Alice S Memories

14 Capítulo 13 Dentro da toca de Coelho?


Notas iniciais
Hann...depois de algum tempo colocando mais um finalmente (ou não XD)

Caindo, caindo e caindo...

Aquilo parecia um poço sem fundo somente então ouviu sons de tique-taque, e percebeu que o túnel por onde caia era cheio de objetos, relógios, quadros, prateleiras aqui e ali, ficando ainda mais confusa se perguntando como e o que aquelas coisas estavam fazendo ali, era quase surreal, talvez fosse sua mente novamente que a fazia ver aquelas coisas, mas via até mapas e retratos pendurados em cabides, candelabros e castiçais acesos iluminavam algumas partes, enquanto moveis passavam por ela, engrenagens girando sozinhas, ela ouvia os ruídos metálicos e secos quando passava por elas, nada parecia fazer sentido como sempre, tanto que achou ser alguma alucinação mesmo, já estava concordando com esse fato, e gostaria de saber se existia um fundo para aquilo.

Aquele buraco em seu estomago e o sentimento de medo que tinha já haviam se dissipado há algum tempo, realmente até se sentia um pouco calma, perguntava a si mesma se isso era normal para alguém que cai em direção a própria morte. No “meio do caminho” como supunha começou a pensar: “Quanto tempo isso vai levar? Já sei que vou morrer, então preferia que isso viesse a acabar logo!”.

Talvez fosse apenas ela, por entrar em um túnel sujo de terra e cair dentro de um buraco incrivelmente profundo como aquele, não conseguia imaginar que um animal pudesse fazer um buraco como aquele. No começo havia pensado que era uma de suas alucinações, só que tudo parecia muito real e sendo sonho ou não ela gostaria de ter chegado logo ao fundo, e como se fosse uma resposta aos seus pensamentos subitamente a queda acabou e ela caiu sobre uma pilha de gravetos e folhas secas, manteve os olhos fechados por alguém tempo abrindo um para espiar e logo em seguida abrindo o outro, estava em um lugar escuro onde estranhamente um castiçal flutuava oscilando em um canto no alto proporcionando um pouco de luz, ela iria se levantar quando ouviu algo escorregar da pilha sobre a qual havia caído, talvez um dos galhos, mas o som era diferente, sentiu um estranho frio na espinha e lentamente olhou para baixo, somente para ver-se em cima de uma pilha de galhos, folhas secas e ossos, havia vários deles ossos humanos e de animais assustada se pôs de pé fazendo vários deles se espalharem produzindo vários daqueles sons que o primeiro produzira, parecia algo agourento até horrendo, mas não poderia se deixar assustar demais e por sorte não havia sofrido nenhum ferimento, mesmo depois de uma queda daquelas, tentou olhar de volta para o buraco a acima, mas para sua surpresa havia um teto acima dela, e estava tudo escuro.

—Curioso...—Disse para si mesma, e dessa vez quando olhou novamente para frente onde antes não tinha nada somente o escuro agora havia uma passagem com piso de madeira e paredes de terra esta fazia uma curva para a direita e deveria haver alguma iluminação em alguma parte dele pois Alice podia ver o tom amarelado tremeluzindo na parede, ela avançou contornando aquela pilha grotesca de ossos com cuidado para não pisar e de logo andou rápido para sair de perto deles dando alguns passos até poder ver o que se encontrava após a curva, não se surpreendeu muito ao ver que aquele túnel com chão de madeira continuava uns seis metros adiante e fazia novamente uma curva só que agora para esquerda, ela andou por ele e quando fez a curva viu que o túnel estendia-se agora com paredes de pedra e antes que fizesse qualquer coisa de repente uma voz veio de algum lugar dentro dele.—“Continue indo Alice, está quase lá...”.

Ela se perguntava onde é “lá?”, mas seguiu a voz até que o chão de taboas terminasse assim como as paredes de pedra, dando lugar ah um aspecto bem mais diferente do de antes, mas não menos estranho e até intimidador, ela agora se deparava com outro grande túnel, um corredor mais precisamente de azulejos intercalados entre pretos e brancos como um tabuleiro de xadrez que o cobriam do chão ao teto, e que se ficasse olhando por muito tempo poderiam causar tontura, Alice nem conseguia distinguir o fim dele com todos aqueles quadradinhos em qualquer direção que olhasse parecia uma ilusão de ótica, ela pensou em voltar, mas quando olhou para trás o túnel não estava mais lá, agora somente uma parede igual as demais do corredor estava as suas costas, reclamou uma coisa qualquer em voz baixa mas logo seus olhos se prenderam novamente no corredor que se estendia a frente, então seguiu andando por ele, depois de algum tempo começou a se perguntar.

