Alguém do passado

1 Capítulo único


Notas iniciais
Boa leitura!

Chuuya acordou sentindo um pouco de frio, ainda desnorteado pelo sono até se lembrar onde e com quem estava. Olhou para os dois lados enquanto se sentava, não encontrando o corpo de seu acompanhante, notando que o frio viera por essa razão.

Espreguiçou longamente, pegando as peças de roupa espalhadas pelo chão e vestindo-as, colocando por último o chapéu enquanto caminhava para a saída, enfim encontrando quem devia estar lhe fazendo companhia.

Dazai estava sentado no chão, as costas apoiadas na parede do depósito, observando o céu estrelado. Não era a primeira vez que o pegava daquele jeito, distraído, pensativo, com o olhar perdido em algo que tinha certeza que não estava naquele mundo. Não mais.

— Pensando nele de novo? – Chuuya questionou ao se aproximar, tentando parecer desinteressado, mas não conseguia deixar de se incomodar. Não com Dazai, mas com a situação entre eles.

Conhecia bem a história de um certo amigo que Dazai perdeu. O mesmo que o convenceu a sair da Máfia do Porto, a trocar o poder de controlar a cidade por salvar vidas desconhecidas. Era alguém importante pra ele. Duvidava que fosse apenas um amigo, mas não tinha coragem de perguntar, pois tinha medo da resposta que receberia, de confirmar suas suspeitas.

— Está com ciúmes, Chuuya-kun? – o olhar perdido no tempo se voltou na direção do integrante da máfia, mostrando uma leve tristeza que contrastava com o sorriso brincalhão, sempre presente – Não devia ter ciúmes de alguém que não está aqui.

Aquilo foi como uma facada no peito de Chuuya e ele já havia levado uma, sabia o quanto doía. Sentir ciúmes de alguém, até certo ponto, podia ser considerado normal, mas de alguém que já morreu? Como competir? Como saber se ele seria uma escolha naquele caso? Não tinha chances! Aquele cara ocupava um lugar que Chuuya nunca teria espaço.

— Pare de falar asneiras! Está imaginando coisas, seu maníaco suicida. – sendo sincero consigo mesmo, era idiota esperar algum tipo de consideração. A única relação que tinha com Dazai era de sexo. No máximo alguns trabalhos onde a Máfia precisava se unir aos Detetives, e só.

Ajeitou a ponta da luva nos dedos, apenas para ter o que fazer antes de decidir ir embora. Não tinha mais nada a fazer ali. Caminhou para a saída do galpão, sem dispensar um segundo olhar ou até mesmo uma despedida para Dazai. Ele não havia se movido em momento algum.

Somente quando Chuuya saiu do cais é que ouviu passos se aproximando, sem precisar se virar para saber quem era. Estava preparado para a piadinha que viria. Dazai não ia terminar a noite sem tirar sarro ou zombar do seu comentário anterior.

Um abraço. Foi o que veio com a proximidade do colega, conseguindo surpreender Chuuya, mas não por muito tempo.

— O que quer agora, idiota? Já não teve o suficiente por essa noite? – Chuuya afastou-o com o cotovelo, mas Dazai apenas aproveitou o movimento para puxá-lo de frente, voltando a abraçá-lo.

— Eu nunca tenho o suficiente de você. – odiava aquele tom de Dazai, que lhe causava arrepios e o fazia ceder facilmente – Eu sempre vou querer mais.

Nakahara queria afastá-lo, queria gritar o quanto Dazai era idiota e então acertá-lo com força e se afastar pra longe, mas não o fez. Lá no fundo, queria que aquelas palavras tivessem o significado que tanto queria ouvir.

As mãos do detetive subiram de sua cintura para sua nuca, acariciando o local enquanto a cabeça de Dazai pousava em seu ombro.

— Não é uma competição, Chuuya. Você não precisa tomar o lugar de alguém quando já tem o seu.

Dessa vez o integrante da máfia ficou sem reação. Não esperava por aquilo. Ignorou a vozinha em sua mente que dizia que Dazai estava apenas brincando consigo, pois não queria se magoar. Mas iria, mais cedo ou mais tarde, tinha certeza disso.

Com um suspiro cansado, Chuuya afastou o detetive, mais uma vez tomando seu caminho pelas ruas da cidade, atento aos passos que o seguiam.

— Ainda não terminou? – Nakahara questionou irritado, lançando um olhar de soslaio. Não queria ouvir mais nada naquela noite. Não queria se chatear com as brincadeiras de Dazai – Sua casa é para o outro lado.

— É? Pensei em te acompanhar até a sua, não posso?

— Faça como quiser.

Não tinha como Chuuya levar Dazai a sério quando ele usava aquele tom debochado e não tirava aquele sorriso da cara. Aquilo tudo realmente o irritava!

O percurso todo foi feito em silêncio, apenas o vento frio passando entre eles mas, a poucos passos para chegar onde morava, fez Chuuya voltar a ficar tenso. Não confiava muito quando o parceiro parecia arquitetar algum plano.

— Vou ficando por aqui. Está entregue em segurança, Chuuya-kun! – Dazai parou na esquina, sorrindo idiota e acenando em despedida – Mesmo lugar daqui três noites?

— Tsc… se eu não estiver ocupado. – Nakahara se negou a olhar para trás, as mãos enfiadas nos bolsos do casaco.

Bateu a porta atrás de si, as pernas finalmente cedendo aos tremores que conteve com tanto esforço. Nenhum comentário ácido, nenhuma brincadeira. Ele havia mesmo dito aquilo e não negou depois! Não queria alimentar esperanças e descobrir que Dazai estava brincando com seus sentimentos… mas só por aquela noite, podia se sentir especial, não podia?

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Até a próxima! ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!