Algo de errado em Fabletown
6 ❝Episódio O6 – Desejada。
Notas iniciais
Ela já estava no coração da floresta, não fazia mais de um minuto. O céu estava negro — a noite já havia engolido o dia impiedosamente a algumas horas atrás.
A floresta até a casa de Sammy sempre estava coberta de neve, embora não nevasse na cidade. Era encantada para que as pessoas se perdessem e não encontrassem o Lobo mal.
Harry podia acha-lo.
Afinal, eles são do mesmo conto, e ela ficara encarregada de entregar as rosas que o mantinham vivo. Ela sabia agora mais do que nunca que sentia falta dele, que ela o queria.
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Chapeuzinho recebeu instruções claras de sua mãe, ela devia ir pelo caminho mais curto e seguro — entretanto, teimosa como sempre e ainda diante do caminho longo e perigosamente belo, ela se via em dúvida. A mãe dela jamais saberia, ficaria tudo bem...
Foi então que Sam apareceu.
Um homem com orelhas de lobo e um rabo fofo, estava vestido com roupas que pareciam ser roubadas de alguém muito maior que ele. Harriet não era assim, sempre bem vestida pela mãe, com a sua capa vermelha e vestido branco.
– Porque não vai por ali? — Ele aponta par ao caminho proibido. Não havia se apresentado nem dito seu nome, apenas sorriu maliciosamente e apontou o caminho. — É infinitamente mais bonito que o outro, mas longo.
– Minha mãe disse — ela começa, não sabendo ao certo se queria revelar a um estranho onde iria — que eu tenho que ir pelo curto...
– Oh, entendo. — Ele parecia ter se dado por vencido. Mas conhecendo Sam agora, Harry sabia que uma mente maliciosa não desistia — Mães são pessoas importantes e certeiras, não é?
Harriet balança a cabeça positivamente, sentia que poderia concordar com qualquer absurdo que esse homem viesse a dizer.
– Entretanto, não concorda que quanto mais algo é proibido — ele abre caminho, revelando o caminho mais bonito — mais as pessoas querem?
– Acho que pode ser...
– Então, se é mais bonito e sua mãe não vai saber, você vai criar uma memória bonita só sua.
– Só minha...e sua também?
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Porque ela lembrava disso agora? Porque ela desejava tanto que ele estivesse aqui agora?
Sim, a resposta era clara agora. Ela o amava, e odiava o fato de uma princesinha poder tê-lo. Queria que ele estivesse aqui. Queria entender porque ele nao gostava dela, se ele era do mesmo conto? Ela tem direitos sobre ele, não é?
Ela sabia que na verdade não.
Jogou esses pensamentos longe.
"Senti a presença da rosa por aqui..." — ela volta a sua busca.
Havia um cesto com várias guloseimas estragadas saindo dela, jogada de lado, afundando na neve. Harriet podia ver um brilho verde. Não ver, não era isso. Ela podia sentir a cor verde.
Caminha até ele, sabendo que havia alguém a observando, mas não viraria agora.
"Rosa marrom."
– Ygg? — Ela chamou, com a rosa em mãos, o Woodsman. — O que quer?
Ygg, o Woodsman, era um homem com cabelos escuros e uma barba por fazer. Bonito? Sem dúvida. Contudo, Sam era muito mais bonito. Ou pelo menos aos olhos curiosos de Harriet. Ela também tinha consciência de um machado na cintura de Ygg.
– Preciso que venha comigo, Harry. – Ainda havia um pouco de Ygg naquele corpo obediente, mesmo assim, chapeuzinho não confiaria. – Você é a peça que falta para toda essa loucura acabar.
“Eu sou... a peça que falta?” Indagou a si mesma, procurando por uma resposta.
– Porque? O que eu sou capaz de fazer que qualquer outra fabula não faria melhor?
Ele estava se aproximando. Tão lentamente que Harry não percebeu quando seus corpos já estavam colados. Ele era maior do que ela em muitos aspectos, e agora seria difícil sair de perto dele sem que fosse pega. Às suas costas havia uma árvore grossa o suficiente para esconder o corpo dos dois, e a frente dela Ygg.
– Acho que se esquece de seu verdadeiro poder – Ele estava se abaixando na altura dos lábios dela. Harry tremia, não gostava dessa proximidade. – Você é nossa deusa da morte.
Ela estremeceu com a verdade. Quer dizer, sim, era verdade. Ela mantinha todos vivos em fabletown – então porque ela não era tratada melhor que uma princesa?
Era mentira, todos a tratavam bem, apenas as princesas não se colocavam no lugar. Mas ela não sabia disso, e acreditava com força que não era melhor e nem mais importante do que qualquer pessoa.
Por isso, ela ficou feliz.
Harriet acordou de seus devaneios quando sentiu as mãos ásperas de Ygg em seus ombros. Ele desviava habilidosamente da capa e do vestindo, tentando despir Harry.
– Não me toque dessa forma! – Ela ordenou, irritada. Quando tentou se desvencilhar das mãos de Woodsman, bateu a cabeça na árvore
Woodsman ficou levemente irritado pela recusa, então esticou o pulso dela com força, para que pudesse ver a rosa da vida de Harriet. Haviam três pétalas sobrando.
– O que andou fazendo, Harry? – Ele gargalhou, sem ânimo – Um tiro na cabeça e um tapa seriam suficiente para matá-la, sabia?
Ela não queria responder – o empurrou com toda força que tinha e deu uma cambalhota para sua esquerda. Não conseguiu se levantar, então engatinhou o mais longe possível. Ela quase parou quando sentiu o cheiro do saco encantado, que agora parecia ter recebido a habilidade de adormecer.
– Porque está fugindo da glória Harry? – Ele se movia lentamente, como se não pudesse ir mais rápido. Estava indo atrás dela. – Porque foge do meu amor, quando meu coração clama por você?
Ela tentava se erguer sempre que tinha uma boa distância, mas a neve a fazia deslizar de volta para o chão.
Estava começando a escurecer muito rapidamente, e logo ela não seria vista por ninguém, mesmo com a sua capa enorme e vermelha.
– Se eu fosse você – Ela disse com raiva e sarcasmo – Não confiaria em algo que só serve para o sangue pulsar.
Ela sentiu algo a impedindo de correr; Ygg estava pisando em sua capa vermelha. Ela olhou para trás, a tempo de ver o machado de Ygg acima de sua cabeça.
– Não se preocupe, meu mestre te traz de volta depois.
O machado se agitou e desceu. Harriet fechou os olhos com rapidez, medo. Entretanto, nada acertou Harry por um bom tempo. Ela abre os olhos novamente a tempo de ver o braço de Sam segurando o cabo do machado.
– Você, sinceramente, gosta de lidar com a morte.
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