Algo qual ninguém esperava acontecer
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Notas iniciais
Já haviam se passado três anos desde a ultima vez que haviam se visto. Três anos e aqui estava ele, segurando o braço dela esperando respostas para suas perguntas não feitas.
–O que você está fazendo aqui? — ela perguntou com a voz fria como o gelo, mas ele conseguiu manter-se composto.
–Eu queria falar com você, Kyoko... — respondeu com a fala baixa.
–Falar sobre o que, Tsuruga-san? — a temperatura pareceu baixar ainda mais. Ela usou propositalmente o seu falso nome, da mesma forma em que o chamava antes deles se tornarem íntimos.
–S-Sobre nós. — disse incerto.
–Então responda-me isso primeiramente: Desde quando ainda existe 'nós'? — ela arqueou uma sobrancelha, esperando pela resposta dele. Aqueles que a conheciam a anos não acreditariam que ela era a mesma gentil e amável Kyoko que eles conheciam. Ela estava muito mudada, não só em aparência...
–Eu apenas quero saber se você está bem! Depois de tudo, já faz três anos desde que... — ele não conseguiu terminar sua sentença, Kyoko terminou por ele.
–Você me jogou fora como o Shoutaro. — sua voz sequer fraquejou quando essas tão odiosas palavras deslizaram para fora de seus lábios rosados. — Melhor dizendo; Não foi nem como Sho, foi pior, porque você tinha falado aquelas palavras que ele nunca me disse. Você, Hizuri Kuon, foi ainda pior do que ele, pois você não só brincou com meus sentimentos, você esmagou-os. — seus olhos queimavam com uma chama fria. Nunca aqueles olhos brilharam com tanto ódio.
–Eu tenho meus motivos. — disse em um quase sussurro. Sua voz estava cada vez mais falha. O gosto que descia por sua garganta era amargo. Remorso...
–Motivos quais você nunca tentou falar. Bom, você queria saber se eu estava bem, né? Presumo que já deves saber, mas eu passei algo como meio ano nos EUA com o Kuu-otousan e a Julie-okasan... — Kuon engoliu em seco. — Eu aprendi mais sobre o tão clamado filho deles Kuon. Eu devo admitir, eu passei apenas algo como 6 meses lá antes de voltar ao Japão, mas nesse meio tempo eu fui chamada de tudo... Haviam até aqueles que clamavam que eu estava atrás dos homens da família Hizuri e que após me deitar com o filho deles, meu próximo alvo seria Kuu-otousan! Você não pode nem imaginar como foi aquilo... Pelo amor dos céus, eu considero Kuu-otousan como um Pai para mim! Como diabos eu poderia tentar roubá-lo de Julie-okasan quando eu sei que ambos se amam de todo o coração?! — nesse momento, Kyoko não pode evitar as lágrimas de correrem por suas pálidas bochechas e Ren nunca quis tanto na vida dele secar aquelas lágrimas. — Depois de lá, não houve muito que eu pude fazer... Vez que outra eu ouvia os noticiários falando sobre você e que você era realmente o filho dos Hizuri, que o talento já mostrava isso tudo... Kanae começou a namorar Yukihito-kun e agora já estão até casados... E agora também há a Chiori-san... — as lágrimas cessaram, mas a tristeza ainda estava presente nos olhos dela. — As revistas estão lotadas sobre o seu casamento com ela daqui a alguns dias, ao menos posso me consolar com o fato de daqui a pouco tempo eu também não estarei fora dessa crescente lista de esposas. — terminou sua frase com um leve sorriso enfeitando os lábios, porém, aquele não era um sorriso qualquer. Era um sorriso de pura felicidade e seus olhos já não eram aquelas orbes opacas de segundos antes, seu olhar era mais gentil, como caso se lembrando de algo agradável.
–Então você também está para se casar? — ele soou incrédulo. Quem, em tão pouco tempo, conseguiria clamar a mão de Kyoko quando ele levou completos três anos para conseguir a pedir em namoro?
–Você já conhece ele. — ela disse em um sussurro suave. — Meu fiancée¹ é o Reino. — antes que ela permitisse Ren de tirar alguma 'satisfação' com a escolhe dela, Kyoko continuou a falar. — Ele é diferente do que esperávamos que ele fosse... É verdade que as vezes ele agia de forma exagerada ou estranha, mas era tudo para chamar minha atenção. Justamente como uma criança faria tentando conquistar seu primeiro amor. — ela riu de leve com a comparação. — Ele me consolou quando eu voltei ao Japão, se confessou uma segunda vez e explicou com essas exatas palavras:
"Eu já lhe disse uma vez que quem eu amava era Mio e não você, mas se você aprender a me amar, eu prometo que também irei aprender a amá-la."
–Eu admito, nunca esperei que ele fosse um homem com tais palavras, mas naquele momento, eu quis dar uma chance a ele. Eu já havia dado uma chance a Sho quando erámos crianças, dei uma chance a você meses antes, então por que não dar uma chance a ele também? — seu sorriso aumentou de tamanho e seus olhos brilharam ainda mais com o sentimento de conforto que vinha sempre que pensava nele. — Ele já me apresentou os pais dele... Um casal muito gentil... Eles moram na Coreia, o pai dele é meio sueco e meio coreano e a mãe dele é meio japonesa e 2/6 britânica. Eu fiquei um tempo com eles lá e descobri que o sr. Don tem um poder semelhante ao de Reino, só que ao invés de ver o passado, como Reino, ele vê o futuro... Ele me contou o que ele viu. Eu e Reino juntos de três crianças, um par de gêmeos, Shiu e Jason e mais uma outra jovem criança quase 4 anos mais velha que eles. Shiu teria cabelos pretos como os de Reino antes de ele pintar de prateado e olhos dourados como os meus e Jason teria o meu cabelo castanho e os olhos lilás dele, porém, a outra menina só possuía os meus traços... Cabelos castanho escuro, porém, os olhos do pai, azuis. — Kuon se manteve em inquieto.