—Não posso dizer que é só comigo, mas o corredor parece estar ficando cada vez menor? Ou talvez eu esteja ficando maior? Não, isso não é, eu saberia se tivesse mudando de tamanho, e logicamente saberia se tivesse ficado maior com certeza, de repente em uma curva ela viu o coelho, ele ainda estava no corredor, e teve tempo de ouvi-lo dizer mais uma vez. –Que pena, mas ficou por demais tarde, ira lamentar!—Seguido de uma risadinha insana ela arqueou uma sobrancelha e ficou parada quando ele dobrou a curva, desaparecendo de suas vistas desistiu da idéia de ir atrás dele, um coelho falante de roupas não era mais tão surpreendente, mas seu estado deplorável a perturbava, parecia terrivelmente doloroso, talvez viesse a morrer logo, tanto sangue, balançou a cabeça querendo afastar aquela visão.

Então depois continuou, dobrou o corredor no mesmo caminho que o coelho havia tomado ao menos deveria ir algum lugar se ele foi por ali, foi até encontrar-se em um aposento comprido e baixo, iluminado por uma fileira de lâmpadas esquisitas penduradas no teto, no chão havia o desenho de uma grande estrela de oito pontas bem no centro, e haviam portas e mais portas por toda volta dele, todas abertas embora algumas estivessem bloqueadas por pedaços de madeira e outras coisas, Alice foi até uma delas, e era tão escuro o cômodo para o qual ela levava que não conseguiu sequer ver a cor do chão, não teve coragem de entrar, parecia nem ter chão como um abismo, foi em uma segunda e havia um amontoado de pedras a bloqueando por inteiro, era estranho como elas não caiam, e não teve coragem de testar se estavam soltas, poderiam muito bem cair sobre ela, passou para a terceira nesta não havia nada somente a mesma escuridão que a primeira, foi assim com todas as outras depois de percorrer uma a uma.

—...sou louca mas não sou burra...—Pensava ainda mais até ver uma cortina em um canto da sala “Uma janela” pensou indo até lá, mas ao afastá-la teve outra surpresa ao ver logo atrás dela uma porta pequena, um pouco maior que sua mão, e a voz veio do outro lado dela chamando seu nome mais uma vez, mas parecia longe demais e a porta era muito pequena para que pudesse passar por ela, suspirou encostando na parede, puxou seus joelhos perto do peito.

—Bem esta aventura parece que terminou prematuramente, mais até do que esperava...onde será que estou desta vez...—Havia somente aquela porta pequena atrás da cortina, teria que ter no maximo quarenta centímetros de altura para poder passar por ela, mas está estava fechada com uma fechadura dourada, ela levantou e voltou para o centro da sala, pensando sobre como sairia dali, até notar uma mesinha de vidro em um canto, estranhou aquele móvel ali, pois não o havia percebido antes na sala estava completamente vazia, de início ignorou isso, resolveu voltar a porta se abaixou e tentou olhar pela fechadura.

—Porcaria, não da pra ver nada!—Xingou, se censurando depois de que modos eram aqueles, logo depois deu de ombros não tinha ninguém ali pra se incomodar, foi mais um habito que adquiriu no hospital psiquiátrico, seu vocabulário havia ficado um tanto ferino.

Ela realmente desejou sair daquela sala, só não poderia passar por aquela porta, era muito pequena, e estava com receio das outras, levantou novamente e quando se voltou em direção à mesa e viu um frasco destampado sobre ela, com um liquido dourado pela metade dentro dele.

—O que é isso?—Pegou o frasco, parecia uma pequena garrafa com um rotulo anexado, Alice tinha certeza de que não estava ali antes, ela o pegou analisando no rotulo dizia “Beba-me”, ela riu mesmo que não tivesse graça.

—Há, isso só pode ser uma piada, colocar um vidro com algum liquido desconhecido dentro simplesmente escrito Beba-me no rotulo e esperar que alguém beba? Quem colocaria isso aqui...com certeza devia esperar que eu não iria beber, ninguém em sã consciência beberia!—Falou seria para depois rir novamente.—Apesar de que eu não sou nenhum exemplo de sanidade, mas como disse loucura não é burrice.

Praticamente desdenhava enquanto falava em voz alta consigo mesma, também esperando que alguém ouvisse, nada aconteceu, ficou olhando para o frasco “Veneno” era a primeira coisa que vinha a mente, mesmo assim tentou identificar o cheiro, não conseguiu.

—Se este é mais um de meus sonhos ou alucinação então não deve ter muito problema...só um pouco, eu acho que vale a pena “um tiro no escuro”.

Se arriscou em provar, primeiro deixando o liquido encostar de leve nos lábios passando a língua depois.

— Eca! Tem gosto de cera!—Falou fazendo careta, o sabor também era realmente estranho, e aquilo foi à primeira coisa que lhe veio à mente, no entanto verdadeiramente ela não soube identificar, só sabia que era desagradável, esperou um pouco e vendo que nada acontecia arriscou-se novamente só que desta vez bebeu um pouco e parou receosa.

—Que sensação estranha...—Disse alguns momentos depois olhando para o frasco “Será que era veneno mesmo?” pensou alarmada, quando percebia as coisas a sua volta parecendo maiores e as roupas ficando frouxas, quando deu por si não conseguia mais segurar o frasco e este caiu no chão espatifando-se.

