All I Ever Wanted
3 Capítulo 3. O término do castigo e o dia com ele
Notas iniciais
Cap. 3 — O término do castigo e o dia com ele
Ele havia desaparecido — completo e totalmente sem deixar rastros.
— Helena – meu pai entrou no quarto e se sentou em minha cama, olhou minhas roupas e olhou para mim, pronto para encher o saco.
— Diga – murmurei.
Ele me olhou com seu olhar de desculpas, provavelmente por nunca estar presente. Eu sabia que ele se culpava por meu jeito rebelde, mas nunca soube por que, agora com seu olhar descobri.
— Está liberada do castigo – ele disse em meio a um longo silêncio.
Eu olhei assustada, meu pai nunca mudara uma decisão de minha mãe e quando ela disse “Você está de castigo até as próximas férias, moçinha” ela com certeza tinha tomado uma decisão, preferi não questionar e apenas murmurei:
— Obrigada.
Ele se levantou e por fim saiu do meu quarto, deitei na cama e voltei a olhar para o teto. Imaginei Max, vi seus olhos verdes e senti seu corpo quente se aproximar do meu, em seu rosto um sorriso envergonhado — como quando ele viu que eu estava apenas de toalha. O que está acontecendo comigo?! Eu não posso estar gostando desse garoto, ele é um retardado!
Tomei minha decisão, com o beijo ele selou o acordo de não me perturbar mais então tudo que eu devia fazer era esquecê-lo. Levantei e me olhei no espelho, passei maquiagem – lápis, gloss e sombra –, pus meu salto preto, troquei meu short-cueca por uma saia curta de cós-alto e desci as escadas com minha bolsa no ombro.
— Aonde você acha que vai? – minha mãe disse sentada no sofá.
— Em uma festa, nada demais, não me espere acordada, estarei em casa lá pelas 2 da manhã – informei. Bati a porta e chamei um táxi.
— Em que lugar a senhora pretendi ir? – um cara, alto, cujo os lábios eram vermelho sangue, e careca, perguntou virando um pouco de seu rosto.
— Não me chame de senhora, isso me faz parecer velha! – resmunguei.
— Desculpe então. Onde deseja ir? – ele zombou. Respirei fundo. Eu não pretendia perder meu controle, com um cara que eu verei apenas uma vez em minha vida.
— Ah uma lanchonete qualquer! – dei de ombros. O motorista balançou a cabeça negativamente, talvez porque eu realmente, não sabia exatamente para onde estava indo. Bom... Imagina se esse motorista é um louco? Ah! Tanto faz, se arriscar é bom.
As árvores, as casas, os prédios, tudo passava rapidamente pela janela, fui olhando as ruas, apenas para notificar-me de que ele não iria muito longe de casa.
Chegando a uma rua, clara, movimentada, ele parou no encostamento, pois a rua estava mais do que lotada, seguindo a única direção que havia – para frente. Desci do carro.
— Dez reais – ele disse abrindo a janela do passageiro. Abri minha bolsa e o entreguei o dinheiro. Andei para ao primeiro café que vi pela frente.
Sentei em umas das mesinhas pequenas de três cadeiras. Cruzei as pernas e abaixei um pouco a saia. Uma música ecoou de minha bolsa. A abri e peguei meu celular.
— Alô? – disse.
— Oi! – Max disse do outro lado da linha. Como ele havia meu telefone?
— Oi... – disse tentando disfarçar minha felicidade ao ver que era ele.
— Huum... Tudo bem? – ele perguntou. Resolvi não responder, pois eu também tinha muitas perguntas.
— Como foi para minha casa? Como entrou em minha casa? Porque mentiu? Como... – fui interrompida por um pigarro.
— Você tem muitas perguntas! Se parar de perguntar, depois eu as respondo! — Bom... Se é assim... – dei de ombros por costume.
— Onde está? – ele perguntou.
— Em um café.
— Quer ir a uma festa?
— Claro! – sorri grande.
