Alexithymia

27 Capítulo 26 — Arrependimento camuflado.


Notas iniciais
Notas finais ♥

Shelter — Birdy.

— Forks, Estados Unidos —

— 01 de junho, 2007 —

Edward olhou para a garota de olhos fechados ao seu lado, o rosto exposto ao sol e um sorriso singelo em seus lábios róseos e pensou que realmente poderia gostar dela de verdade. O modo como ela sorria fazia algo se aquecer dentro dele, como se tivesse cumprindo alguma missão pessoal. Talvez fazê-la sorrir fosse seu dever, talvez fazê-la feliz e abstraí-la um pouco daquela realidade de sua casa.

Ele sabia disso tudo e mesmo assim não fazia nada para parar com aquela palhaçada fingida que estava fazendo com ela. Enganando-a por causa de uma aposta infantil. Ele quase chegava a se sentir miserável por causa disso, quase. Era egoísta demais para se sentir mal por causa de uma garota, mesmo que esta fosse Isabella Swan, a única amiga verdadeira que ele teve no colegial.

Orgulho ou amizade? O problema era que o orgulho não lhe deixava escolher uma amizade. Ele era autossuficiente, não precisava de amigos ou namorada ou qualquer outra coisa que não lhe acrescentava em nada. Ele tinha a si mesmo e com isso iria longe, alguém para amar era uma fraqueza e tudo que menos queria era ser fraco. Nunca amaria, nunca precisaria, enfim, nunca teria problemas.

— O que foi? — Bella o perguntou, apoiando-se em seus cotovelos para lhe olhar. Edward meio que ficou hipnotizado no modo como que seus cabelos caíram por seus ombros e colo, pousando por fim na grama. — Ei, cabeção! — Ela lhe empurrou o ombro quando ele não fez nada sem ser fitá-la.

— Hum? — Ele ergueu as sobrancelhas, parecendo ter saído de um sono profundo.

— Por que você está me olhando desse jeito? — Ela perguntou, as bochechas coradas.

— Que jeito? — Ele teve o cuidado de não mudar sua expressão para uma impossivelmente dura, teve o cuidado para permanecer com o olhar apaixonado. Talvez estivesse mesmo… não foi difícil olhá-la daquele jeito.

Edward observou o modo como ela sorriu bobamente quando ele não lhe deixou responder sua pergunta anterior. Ela se entregou de modo muito fácil quando ele colocou seus lábios nos dela. Muito fácil mesmo, ele concluiu enquanto depositava beijos molhados e suaves em seu maxilar e se empurrava para frente, colocando-se por cima do corpo frágil e, segundo a mente dele, perfeito de Bella. Ela sequer protestou, ao contrário disso, se ajeitou debaixo dele, subindo uma coxa e deixando-a livre para a mão de Edward.

Ele sorriu maliciosamente nos lábios dela quando ela fez aquilo, aquele ato para ele foi o melhor que ela poderia ter feito. Amava sentir as coxas dela nas palmas de suas mãos, mesmo que fosse por cima daquela calça que em breve ele planejava tirar. Não hoje, não agora.

Com as pequenas mãos dela dentro de seus cabelos, Edward deslizou os lábios pelo maxilar e pescoço incrivelmente cheiroso de Bella, fazendo-a estremecer e arfar. Outra coisa que ele gostava nela era como suas mãos aumentavam gradativamente a pressão que fazia em seu couro cabeludo quando ele passava a lhe beijar o pescoço e o maxilar. O modo como ela arfava era o que incentiva seus beijos a se tornarem mais intensos porque adorava saber que era ele que estava fazendo aquilo com ela.

E por fim, não aguentou ficar somente tocando sua barriga lisa e macia com os dedos, ele sentiu que tinha de tirar aquela blusa que limitava os seus movimentos. E Edward se surpreendeu quando a garota não se retraiu ou tentou se afastar e dizer que eles estavam indo longe demais — o que era bem comum esses dias. Eles estavam indo longe demais quase todo dia.

Passou a blusa por seu rosto e em um átimo de segundos voltou os lábios urgentes para Bella, segurando sua nuca para que ela não se afastasse. Ela também não fez esforço nenhum para isso, tudo que queria era ficar mais próxima dele e sentir aquela ansiedade que ele lhe causava. Na verdade, ambos causavam ansiedade um no outro e sem perceber estavam ultrapassando todos os limites que tinham imposto.

