Alias: Psycopath

2 Qual o Sentido de Termos Prisões?


–Se eu dissesse sim.... Instantaneamente vi brotar um sorriso no rosto do homem a minha frente, e isso me incomodou profundamente, não só pelo fato de ele não merecer tamanha felicidade, mas também pela lembrança das horas as quais eu passava sorrindo, apenas para o prazer psicótico daquele maníaco. –Eu disse SE, seu grade idiota.

–O que quer dizer que eu mereço ser considerado por Jessica Jones. O sorriso dele aumentou, assim como minha vontade de mata-lo.

–Se eu disser ‘’sim’’, vai ser do meu jeito, você não vai tocar em mim, não vai tentar nada que eu não permita, e se essa coisa de super-herói não der certo eu caio fora, consigo uma passagem para qualquer lugar e você não vai nem sonhar em ir atrás de mim entendeu babaca?

–Já acabou Jessica? Dei os ombros. –Porque não tenho a menor intenção de fazer coisa alguma a você, já disse, quero que tome suas próprias decisões. Não vou obriga-la a nada. E como prova de minha boa-fé fui ter uma conversa com a promotoria do julgamento de Hope Schlottman.

–Você o que?

–Só fui até o promotor e gentilmente sugeri que ela era inocente, e ele aceitou. Consigo ser muito convincente quando quero. Ela vai ser solta amanhã pela manhã. Ele disse tirando alguns papeis de seu bolso e me entregando. Eles declaravam a inocência de Hope, e absolviam de qualquer culpa com as sinceras desculpas do estado pelo mal-entendido. Não sei o quanto meus olhos se arregalaram, mas pela risada descarada de Kilgrave tenho um palpite.

–Viu? Eu também posso ser bom.

‘’Nunca’’

Pensei, Hope nunca irá me perdoar, ela nunca me perdoará por deixa-lo salva-la, prometi para ela que a tiraria de lá, e falhei, novamente, eu falhei. E isso não é algo de minha cabeça, não, quando ela descobrir quem foi seu ‘’salvador’’ vai querer voltar para a cadeia em dois tempos, já é insuportável o bastante ter matado os próprios pais por minha culpa, mas deixar que ela ficasse ‘’devendo’’ algo a Zebediah Kilgrave... Hope Schlottman me odiará pelo resto de seus dias se souber disso.

–Jessica, está tudo bem? ‘’Tudo bem’’ há quanto tempo eu odiava essas palavras? Há quanto tempo elas se tornaram apenas palavras para mim? De todas as pessoas no mundo inteiro, de todos os malucos, de todos os ‘’dotados’’, de todos os psicopatas, sociopatas, ou seja lá do que esse homem goste de ser chamado, de todos, porque esse maldito tem de ‘’sentir’’ algo por mim, porque não um europeu idiota qualquer? Eu poderia lidar facilmente com um psicopata qualquer. Uma raiva extrema tomou conta do meu corpo, não ficaria nem mais um segundo ouvindo aquele inglês cheio de sotaque irritante.

Empurrei-o, subi a escada e bati a porta do quarto. Encostei-me na madeira pintada de branco que no passado aceitou pacientemente minhas revoltas. Pus as mãos no rosto e gritei: ‘’DROGA! ’’.

Uma vez enquanto em um bar ouvi de um homem qualquer: Todos que realmente desejam mudar merecem uma segunda chance. Mesmo esse alguém sendo seu melhor amigo, ainda que alguém seja seu pior inimigo. Se os humanos não acreditam mais nisso qual o sentido de termos prisões? Acho que ele era professor de filosofia. Lembro-me apenas de dizer algo sobre aquela ser a pior cantada do mundo.

Sim, eu acredito em segundas chances, porque já precisei muitas vezes delas, porque muitas vezes já as concedi, mas como posso fazer isso quando tudo ao redor parece podre? Se ele estivesse disposto a voltar a ser apenas Kevin, e não ser mais homem com o nome mais ridículo do qual já se teve notícia, eu daria uma segunda chance sem remorsos?

Não, aquele britânico jamais voltará a ser o que era, Kevin está morto em um laboratório qualquer, assim como minha vida antiga está morta, nunca vou poder voltar a morar com Trish, nunca mais vou se apenas a ‘’Jessie’’ que tinha a consciência limpa, porque Jessie está morta, morreu na mesma noite em que a mulher de Luke.

Agora sou Jessica Jones, Jessica Jones que tentou, Jessica Jones que lutou e luta contra o diabo tentando fazer a porcaria da coisa certa, Jessica Jones que bebe demais, Jessica Jones que não vai desistir. Sim, eu decidi, decidi que apesar de todos os riscos e de jogar pela janela toda minha vida, isso de ‘’ensinar o bem ao mal’’ valerá apena quando eu for velha e enrugada, e ver que o mundo é um lugar melhor, valerá apena, pois eu saberei que tive uma contribuição nisso. Mas se isso de ‘’dupla’’ fosse acontecer, teria de fazer minha parte e não acabar com a raça desse miserável engomadinho, por mais que cada célula do meu corpo implore por isso.

Ouvi quatro batidas.

–Jessica! Abre a porta. Permaneci em silêncio, ainda havia tempo para mudar de ideia, ainda poderia desistir de toda aquela porcaria, pular pela janela e ir embora daquela casa, o mundo ainda está a meu alcance.

–Jessica. Poderia por favor abrir a porta? Mas não, se fugisse não seria eu, seria outra pessoa, mas não seria Jessica Jones, porque eu não fujo, eu enfrento o mundo, se fugisse estaria um passo mais próxima de me tornar o tipo de pessoa que ele é. Girei a maçaneta e abri a única barreira que me separava do mundo exterior, vi a expressão estupefata de Kilgrave quando o fiz, aparentemente minha aceitação ao seu pedido foi uma imensa surpresa.

–Estou dentro. Ele sorriu largamente.

–Mas sabe minhas condições, e agora gostaria de adicionar mais uma.

–Fale.

–Eu vou buscar Hope sozinha, vou coloca-la num avião para França ser for preciso, e você nunca mais vai encostar num fio de cabelo daquela garota fui clara?

–Por que eu iria querer tocar nela quando tenho o que quero bem aqui?

–E pare com essas baboseiras. Porque não vai rolar. Disse empurrando-o para o lado. –Estou faminta, vou pedir uma pizza.