—Acho que minha mente está pregando peças em mim, porque agora realmente as coisas parecem estar ficando maiores...ou talvez eu esteja encolhendo? É desta vez tenho certeza de que estou encolhendo, minhas roupas estão muito grandes para mim e nem consegui segurar o frasco.—Ela havia encolhido de modo que estava muito mais baixa que a mesinha, as roupas escorregando estavam enormes parecia estar enrolada em uma cortina, ficou irritada com o fato no inicio, depois de um tempo, achando que nada mais aconteceria, certamente não era veneno, mas repreendeu-se, como voltaria ao normal? Mal conseguia se mexer em meio aquelas roupas enormes e o frasco havia caído e se quebrado, mas que utilidade teria? Poderia encolher mais ainda se bebesse novamente, ela conseguiu desenrolar-se das roupas e sair dali, continuou andando atravessou a sala até chegar à porta, agora ao menos era pequena o suficiente para passar por ela, até poderia sentar-se dentro do próprio sapato, mas quando olhou para si mesma.

—Céus! Estou nua!—Disse isso quase em um grito e voltou para onde estavam suas roupas ficando no meio delas, quando baixou o olhar viu uma caixinha de vidro próxima a um dos seus pares de sapato embaixo da mesa era muito pequena, cabia na palma da mão e havia uma fatia de bolo dentro dela, no qual estava escrito “Coma-me”, ela olhou desconfiada, e pensou que seria melhor guardar do que ficar ali pensando com seus botões. Mas não queria ficar tão pequena tinha o tamanho de uma polegada nem queria ter aquele tamanho para sempre, pegou um pedaço do bolo e mordeu, e fechou os olhos aguardando só que não aconteceu nada , se perguntou se aquilo era só um bolo normal mesmo, mas quando menos esperou já estava sentindo a mesma sensação de quando bebeu o liquido só que ao contrario começou a crescer, com isso rapidamente voltou a ficar um pouco mais alta, quando pensava que ficando pequena daquele tamanho poderia passar pela porta. Depois de conseguir vestir mais ou menos suas roupas novamente amarrando aqui e ali, voltou sua atenção para porta, não tentou olhar novamente pela fechadura sabia que não dava para ver nada, quando ouviu passos, olhou por cima do ombro não vendo nada.

—Quem está ai? Ei!—Falou, mas no mesmo instante os passos cessaram e pareceram tomar o rumo oposto se afastando, instintivamente ela teria ido atrás dele, mas no primeiro passo que deu tropeçou na barra do vestido que ainda estava grande e caiu, ficou no chão ainda olhando para a direção em que havia os ouvido, mas ao fazer isso também viu em um canto encostada na parede uma chave, era quase do tamanho de Alice quando se aproximou, embora fosse menor que uma chave normal, olhando-a ela quase tinha certeza de que não conseguiria carregá-la.

—Posso ao menos tentar....oh bem isso não custa nada.—Procurou pegar a chave com jeito, e por fim surpreendeu-se ao conseguir levantá-la, para carregar apoiou ela sobre a cabeça e caminhou até a porta sem qualquer esforço, colocou a chave na fechadura e virando-a ouviu um clique, era a porta se destrancando, tão logo a porta começou a se abrir lentamente por sua própria vontade e ranger. Uma luz vindo do outro lado dela começou a inundar a sala quase a cegando nos primeiros momentos, mas alguns segundos depois seus olhos se ajustaram a luz e ela pode ver o que estava lá fora, viu que dava para uma pequena passagem abaixando-se um pouco, alem da passagem avistou um jardim, talvez o mais bonito no qual já tivesse colocado os olhos, ele se estendia até onde podia ver em todas as direções e perto da porta havia um poste com uma chama amarela dentro do vidro, iluminando parte do pequeno corredor que levava até lá fora.

“Talvez seja perto de casa”.—Foi seu pensamento primeiramente mesmo que não fosse muito possível depois de ter caído tão fundo para dentro da terra, mas ela pensou que tantas coisas impossíveis haviam acontecido até aquele momento, que muito poucas coisas eram na verdade realmente impossíveis, correu a pegar os sapatos ao menos poderia precisar deles quando resolveu que atravessaria à porta, só que distraída andava dando passos para trás até que quase caiu em uma espécie de lagoa, que não havia sequer visto, xingou e andou pela margem até a porta para olhar para fora, e quando olhava novamente para fora via agora que era noite e parecia muito mais agradável do que aquela sala, fechou a caixa e a guardou no bolso, ainda tinha um pouco mais de altura que a porta então se ajoelhou quando ouviu uma voz e olhou para trás o qual não foi sua surpresa ao ver um rato preto grande, com olhos tão negros quanto sua pelagem, ele saia de dentro da lagoa, os pelos molhados e eriçados, ele olhou para Alice, era quase de seu tamanho, ou seria o contrario porque havia sido ela a encolher? Mas mesmo assim sentiu que não queria saber mais e contendo um arrepio que lhe passou pelo corpo ela correu em direção à porta, assim que atravessou aproveitou para respirar fundo por sair daquele mundo estranho, e nem viu a porta fechando-se lentamente atrás dela, dali depois que deixou o abrigo da luz proporcionada pelo poste para trás andou para uma direção qualquer no escuro.

Notas finais
Esse até que era grandinho XD