Sem ar, Edward encostou sua testa na de Bella e respirou de modo ofegante, abrindo os olhos só para se deparar com as curvas dos seios dela que estavam infelizmente cobertos pelo sutiã comportado. A pele pálida dela parecia ficar mais irresistível a luz fraca e amena do sol que fazia em Forks. Perguntava-se se talvez ela estivesse com frio… mas não, não suportava a ideia de mandá-la se cobrir. Seu corpo era perfeito demais para ser coberto com uma blusa que naquela hora era desnecessária.

O corpo de Bella era leve, por isso foi fácil para Edward levantá-la da grama e colocá-la sentada em seu colo, com as pernas entrelaçadas em sua cintura. Um sorriso satisfeito apareceu em seus lábios quando as pequenas e suaves Bella deslizaram até a barra de sua camisa e a levantou, passando rapidamente pelos braços dele e logo em seguida, com desespero, colando seus lábios nos dele.

E ele pôde escutar muito bem o gemido baixo, rouco e longo que saiu dos lábios dela quando Edward pressionou as mãos contra suas costas para que ela ficasse completamente colada a ele. Mais do que já estava, como se fosse possível. Por mais que quisesse se sentir indiferente às coisas que ela lhe causava, ele não podia, era impossível se manter impassível quando as unhas dela deslizavam com suavidade por suas costas e lhe arranhavam.

Sabia que tinha se afastar com alguma desculpa, sabia que precisava se controlar e respirar fundo, mas não podia. Ela estava lhe beijando tão intensa e verdadeiramente e não pôde deixá-la de comparar com as outras garotas que já tinha ficado ou dormido junto. Bella era diferente, ela não era mecânica e pensava mil vezes antes de fazer algo, era impulsiva e cheia de paixão.

Carinhosamente, ela acariciou os cabelos do garoto que estava lhe beijando o pescoço. Na verdade, aquele era ato era novo para ele já que em todas as relações que teve antes não era tão doce quanto estava sendo naquele momento. Nunca beijara uma garota daquele jeito, nunca tocara ninguém com tanto cuidado e reverência — uma coisa que ele nunca se permitira sentir com todas as outras.

Bella era diferente e em breve ele se livraria dela e tudo que ela lhe causava. E sim, ele gostava de tudo aquilo, todo aquele cuidado que tinha com ela, mas era uma fraqueza das piores e não podia se permitir sentir isso. Gostava dela, ele concluiu por fim enquanto voltava os lábios para os dela, mas não podia continuar sendo fraco daquele jeito. Tudo que devia lhe importar era só o seu bem-estar, não o de outras pessoas.

— Edward. — Ela sussurrou, inclinando o rosto para trás. — Aqui não.

— Eu sei. — Beijou de novo a linha do maxilar cheiroso dela e encostou sua testa na dela, beijando-lhe o nariz com infantilidade. — Você também não coopera em nada para o meu autocontrole. — Sussurrou ele, arfando.

— É porque eu quero.

Ele sorriu largamente, beijando-a mais uma vez nos lábios. Não, não, não podia fazê-la dele aqui no meio do nada, eles só tinham ido passar a manhã de sábado em um lugar onde as pessoas não ficassem lhes olhando com desaprovação. Edward era o que mais presava — mesmo não parecendo nem um pouco — a privacidade, não gostava de ninguém lhe olhando enquanto beijava Bella. Era inveja, dor-de-cotovelo e outras coisas.

— Em breve, Bella, em breve. — Ele prometeu. A promessa foi cumprida, mas não foi tão breve quanto ambos queriam.

Eles caminharam de mãos dadas para a saída da campina que segundo Edward, era seu refúgio quando queria ficar sozinho. Bella foi a única garota que ele levou para lá, uma prova que ele gostava de ficar com ela quando queria ficar sozinho. Ele nunca falou, mas gostava do modo como ela não falava muito e era calada com seus próprios pensamentos, às vezes tinha vontade de perguntar o que ela estava pensando, se era sobre ele e por fim, concluía que não importava.

Não queria se envolver mais com ela do que já estava fazendo. E sim, quando se tratava dela, ele era covarde até demais.

