Notas iniciais
Demorou um pouquinho, eu sei, mas está aí. Enfim, boa leitura :-D

Alfred estava realmente muito triste.

Apesar de machucar sua irmã, zombar dela por coisas bobas, e a magoar seriamente três vezes por semana, ele a amava. De um jeito estranho e um pouco doloroso, mas ele gostava dela.

Ela, de alguma maneira, preenchia o vazio de seus dias e o vazio de sua mente.

E agora, ela tinha sumido.

Alfred tinha chamado a polícia, tinha ligado para seus pais, tinha chorado grudado na Sra. Aberghaky sem parar. De repente, a vida não parecia mais tão divertida. Ela parecia sombria. Fria e sem sentido.

A aparente morte de Alicia tinha causado um tumulto na região. Alfred vira o corpo lá, machucado e ensanguentado, e correu para chamar algum médico ou algum adulto, mas quando ele voltou lá, o corpo tinha sumido.

Os pais dele achavam que ele estava mentindo. Ambos achavam que, na verdade, Alicia tinha sido raptada na frente de Alfred, e que o garoto, com medo de ser punido pela irresponsabilidade, tinha inventado uma história qualquer envolvendo cartas amaldiçoadas e o cadáver da irmã.

“CARTAS AMALDIÇOADAS. MORTE FRIA E SANGRENTA. VOCÊ SERÁ O PRÓXIMO”.

Alfred não parava de pensar na mensagem escrita num papel que encontrou ao lado do corpo de Alicia. O papel foi transformado em pó, de um jeito que o jovem não poderia entender.

Alicia sempre acreditou em magia, e Alfred sempre zombou dela por isso. Mas agora ele duvidava.

Duvidava que realmente o mundo fosse tão real quanto parecia. Duvidava que coisas estranhas não acontecessem. Ele sabia que não podia falar isso em voz alta, mas ele viu Alicia sumir. Do meio do nada, PUFT!, sumiu. Viu um papel virar pó do meio do nada.

Agora ele acreditava. Ou pelo menos, estava começando a acreditar.

O garoto estava deitado em sua cama, dormindo tranquilamente, sonhando que salvava heroicamente sua irmã das garras de alguma bruxa ou algum feiticeiro que estava disposto a machucar e destruir toda a sua família.

E então ele ouviu um barulho alto, que o acordou imediatamente. Ele se levantou da cama e foi até os paid, que estavam acordando, assustados.

—O que está acontecendo? – Perguntou sua mãe, assustada. Alfred olhou ao redor. Estava morrendo de medo. Afinal, apesar de não ter contado suas angústias para seus pais, ele sabia que alguém tinha levado sua irmã. Alguém que estava fazendo ele ver coisas que não faziam sentido e passar por situações que ele nunca esperaria ter passado.

Seus pais desceram a escada correndo, indo em direção à sala. Lá, ficava uma grande porta de madeira, e naquele momento, alguém parecia bater nela. Com força.

O pai de Alfred andou lentamente até a porta, e a abriu. Alfred sentiu um misto de medo e expectativa corroendo-o. Mas não havia ninguém batendo na porta. O outro lado estava vazio, exceto pelos grilos cricrilando nas árvores.

—Deve ser uma dessas crianças problemáticas que gostam de irritar os outros – Disse o pai, irritado. Alfred suspirou, aliviado.

De repente, sentiu seus músculos enrijecerem. Seus pés não se mexiam mais, nem seus membros. Nem sua boca, nem sua cabeça, nem suas mãos... Ele mal conseguia respirar. Sua família parecia estar no mesmo estado. Todos parados, como se estivessem petrificados.

Um ser misterioso então surgiu da escuridão. Parecia ser uma mulher, mas Alfred não conseguia ver seu rosto direito. A sombra usava uma roupa branca e vermelha, e um chapéu imenso que cobria seu rosto.

—Ora, ora, sussurrou a mulher misteriosa, tirando o chapéu e se revelando para as três pessoas assustadas e petrificadas que estavam na sala.

Era a Sra. Aberghaky, sorrindo maldosamente. Ela estalou os dedos, e Alfred sentiu novamente seus músculos.

Magia, pensou o garoto. Magia e traição.

—Sabe, eu realmente gostaria que a situação não chegasse a esse ponto. Mas, Ela está desesperada com a chegada da garota. Está com medo de que seu plano falhe e Ela nunca consiga o que quer. Por isso, eu quero que vocês me perdoem pelo que eu vou fazer agora...

A Sra. Aberghaky estalou os dedos novamente, e uma sonolência forte invadiu Alfred. Ele pode ouviu seus pais lentamente caindo de sono, e tudo o que ouviu antes de apagar foi uma frase curta e rápida, pronunciada numa outra língua, que ele estranhamente entendeu.

—Vida longa à Rainha...

Notas finais
Logo sai mais um, e espero que tenham gostado. Deixem um comentário para eu saber do que gostaram, o que detestaram, e algumas sugestões também para os próximos capítulos...