Alice S Memories

22 Capítulo 21 Sombria Personalidade


Notas iniciais
Voltei depois de um tempinho mas é só pra postar esse capitulo estou sem escrever faz algum tempo...

Havia começado a ficar muito desconfortável com a situação, e ele não se mexia, às vezes parecia nem respirar, o homem estava de cabeça baixa olhando para sua xícara de chá sobre sua mão, como se fosse algum tipo de hipnose, aquela atmosfera estranha se fez mais forte de novo, a fazendo ficar em alerta, somente aquele cenário já era o suficiente para afastar qualquer traço da realidade, revelar aquele mundo distorcido que ia além da loucura e de qualquer mente, ela ficou pensando nisso quando devagar ele levantou a cabeça, mais uma vez aqueles olhos brilhantes a encararam, agora como se estivessem analisando-a e ela sentiu como se eles pudessem enxergar através de todas as barreiras que impunha, sua alma e mente, ela sentiu novamente o corpo gelar, mas desta vez também olhou diretamente nos olhos dele, e tentou como ele fazia agora com ela, olhar para dentro das profundezas de sua alma, apenas para encontrar o nada, além de uma confusão e o próprio infinito, Alice não conseguiu, recuou, não poderia fazer isso e contentou apenas em fita-lo, apenas para perceber seu rosto não demonstrava nenhuma emoção, nenhuma mínima dica sobre o que ele poderia estar pensando ou sentindo naquele momento, seus pensamentos eram tão fechados para ela quanto uma fortaleza impenetrável e ela não pode ver nem ao menos no canto de seu repentino e quase imperceptível sorriso, algo que realmente estava fora da realidade diferente de qualquer outra coisa, loucura, mas não uma como havia visto naquele lugar até agora, sua loucura não era como a dos residentes dali, como a Lebre de Março ou o rato, nem mesmo o gato, que era quem havia lhe feito sentir mais medo, não, sua loucura era algo mais, era uma mistura de perigosa, traiçoeira e totalmente imprevisível, mas isso nem Alice que conviera por tanto tempo em lugar como aquele hospital psiquiátrico com pessoas dos mais diferentes tipos conseguiria notar.

—Você não vai dizer nada?—Finamente resolveu pedir, aquele e silencio a estava incomodando por demais, chegava a sentir-se constrangida, se era algum tipo de jogo ela não sabia como jogá-lo e não estava gostando, agora resolveria continuar.—Porque está olhando para mim assim? Quer que eu vá embora se não tem mais nada a dizer, porque eu vou se você desejar.—Nem soube direito o porque disse aquilo de repente, mas o importante é que ao menos o silencio havia sido quebrado por alguns momentos, o Chapeleiro balançou a cabeça o que fez com que Alice se mantivesse em seu lugar, ele terminou de beber o liquido ainda fumegante de sua xícara para em seguida colocá-la sobre a mesa, e suas mãos foram para os braços da cadeira e em um movimento repentino levantou-se a frente dela.

—Alice.—Ele começou, isso a fez estremecer novamente, porque além de sentir-se pequena diante daquele olhar agora seu corpo reagia em apenas ouvi-lo falar seu nome? Ela se perguntou em pensamento, a mão dele buscou o bule que estava um pouco distante, ela pareceu acalmar-se um pouco ao perceber isso. Céus! O que fora aquilo? Pensou que iria entrar em choque quando o viu se levantar de repente, mas o que estava esperando? Com aquele simples gesto os pensamentos dela haviam ido a mil, assim como seu coração que bateu tão rápido, que ela pode ouvir o pulsar dentro de sua cabeça, mas agora percebeu que pela primeira vês, estava vendo-o de perto, percebeu isso quando ele chegou estendendo o braço segurando bule de chá e oferecendo a ela que automaticamente levou a xícara para que a servisse, mas não estava prestando atenção no chá e sim nele, tão atenta a cada detalhe que tentou até espiar dentro de seu longo casaco, naquele momento por mais curiosidade do que qualquer coisa mais, este encontrava-se fechado mas ela pode ver ao menos a camisa que usava por baixo dele.

