Calor errante
Doído e pulsante
Castiga o semblante
E adormece o lactante

Bem, eu sei dos seus medos
Você nunca precisou me contar
Olhando dentro de seus olhos
Palavras outrora tão vividas
Agora engasgam e asfixiam
Não, eu não consigo falar

Congele e derreta
Como uma pedrinha de gelo
Pingando e pingando
Se esparrame em minha mão

Nós rasgamos as mortalhas
Queimando em paixão febril
Reze pelos santos de pedra
E não caia nas mãos do gentio

De pé aqui estou
Apenas esperando
As coisas fúteis
E as mais importantes

Vivendo no escuro
Fugindo do mundo
Não aprendi a amar
Ninguém nunca quis me ensinar

Você dos olhos gentis
Moça de gestos sutis
Chora por tudo
Chora por nada
Chora quando tem de chorar
Você moça menina, já aprendeu a amar?