Quase se bateu ao levá-la para sua casa e se esquecer de que seus pais estavam lá… fazia algum tempo que ele não levava nenhuma garota para conhecer Carlisle e Esme e realmente não planejava fazer Bella quebrar isso tudo. Foi uma surpresa para todo mundo, mas Edward sempre foi bom improvisando, então deu um jeito de fazer parecer foi tudo planejado, perguntando se eles não se lembravam do que tinham falado alguns dias atrás.

Carlisle e Esme eram gentis e logo quando viram Bella, adoraram-na. Ela não parecia com essas garotas com quem seu filho dormia, parecia mais civilizada, gentil e reservada. Aqueles eram adjetivos bons o bastante para que ela recebesse sua aprovação logo no primeiro dia, mesmo que eles nunca tenham dito. Talvez se as escolhas de ambas as pessoas fossem diferentes, eles um dia chegassem a dizer…

— Então… você planeja fazer faculdade aonde? — Esme perguntou gentilmente, depois que convenceu Edward a deixá-la conversar mais com a sua namorada.

— Ainda não sei. — Bella admitiu. — Mas eu recebi a carta de admissão na universidade de Sydney, Seattle e Alasca. Estou pensando em fazer na de Seattle porque é mais próxima… Sydney é longe demais daqui.

Edward nunca viu o sorriso esperançoso que ela lhe lançou, ele estava fitando o tapete da casa com tédio. Queria logo subir para o seu quarto e mostrá-la a coleção de CDs que ele tinha em uma estante a qual era suspensa na parede. Talvez pudesse, depois de cumprir o que tinha dito, aproveitar mais um pouco do dia de sábado e trancar a porta do quarto para que ninguém pudesse interrompê-los. Esses planos pareciam vistosos aos olhos deles e realmente gostava da ideia de poder ver mais um pouco de seu corpo sem a camisa e talvez — só talvez — sem a calça se eles avançassem de nível um pouco mais.

Eles conversaram até tarde e mesmo Bella dizendo a Edward que sua mãe iria lhe trucidar se não chegasse antes das nove e meia em casa. Ele prometeu-lhe que explicaria a situação caso ela reclamasse.

— O que você acha que vai dizer a ela, hum? — Indagou Bella enquanto ele abria a porta de seu quarto e a fechava atrás de si. — “Sra. Swan, eu e sua filha estávamos nos amassando dentro do quarto, por isso eu a fiz se atrasar. Sinto muito, mas vai acontecer outras vezes…”

— Você — ele abriu um sorriso malicioso. — quer que aconteça outras vezes, é? — Agarrou a cintura da garota que se virara para encarar a sua estante.

— Claro. — Sussurrou ela.

— Então — Cheirou o pescoço dela — vai acontecer outras vezes, toda hora que você quiser.

Quando ela se virou para encontrar os lábios dele, Edward caminhou às cegas para a cama e com deleite sentiu o corpo de Bella sobre o seu, não exercia peso exagerado nenhum, era somente suas curvas se modelado as suas. Normalmente, não teria deixado uma garota ficar por cima de si, mas sequer percebeu esse detalhe ameno quando os lábios se chocaram e os dedos de Bella se entrelaçaram com seu cabelo. Tudo aquilo já era o suficiente para que Edward esquecesse quem era que estava por baixo.

O beijo começou calmo e em um ritmo normal e que ainda dava para se controlar e se tornou, gradativamente, uma dança desesperada por mais contato. As línguas estavam sincronizadas e pararam por um instante quando Edward se separou, ofegante, para tirar o casaco de Bella e a blusa que ela vestia por baixo. Tocou a pele quente dela com as mãos antes de ser forçado a tirá-las de lá por Bella que queria tirar seu casaco e sua camisa.

Queria tirar aquela calça jeans incômoda dela também, mas não queria assustá-la com seu súbito desejo. Na verdade, aquilo era estranho já que desde os quinze anos ele não se sentia excitado somente vendo uma garota sem blusa e no entanto agia como um garoto virgem que nunca tinha visto seios cobertos pelo sutiã. E lá estava ele, naquela situação deplorável somente por vê-la com todas aquelas roupas lhe cobrindo.

