Algo de errado em Fabletown
22 ❝Episódio 22 -– Ninguém。
Notas iniciais

Capítulo 22
Como um furacão
leva tudo de mim, me acorde desse sonho
。。。
O som que o ventilador fazia no quarto de Sam era parecido com um relógio, quando chegava em uma certa volta ele emitia um som trêmulo que se parecia com "tec". Não estava calor, mas esse "tec" estava se tornando necessário para ele, como se não pudesse respirar por conta própria. Que merda de situação.
O telefone que tinha sido instalado recentemente em seu quarto estava fora do gancho, apitando com a ligação feita. Ele simplesmente largou aquilo depois de tanto stress.
Becca, que tinha acabado de tomar um banho para relaxar, entra no quarto de Sammy. Os dois estavam vestidos com roupas parecidas, uma camisa branca e uma calça. Moda de lobo?
— Ela não vai conseguir, você sabe disso tão bem quanto eu, Sammy. — Ela diz, com um certo carinho. Não se aproxima dele, entendendo que ele devia estar muito chateado.
— Estou ciente disso, mas não sei o que fazer com aquela garota. Precisamos da Harriet de volta mesmo quando esse caso for resolvido. — Sam dobra seu corpo e impulsiona para frente, seus pés ficaram firmes e seus olhos azuis chegaram até Becca — Reúna todos no salão, me de uns 10 minutos.
— Certo — Ela se vira para ir, contudo se volta no mesmo instante e toca no ombro de Sammuel. — Ninguém é substituível Sammy, por isso despedidas são trágicas. Vamos traze-la de volta.
— Obrigado.
Ele não conseguia se acalmar. Seu coração estava constantemente recebendo facadas, parando, acelerando. Harriet era insubstituível para ele, e isso tudo iria acabar hoje. Contudo... Harriet poderia não estar nesse fim.
Seus dedos deslizam até o telefone que apitava por estar fora do gancho, assim que o recoloca a sensação de um trabalho terminado se instala por ele. Porque nenhuma solução parecia satisfatória para Sam?
Ainda haviam orelhas de lobo em sua cabeça, e só quando Harriet voltasse elas sumiriam. Ele facilmente continuaria com elas para que Harriet voltasse, se fosse uma troca, ele faria! Era doloroso ver Faith e saber que era só um vaso preenchido com outra coisa. Aquela nem chegava perto de Harriet.
Harriet...
Ela estava em sua cabeça agora, o pegando pelas mãos — com as mãos tão gentis e macias — conduzindo-o para uma memória antiga. Se passava no segundo ano de Fabletown, quando aconteceu o grande segundo incidente entre vilões e mocinhos. Tudo por culpa da aparência que cada um recebeu.
Sammuel mais uma vez conseguiu cuidar de tudo, sem matar ninguém, mas causando certos danos em que Harriet foi chamada mais uma vez. Ela sempre estava ao lado dele, com medo mas de peito cheio de coragem. Ou pelo menos tentava demonstrar isso. As fábulas estavam se batendo em todo lugar, então eles sempre corriam para cobrir uma grande área, usando Harriet como guia. Houve uma noite em que o trabalho acabou cedo, porém cheia de escuridão e duvida.
— Não aguento mais isso, é cansativo lidar com tantos idiotas na mesma noite. — Resmunga Sam, já tragando seu cigarro, deixando Harriet nervosa. Ambos estavam sentados na grama, em um jardim qualquer. A lua brilhava lá em cima, em algum lugar, mas as nuvens a cobriam.
— Mas Sammy! — Ela diz, assustada com a descrença dele — Mesmo que nós estejamos envoltos pela escuridão, mesmo que você não possa ver isso, sempre haverá uma lua brilhando!
Era um conselho engraçado. Chapeuzinho era famosa por parecer boba e ingênua, mas com conselhos filosóficos que por vezes surpreendiam. E essa surpresa, geralmente se tornava um riso nervoso.
Ele riu dessa vez, também.
Sammuel desceu as escadas da mansão com determinação, ainda alegre pelas memorias que vira. Era Harriet! A parte dela que vivia na mente de Sammy tentara conforta-lo, com sucesso. Mesmo antes de entrar na sala, já podia escutar o som das pessoas tagarelando, e de uma Faith muito raivosa.
A porta range quando Sammy passa por ela e todos se calam imediatamente, Sam estava claramente impaciente — e depois daquele tapa, nem Faith ousara falar.
— Eu ainda não consegui Sam! — Ela finalmente explode — Meu tempo não acabou ainda, eu tenho algumas horas!
