Alice S Memories
4 Capítulo 3 Adeus País das Maravilhas
Notas iniciais
Seus pequenos passos atravessavam a grama aparada e bem cuidada do jardim naquele dia, Alice saltitava correndo atrás de Dinah, o sol estava alto o clima agradável, primavera, flores enfeitavam seus cabelos que estavam presos por um laço lilás combinando com o vestido que acompanhava seus movimentos, os sapatos brancos estavam impecáveis em contraste com o verde vivo da grama, ali era como lugar encantado para ela, seu reino de flores perfumado e pássaros pequenos, onde passava horas se divertindo com Dinah.
—Alice.—Ela parou de repente e olhou para trás, sua mãe a chamava da varanda onde estavam também o pai, a irmã e os tios, e alguns convidados amigos de seus pais, ela sorriu de volta antes de responder.
—Sim mamãe? Estou brincando com Dinah!—Pegava a gata que agora já estava um pouco grande demais para carregar daquela forma entre os braços.
—Venha aqui menina, o refresco está ótimo e o dia quente, venha tomar um pouco— A irmã falou, e ela prontamente foi correndo com a gata quase lhe escapando, subiu os dois degraus que separavam a varanda do gramado sentando-se na cadeira da qual seus pés mal tocavam o chão, soltou Dinah e alisou o vestido, era vaidosa embora infantil, apanhou o copo bebendo o suco refrescante naquele dia quente.
—Está ótimo, maravilhosamente saboroso!—Falou alegremente servindo-se de mais um pouco enquanto pegava uns biscoitos, conversaram ali por algum tempo até que chegassem mais convidados embora ainda fosse cedo, Alice não parava de tagarelar, às vezes até se intrometendo nos assuntos dos adultos, estava completando sete anos, e o tempo passou rápido os convidados foram chegando, e por causa do seu interesse em esperar a hora de abrir os presentes acabou se esquecendo de que pretendia chamar seus amigos de Wonderland, para seu aniversario, quando deu por si, o parabéns já havia sido cantado, o bolo cortado, os presentes abertos, e ela já estava deitada em seu quarto pronta para dormir, a festa havia acabado e ela não tinha ido chamá-los, sentiu uma pontada de culpa.
—Eu esqueci!—Sentou-se na cama.—Eu disse que iria convidá-los mas me esqueci.
Levantou indo até a porta do quarto e abrindo.—Mas se ainda tiver bolo posso levar para eles, ela correu e foi até a cozinha, lá vasculhou cuidadosamente mas não havia sobrado nenhuma fatia sequer, sentou no chão em desanimo.
—Agora eles vão achar que me esqueci deles, que não tenho modos, e que as pessoas daqui são rudes...—Resmungou, mas logo teve uma idéia se levantando, os pés não faziam barulho enquanto percorriam o assoalho de madeira até a cozinha, onde resolveu fazer um outro bolo para eles, assim pelo menos poderia se desculpar, correu a pegar alguns ingredientes tomando cuidado para não fazer barulho, embora o fato da casa ser grande ajudasse, se lembrava um pouco de um bolo que a governanta a havia ensinado, mas muito pouco e deve ter se esquecido de vários ingredientes no processo mas ao menos ela tentaria fazer, por fim despejou a massa em uma bandeja e colocou para assar, com medo de se queimar pegou um pano para auxiliar na hora de colocar a massa para assar, e deixou lá sabia que iria demorar então resolveu voltar para o quarto e aguardar, sentou na cama pegou um livro de historias e ficou ali, mas ela não esperava que o sono viesse e o livro aos poucos escorregou de suas mãos, seu corpo foi pendendo para o lado até que se deitasse, e adormeceu de vez. Sonhou que estava em um lugar mágico, um certo lugar que conhecia bem, onde encontrava seus amigos que havia conhecido e se divertia no delicioso chá da tarde.
—Pessoal sabem que ontem foi meu aniversario, eu queria muito ter vindo aqui convidar vocês, mas me esqueci...me desculpem.—Dizia com uma voz arrependida atraindo a atenção dos que estavam a mesa.
—Sem desculpas...—A Lebre falava não deixando o silencio se impor, Alice sentiu que fosse ouvir algo desagradável por ter se esquecido de chamá-los a festa.