Tentou aplacar o desejo beijando-a novamente nos lábios, mas suas mãos não se contiveram somente em tocar seus cabelos e suas coxas, precisava tocar uma das duas partes do corpo de Bella que ainda não havia tocado. Ansiava e ele tentou se controlar, tentou mesmo. Foi por vontade própria que as mãos dele deslizaram por seus ombros até chegar aos seios cobertos pelo sutiã dela. Perfeitos.

Ela arfou nervosamente e, para a felicidade de ambos, seu corpo não teve o instinto natural de se afastar. Ele teve o instinto natural de se arquear para as mãos de Edward, e arfar logo em seguida, abrindo os olhos somente para encarar o teto branco e curvado que tinha no quarto de Edward.

— Nós temos que parar. — Ele sussurrou.

Mas ele não parou de beijar o pescoço cheiroso da garota que não conseguia simplesmente dizer que estavam indo longe demais com isso. Quis se cobrir quando as mãos habilidosas de Edward procuraram, enquanto ele a colocava sentada em seu colo, o fecho de seu sutiã, achando-o com facilidade. No entanto toda a vergonha foi para o espaço quando as mãos dele foram substituídas pelos lábios e logo em seguida pela língua. A pele de Bella tinha um gosto que nunca tinha provado antes e era, sem dúvidas, perfeito. Melhor do que todos os outros. Ela era melhor do que todas as garotas que já tinha ficado e sim, ele assumia isso para sua mente.

Edward se controlou para não deixar marcas na pele pálida dela, embora quisesse que todo mundo visse que ela era sua. Sua garota. Somente sua. Mas do que adiantava ela ser dele se ele não pertencia a ela? Ele era de todas… costumava ser de todas.

— Não faça isso se não quiser passar o resto da noite acordada. — Sussurrou ele com a voz entrecortada, segurando a mão dela que deslizou por seu abdômen, pronta para tirar sua calça e tocá-lo intimamente. Edward era fraco demais para se controlar quando ela estava fazendo aquilo.

— Essa é uma ideia tentadora. — Ela sorriu, os lábios tão próximos dos deles que podia sentir seu hálito banhando seu rosto.

— Não, Bella, não. — Sussurrou, a voz fraca e ofegante. — Ah merda! — Xingou ele — tudo que eu quero é ficar aqui, com você — Ele falou verdadeiramente porque sabia que não importava com quantas garotas dormisse para aplacar o desejo que sentia por Isabella, nunca era o suficiente. Precisava dela. —, mas vai estar com problemas se você chegar atrasada em casa…

— Eu sei. — Ela sussurrou com a testa colada à dele, os olhos fechados e a respiração começando a se tornar regular. — Sinto muito se eu estou te descontrolando — ela riu levemente e suspirou. — é porque eu gosto tanto de você e… eu quero fazer isso com você. Com ninguém mais.

— Ah Bella. — Ele suspirou e restringiu os braços ao redor do corpo esguio dela, pressionando os seios dela contra seu peitoral. — Um dia onde não tiver ninguém sem ser eu e você em casa eu te faço minha de uma vez por todas.

Ela sorriu e assentiu.

Edward foi um perfeito cavalheiro e ajudou-a a se vestir, mesmo que sua mente lhe torturasse ao notar que ela estava ficando cada vez mais coberta. Tudo que queria era tirar o resto de suas roupas e fazê-la dele. Ele podia imaginar bem que Bella nunca dormira com alguém antes e gostaria mesmo de ser o primeiro e último a lhe levar para a cama. Tinha algum tipo de ciúme doentio que ele sentia por ela e era incontrolável — sabia disso porque já tentara controlar e falhara.

Bella era a garota que pertencia a ele, e dada às situações, tinha certeza que fora o único a tocá-la tão intimamente. Gostaria que permanecesse daquele jeito, gostaria que ela não se entregasse a ninguém senão ele, mas sabia que em breve teria que se acostumar com a ideia já que a formatura vinha se aproximando e quando o Eric estivesse fazendo o discurso ele exporia todo o plano de Edward. Esse era o grande plano.

Parecia maldade… e agora ele se perguntava como um dia poderia ter rido histericamente ao lhe proporem a ideia. Talvez Bella tivesse o feito amadurecer em alguns pontos, talvez tivesse o enfraquecido, porém nada importava. Bella era menos importante do que seu orgulho e este mesmo seria subestimado se voltasse atrás com a sua palavra.

