Aliança Improvável

5 Epifania! Bananas são uma excelente fonte de Potássio


Jade e Alex trocaram um olhar nervoso, mas de entendimento. Não havia tempo a perder, sabiam que a janela de oportunidade de fuga seria curta.

— Não estamos tentando — respondeu Alex, com um sorriso, para o Dr. Chaos. — Estamos conseguindo.

Com um movimento rápido, Alex derrubou a mesa de instrumentos de tortura contra o cientista, ganhando preciosos segundos para a fuga.

— Corra! — o agente gritou, puxando Jade pelo braço.

Os dois recuperaram suas mochilas rapidamente e dispararam pelo corredor, ouvindo os gritos furiosos de Dr. Chaos ecoarem pelas paredes frias da instalação. Passaram por várias portas trancadas e por vários corredores, tentando desesperadamente encontrar uma saída.

— Precisamos sair da caverna e buscar uma maneira de deixar a Ilha. Dr. Chaos conhece ela como a palma de sua mão, logo vai nos alcançar.

Então, a luz do sol rompeu a escuridão quando finalmente encontraram a porta de saída. Jade e Alex empurraram-na com força e emergiram em uma clareira rodeada pela densa floresta.

— Vamos tentar fazer o mesmo caminho de ida para voltar à praia! — Jade ordenou.

Enquanto corriam, podiam escutar os gritos de Dr. Chaos.

— Seus tolos! Não podem escapar de mim! — ele rugiu, virando para seus capangas, homens e robôs. — Vão, seus incompetentes! Atrás deles!

Jade e Alex tropeçavam nas raízes e galhos baixos, tamanha era a pressa. Após alguns minutos de corrida frenética, ambos pararam, ofegantes.

— Epifania! Acabo de achar um pé de bananas — Alex gritou, de repente. Apesar do absurdo, Jade sabia que ele estava certo. Precisavam de energia.

Enquanto Alex pegava as bananas, Jade refletia sobre tudo o que já havia acontecido. Quando olhou para o painel de controle no laboratório do Dr. Chaos, percebeu mais do que apenas o ataque cibernético. Ela viu que ele estava recrutando cientistas e notou algo sobre uma vulnerabilidade no sistema de robôs. Mas precisava se lembrar dos detalhes.

Jade saiu de seus devaneios, quando escutou Alex:

— Tenho certeza que você já sabe, mas é sempre bom lembrar… bananas são excelentes fontes de Potássio. — brincou ele, tentando aliviar a tensão, enquanto descascava uma banana.

Jade riu, apesar da situação. Não se lembravam quando haviam se alimentado pela última vez, então, devoraram as frutas rapidamente, sentindo a energia retornar aos corpos cansados.

— Vamos continuar, antes que nos encontrem. Vou tentar contato com o Dr. Hartman.

Enquanto caminhavam a passos um pouco mais lentos, Jade pegou seu comunicador para tentar estabelecer contato com o QG, mas só ouviu estática. Tentou novamente, mudando a frequência, mas sem sucesso.

— Estamos sem sinal. — disse Jade, frustrada. Precisamos dar um jeito de sair daqui.

Percebendo que haviam retornado à praia, Alex sugeriu:

— Vamos pegar qualquer coisa que flutue e sair pela água.

— Sério? Tipo o quê? — Jade perguntou, olhando ao redor.

Avistaram então, uma variedade de destroços espalhados pela areia. Havia tábuas de madeira, troncos e alguns galhos grossos.

— Isso vai ter que servir. — a agente disse, começando a reunir as peças.

— E para remar? — Alex perguntou, pegando um galho grande.

— Esses troncos devem ajudar.

Os dois trabalharam freneticamente, amarrando os pedaços de madeira com cipós que Alex encontrou na borda da floresta. Com a jangada improvisada pronta, eles a empurraram para o mar, os olhos constantemente vigiando a floresta para ver se os capangas de Dr. Chaos estavam se aproximando. Ouviram então, vozes bem distantes, mas a jangada já flutuava pelo mar, levando-os cada vez mais para longe da Ilha.

O sol estava alto e escaldante, e Jade e Alex remavam com todas as poucas forças que ainda lhes restavam, de forma a colocar a maior distância possível entre eles e a ilha. Após algumas horas, se tornou impossível aguentar as dores que perpassavam seus corpos.

— Não tinha outra maneira de sair daqui? — Alex resmungou, com suor escorrendo pelo rosto.

— A ideia foi sua, esqueceu? De qualquer forma, esta realmente era a nossa única opção, dadas as circunstâncias. — Jade respondeu, ofegante.

— Mas não é prática. — ele replicou, fazendo uma careta.

Os agentes continuaram a remar em silêncio por mais alguns minutos, até Alex soltar um gemido e parar.

— Eu não aguento mais. Vamos morrer antes de conseguir qualquer coisa!

— Para de reclamar, está parecendo um adolescente! Continue remando — Jade disse, tentando esconder o cansaço na própria voz.

Foi então que um peixe saltou da água e caiu na jangada, debatendo-se.

— Olha só, nosso almoço chegou — comentou Alex, rindo.

— Ótimo, um peixe de cinco centímetros. Vamos dividir como, Alex? — Jade respondeu, com sarcasmo.

— Seu otimismo é contagiante. — Alex retrucou.

— Assim como o seu. — bufou Jade, devolvendo o peixe para a água. — Tem alguns suprimentos em minha mochila, e ainda temos algumas bananas. Deve ser o suficiente para nos manter até voltar ao quartel ou conseguir ajuda.

Jade tinha algumas barras de proteínas, chocolates, chá e água em sua mochila, constatou. Ela e Alex comeram, e em seguida continuaram a remar.

Mas a noite chegou. O sol, que antes dourava a superfície da água, se escondeu atrás das nuvens densas, que prenunciavam uma tempestade. Jade e Alex estavam exaustos, observavam o horizonte se fechar, apreensivos.

O frio da noite se infiltrava em seus ossos, calando os tremores do cansaço. A jangada improvisada rangia sob a fúria do vento.

De repente, um trovão estrondoso ecoou pelo céu, seguido por outro e outro, até que a noite se transformou em um concerto caótico de sons. A chuva logo começou a cair; suas gotas eram grossas e pesadas.

Logo, se formou uma tempestade implacável, a água gelada chicoteava o rosto de Jade enquanto ela remava com todas as suas forças. Cada músculo do seu corpo gritava de cansaço, mas ela continuava. Precisava continuar. Ao lado dela, Alex lutava para manter a jangada estável.

As ondas agora pareciam murros constantes, cada vez mais fortes. Jade começava a sentir o peso da exaustão acumulada; seus braços tremiam de dor. Ela olhou preocupada para Alex, que retribuiu o olhar.

Então, uma onda colossal fez com que a jangada virasse. Jade e Alex foram arremessados na água fria. Estavam à deriva.

Notas finais
É, galera .. a Jade sempre se mostrou tão forte e durona, mas até as pessoas mais fortes uma hora chegam ao limite, né? Vamos ver o que vai acontecer agora!!! Ja estamos na metade da historia einnnn e tem mta coisa pra rolar ainda hehe