—Você fez bem! –Ela continuou ficando em pé na cadeira enquanto as longas orelhas pendiam para trás da cabeça e olhando para Alice que parecia surpresa.—Comemoramos desaniversários lembra-se? Todos os dias, porque aniversários só tem um vez ao ano...esperar é muito chato!
Logo depois a menina sorriu lembrando-se disso, realmente para eles aquelas coisas pareciam não importar, e logo a Lebre vinha lhe oferecendo uma variedade de chás que Alice escolhia, saboreando biscoitos e bolos deliciosos, guloseimas que nunca havia experimentado igual nem mesmo nas festas da alta sociedade, o rato dormindo dentro do bule as vezes abria os olinhos e recitava partes de poemas, e musicas que nunca terminava, o chapeleiro como sempre entretido com seu chá, Alice o chamava.
—Senhor Chapeleiro?—Ele deixava de olhar a xícara para olhar a pequena Alice.
—Diga Alice querida.—Ele perguntava amigavelmente lançando um sorriso, ela pedia para ele lhe passar alguns torrões de açúcar, e depois conversavam, e o dia passava, embora a hora do chá nunca acabasse, porque o chapeleiro havia arrumado uma briga com o tempo e este havia parado as seis horas, então era sempre hora do chá, enquanto todos os dias comemoravam os desaniersários.
—Sabe de uma coisa Alice minha cara acho que você está esquecendo das coisas e em breve não se lembrara mais de mim nem de ninguém, não devia ter ido embora.—De repente o chapeleiro falava chamando a atenção de Alice.—Porque disse isso?
—Porque é.—Ele falou apenas.—Mas é claro que me lembrarei de você Hatter querido, ontem foi só porque acho que fiquei muito curiosa sobre os presentes, mas eu não tinha me esquecido de vocês antes, e não vou me esquecer mais.—Ela dizia com toda educação e sorria.
—Vou me lembrar pra sempre eu prometo! Mas você também tem que se lembrar de mim, somos amigos não?—Completava.
—Claro querida Alice.—Respondia com parte do rosto oculta pelo chapéu, e então a festa de desaniversario continuava, animadamente mesmo em um dia que estava estranhamente quente, ela estava feliz em vê-los novamente fazia tanto tempo.
—Lebre acho que você esqueceu alguma coisa no fogo. —Comentou ela por sentir cheiro de fumaça, a Lebre se levantou novamente nas patas traseiras farejando o ar como se atendendo a pergunta de Alice e então olhou para ela novamente.
—Não esqueceu?—Perguntou novamente, mas não teve uma resposta esperada pois de repente a Lebre saltou sobre a mesa derrubando e quebrando varias coisas, enquanto o rato que dormia dentro do bule saia e começava a correr, parecendo com medo, e ambos agora pareciam em pânico enquanto gritavam alguma coisa para ela, no inicio suas vocês pareciam confusa, juntas ela não conseguia entender, mas tinham algo haver com acordar, ainda sim sem que ela atendesse o porque, mas logo tudo ficou escuro e desapareceu,a penas um barulho auto ainda chega a seus ouvidos e quando Alice viu, seu quarto estava em chamas, ela assustada gritou, levantando e correndo para fora da cama afastou-se até a janela tentando abri-la pensando em sair por ali quando lembrou de seus pais e a irmã, correu para porta quando ainda podia passar por ela, as chamas estavam no chão espalhando-se pelas tapeçaria assim como encobriam as paredes alcançando até o teto, as cortinas pareciam cascatas de fogo a fumaça já estava se acumulando no alto tomavam conta de quase tudo, sua garganta já começava a doer e arder assim como seus olhos que lagrimejavam sem parar, assim que se viu no corredor sua primeira reação foi correr para o quarto de seus pais para encontrá-los, mas quase não conseguia chegar lá o fogo estava muito mais intenso naquela parte da casa, a madeira estalava e rangia mais perto a cozinha, uma das vigas que sustentavam o teto despencou poucos metros a frente de Alice, e ela pensou ter visto uma forma comprida serpenteando por cima dela antes de despencar prendendo a porta e bloqueando parte do caminho, ela gritou ainda mais a e chamava pelos pais, esgueirando-se conseguiu chegar a porta só que quando tocou a maçaneta o metal quente queimou suas mãos, claro deveria ter pensado nisso, mas ela não tinha tempo para pensar na dor naquele momento.