—O que está fazendo Alice?—A voz a tirou daquilo e quando se percebeu havia levantado apoiado às mãos na mesa estirando o corpo um pouco para frente, e estava olhando descaradamente, tão perto que pode sentir a respiração dele em seu cabelo.

“Deus...o que estou fazendo?!”—Pensou apenas antes de fazer qualquer coisa, seu rosto ruborizou evidentemente, sentiu vontade de largar o corpo com tudo em cima da mesa não se importando com nada só para esconder o rosto.

“Merda! O que eu faço agora?” –Cerrou os dentes aflita por seu gesto impensado, abaixou a cabeça e assim as mechas louras caíram pelas laterais do rosto escondendo-o, precisou pensar depressa.—Há! Desculpe! É só que...—Procurou palavras na memória, porque agora nenhuma vinha? Então agarrou a gola e fingiu afastar alguma coisa em um movimento rápido com a outra mão do casaco dele.

—É, que eu vi que tinha um bicho na gola de seu casaco e fui tirar, daí notei que era muito detalhado e quis ver de perto , e nossa é muito bonito! É bem é isso!—Falou rápido e nervosamente, nem olhava para o rosto dele enquanto apontava para a costura do tecido aqui e ali, logo largando a gola do casaco ao perceber o que estava fazendo, amargando-se de suas palavras nada convincentes e sentou-se novamente, tão rápido que a cadeira quase foi para trás, apoiou as mãos sob o colo olhando para baixo.

—Oh..bem...então! Po..po...po-poderia me servir um pouco de chá!—Disse gaguejando ainda nervosa, pegando uma xícara, ele não mudou ainda parecia de todo serio, Alice fechou os olhos forçando um sorriso.

—Ai já tem chá.—Ele falou simplesmente, e de imediato Alice abriu os olhos, encarando a xícara cheia em sua mão.—Há..haha..nossa que distração a minha, já tem mesmo, obrigada Hatter...quer dizer senhor Mad Hatter!—Suas palavras saiam rápidas e era evidente o nervosismo em sua voz, o Chapeleiro pareceu não notar isso e sentou-se de volta em seu lugar, mas apenas pareceu não notar, ela levou a xícara com tudo aos lábios até se esquecendo se assoprar o chá, que só não estava mais quente por pura sorte, se não teria realmente se queimado, não estava nem mais com vontade de beber realmente, depois de tantas xícaras, já deveria estar cogitando a ideia de ir ao banheiro, apenas bebeu para aliviar e disfarçar seu nervosismo, houve novamente um momento de silencio após isso, mas Alice não ousava falar e fingia beber o chá de sua xícara e continuou fazendo isso mesmo depois de ter terminado.

—Alice.—De repente a voz dele se fez presente novamente.

—Hm?!—Ela virou com tudo para encará-lo ainda segurando a xícara nos lábios fingindo beber, até o momento estava procurando algo qualquer para olhar além dele, mas foi automático quando ele pronunciou seu nome, então teve de parar de fingir, afastou a xícara dos lábios a colocando sobre a mesa.

—Sim?—Perguntou esperando o que ele tinha a dizer agora, sem saber que inconscientemente estava esperando que ele viesse a dizer qualquer coisa logo.

—Por favor, seria bom permitir a mim...—Mas ele pareceu fazer uma pausa, ela o observava ansiosa.—Não há necessidade de ter medo...—Continuou, isso não fez muito sentido para ela, do que ele estaria falando? Realmente não estava entendo bem o que estava tentando dizer agora e mantinha uma expressão calma, mas ele sabia que estava inquieta, confusa e nos momentos de silencio a percebia respirar mais descompassadamente, a respiração que era seguida pelo som do relógio em seu eterno tique-taque, e percebia nela até um certo medo e adoração conflitando-se sem que percebesse, que sem duvida ele acreditava vir dele.—Eu não vou te machucar, Alice...—Disse ele depois, suas palavras pareciam vir até ela nas horas esperadas, e exatamente as palavras certas.