— Ótimo! Encontre-me na rua Julipto, número 567, tá?
— Uhum! – disse feliz da vida.
— Te vejo lá! Tchau.
— Tchau – fechei o celular.
A música estava muito alta, pois além da casa ser tão grande, havia muitos adolescentes por lá. Andei pelo longo pátio cor mel que ia a direção a grande entrada da mansão. Notei que não havia ninguém fora da casa, então eu poderia entrar, sem que ninguém percebesse. Toquei na maçaneta da grande bege porta de vidro. Hesitei em abri, mas acabei entrando. Era inacreditável como a garota, ou garoto, continha tanto dinheiro. Minha boca praticamente abriu-se completamente. As escadas todas enfeitadas, e agora sujas. Não conseguia apreciar a beleza daquele lugar, embora, a beleza dele, estivesse em apenas uma coisa.
Um garoto, com os cabelos negros, olhos verdes parado em um dos grandes pilastes do lugar, com um copo na mão, e ao seu lado um garoto. Sim. Ele era a coisa mais bonita que havia lá. Max.
Seus olhos verdes prenderam-se aos meus. Ele falou algo para seu amigo, e veio em minha direção, andando cautelosamente. Seus cabelos negros não estavam espetados, estavam lisos, o deixando mais lindo.
Um de seus braços envolveu minha cintura fortemente. Ele me puxou de encontro com seu corpo, e afundou seu rosto em meus cabelos castanhos soltos. Inalei seu aroma de mel. Ele riu baixinho.
— Oi. – Disse e sorri involuntariamente.
— Hey... – ele sussurrou e seus lábios já estavam nos meus. Sem força, ou vontade, deixei que ele me beijasse. Seus lábios eram macios e doces. Como ele podia ser ainda mais bonito?
Ofegantes, nos separamos e eu olhei em seus olhos verdes brilhantes.
— Tão bom quanto imaginei! – ele beijou o canto de minha boca e segurou minha mão, arrastando-me pelos corredores imensos.
Ele me levou à pista de dança do local, que estava lotada, não havia espaço nem para uma mosca. Ele me levou ao balcão onde havia várias garotas, sentamos ao lado delas, pois só havia esse espaço lá. Ele pediu dois refrigerantes. Agradeci com os olhos. Seus lábios formaram um imenso sorriso.
— Max! – alguém gritara. Olhei em volta, procurando pela pessoa, e então, vi uma mulher, com os cabelos negros – como o de Max – encaracolados, olhos pretos, e feições definidas. Ela era muito linda.
— Janny! – Max sorriu e beijou docilmente a bochecha da tal Janny. Ela sentou ao seu lado e pediu um refrigerante.
— Jenny, está é Helena! – Max apresentou-me a ela. Ela sorriu como resposta e sorri em troca sem vontade. Max me olhava fixamente, e sério. Arquei uma sobrancelha para ele. Janny notou, e cutucou Max. Disse alguma coisa rápido, e baixo, impedindo que eu escutasse.
— Helena, se importa se eu pegar Max emprestado por um minuto? – ela perguntou já o puxando.
— À vontade.
Max piscou para mim e saiu com Janny. Ele a envolveu sua cintura com um de seus braços, e beijou o topo da cabeça dela rindo. Virei-me para o balcão respirando fundo. Ótimo, Max estava com outra.
Uma música, muito baixa – devido ao som alto do lugar – tocou. Procurei o que havia disparado a música, e vi um iphone com a capa preta no balcão. Olhei de canto de olho, para ver se alguém estava vendo que eu iria o pegar. Quando o destravei, vi uma foto de Max, então, devia ser dele. A música não parava de tocar, perturbada, fui ver quem era, e bem, não me agradou muito o que eu havia visto. Sara. Ok, uma tal de Sara estava ligando pra ele. Podia ser apenas amigas ou algo do tipo. Recusei a chamada, mas a Sara parecia não desistir de ligar pra ele. Depois de muitos toques, e de insistir, ela pareceu finalmente desistir de ligar, mas deixou um recado para ele. Como era enxerida, fui logo vendo. Ótimo! Sara estava o esperando em "casa" junto com Ammy. Ok. Essa foi a gota d' água. Ele tinha Janny, Sara, Ammy... Helena...