—Papai! Mamãe!—Chamava e tossia batendo na porta, mas esta não abria e ela pode ouvi-los ainda.—Alice, saia daqui!—Eles diziam.—Salve-se!—Mas ela não podai deixá-los, e quando olhou para baixo chamas saiam pelos vãos embaixo da porta indicando que havia fogo lá dentro, ela batia com mais força na porta até suas mãos se machucarem, e um sentimento horrível parecia esmagar seu peito enquanto ela somente podia ouvi-los gritando, escorregou com as mão feridas ainda apoiadas a porta, tossindo pela fumaça, parecia que o mundo a sua volta estava perdendo o foco, quando sentiu uma mão agarrar seu braço e puxá-la para longe da porta, ela se virou atordoada com os olhos cheios de lagrimas vendo que era Margaret.
—Meg? Meg!—Gritou caindo no braços dela e abraçando-a com força, mas logo voltou-se para porta.—A mamãe e o papai estão lá, ajude-os! Tire eles de lá! Margaret!—Gritava em desespero, voltando a bater na porta, Margaret procurou, mas não consegui ver um modo de abrir aquela porta, a viga incandescente prendia porta de forma impossível a move-la e ao olhar para baixo via as chamas saírem por debaixo da porta.
—Mas como isso e possível!—Gritou não acreditando, como aquilo poderia estar acontecendo se a porta estava fechada embora a cozinha ficasse perto o fogo não poderia estar mais forte lá dentro.
—Mãe, Pai estão me ouvindo? Saiam daí pela janela! Estão me ouvindo?—Gritava agora ainda segurando Alice que se debatia tentando abrir a porta.—Mãe? Está me ouvindo? Pai!— Não ouvindo nada, mesmo sentindo-se miserável tinha que agir conscientemente então puxou a irmã para longe das chamas.
—Alice, vamos!—A pequena ainda se debatia chorando, somente ela havia percebido e visto mais um vez aquela forma serpenteante percorrer o teto como um rio de fogo fazendo a madeira estalar ainda mais.
—Meg! Meg!—Gritava Alice para que Margaret olhasse para trás, puxava a mão dela, mas agora a irmã não dizia nada, só seguia em frente puxando-a de forma firme, na realidade a irmã de Alice não sabia o que fazer apenas queria tira-la dali, aquela forma alondaga pareceu novamente, descendo pela parede e Alice pode ver sua cabeça, um focinho comprido e chamas alongadas como chifres virados para trás, ela não sabia dizer com o que se parecia, mas viu-a enrolar-se em parte na viga que havia caído e rugir, o som era como o de uma explosão, mesmo assim Margarete não olhava para trás não importando o quanto Alice implorasse e puxa-se, e ela não estava agüentando mais, suas mãos começavam a doer muito mais agora os olhos estavam pesados e era difícil respirar e seu desespero parecia apenas tornar as coisas piores, a voz já saia rouca e carregada, mesmo ela não parando de implorar para que Margaret voltasse, mal conseguia manter o passo e levantar o braço pareceu um tarefa extremamente difícil, Margarete somente puxava Alice para longe da porta novamente quando a viga ameaçava despencar de vez sua única determinação havia se tornado sair dali com sua irmã, mas isso acabou fazendo com que se tornasse sega por um momento e só deu por si quando sentiu um peso impedi-la de avançar, iria puxar novamente Alice, mas algo fez com que olhasse para trás, apenas para vê-la caída no chão inconsciente, o desespero também teria tomado conta dela naquele momento quando de repente ouviu a porta da frente ser arrebentada por chutes e dois homens uniformizados estavam logo atrás, assim que entrarem Margarete gritou para que as vissem, ela pegou Alice no colo a protegendo e mantendo-a perto de si, certamente alguém que viu o fogo havia acionado a brigada de incêndio, a água cortou a sala caindo sobre os pilares de sustentação do teto da qual a madeira já estava escura devido às chamas, Margaret estava tão atordoada com tudo que nem vira quando tiraram elas de lá, Alice que havia perdido a consciência pouco antes de saírem parecia pálida e quase não respirava, só quando já estavam do lado fora por um tempo considerável que foi quando Margaret voltou a si.