O lobo suspira, queria fumar um pouco diante de tanto stress, mas certamente agora não era a hora para isso. Ele coloca suas mãos no bolso, mais por ansiedade do que para descansar as mãos.
— Você não vai ser capaz de fazer isso.
Faith não chora ou grita, apenas abre a boca vagarosamente, não entendendo exatamente o que aquilo queria dizer. Será que eles finalmente tentariam abrir sua cabeça para ver se Harry estava lá?
— Como vamos encontra-la então, se não for com essa idiota? — Becca diz em alto e bom som, e Faith imediatamente lança um olhar mortal para ela.
— Já resolvi isso também.
A porta se abre novamente, o que era uma surpresa — todos que participavam do caso já estavam lá — mas quem entrou desta vez nunca fora vista por ninguém daquela sala exceto Becca e Sam. Era uma moça de pele clara, um kimono longo cor de rosa com várias camadas de cor roxa, seu cabelo estava cuidadosamente preso e cheio de adornos. Seus olhos puxados indicavam que ela não era daqui.
— Cheguei a tempo, vejo, Sammuel. — Ela diz, com um sotaque estranho.
— O que é ela? — Caine finalmente reage a algo, mas até de forma brusca.
Aquela era uma das “fábulas” japonesas, ela tinha o mesmo papel que Harriet em seu País, e era conhecida como Nure-onna, em sua forma original ela era metade mulher, metade cobra. Graças a aparição de Rebbeca, Sammy obteve essa ideia e chamou-a logo a tarde. Para chegar tão rápido, ela com certeza usou o tele-transporte. Aceitar foi a parte mais difícil, para a grande curadora sair da cidade, Sammy teve que usar todo o seu charme e convicção de que seria extremamente rápido. Não poderiam enrolar mais, era hoje ou nunca!
— Vamos.
。。。
Nure-onna era muito mais rápida que Harriet para sentir rosas, porque afinal, lá em seu lugar não eram rosas, mas sim um tipo de flor aquática típica na região. Por esse motivo, por ser diferente daquela planta cheia de pétalas, era mais fácil encontrar algo diferente do que o habitual, mesmo que alguma magia cobrisse as flores. Era fácil encontrar o paradeiro dos culpados, uma vez que Caterpillar estivesse com eles. O elemento surpresa pertencia a Sam.
Sammuel, Caine e Rebbeca estavam em sua forma original, Faith com medo e relutância concordou em ir saltando atrás deles. Nure-onna não estava em sua forma porque ela se achava feia daquele jeito e também porque ela ficaria muito mais lenta. O salto deles conseguia cobrir a lua, eles saltavam livremente na calada da noite, agradecendo por ser feriado dos humanos, em que eles geralmente iam para outras regiões.
A grande fábrica de leite da vaquinha feliz, que estava abandonada desde que encontraram resíduos de algum tipo de substancia toxica que levara a morte de muitas pessoas das redondezas realmente não passou pela cabeça de Sam, uma vez que ela é bem afastada de todos os que tem sido atacados. A fábrica estava abandonada a uns 3 anos, poucas fábulas sabiam disso, afinal, eles mal ligavam para os humanos.
Eles sabiam que chegando no território o modo de adentrar mudaria tudo, algo poderia rastreá-los? Tinham que matar todos, só então Harriet ou Nure-onna o trariam de volta. Não havia meio de parar aqueles três lobos, parecia uma invasão de matilha, eles entraram com rapidez na fábrica, só para descobrirem que não poderiam enxergar absolutamente nada.
E que estavam sendo esperados.
Só havia uma luz em meio à escuridão, e ela iluminava João e Maria.
— Encontramos — Nure disse, estava atrás dos três lobos com Faith, e eles se transformam para poderem se comunicar imediatamente, surgindo três nvas pessoas despidas diante dos culpados.
— Está falando sério? — Sammy contrai a sobrancelha. Esses dois não tinham nenhuma habilidade especial para fazer o que aconteceu nesses últimos tempos. Eles pareciam tristes, cabisbaixos, por isso não foi estranho quando uma terceira pessoa surgiu.
Ela envolveu os dois pelos ombros, unindo-os enquanto sorria. Sammy dá um passo à frente para acabar com isso, mas Nure-onna o segura pelo punho.
— Essa daí não tem flor.
Isso só podia significar uma coisa. Aquilo não era uma fábula, essas pessoa era humana.
— O que—
— Shiiii! — Ela repreendeu Sammy. — Aqui é perigoso sabia? Vocês não podem se curar e eu tenho companhia.
