me a atenção.

Até parece que você está congelado.



Observei por alguns segundos, e nem se quer um músculo mexeu.

- Ei... — a minha voz é coberto por uma ventania agressiva e repentina, a qual acabou devorando-a. — Ei... — tentei mais uma vez, mas você parece nem notar ao meu chamado. Mal responde.

Ajoelhei-me e cheguei mais perto de você.

O seu corpo estava no chão como se estivesse sido jogado de qualquer jeito. A posição parecia lhe desconfortar, ou ao menos aparentava, porque você fazia nada para mudá-la. Permanecia desse jeito.

-Ei...

Chamei-o mais uma vez. Sem resposta mais uma vez.

Suspirei.

- Por acaso você está dormindo? — continuei na minha tentativa de obter uma conversa adequada, mas não estava dando muito certo sem a sua cooperação. — Ei, Gilbert. Está me ouvindo, não está?

Impossível. Como ele pôde ousar tanto? Depois de tantas advertências... Depois de tanto que lhe ensinei? Ele só pode em transe enquanto que está a morrer congelado, ou simplesmente ele está a dormir.

— Não durma num lugar desses, você vai acabar morrendo congelado. — Ele deitava em cima de uma coberta a qual não parava de se estender no meio da brancura das neves. Ela é tão linda... De cor vermelha como os seus olhos.

Seus olhos sem brilho, Gilbert.

- Ei, Gilbert... — os olhos dele estavam direcionados para a minha direção, mas não estavam me admirando nem um pouco. E apesar da sua boca estar entreaberta, mal se quer balbucia uma palavra se quer.- ... Você está morto?

Os movimentos dele congelaram, o seu corpo estático não me responde.

- Que esquisito, o seu corpo está tão frio como um gelo... — deslizei a minha mão da sua até o seu peito, onde o sangue não parava de fluir. — Mas aqui está tão quentinho... — pousei a mão na extremidade da ferida. Conseguia sentir que em algumas partes o fluido já começou a secar. Com delicadeza os meus dedos tocaram por dentro da abertura vermelha e subitamente senti. O calor do Gil. — Ah... Que quentinho...

Poderia ser um pouco gosmento e pegajoso, mas o calor era igualzinho a sua pele quando os seus pulmões ainda estavam respirando. Pobrezinho, do jeito que estava vasculhando em busca de mais e mais de calor, deveria estar sentindo tanta dor...

- Gilbert, está doendo, não está? Por que não berra e esperneia de dor? — ergui a mesma mão que estava sob a ferida até o rosto dele. Deixei uma trilha rubra ao acariciar-lhe a maçã do rosto. Os seus olhos opacos não piscavam.- ... Não adianta perguntar se está morto, não é mesmo...?

Não há mais o Gilbert neste corpo oco.

Repousei-o com cuidado entre as palmas das minhas mãos. Estava quente, saltitando a cada pulsar sutil e sangrava sem parar, deixando transbordar o sangue entre os meus dedos como se estivesse chorando.

Sim... Você está aqui, não é mesmo, Gilbert?

Tum, tum... Tum, tum... batidas tão efêmeras...

- Ah... Como está quentinho... — com delicadeza toquei a superfície contra a maçã do meu rosto. Senti os primeiros pulsares fortes, mas logo os senti enfraquecendo, parecia até que estava a suspirar.- Está morrendo também? — um pulsar fraco parecia afirmar. Admirei aquele último pedaço da existência de Gilbert que me restou.- Ei, Gilbert. Posso confessar uma coisa antes que seja tarde demais?

Tum, tum...

Senti algo transbordar dos meus olhos. Escorreu lentamente pelas curvas do meu rosto e simplesmente caiu.

Pode ser loucura minha, mas jurei ter visto um ponto vermelho se dissolver entre as neves.





Ei, Gilbert...

Tudo o que eu queria era o seu amor.

Não precisava ter sido expressado em palavras complexas, poderia ter sido por um gesto ou um simples cafuné. Isso seria bastante para mim.

Será que se eu consumir esse seu calor que me resta antes que desapareça, ao menos conseguirei gravar o gosto de seu carinho?



The end

Notas finais
Fin.
Segundo one-shot de Ivan que eu faço... faz até um tempinho, e o gênero não muda, não é? Mas acho que é a melhor forma para desenvolvê-lo, usando este tema um pouco obscuro e triste.
Também é um gênero que consigo abordar mais, e fazer o melhor.
Uma coisa que gostaria de comentar... Não ficou mais complexo de centralizar o texto, deixar as palavras em itálico, negrito e entre outros? O que aconteceu com o site que agora a própria pessoa tem que escrever o código? Bati a cabeça por um tempo até conseguir dar um jeito D:
*Desespero, solitas, debilis, desolo - são palavras cantadas em coro em um dos refrões da música. As traduções respectivamente são: desesperado, solitário, debilitado e desolado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!