—Esperem! Meus pais, meus pais eles ainda estão lá dentro! Estão no quarto!—Gritou ela se levantando, Alice ainda não havia acordado mas debatia-se como se tivesse tendo convulsões, Margarete tentou correr de volta para dentro da casa para mostrar onde estavam enquanto gritava pelos pais, mas foi impedida por alguém que nem viu, e foi levada de volta até onde estavam antes, Alice mesmo inconsciente ainda ouviu a madeira estalando cada vez mais alto e seus olhos apenas se abriram no momento em que parte da casa veio abaixo como uma pilha de lenha em chamas, e então ela estancou com os olhos fixos na construção não se moveu por um tempo, da parte mais alta da casa algo explodiu lançando chamas para o ar e aquela forma comprida serpenteou no ar com a boca aberta, seu rugido como uma explosão, a madeira se partindo emergiu do meio do teto destruído e mergulhou novamente, fazendo estalar e partir o que quer que ainda houvesse dentro da casa, todas as janela se quebraram cuspindo fogo, Alice ficou em choque, em meio a todos aqueles sons ela ainda pode ouvir seus pais e seus gritos de agonia sendo consumidos pelo fogo.
Os bombeiros se afastaram, o incêndio já estava fora de controle, Alice não se movia, seus olhos pareciam vibrados e no momento em que alguém se aproximou para ver as queimaduras e machucados em suas mãos com apenas um toque ela de repente saiu daquele transe, começou a tremer caindo de volta para trás seu corpo tinha espasmos, foi preciso mais de uma pessoa para segura-la embora fosse apenas uma criança, as mãos e pés foram presos a maca na qual a deitaram com dificuldade pois não parava de debater-se não conseguiam fazê-la parar, e hesitavam em sedá-la contra a vontade por ainda ser uma criança da sete anos, então subitamente como de tivesse sido desligada ela parou e ficou como se estivesse dormindo, Margaret não sabia o que estava havendo com sua irmãzinha e poderia também ter se desesperado tudo parecia estar acontecendo de uma vez naquela noite terrível que parecia uma eternidade, que logo se tornou um inferno, e ela tinha conhecimento de que teria de ser forte para enfrentar o que já sabia.
Mas para Alice estranhamente aquela noite e o que se passou antes dela, essas memórias seriam encobertas por um véu negro em sua mente aos poucos , no funeral de seus pais ela não chorou, permaneceu encarando aqueles caixões de madeira negros, fechados como verdadeiras caixas seladas, de onde ninguém conseguiria escapar, não podendo ser abertos para que ninguém encarasse os corpos carbonizados e disformes. Ela apertou o tecido negro do vestido ainda tinha faixas nas mãos que havia queimado ao contato com a maçaneta incandescente, e os ferimentos que causou a si mesma ao bater com tanta força na porta, mas estes logo se curariam sem deixar cicatrizes, mas somente estas feridas iriam sarar, pois as que feridas que ninguém podia ver estavam mais abertas e sangrando a cada dia.
As duas meninas foram acolhidas pelos tios com quem foram viver após o incêndio, o tempo passou devagar depois Margaret aceitava os acontecimentos aos poucos, mas Alice embora não demonstrasse não conseguia, ela sabia que o incêndio não havia começado do nada e sentia culpa e raiva.
—Porque fui dormir...porque fui dormir...—Balbuciava sentada em um canto da cozinha da casa dos tios, eles eram boas pessoas e as acolheram com carinho e conforto, mas Alice não conseguia se deixar receber esse conforto, olhou para baixo para a faca que tinha em mãos, tinha os olhos opacos,pareciam sem vida e as únicas coisas que brilhavam neles eram a lagrimas que se formavam e demoravam a cair, ela desfazia os curativos que tinha em ambos os pulsos revelando os ferimentos semi-fechados.
—Ele queimou....me desculpem...papai...—Continuava dizendo coisas sem sentido enquanto passava a faca sobre a pele reabrindo o ferimento enquanto fazia um novo corte e fazendo o mesmo com o outro pulso, viu o liquido vermelho sair rapidamente manchando a pele alva e em seguida o tecido azul claro do vestido, o cheiro invadiu-lhe as narinas, ela encostou a cabeça no armário a suas costas, sentindo o sangue fluir para fora de seu corpo, ficou parada ali perdendo a noção do tempo até seus sentidos se ofuscarem, mas antes que caísse na escuridão que lhe aguardava escutou um grito, a tia a havia encontrado e correu até ela, gritando por Margaret, que não demorou muito e veio correndo.
