"As coisas mudam, ninguém vai ser eternamente o que foi um dia, garotas fofas deixam de ser fofas e se tornam frias, garotos meigos, deixam de ser meigos se tornam cafajestes."



Lá estava eu, andando distraidamente, sentindo o vento batendo em meu rosto e fazendo meu cabelo dançar ao vento pelo campo verde e florido que havia perto de minha casa, brincava com o colar que havia ganhado de meu pai antes dele partir, dizia ele que partira para conseguir um emprego melhor e nos tirar dessa cidadezinha pequena, totalmente desconhecida. Enquanto me perdia em devaneios, havia uma coisa pequena pulando que eu não conseguia identificar porque se movia muito rápido, um coelho talvez? Curiosa eu, fui atrás do suposto coelho, que levara a um lugar mais escuro, longe do campo e das flores, resolvi andar mais rápido, conseguia enxergar mais claramente, era um coelho, mas não um coelho comum, ele havia manchas vermelhas em seu pelo branco, o que parecia sangue, parei em estado choque, perguntando-me se continuaria a andar ou não.
Alice, Alice, venha, não tenha medo. — era isso que eu ouvia, estaria eu delirando?

Continuara a correr, quando vejo o coelho, ele era assustador, pareciam lágrimas de sangue que haviam escorrido dos olhos dele, sua orelha direita era deformada, seu rabo também. Andei em sua direção, hesitei ao esticar o braço para fazer-lhe carinho, quando de repente ele se vira de frente para mim, me assusto e ando pra trás afastando-me e o coelho vinha em direção a mim, mais assustada eu acabo caindo para trás e percebo que cai dentro de um buraco, eu deslizava sujando meu vestido de terra, eu estava muito aterrorizada para raciocinar, o que estara acontecendo? Era um sonho? ou um pesadelo, eu não sabia explicar.


Minha cabeça doía, abri os olhos lentamente, teria eu desmaiado? Minha visão ficara mais nítida aos poucos, percebi que eu estara num lugar escuro, cheio de árvores secas, sem folhas, não havia cor, vejo ao meu lado o buraco que eu havia caido, coloco a cabeça dentro dele tentando falhadamente enxergar alguma coisa, só havia escuridão.

Levantei-me com pouca força, meu vestido branco com azul, agora estava todo sujo de terra e barro, meu cabelo estava bagunçado, passo a mão no vestido na tentativa de limpá-lo, eu sabia que não iria adiantar muita coisa, fui andando sem rumo, procurando uma saída ou alguém, encontro um gato, ele era um horror, era magro, havi unhas grandes e afiadas, conseguia ver seus ossos, havia sicratizes em toda parte da sua cara, ele era cinza, o rabo fino, totalmente o oposto daqueles gatos que as pessoas gostam — cheios de pelo, lindos, gordos e de rabos grossos, ele quase não havia pelo, então ele se aproximou de mim.

– Alice... — Disse o gato com um sorriso irônico, ele havia uma voz grossa, fiquei surpresa ao saber que ele falava, começei a realmente pensar que isso era um sonho, um desses motivos é pelo fato dele saber meu nome. Eu conseguia ver manchas de sangue em seus dentes.

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– Seja bem vinda a Terra da Escuridão. — Continuara o gato com aquele mesmo sorriso. Terra da Escuridão? Então, esse seria o nome desse horrendo lugar? Um nome adequado.

– Quem é você? Porquê estou aqui? O que você quer? Como sabe meu nome? — perguntara eu desesperadamente, em busca de informações.

– Calma minha querida Alice, vamos devagar, você está na Terra da Escuridão, onde não há felicidade, não tem como sair, nem fugir. Meu nome é Félix. — Respondeu-me o gato Félix.

Eu não estava calma, estava tentando entender tudo aquilo que acontecia.

– Me acompanhe por favor, minha querida Alice.- Dizia calmamente Félix, enquanto andara em frente.

Eu não queria ficar parada ali, sozinha e sem saber o que fazer, então, resolvi acompanhar Félix, com um pouco de medo confesso, mas seguia em frente, começara a enxergar mais luz, mas mesmo assim é escuro, ao andar mais um pouco, consigo ver claramente, um rio que percorria em cima de rochas grandes e escuras, tudo ali era escuro, borboletas pretas, um pouco de fumaça, mas não atrapalhara minha visão, Terra da Escuridão como assim se chama, era grande e aterrorizante.

– Terra da Escuridão, Alice, a Terra da Escuridão, não tem como escapar, não tem como fugir, só enfrentar o mal que há aqui, Terra da Escuridão, não tem como fugir, não tem como escapar... — Ria enquato repetia o gato assustadoramente, com um tom de maldade enquanto flutuava.

Eu estava aterrorizada, enquanto via o gato flutuar e de repente ele some em fumaça preta, o que eu iria fazer agora? Aquelas palavras ficariam em minha mente não tem como escapar, não tem como fugir...

Percebi que não era um sonho, nem um pesadelo, era tudo real, teria eu agora deixar de ser aquela garotinha meiga, indefesa, teria eu que me tornar fria e corajosa. Tenho que estar preparada para tudo, absolutamente tudo.