Alegre e doloroso vinho
4 Échapper
Notas iniciais
Escrevi esse capitulo três vezes e só agora conseguir postar, wah ;^;
Decidi escrever esse cap com o POV do Ronan (antes era da Elesis, mas mudei por algum motivo desconhecido, bleh)
– Milady, por favor, se acalme. – Eu pedi gentilmente, não estava entendendo nada, o seu nervosismo e o tom desesperador em sua voz não ajudavam em nada. – Respire fundo e me conte o que aconteceu. – E assim ela fez começando a explicar sua situação depois. Então ela iria se casar? Eu deveria saber que isso aconteceria, nós somos de classes diferentes, nunca que conseguiríamos ficar juntos.
– Pense bem, milady, seu pai esta fazendo isso pelo seu bem. – Coloquei uma mecha solta de seu cabelo rubro atrás de sua orelha, o penteado tão bonito que provavelmente uma de suas servas fizera em seu cabelo estava desmanchando pela nossa correria desesperada entre as parreiras. – Pense bem, ele não daria sua mão a um empregado que mal pode se sustentar. –
– Eu prefiro passar o resto da minha vida com um empregado do que com um nobre que eu mal conheço e nem tenho vontade de conhecer. – Suspirei, ela estava sendo cabeça dura como sempre, não conseguiria á fazer mudar de idéia de forma alguma. – Eu vou fugir. – Ela disse decidida me pegando de surpresa, ela teria mesmo coragem de largar tudo e sair por ai sem nem saber em que lugar iria ficar?
– Mas fugir pra onde? – Perguntei, aquela era uma idéia um tanto absurda. Fugir? O que Elesis estava pensando? Seu pai com certeza colocaria alguém atrás de sua filha, e também, o mundo lá fora era um tanto cruel com moças como Elesis.
– Eu não sei, vou pegar algum dinheiro e algumas jóias do cofre do meu pai e vou tentar me manter com isso. – Suspirei acho que pela milésima vez naquele dia, ela nem sabia pra onde ir, como pretendia fugir assim? Eu não conseguiria tirar essa idéia da sua cabeça, então só restava uma coisa a fazer.
– Elesis, me encontre no grande carvalho depois do pôr do sol, e traga só o necessário, nós vamos fugir juntos. – E com isso, pressionei meus lábios em sua testa, deixando um rápido beijo ali e rumei para a porta do armazém. – Seja cuidadosa, não quero seu pai correndo atrás de mim tentando me matar, ou algo assim. – E sai dali pretendendo voltar a fazer o meu trabalho com as uvas enquanto me preparava mentalmente para o que aconteceria ao cair da noite.
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Eu estava parado embaixo da enorme árvore com folhas amareladas, o sol terminava de se pôr e eu encarava a fina linha alaranjada no horizonte. Mil coisas se passavam pela minha cabeça, será que ela viria mesmo? Talvez um pouco de juízo tivesse brotado naquela cabecinha ruiva. Virei meu olhar para os vinhedos e suspirei, eu com certeza sentiria falta daquele lugar, tinha trabalhado apenas alguns meses na fazenda, mas adquiri um enorme apego pelo trabalho. Admito que não é o melhor trabalho do mundo, mas saber que as uvas que eu colhia com as minhas próprias mãos e tanto carinho iriam satisfazer varias pessoas me dava uma sensação um tanto gratificante.
Aos poucos consegui ver uma silhueta carregando uma bolsa mediana se aproximando, era Elesis, ela estava com roupas bem diferentes das que ela costuma usar. Roupas masculinas bem surradas, seu cabelo estava todo escondido em uma boina.
– Onde você conseguiu essas roupas? – Ela parecia mais um empregado do que me uma lady, e por um momento, eu realmente á tinha confundindo com um.
– Eu te explico depois, consegui despistar a minha madrasta, mas não vão demorar a sentir minha falta. – Ela pegou minha mão e saiu correndo para o meio das vinhas segurando a boina em sua cabeça com a outra mão, aquilo já estava virando rotina. – Conhece bem esses vinhedos, não é? – Eu apenas assenti com a cabeça andando apressadamente entre as parreiras. – Se sairmos pelo portão, vão nos perceber, então vamos tentar passar pelos vinhedos e sair direto na estrada. –
– Mas pra onde pretende ir? – Passei por ela e parei em sua frente impedindo sua passagem, não pretendia fazer rodeios, não queria os dentes dos cachorros que vigiavam o campo durante a noite rasgando minha pele.
– Eu não sei. –Disse demonstrando um pouco de irritação, provavelmente irritada por eu ter tapado seu caminho.
– Mas eu sei. – Levei uma mão até uma de suas bochechas acariciando-a com meus dedos, e em resposta ela ficou tão corada quanto seus doces olhos rubros, aqueles olhos que me lembravam uvas grandes e avermelhadas. Sem perder tempo, juntei meus lábios com o seus em um beijo que durou apenas alguns segundos. – Vamos, milady. – Estendi minha mão á ela e saímos correndo em direção daquilo que seria nossa liberdade e única esperança.
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