Deixei o celular no balcão, sem pensar duas vezes. Deixei o lugar, e entrei em um táxi. Pedi para que o motorista me levasse para casa. Olhei no relógio, uma da manhã. Enquanto o carro percorria as ruas escuras, me arrependi plenamente de ter me encontrado com Max, de ter me em entregado a ele. Eu fui estúpida em pensar que um garoto, como ele, estava afim de mim. Suspirei tristemente. Ele ligaria para mim, e pediria explicações. O que eu iria dizer? Bem... Um xingamento com muita certeza.
Entreguei o dinheiro ao motorista e desci do veículo. Girei a maçaneta da porta de casa. Merda! A minha chave havia ficado para trás. Andei em volta da casa, até chegar a varanda de meu quarto. Com muita dificuldade, escalei o pequeno muro da vizinha ao lado. Chegando ao topo, tentei não pensar à quantos metros eu estava do chão. Pendurei-me em uma árvore a fim de pular para minha varanda. Balancei-me na árvore até que consegui ter o total impulso para poder pular em minha varando. Um... Dois... Três! Pulei, caindo agachada na frente da única mini poltrona que havia em minha mini varanda – eu a odiava, porém ela tinha uma linda vista para o céu –, levantei e olhei o céu estrelado. Muito lindo.
Empurrei a porta de vidro com raiva. Joguei minha bolsa em meu mini sofá preto. Tirei meus sapatos e joguei no canto do quarto. Coloquei uma blusa grande, GG. Devia ser de minha avó Patrícia. E coloquei um short, preto e pequeno. Tranquei a porta de meu quarto e a varanda. Enrolei-me no cobertor amarelo que tanto amava.
Quando meus olhos finalmente se fecharam, ouvi meu celular apitar. Já acostumada, tive de levantar da cama, e ir desligá-lo, pois ele não iria parar de apitar. Antes de desligar, olhei o que era, e bem, o que eu esperava.
''Onde está? Cadê você Hels? ''. Revirei os olhos. E respondi sua mensagem. Tentei ser o mais breve possível. ''Vai à merda. OBS: Meu nome não é Hels! ''.
Desliguei o celular, e o coloquei na minha escrivaninha. Acabei por entrar no banheiro. Lavei meu rosto e escovei meus dentes, retirando todos os vestígios de comida que havia restado.
Prendi meu cabelo em uma trança longa – fazia muito calor, e incomodava-me plenamente meu cabelo inteiramente suado, colando sob a blusa de Patrícia. Vasculhei meu MP5 na segunda gaveta de minha escrivaninha, a fim de não conseguir pensar em nada. Deixei uma música desconhecida repetir inúmeras vezes. Podia-se dizer que eu já sabia cantar todo seu refrão. Deu certo, graças ao volume alto, e as batidas fortes e violentas da música, não conseguia pensar – e era esse o propósito do exercício. Acabei por adormecer.
Abri os olhos para luz familiar do dia. Perturbada com a música violenta ecoando pela minha cabeça, e pelos meus ouvidos, arranquei os fones e os joguei em algum lugar de meu quarto. A trança que havia formado em meu cabelo me irritava profundamente, então, puxei o elástico brutamente, arrancando alguns fios de meu cabelo. Murmurei algo incompreensível quando senti meu braço bater na parede de meu quarto.
Irritada, virei-me de bruços, e fechei os olhos fortemente, porém, a luz ainda os invadia. Dei um tapa em minha cabeça por ter esquecido de abaixar as cortinas. Escondi meu rosto debaixo do cobertor, mas, não fiquei nem meio segundo lá. O retirei de minha cabeça arfando, e o atirei no chão.
Ergui-me estabanada na cama. Gotas de suor escorriam por minha face.