Garotas. Quem precisava delas? Naquela época ele não precisou de nenhuma.

Ele a deixou em frente à casa dela com um beijo humilde nos lábios e um sorriso que se alguém visse, diria que ele estava apaixonado ao extremo por ela quando na verdade estava somente a usando. Dinheiro, era isso que queria. Quinhentos reais lhe seriam dado de ele completasse sua missão e nem era tão ruim ficar com ela… Quem ele estava querendo enganar? Gostava de ficar com a Swan e tinha de controlar isso.

— Às vezes eu me pergunto por que você chega tão tarde, Isabella. — Renée murmurou quando viu sua única filha entrar de fininho pela porta. Ela estava sentada confortavelmente no sofá e apesar de sua voz ser baixa e controlada, seu tom era ameaçador e Bella sabia o que vinha em seguida.

— Estava na casa de uma amiga. — Mentiu, a voz baixa e temerosa.

— Amiga, é? — Renée se levantou e caminhou até onde Isabella estava encostada, ficando de frente a ela com os olhos pegando fogo. — Para qual garoto estava dando em um dos vários becos?

— Eu não… — Bella pensou em dar alguma explicação paciente sobre como ela não fazia aquilo, mas sabia que só iria gastar saliva, então franziu o cenho e suspirou, saindo da frente de Renée.

— Volte aqui, Isabella! — A mãe puxou o braço da filha grosseiramente, apertando-o com força enquanto a virava para frente e a fitava nos olhos.

— Onde está o papai? — Choramingou.

— Você está destruindo meu casamento, está me escutando? — A voz da ruiva foi baixa e cheia de raiva e suas unhas estavam afundando na pele macia do braço da garota morena que tinha os olhos inundados por lágrimas traiçoeiras. — Você está fazendo seu pai se distanciar de mim! Maldito momento em que eu me deixei engravidar por uma praga dessas…

— Não se preocupe, mãe — Bella puxou seu braço da mão e as unhas arranharam-no sem piedade alguma. — Em breve a praga vai pra faculdade e você e o papai poderão se aproximar novamente. Prometo que não vou ligar ou tele…

Não pôde terminar de falar quando o punho de Renée atingira com força o seu rosto.

— Não ouse me responder novamente!

Bella não sabia da infância ou adolescência de Renée, ela não costumava falar muito sobre isso porque não gostava. Renée Swan era um poço de segredos e de amarguras que nunca foram adocicadas, nem mesmo por Charlie que também não sabia quase nada sobre o passado de sua esposa. Apaixonara-se pelo jeito libertino dela desde o momento que pusera os olhos na garota ruiva que estava em Forks à passeio.

Ela era sorridente e liberava vivacidade por seus poros, em poucos dias eles já tinham dormido juntos e alguns meses depois se casaram. Renée era do Arizona, um lugar onde o sol era sempre presente e a mudança para nublada e chuvosa Forks foi o bastante para que em poucos anos estivesse completamente depressiva com sua vida. Ela sempre foi de viajar, não suportava a ideia de ficar parada em um lugar e estava prestes a pedir divórcio quando descobriu que estava grávida.

Bella não foi planejada e amada. Não que Charlie demonstrasse um pouco de afeto para sua única filha e Renée era pior que ele, o motivo era seu pai que saíra de casa quando ela ainda era bebê e sua mãe que não demonstrava amor algum para sua filha. Ela simplesmente não sabia ser carinhosa com a sua filha, mesmo quando queria ser quando ela era mais nova… era algum bug de sua mente.

Poderia ser uma mãe sem afeto por sua filha tranquilamente e Bella realmente não ligaria se fosse só isso. Mas tinha mais coisas que sempre a deixavam para baixo, do tipo: Nunca ser elogiada, sempre ser xingada por motivos supérfluos e bobos e nunca saber o que era ter uma mãe de verdade. Faltava aquela amizade e cumplicidade que invejava na família de todas as amigas que um dia teve, faltavam os sorrisos e a confiança.

Faltava o amor.

