Aliança Improvável
6 Esperança para nós
Jade começou a lutar contra as ondas, cada braçada era uma batalha contra a exaustão. Sentia os músculos queimarem, até que finalmente seu corpo cedeu. Então, a escuridão envolveu sua visão e ela parou de nadar, entregando-se ao cansaço inevitável.
Alex, também exausto, gritava por Jade enquanto a via afundar. Um desespero novo tomou conta dele e o fez reunir tudo o que restava de suas forças para mergulhar atrás dela. Seus braços e pernas doíam, mas ele não podia deixá-la ir. Com um esforço titânico, ele alcançou a parceira, segurando-a com firmeza enquanto nadava de volta à superfície.
Eles emergiram, Jade seguia inconsciente. Com dificuldade, Alex conseguiu virar a jangada de volta, lutando para manter a estabilidade enquanto o mar continuava revolto. Ele colocou Jade sobre a jangada, inclinou a cabeça dela para trás, abriu sua boca e pinçou o nariz dela com os dedos. Respirou fundo, selou os lábios nos dela e soprou ar para dentro de seus pulmões. Repetiu o processo, o coração batendo forte de medo e adrenalina.
— Vamos, Jade… — Alex murmurava, enquanto continuava soprando ar em seus pulmões e seu peito ritmicamente. — Você é forte demais pra desistir agora.
Depois de minutos que pareceram eternos, Jade tossiu, engasgando-se com o ar. Ela abriu os olhos lentamente, sentindo-se desorientada e fraca. Seus olhos encontraram os de Alex.
— Graças a Deus. — ele suspirou, aliviado, enquanto a abraçava forte.
— Quem diria que você ia acabar me salvando, e não o contrário. — Jade soltou um sorriso cansado. — Obrigada.
— Até mesmo eu posso ter meus momentos de glória. — Alex riu, um som inesperado e bem-vindo em meio ao caos.
— Alex… — ela murmurou, após alguns segundos.
— Ei, eu sei… Está tudo bem. Todos chegamos ao limite em algum momento.
Jade sentia-se desconfortável por se mostrar vulnerável, mas ao mesmo tempo tocada pela gentileza e cuidado do parceiro, pois ele mostrava um lado carinhoso e protetor que ela não tinha visto antes.
De repente, um barulho distinto cortou o som da chuva, agora começando a se acalmar. Alex e Jade olharam para o céu, e viram a luz de um helicóptero se aproximando. Era o Sikorsky S-92.
— Aqui! — ele gritou, acenando freneticamente.
O helicóptero pairou sobre eles, e uma corda foi lançada. Alex ajudou Jade a subir, e depois, foi a vez dele. Assim, foram içados com segurança para o helicóptero e colocaram os fones de ouvido.
— Marco, nunca pensei que ficaria tão feliz em vê-lo! — Alex exclamou, aliviado. — Como soube que estávamos em apuros?
— Hartman. Assim que perdeu o sinal com vocês, ficou preocupado. Mandou irmos ao resgate imediatamente. Desculpe não termos chegado antes, viemos o mais rápido possível.
— O que importa é que agora estamos a salvo. Muito obrigada! — disse Jade.
O helicóptero rumou em direção ao QG e, ao chegarem, foram recebidos pelo Dr. Hartman.
— Jade, Alex. Que bom que estão bem! — Hartman falou, aproximando-se rapidamente. — Vão se trocar, coloquem roupas quentes e depois voltem para me contar tudo o que aconteceu. Temos muito a conversar.
Os agentes assentiram, ainda sentindo o peso da exaustão. Foram para a ala de uniformes e armas, onde encontraram roupas limpas e aquecidas esperando por eles. Após se trocarem e se sentirem um pouco mais humanos, voltaram para a sala de reuniões.
— Senhor — começou Jade, ao se sentar em uma cadeira, seguida por Alex. — Lá na ilha, Dr Chaos nos capturou, mas conseguimos escapar. Improvisamos uma jangada, mas as condições climáticas nos prejudicaram.
— Entendo. E descobriram algo?
— Parece que o Dr Chaos quer recrutar cientistas para ajudá-lo a construir o exército de robôs, e eu lembro de ver algo sobre uma vulnerabilidade no sistema dele. Mas não consigo me lembrar dos detalhes.
— Fizeram um ótimo trabalho, agentes. — disse, o Dr Hartman, virando para um funcionário que estava buscando algo nos mapas 3D. — Austin, veja se consegue descobrir algum congresso científico nos próximos dias, pode ser que o Dr. Chaos esteja preparando algo.
— Vamos acabar com os planos dele de uma vez por todas. — Alex disse, determinado.
Jade assentiu, sentindo a confiança retornar.
— Vamos. E estaremos mais preparados do que nunca.
Dr Hartman observou Austin, que trabalhava rapidamente em seu terminal de computador, os olhos fixos na tela enquanto procurava por eventos científicos iminentes.
— Precisamos descobrir se há algum congresso científico nos próximos dias. — Dr Hartman repetiu, reforçando o pedido.
Austin assentiu. Em poucos minutos, parou de digitar e ajustou os óculos, focando em uma informação específica na tela.
— Achei algo. — ele disse, virando-se para os outros. — Há um Congresso de Robótica em São Paulo daqui a dois dias.
— É um evento perfeito para o Dr. Chaos recrutar cientistas sem levantar suspeitas. — murmurou Jade.
Dr. Hartman aproximou-se de Austin, examinando a tela com atenção:
— Faz sentido. É um ponto de encontro para mentes brilhantes de todo o mundo. — Em seguida, continuou. — Alex, Jade, vocês irão à conferência como participantes. Preciso que se infiltrem entre os cientistas, observem e descubram qualquer coisa relacionada ao Dr. Chaos e o que ele planeja.
Alex e Jade assentiram com determinação. Hartman acrescentou:
— Vocês terão identidades falsas como pesquisadores de uma universidade prestigiada. Isso deve garantir acesso aos principais eventos e palestras.
Jade sorriu, eufórica.
— Finalmente terei uma chance de usar aqueles jalecos chiques!
Alex olhou pra ela, com um meio sorriso entre os lábios, pela primeira vez verdadeiramente feliz pelo senso de humor da parceira. Ela estava de volta.
Após definir os próximos passos, Jade e Alex finalmente puderam relaxar um pouco. Cada um dirigiu para seu quarto, exaustos da intensa investigação na Ilha Pitcairn e da adrenalina constante.
Jade caiu na cama, sentindo o corpo afundar no colchão. Olhou para o teto e respirou fundo, permitindo-se um raro momento de tranquilidade. Não pôde deixar de relembrar o momento em que Alex a salvou; ela pensou em voz alta:
— Bem que dizem que os heróis sempre têm seu charme. Até que ele é bonitinho.
O pensamento a fez corar, mas ela sacudiu a cabeça, tentando afastar as distrações. Afinal, havia muito trabalho pela frente.
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