— Merda! Bosta! Merda! Arghh! – berrei. Eu não podia ter nem uma noite de sono em paz! Levantei da cama, emburrada, e desorientada.
Entrei no banheiro e liguei o chuveiro, na temperatura de água mais gelada o possível. Sem pensar duas vezes, entrei debaixo dele, sem ao menos tirar minha roupa. Senti a água gelada escorrer por todo meu corpo, sorri ao me sentir assim. Tirei toda minha roupa molhada e joguei na pia.
O meu shampoo de maça acalmou-me plenamente, para ter certeza, respirei fundo, e soltei o ar. Tentei ao máximo não pensar no que havia ocorrido, mas, não segurei-me e fechei o chuveiro, enrolando meu busto na toalha branca, o que fez a lembrança de ontem, antes da bendita festa, voltar a invadir a minha mente. Merda!
— A que milagre você acordou cedo hoje? – minha mãe disse enquanto servia o café para meu pai, que estava super apressado para ir ao trabalho.
— Ah! Não lhe interessa! – respondi e dei uma dentada em minha waffle coberta de chocolate.
— Claro... claro... – minha mãe murmurou para si mesma.
— Nelly, já estou indo! – ele disse e beijou a bochecha de minha mãe, venho em minha direção, para beijar minha cabeça como costume. Após ele sair de casa, pedi a minha mãe que arruma_se meu quarto, e bem, dito e feito, agradeci a ela, e tranquei_me em meu quarto.
Peguei meu celular para ver se ele havia me respondido, mas não. Será que ele nunca mais falaria comigo?
Abri a porta da varanda, e sentei na única poltrona que havia lá. Liguei para Bruna. — Oi! – disse quando ela atendeu.
— Oi He! – ela respondeu.
— O que está fazendo? – perguntei desanimada.
— Bem, estou comprando tinta pra pintar meu cabelo – ela disse rindo. — Serio? – perguntei animada.
— Quer que eu compre alguma pra você? – perguntou. Sorri ao pensar em um novo estilo de cabelo.
— Minha nossa! Ficou linda! – Bru elogiou-me enquanto eu me olhava no grande espelho do carro de sua mãe. Meus cabelos estavam lisos, e gigantes. Eu havia feito vários tons de castanho. Ele estava lindo.
Abracei Bruna forte.
— Obrigada! – sorri e agradeci a ela. – Tchau! – completei e desci do carro. Entrei em casa, e vi minha mãe deitada, cochilando no sofá.
Tranquei a porta, e subi para meu quarto. Chegando lá, tirei meu chinelo, e coloquei minha bolsa em minha cama. Quando menos esperava, alguém me abraçou por trás. Preparei-me para berrar, pois podia ser um ladrão.
— AHHH... – ele tampou minha mão, e eu a mordi, me soltando dele. Quando virei-me, e vi quem era, quase cai de costas. Ótimo, o que ele fazia aqui?
— Que dentes afiados hein! – Max reclamou massageando sua mão. Revirei os olhos, e dei um pequeno sorriso, satisfeita por ter pelo menos machucado-o. — Vai embora! – disse e o empurrei fraco.
— Não até você me dar uma explicação! – ele disse. Fui ate a porta de meu quarto, e a abri.
— Vai embora! – disse. Ele veio em minha direção. Pensei que ia embora, mas, não. Ele fechou a porta, e me prendeu contra ela.
— O que aconteceu? – ele perguntou.
— Porque você não vai ficar com sua namorada? E suas ficantes? – perguntei.
— Eu tenho namorada? – perguntou me olhando nos olhos.
— Não se finja de bobo! – reclamei.
— Espera ai! – ele disse e me soltou. Começou a rir.
— Qual a graça? – perguntei cruzando os braços sobre os peitos.
— Você achou que Janny, Ammy, e Sara eram minhas “namoradas”? – ele perguntou gargalhando.
— Er... – corei.
— Elas são minhas irmãs! – OMG!
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