As mãos de Bella tremeram quando ela pegou o celular entre suas mãos e discou rapidamente o número de Edward enquanto tentava controlar suas lágrimas e soluços. Nunca chorara na frente de sua mãe, nem mesmo enquanto estava arrancando os dentes de leite — tarefa que ela sempre fez sozinha.

— Você pode vim aqui, por favor? — A voz dela era chorosa e falha.

— Claro! — Ele prontamente respondeu. — Estou pegando o carro… o que aconteceu, Bella?

— Eu não… — A garota fungou e prensou os lábios. — não quero conversar sobre isso dentro dessa casa. Vem rápido, por favor…

Ela estava arrumando sua bolsa quando Edward tocou a campainha de sua casa, sendo Renée a atender a porta. Ele não conseguiu deixar de odiar aquela mulher por qualquer coisa que ela tenha feito com a garota dele, não conseguiu deixar de olhá-la com nojo por tudo que Bella um dia lhe contara sobre ela, finalizando por fim com um “Mas eu a amo, de qualquer jeito”.

— Quem é…

— Bella! Bella! — Ele chamou, gritando enquanto contava com a sorte de que Charlie não estivesse em casa. E não estava. Ninguém foi recebê-lo com uma arma pronto para perguntar-lhe que algazarra era aquela dentro de sua casa. Por ora, estava a salvo.

Sem se incomodar com Renée mandando-lhe sair de sua casa, subira as breves escadas e abriu cada porta até achar o quarto de onde sua garota saiu, o rosto molhado e vermelho de lágrimas. Sua expressão resignada caiu para uma de dor quando observou o modo como ela estava… tão frágil e machucada que não pode esperar para envolver os braços ao redor dela e trazê-la para perto de si.

Beijou o alto de sua cabeça e deixou que ela molhasse sua camisa com as lágrimas mornas que pareciam não parar. Ela soluçou audivelmente, sendo confortada pelos “Shhh, calma, Bella” de Edward que lhe acariciava os cabelos com carinho e paciência.

— Me tira daqui, por favor. — Ela soluçou com o rosto pressionado contra o peitoral de Edward.

E assim ele o fez. Passaram por Renée como se ela nem estivesse exigindo saber para onde a filha ia e no percurso todo, a mão de Edward segurava a de Bella com força, apoiando-a de uma maneira que… bom, ele preferiu não pensar sobre isso naquela hora. Deveria ter desligado a ligação, mas não conseguiu ignorá-la. E esse era uma das várias provas que Edward era fraco quando se tratava daquela garota, em especial. Fraco e covarde.

Ele tirou o seu casaco e colocou sobre o ombro de Bella enquanto caminhava para o seu carro, a mão presa a dela, puxando-lhe. Não sabia o que fazer, de fato, apenas fez o que deu na telha, não sabia sequer para onde a levaria e só tinha certeza de uma coisa: Ela não voltaria para aquela casa naquele dia. Não queria que ela sofresse mais…

Dirigiu dividindo olhares entre a estada e a garota encolhida no banco do passageiro ao seu lado, os lábios prensados para que mais nenhuma lágrima saísse de seus olhos. Ele a conhecia o bastante para perceber o enorme esforço que ela estava fazendo para ser forte na frente dele. Aquela era, porém, a primeira vez que ela chorava tão… livremente perto de Edward e ele se perguntou se isso era bom ou ruim.

Ela confiava nele o bastante para expor suas fraquezas. Isso era bom ou ruim? Ainda não conseguia se decidir.

Decidiu por fim levá-la a um hotel onde ela passaria a noite e quantos dias mais ela quisesse. Não suportava pensar em levá-la de volta para casa e encontrá-la naquele estado novamente, faria de tudo para que ela não sofresse nas mãos de seus pais mais uma vez. Sim, ele sabia que estava sendo hipócrita ao extremo agora, mas… decidiu se concentrar em consolar Bella do melhor modo que podia.

Aquela era a primeira vez que ele consolava alguém sem ser Alice.

— Me desculpe por… — Ela fungou e suspirou com a bochecha encostada no ombro de Edward. — eu não sabia pra quem ligar…

— Você fez bem em ligar para mim. — Acariciou as suas costas.