–E quem seria o pai dela? — perguntou completamente hesitante, não tendo certeza de que queria ouvir a resposta.
–Não é tão difícil de presumir quem é o pai dela, não é, Sherlock? — seu olhar perdeu todo o calor e suas feições tomaram uma expressão séria. — O nome dela é em parte em homenagem a ambos o pai dela e o avó dela, Kuroko. Atualmente, ela tem 3 anos. E o único homem com quem me deitei nesse espaço de tempo foi... você, não? Duas semanas antes de terminarmos, nós nos deitamos uma segunda vez, bêbados em maior parte, mas o fizemos. Alguns dias após aquilo eu comecei a sentir enjoo e a me sentir fraca e fui ao médico naquela mesma manhã em que você me "confrontou". Eu estava realmente animada para poder contar-lhe as novidades, tinha certeza de que poderíamos ser bons pais para aquela criança, todavia, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa sobre o assunto... Você foi lá e acabou tudo, com apenas uma simples palavra, você arrancou coração do meu peito e jogou no triturador. — novamente houve aquela vontade imensa de chorar, mas ela não o fez, ela não conseguia. Ela já havia chorado demais por causa disso e agora, as lágrimas pareciam não existir mais para tal vago sentimento...
–E por que você não me contou do bebê? — Ren, ou quem sabe Kuon, perguntou não querendo olhá-la nos olhos, aquelas orbes quais conseguiam ver logo por sua alma, que conseguiam desmascarar todos seus segredos...
–Adiantaria de algo? — sua voz soou amarga e Ren apenas se manteve em silencio, não sabendo como responder. — Viu só? — ela desviou o olhar da figura lamentável dele.
–"Então era por isso que ela parecia tão animada antes de eu terminar com tudo..." — foi o que Ren pensou e sua mente repassou a cena daquele dia, como em um drama de TV.
Flashback ON
Era por volta das 10h quando eles se encontraram na sala da seção LoveMe. Kyoko parecia estranhamente feliz, talvez por causa de um novo trabalho, foi tudo que Ren pensou. Ele, diferente dela, não parecia tão feliz pelo encontro deles lá.
–Eu queria dizer que... — ambos disseram em coro e Kyoko permitiu que Ren falasse primeiro, depois de tudo, ele continuava sendo o Senpai dela e ela era uma Kohai que muito o respeitava.
–Acabou. — foi tudo que ele disse e fez Kyoko olhá-lo com uma confusão evidente. — Nosso namoro. Acabou.
–C-Como assim, Ren? Do q-que você está f-falando? — ela se negava a acreditar nas palavras dele. Como assim acabou?! Depois dela... dela ter se entregado de corpo e alma, era assim que acabava?!
–Não a nada a ser dito, Kyoko. Acabou, é só isso que eu tenho a dizer. — em momento algum sua voz falhou, em momento algum ele mostrou estar brincando. Ela ainda tinha esperanças de que ele fosse dizer logo em seguida "Brincadeira" e bagunçar os cabelos dela, mas ele não o fez, mesmo ela estando esperando que ele o fizesse... Então, Ren pareceu se lembrar de que Kyoko queria dizer algo para ele: — Ah, é. O que você queria dizer para mim, Kyoko? — perguntou como se as ultimas palavras que ele havia dito não fossem nada demais.
–Nada... Eu apenas ia dizer que eu consegui um novo papel para um filme. — respondeu com um falso entusiasmos que Ren pareceu não notar sendo 100% falso.
–Oh, que bom. Espero que você se saia bem nesse papel. — ele sorriu para ela e se virou. Porém, ele não esperava que fosse a ultima vez que ele veria Kyoko pelos próximos três anos...
Flashback OFF
Ele estava se achando tão idiota naquele momento! Por seu egoísmo, ele deixou uma criança sem o pai!
–Por favor, não se preocupe. Reino trata ela como se fosse realmente a filha dele, então não se preocupe com ela crescendo sem o pai. — aquilo doeu em Ren e muito, mas ele não se permitira dizer isso em voz alta. — Caso me dê licença, eu tenho que voltar para casa, meu Fiancée e minha filha me esperam. — ela fez o movimento para se virar, porém, foi impedida por Ren que voltou a segurar seu pulso. — Poderia soltar meu pulso, por favor, Tsuruga-san? — ela pediu em uma voz calma, tentando manter-se sob controle de suas próprias ações.
–Eu queria... — ele não possuía uma resposta certa para aquilo. Ele apenas queria mantê-la com ele um pouco mais.
–Queria? — ela instigou-o a continuar, mas quando ele não o fez, forçou seu pulso fora do aperto da mão dele. — Se você não quer nada, devo me despedir e lembre-se: Faça Chiori feliz, nunca ouse quebrar o coração dela como você quebrou o meu, entretanto, se você o fizer, saiba que estarei mais do que feliz em acabar com sua existência. — não havia um fundo de mentira nas palavras dela e agora, sem poder evitar que ela saísse, ela se virou mais uma vez e deixou-o só com um turbilhão de pensamentos rodando em sua cabeça... Se após eles terminarem ela passou algum tempo com seus pais, provavelmente eles já sabiam da gravidez de Kyoko e mesmo assim não contaram para ele.
Irritado com sigo mesmo, ele socou com força a parede logo ao seu lado e praguejou contra si mesmo.. De fato, ele realmente era pior que Sho agora e ele odiava admitir isso...
End of the first act...
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