Ainda estava escuro, mas enquanto bruxas surgiam, uma luz fraca bruxuleava entre elas, mostrando seus rostos. Faith ficou imediatamente paralisada. Se a bruxa certa morresse, ela também morreria. Não adiantaria fugir, pois ela voltaria!
Ela tremia, seus joelhos cederam e ela desliza até o chão. Estava tudo acabado. Eles já eram lobos novamente, ela podia ver. Ela ainda via com seus olhos, mesmo que as lágrimas inumassem sua vista e ocasionalmente ela enxergasse tudo como em uma lupa. Aquela moça que não tinha rosa já tinha ido embora, João e Maria choravam no canto daquele corredor metálico mal iluminado, morreram de medo enquanto as bruxas sumiam e davam lugar a uma rosa brilhante de cores diferentes. Os lobos arrancavam suas cabeças como rolhas, não havia sangue, apenas pétalas de rosa. Uma última bruxa, uma com chifres e de verde sorriu para Faith, sorriu com medo e pena. Sam percebeu isso, era aquela, tinha que ser. Claro, isso era apenas o pensamento de Faith, Sam não sabia de nada afinal. Antes que ele pudesse atacar essas bruxa, uma outra criatura apareceu. Eles sabiam, era muito mais forte.
Ele partiu para cima de Sam, e eles rolaram pelo corredor, com mordidas e rosnados ecoando na escuridão.
— Aquele ali tem muitas flores! — Onna diz, arrumando o braço de Caine, que agora estava meio derretido pela magia das bruxas.
Faith piscou para que as lágrimas parassem de interferir em sua visão, ela estava atirada em um canto, na parede, apenas observando. Becca rosnou alto e depois uivou, recendo outro uivo em resposta. Sam devia estar lidando com aquela criatura ainda.
Se eu soubesse que era a última vez, talvez eu tivesse feito diferente.
O lobo fêmea protege Caine e Onna de uma magia que passa errante através seu pelo, queimando-o como a substancia mais perigosa do mundo. Era o fim dela.
Adeus pra mim mesma, que nunca foi ninguém.
。。。
Aquilo não era nenhuma fábula que Sam conhecia. Era calvo, magro, branco como um fantasma e seus olhos... de quem são? Não podiam pertencer a ele, eram esbugalhados e vermelhos, era um demônio. Tudo nele era desproporcional, quase como um Frank Stein. Nure tinha alertado que ele possuía muitas rosas, e algo indicava que mesmo que ele morresse, o problema ainda continuaria ali.
Ele estava em um terno apertado, cobrindo a maioria dos seus defeitos, Sam mordeu ele várias vezes, mas se regenerava muito rápido. Se arrancasse sua cabeça, provavelmente ele morreria, entretanto, o homem era forte demais. Não deixava ele se aproximar e conseguia jogar Sam para longe com facilidade.
— De que conto você é, afinal? — Sam consegue dizer, meio rosnado, era difícil falar como lobo.
— Do meu próprio. — Ele ri, e ri tão alto e monstruosamente que o pelo de Sammy fica eriçado. Poderia ser... — E mesmo que você consiga me pegar, outros virão. Acabou, Sammuel Wolf.
O braço da criatura se contraí, e laminas afiadíssimas surgem no lugar de seus dedos das mãos. Ele sorria, e sorria com raiva. Como João e Maria entraram nessa afinal... bom, não era hora de bancar o detetive, Sam disse pra ele mesmo — Afinal essa medonha criatura parte para cima do lobo, que era tão grande que jamais seria capaz de desviar das laminas.
Agora ele ia morrer. Não tinha como fugir, o corredor era muito estreito. Se virasse humano, seria mais fraco ainda. Não tinha solução.
A última coisa que eu pensei, definitivamente foi você.
A cabeça da criatura desaparece de seus ombros; uma lamina muito mais rápida cortara ela fora. No lugar de sangue, sempre haviam aquelas rosas, e por ter sido a cabeça, uma linda fonte de pétalas começa a jorrar do corpo. Em seguida, ele caí no chão, débil, não se tornara uma semente. A cabeça ainda estava lá, e Sam a acompanha com os olhos até ela ser parada por uma bota marrom. As pernas de seu herói eram finas e bem brancas.
— Cheguei na hora? — Ele lentamente volta a sua forma humana, e também sorria, tão aliviado que chegava a ser cruel, como se aquele caso nem importasse mais.
— Com certeza, baixinha.
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