Alianças de Sangue e Ferro
25 As tentativas por um herdeiro e a notícia maravilhosa
As portas se fecharam atrás de Marcone e Sofie, mas o peso das palavras deles permaneceu, sufocando o ar do castelo. Lucas caminhou lentamente até a ala oeste, encontrando a porta dos aposentos de Alice entreaberta.
Lá dentro, a princesa era a imagem da inquietação. Ela andava de um lado para o outro, o tecido fino de sua camisola de seda balançando com seus passos rápidos. Seus pensamentos pareciam uma tempestade; a ideia de ser descartada, de ser uma "segunda esposa" humilhada perante a Europa, queimava mais do que qualquer insulto que já ouvira.
Lucas entrou e, sem dizer uma palavra, parou no caminho dela. Ele segurou seus ombros, forçando-a a interromper a marcha frenética. Quando Alice ergueu os olhos, ele viu uma mistura de pânico, orgulho ferido e uma determinação nova e avassaladora.
— Alice, respire — ele pediu, a voz baixa. — Nós vamos dar um jeito. Eu não vou deixar que Roma ou minha mãe toquem na nossa vida.
— Não, Lucas — ela o interrompeu, a voz firme, embora levemente embargada. — Não vamos apenas "dar um jeito". Eu não vou dar a eles o prazer de me verem substituída por uma sombra francesa. Eu sou a sua esposa. Eu sou a Rainha.
Ela deu um passo para mais perto, o calor que emanava dele sendo o único porto seguro em um mundo que conspirava contra ela.
— Eu quero ter um bebê seu — ela declarou, olhando-o fixamente nos olhos, sem qualquer rastro da hesitação de antes. — Eu quero tentar, Lucas. Quero tentar até conseguirmos. Não por contrato, nem por medo... mas porque eu decidi que você é o único que terá esse direito.
Antes que ele pudesse responder, Alice levou as mãos às alças de sua camisola. Com um movimento decidido, ela deixou que a seda deslizasse pelo seu corpo e caísse silenciosamente no chão. Ela se aproximou, eliminando qualquer espaço entre eles, e o beijou com uma urgência que misturava desejo, posse e um pacto de sangue.
Lucas correspondeu ao beijo com a mesma intensidade, envolvendo-a em seus braços e sentindo que, naquele momento, a aliança entre eles deixava de ser política para se tornar visceral.
A partir daquela noite, o Castelo do Loire tornou-se o cenário de uma revolução silenciosa. O acordo de quartos separados foi esquecido como uma relíquia de um passado distante. Eles não precisavam mais de desculpas, de frio ou de tempestades para se buscarem.
Fazia-se amor na biblioteca, entre o cheiro de livros antigos; nos jardins escondidos, sob a luz do luar que filtrava pelas árvores; e no tapete diante da lareira, enquanto as chamas consumiam a lenha. Cada encontro era um desafio lançado contra Versalhes, uma afirmação de que eles eram donos de seus próprios corpos e de seu destino.
A amizade que construíram tornou-se a base para uma paixão que nenhum dos dois previu. Eles não eram mais apenas dois sobreviventes; eram cúmplices, amantes e, acima de tudo, uma frente única que o mundo em breve teria que respeitar.
A atmosfera no Castelo do Loire mudou instantaneamente com a chegada da carruagem real. Katherine não avisara; ela surgira como uma sombra elegante e implacável, decidida a ver com os próprios olhos se o "isolamento" do casal era produtividade ou apenas fuga.
O banquete foi servido no grande salão. Katherine sentava-se à cabeceira, observando cada gesto de Lucas e Alice com olhos de águia. Para testar a resistência e a adaptação da nora, a rainha ordenara que os cozinheiros preparassem uma iguaria de sabor forte e odor penetrante: buchada de bode, um prato denso, carregado de especiarias e gordura.
— Um prato forte para fortalecer a linhagem — comentou Katherine, observando o criado servir Alice. — Na França, acreditamos que o corpo deve ser alimentado com vigor para produzir herdeiros de ferro.
Alice, que até então mantinha a compostura, sentiu o estômago dar uma volta violenta assim que o cheiro do prato atingiu suas narinas. O aroma, que em outros dias seria apenas exótico, agora parecia um ataque direto aos seus sentidos. Ela empalideceu, levou a mão à boca e, sem conseguir pedir licença, levantou-se bruscamente da mesa.
— Alice! — Lucas exclamou, levantando-se logo atrás.
A princesa correu em direção aos jardins, ignorando o protocolo e os olhares dos criados. Ela se abaixou perto de uma roseira e vomitou convulsivamente, o corpo tremendo sob o esforço. Lucas chegou primeiro, segurando os cabelos dela e apoiando sua testa com a mão, uma expressão de profunda preocupação no rosto.
Katherine aproximou-se logo em seguida, mas não havia pânico em seu rosto. Pelo contrário, havia uma curiosidade analítica. Ela observou Alice se ajeitar com a ajuda de Lucas e limpar os lábios com um lenço de seda.
— Beba um pouco de água, Alice — ordenou Katherine, sua voz surpreendentemente suave. — E diga-me... quando foi a última vez que você viu sua regra?
Alice, ainda ofegante e com os olhos levemente marejados pelo esforço, tentou recuperar a dignidade. Ela olhou para Lucas e depois para a sogra, fazendo as contas mentalmente, percebendo o que aquilo significava.
— Eu... eu não a vejo desde antes do casamento, Majestade — confessou Alice, a voz trêmula. — Achei que fosse o estresse da viagem, as mudanças...
Um sorriso raro e genuinamente vitorioso iluminou o rosto de Katherine. Ela olhou para o filho e depois para a nora, e por um momento, a frieza da rainha deu lugar à satisfação da estrategista que vê seu plano mais importante dar frutos.
— O estresse não dura tanto tempo, minha querida — disse Katherine, aproximando-se e colocando uma mão firme, mas gentil, no ombro de Alice. — Parabéns aos dois. A França e a Inglaterra finalmente têm o que tanto esperavam. Vocês garantiram o futuro.
Lucas envolveu a cintura de Alice com o braço, puxando-a para perto. Eles trocaram um olhar de cumplicidade absoluta. O plano de "tentar até conseguir" havia funcionado mais rápido do que imaginavam, e agora, a ameaça da segunda esposa francesa estava morta e enterrada sob as flores do jardim do Loire.
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