Alice in the sky with angels

4 A primeira aula sobre o assunto.


— Pera, isso não é um superpoder ou algo do tipo. — tentei argumentar mas nenhum deles me ouviu.

Dimas e Marcos estavam procurando alguma coisa em um livro enorme e Miguel estava me encarando mas ainda perdido em pensamentos.

Ele então se aproximou e pegou um dos meus cachos entre os dedos.

— Desculpa por isso, pelo Dimas te pressionando e o Marcos não calando a boca. Eles não sabem quando parar.

— Tá tudo bem. — eu disse, ainda não sabendo realmente porque eu estava ali. — Vocês são tipo os X-Men.

Miguel me encarou por um segundo antes de explodir em uma gargalhada que agitou todo seu corpo, e não só ele, Annelise e Maya estavam atrás de nós e tentavam conter as risadas.

— Rosa falou a mesma coisa quando chegou aqui. — Maya comentou ainda sorrindo.

— Rosa falou muito quando chegou aqui na verdade — Miguel estava sorridente de novo. — Você até não está pirando tanto, ela quase quebrou metade da casa quando tentamos explicar as coisas pra ela.

— E ela só tinha oito anos — Annelise disse e estremeceu, se lembrando de alguma coisa.

— Como assim "quebrou metade da casa"? Ela é só uma garotinha. — perguntei confusa.

— Ela controla os quatro elementos. — Annelise disse simplesmente.

— Filha de virtue, é um inferno — Maya bufou, revirando os olhos.

— Virtue? — olhei para Miguel, confusa.

— Virtude. É uma classificação de anjos, eles podem controlar a natureza, maremotos, essas coisas. Quando caímos e assumimos formas humanas, os poderes se vão, porque é uma punição e não devemos utilizar nada do que tínhamos antes, só que isso não se aplica à filhos e aos filhos deles e todo o resto da linhagem.

— Mas...como ela destruiu a casa?

— Ela é pequena, não consegue controlar o que pode fazer e perde o controle fácil quando as emoções dela ficam diferentes, ela começou a gritar e falar que éramos loucos, e fez crescer um monte de ervas daninhas pela casa e as paredes ficaram cobertas de musgos.

— Sem contar a árvore no meio da antiga cozinha, destruiu o telhado e o sótão, Dim quase perdeu os livros. — Maya completou. — Por isso nos mudamos, e mudamos de novo...eu gostava da outra casa.

— Ela destruiu duas casas? — perguntei boquiaberta.

— Não, a segunda foi culpa do Valentim, ele é o mais recente que caiu, ele fez a maior bagunça, os primeiros dias são difíceis. Dimas ficou furioso com ele por dias antes de nos mudarmos pra cá, acho que ele já perdoou. Por favor, não quebre a casa toda ok? Tô cansada de empacotar e desempacotar as coisas. — Annelise suspirou, exasperada.

— Ela é minúscula, Anne, não faz mal a uma mosca. — Marcos disse da mesa, ainda com os olhos virados para o livro.

— Rosa é minúscula também. — ela revirou os olhos.

— Eu não tenho superpoderes legais que nem o dela, eu sou tipo o professor Xavier só que com cabelo e pernas boas.

Senti a risada de Miguel ao meu lado enquanto Marcos e Dimas tentavam não rir, mas as meninas nem se deram o trabalho e estavam gargalhando até perderem o fôlego.

— Ok, parem com isso crianças, eu já achei, venham cá. — Dimas disse, ainda sorrindo e virou o livro que estava em suas mãos na minha direção enquanto me aproximava da mesa.

— O que é isso? — havia um tipo de mapa mundi que cobria as duas folhas do livro aberto, havia pontos em todo o mapa, em alguns lugares estratégicos.

— São todas as irmandades que temos no mundo, você está aqui — ele apontou para um pontinho no mapa, em cima do Brasil, um dos únicos, comparado à outros países, havia apenas uma porção de pontos, talvez só um em cada região do país. — Há anjos por todo lugar, Alice, você tem que saber disso. Assim como nefilins, tem uma porção deles vivendo como pessoas normais, e alguns nem sabem do que são capazes, alguns são vistos como loucos e presos em manicômios. — ele apontou para os quadros nas paredes — Esses são os mais importantes dos nefilins.

Arregalei os olhos.

— Beethoven era um nefilim? — minha voz saiu uma oitava mais aguda.

— Ele tocava piano de modo espetacular, mesmo depois de ficar surdo, você não acha isso um pouco suspeito? — Marcos respondeu, arqueando uma sobrancelha.

Dimas abriu a boca para falar algo mas foi interrompido por uma música, Sweet Dreams, que tocava alto.

Levei menos de um segundo pra perceber que o som vinha do meu bolso, peguei o celular e me afastei deles para atender.

— Lice? Onde você tá? — A voz fina de Berenice soou baixa e preocupada. — Achei que tivesse ido no mercado mas aí você não voltou...

Ah, caralho.

— Desculpa, Berê. Desculpa mesmo. Já deve ter escurecido né? Olha, você pode vir conhecer os vizinhos, eu tô aqui conversando com eles, tem uma garota da sua idade e ela é bem legal — disse, me culpando mentalmente por ter deixado Berê sozinha em casa.

— Que vizinhos?

— Os da mansão roxa. É só bater e falar que é minha irmã que eles vão te tratar como uma princesa ok? Desculpa mesmo.

— Tá bom, tô indo.

— Não esquece de trazer a chave de casa.

— Tá bom. Beijo.

— Até daqui a pouco. — disse e desliguei, voltando pra perto da mesa. — Desculpa, era minha irmã mais nova, ela tem medo de ficar em casa sozinha.

Marcos arregalou os olhos e revezava entre olhar para mim e para Dimas ao seu lado.

— Você tem irmãos? — ele disse como se fosse o maior absurdo do mundo. — Mais nefilins, Dim. Não tem como proteger todo mundo.

— Vamos fazer o possível. — Dimas garantiu.

— Vamos todos morrer! — Marcos passou pela mesa e vinha na minha direção, parecia perigoso e prestes a matar alguém.

— Ei! Calma, porra! Eu sou adotada. — gritei, levantando as mãos esperando pelo pior.

Marcos parou no meio do caminho e ficou me encarando.

— Mama me adotou quando eu tinha dois anos, Berenice também é adotada mas não temos nenhum envolvimento genético ou alguma merda do tipo, ela não tem dom nenhum.

Um barulho veio das escadas e todos viramos para ver quem estava subindo, até que reconheci a cabeça loira de Berenice e suspirei.

— Ah, merda — Marcos murmurou atrás de mim.

Notas finais
Hey, me falem o que acharam sobre o capítulo, it's important. Beijos de luz, xuxus