—Alice o que você fez! Deus do céu!—Falou ela desesperada, a tia pegou panos de prato e colocou sobre os ferimentos dela apertando para estancar o sangramento já havia até pegado pratica em fazer aquilo, logo mandava Margaret ir chamar o marido e assim ela o fez, Alice foi levada ao hospital onde foi tratada, os ferimentos não eram tão profundos, por sorte ela não tinha muita noção do que fazia, embora já tivesse se tornado freqüente nos últimos meses, mal dando tempo entre os ferimentos cicatrizarem para que ela voltasse a fazer, desta vez havia sido um corte menos profundo que da ultima, mas não menos perigoso, se demorassem muito ela poderia ter perdido muito mais sangue e ai sim seria um problema.
O medico teve uma longa conversa com os tios e estes explicaram tudo o que aconteceu antes disso, eles haviam deixado objetos cortantes fora do alcance dela, mas nem sempre dava certo, também já haviam levado a menina a vários médicos, mas cada um dizia uma coisa que no fim não levavam a nenhuma solução enquanto o estado dela somente piorava, das inúmeras vezes em que tentou e conseguiu se ferir com intuito de dar fim a própria vida, os tios também não sabiam explicar como ela havia descoberto essa forma, pelas quais varias vezes tentou suicídio por ser apenas uma criança de sete anos, eles conversaram demoradamente enquanto Margaret ficava junto de Alice que estava adormecida na cama do hospital, e por fim foi decidido que seria melhor colocar a menina em algum lugar no qual pudesse ser tratada, Margaret não queria isso mas acabou sendo convencida de que seria o melhor para a pequena Alice.
—E se ela tentar fazer isso de novo Margaret, e dessa vez pode não ter ninguém que chegue a tempo. —A tia dizia com cautela. —Além disso, poderemos visitá-la de vez enquanto, vamos esperar que ela se recupere logo.—E assim aconteceu, do hospital ela foi transferida para o Rutledge Asylum , antes mesmo de acordar, isso demorou mais dois dias nesse tempo os médicos pediram que ninguém viesse vê-la, pois só assim poderia se adaptar.
Na manhã do terceiro dia ela abriu os olhos tendo em vista o teto claro do quarto no qual estava, não reconheceu e virou o rosto para o lado, havia uma cortina ao redor se sua cama, mas no momento em que foi se levantar para ver onde estava, não conseguiu mover seu corpo, olhou para baixo e pode ver cintas de couro marrom prendendo suas mãos e pés, a impossibilitando de sair dali, sentiu medo, puxava as mãos e tentava chutar ver se conseguia se soltar, e percebendo que não conseguia começou a gritar, pouco depois uma enfermeira entrou no quarto afastando a cortina da cama.
—Acalma-se, não fique com medo, fique calma está tudo bem.—Dizia a moça tentando lhe acalmar o que pareceu surtir efeito pois Alice sentiu-se melhor em ver que não estava sozinha.—Fique calma está tudo bem, só colocamos isso para sua segurança.
—Minha segurança?—Perguntou ela de repente.—Mas eu estou amarrada!—Continuou dizendo indignada.
—Sim, mas não fique com medo foi para sua segurança...—Ela repetiu, e vendo o olhar interrogativo da menina procurou outra coisa para dizer.—Amarramos você para que não caísse da cama, você se mexia muito.—Disse por fim dando um leve sorriso, e aquilo foi o suficiente para convencer Alice.
—Como você se chama?—Perguntou ela de repente enquanto a enfermeira soltava as fivelas das amarras.
—Você pode apenas me chamar de Nina.—Respondeu dando-lhe um sorriso singelo, Alice sorriu de volta.
—Meu nome é Alice!—Disse querendo fazer um cumprimento, mas a enfermeira e impediu fazendo um sinal para que ficasse deitada.
—É um prazer Alice, agora fique deitada até que o doutor venha lhe ver certo?—Perguntou, cobrindo-a com um lençol branco, Alice confirmou e ali esperou, mais tarde o medico veio e conversou com ela explicando, certamente que ela perguntaria pelos tios e pela irmã, principalmente pela irmã, então ele fez isso tudo um pouco por dia e de uma forma que uma criança da idade dela poderia entender, e os dias se passaram, mas os dias que se tornaram meses e depois anos, e ela já não mais se lembrava sequer de um dia ter estado em Wonderland.
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