Alex - Lexie
1 Capítulo 1
“Oh! Droga!”
Bailey fechou a cortina, colocou a mão no peito, fechou os olhos e respirou fundo. Ela estava se permitindo ter os dez segundos de pânico antes de voltar a realidade e fazer o seu trabalho.
“Algum problema, dra. Bailey?”
A médica atendente arregalou os olhos ao ver Meredith Grey com a expressão preocupada ao ver a experiente médica e colega tendo um ataque de pânico no meio do E.R.
“O que é? Precisa de ajuda?”
“Grey... não tem vidas para salvar?” Bailey disse ainda sem fôlego, visivelmente surtando.
“Não no momento.”
“Dr. Grey...” Bailey segurou o braço de Meredith e tentou leva-la para longe.
“Bailey, sua paciente está fugindo...” Meredith correu em direção a moça em uniforme que ela julgou ser da SWAT ou de alguma unidade Black Ops que deveria existir. “Ei, moça... você não deveria...” Segurou a moça pelo braço e teve um choque quando viu o rosto da mulher. “Lexie?”
“Lexie?”
Pela expressão de choque, Alex Danvers sentiu que a mulher a conhecia. Ou, pelo menos, a sua versão naquela Terra. Talvez sua versão se chamasse Lexie, o que fazia total sentido por ser um apelido alternativo para o nome dela, e ela tinha uma história com aquela mulher.
“Sim?” Alex tentou jogar, ainda que sua cabeça ainda girasse por causa da pancada e ela tinha um ferimento na perna que ela poderia muito bem suturar sozinha.
“Você morreu! Como?” A voz da médica soou fraca e a moça já estava com o rosto molhado em lágrimas.
“Eu morri nesta Terra?”
“Nesta Terra?” Bailey se aproximou cautelosamente.
“Acho que a minha versão nesta Terra nunca pisou no DEO.”
“DEO?”
“Você já ouviu falar em Supergirl? Superman? Batman?”
“Claro... meu filho adora os gibis e os filmes.”
“Gibis? Oh...”
Levou o dia inteiro para que as duas partes pudessem ser contextualizadas sobre as respectivas diferentes realidades ou universos ou terras, como preferir. E a única maneira de que tal teoria fosse mais ou menos aceita pela experiente cirúrgica geral era porque ela viu a irmã dela, Lexie, morta. Clones humanos não existiam, a não ser os gêmeos idênticos: clones naturais. Mas o universo de Alex Danvers era coisa de gibi para Meredith Grey, que passou o dia irritada com a desconhecida que tinha roubado o rosto da irmã.
Mas o nome de Meredith Grey não era completamente desconhecida para Alex Danvers, pois Grey era o sobrenome do primeiro marido da mãe dela e Meredith era o nome de uma prima distante. Além disso, havia o seriado Grey’s Anatomy na realidade dela, cuja protagonista, a doutora Melinda Grey, tinha sempre dilemas que envolviam diagnósticos, cirurgias e casos amorosos. Alex achava ridículo que uma unha quebrada causava uma parada cardíaca e tripas eram expostas no seriado enquanto os médicos discutiam as próprias transas enquanto diziam coisas como “sucção”, “lâmina 10”, “ele está tendo uma parada”.
“Eu quase fui médica.” Alex comentou num momento de certa quietude.
“Por que não foi adiante?” Meredith perguntou.
“Eu me perdi no caminho... acabei achando outro.”
“DEO?”
“Isso.” Alex encarou Meredith. “Então você sobreviveu a um acidente de avião em que sua irmã morreu... a minha versão deste universo...”
“Sim.”
“Eu também sobrevivi a acidentes com aviões e outras naves.”
“Talvez você seja um pouco como eu neste mundo.” Meredith sorriu.
“Talvez.”
“Gostaria que Lexie estivesse aqui. Ela teria se tornado uma ótima médica... tinha talento para ser uma neurocirurgiã. Gostaria de ter dito muitas coisas que não pude a ela.”
“O que teria dito a ela?”
“Eu teria dito que apesar de nossa relação não ter começado bem, por causa da minha estupidez, ela foi uma das melhores coisas que me aconteceu. E que eu a amava incondicionalmente.”
Alex sorriu. Parecia que o que a evolução da relação com Lexie tinha muitos paralelos com a relação dela com Kara. O pager de Meredith tocou. Era uma emergência
“Eu preciso salvar vidas. Você vai estar aqui quando eu voltar?” Meredith perguntou.
“Provavelmente não.”
Meredith acenou, num gesto de conformismo.
“Obrigada mesmo assim.”
Alex assistiu Meredith correr para a emergência que a esperava e suspirou. Ela saiu do hospital em Seattle e precisava encontrar uma maneira de voltar ao próprio mundo: ela também precisava salvar vidas à maneira dela. Mas por algum motivo bizarro, ela tinha a sensação de que conhecia aquele lugar muito bem, como se fosse uma vida passada.
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