—Eu posso ter tentado matar o tempo uma vez, claro quase tive hesito, mas por causa disso isso ele parou em meu intento...—Disse pensativo, Alice realmente não compreendeu, aquelas ultimas palavras, certamente ele dizia coisas referentes a algo ocorrido no passado, mas que para ela eram por demais estranhas e na maioria sem sentido.

“Apesar de que eu gostaria de saber a que se referem”.—Pensou um pouco enquanto ainda estavam a mesa, uma vez mais ele direcionava seu olhar a ela, que sentiu-se enrijecer sob seu olhar novamente, era como de repente um vento frio de inverno soprasse fazendo o corpo gelar, e procurou disfarçar ao brincar com uma colherzinha na mesa sem olhá-lo, e com isso não viu seu sorriso sombrio, seus olhos amarelos contrastados com verde logo desciam para a sua xícara vazia sobre a mesa, ele conhecia bem aquela a sua frente, e ao contrario disso ela não se lembrava de nada dele, de ninguém, nem mesmo sequer um vestígio em sua memória, elas estavam encobertas por aquele véu negro que somente as vezes eram agitados pelo vento dos lapsos, revelando algumas poucas coisas, que logo voltavam a ser cobertos.

—Sabe Alice, eu tenho uma coisa para lhe dizer.—Sua voz chegou até os ouvidos dela novamente, e agora voltava a atenção aquele homem a sua frente.

—O que é?—Perguntou com calma, nos momentos em que ambos ficaram em silencio ela conseguiu acalmar-se e agora ouvia com atenção.

—Nunca prometa o que você não pode cumprir...—Aquilo pareceu soar como um aviso, e embora ele fosse, não era para aquele momento, suas intenções eram outras, Alice o encarou com certo ar de preocupação e seriedade.

—Porque você está me dizendo isso?—Quis saber.

—Porque você quebra promessas...—Respondeu, sua voz saiu com um timbre diferente dessa vez, de certa forma mais ameaçador que fez com que Alice largasse a pequena colher de lado encarando o homem do outro lado da mesa, mas ela não disse nada e ele continuou.—...a mente é algo realmente muito poderoso mas a memória é mesmo muito frágil e instável, e se não tivermos cuidado as vezes ou quem sabe até mesmo sempre ela pode fazer com que esqueçamos de coisas pequenas e triviais...—Parou um pouco para observar a reação dela, e percebia uma certa preocupação naqueles olhos azuis, então ele debruçou o corpo um pouco para frente assim ficando a altura dela e um pouco mais próximo.—...como também as vezes estas coisas que poderiam parecer triviais que são simplesmente esquecidas poderiam ser importantes.

Aquela ultima fala pareceu sair carregada de algo, que ela teve a sensação de levar um golpe de faca, já não mais mantinha aquele ar de sempre, agora parecia apenas uma menina tímida, quieta e assustada por suas próprias memórias perdidas, embora ela não soubesse que estas memórias sempre estiveram com ela, e que ela própria às havia reprimido e escondido por muitas delas serem dolorosas e assustadoras demais para que quisesse lembrar, mas junto delas também foram às boas, as importantes, aquelas que ela não deveria jamais esquecer, mas ela esqueceu, e no fundo não queria se lembrar, por pavor de que com elas trouxesse de volta todos os seus temores, ela não se atrevia a pensar nisso, achava melhor deixar no passado, as memórias trancadas no recesso escuro de sua mente, Alice achou que foi mais fácil daquele jeito, fez isso afim de invalidar a perda, aliviar a dor e interminável pesar que sentia pela culpa naquele tempo.

Notas finais
...ah espero que tenha bom proveito ^^ vou ficar um tempo novamente sem aparecer por aqui...hehe ^^