Quase fizeram amor naquela noite. Sim, amor. Ambos sentiram algo se aquiescer dentro de si e não era somente o desejo crescente, era a dependência e a fraqueza que era se apaixonar por alguém e se entregar. Não foi naquela noite que Bella se entregou de corpo para Edward, mas foi de alma. Sentia-se presa a ele, dependente dele, fraca por ele, chegou até a pensar que não conseguiria viver sem tê-lo por perto.

E Edward sentiu o mesmo. Sem adicionar ou subtrair, sentiu-se silenciosamente da mesma forma que Bella sentiu. Porém nada falaram, tinha muito para tocar, beijar, sussurrar e, infelizmente, refrear. De qualquer jeito, Edward se sentia orgulhoso por ter sido o primeiro homem a ver Bella nua, completamente entregue a ele, e por ter a tocado de uma forma que ninguém mais tinha feito. Foi o primeiro, também, a dá-la prazer.

E tendo essa consciência, sentiu-se satisfeito.

— Forks, Washington —

— 15 de Junho, 2007 —

— Cullen! — Eric chamou o garoto de cabelos cor-de-bronze que estava com a mente em outro lugar sem ser Forks. — Ei cara, acorda! Está com saudades do Cisne* que fugiu, é?

— Me deixa, Eric. Que droga. — Não estava com paciência para escutar nenhuma gracinha de Eric sobre a Bella, estava cansado de escutar sobre ela. Uns diziam que ela tinha fugido de Forks, outros que ela tinha se matado… preferia acreditar na versão da fuga.

— A gente está com o seu dinheiro. — O garoto gritou enquanto o outro se distanciava.

*Swan em português é Cisne.

— Enfia na sua mãe! — Gritou Edward em resposta.

Não estava com paciência para esse lance de comemoração de formatura porque Bella não estava lá. Não que sentisse falta dela… tudo bem, sentia falta dela… sentia falta das merdas que eles faziam juntos. Para comemorar a nota 10 em Biologia de Edward, eles dois tomaram Vodca até ficarem bêbados e estarem rindo por nada. E Bella prometeu que fariam isso no dia da formatura, quando todo o inferno médio tivesse acabado de uma vez por todas.

Andou sem rumo por algum tempo, a mente vagando por todos os momentos que teve com Isabella e o modo como teve que se esforçar para ser grosso com ela naquele dia… naquele dia que ele daria tudo para refazer. Talvez ele falasse a Bella que ele a amava, talvez ele devesse ter se deixado enfraquecer por ela e não seguir o plano. Daria uma surra nas pessoas que participaram da aposta, por ela.

Mas fez tudo errado porque, afinal, seu orgulho era bem maior.

Parou quando percebeu que estava de frente à casa da Bella e inconscientemente deu um passo na direção. Não se arrependeu ao tocar a campainha da pequena casa, ele só queria saber se as fofocas eram verdadeiras, não conseguia acreditar que a garota com que tinha quase feito amor alguns dias atrás tinha morrido ou fugido. Isso não tinha nexo algum, ela era de encarar as coisas e ser forte.

Sim, Bella era forte, mas ela era humana e se cansava facilmente das coisas e ela se cansou de sofrer. Ela poderia ter aguentado a briga com os pais se Edward estivesse com ela e ele não estava, então… fugir foi a primeira coisa que ela pensou, aproveitando o fato de ter 18 anos e ser livre para viajar sem permissão dos pais.

— A Bella está…

Antes que pudesse terminar a sua pergunta, a porta da casa havia sido batida grosseiramente na sua cara. Talvez Edward não quisesse mesmo saber a resposta para aquela pergunta, não queria se sentir mais culpado do que já estava no momento.

Notas finais
Ok, eu entendo que vocês querem saber se o Edward está vivo ou não, porém pegação + pegação é vida ♥ HAUSHSUAHUSH ok, não. Eu fiz esse capítulo porque eu acho que precisava, sabe? A gente tinha que saber como que o Edward se sentiu e isso tudo. E é, eu não respondi os reviews. Vou fazer isso assim que tiver um tempinho a mais como tive hoje. Eu não planejava postar, porém eu faltei a ed. física que tinha hoje de tarde e não estava conseguindo dormir, vindo logo postar. Me desculpem a demora ♥ comente, vcs, faltam apenas 3 capítulos pra Alex terminar e seria super legal se vocês comentassem, saíssem do anonimato ou recomendassem ♥ enfim, boa tarde, beijos!