Alcuhuati
3 Clareza
Notas iniciais
Seu peito rasgado apertava-se e relaxava-se, sem se decidir. Tudo isso graças a estar perante a corte de Ch'Tarael. Seu barão e sua baronesa — uma mulher muito bela que sempre que possível evitava o olhar de seu marido.
Ao seu lado, estava o antigo cavaleiro aposentado considerado herói que ao ver a aberração decidira voltar ao combate, mesmo enferrujado. As palavras do barão foram mais uma pontada em seu peito.
–Perdôo-te pelos crimes que cometera e concedo-te permissão para juntar-se -ao projeto SITSS.
Ch'Tarael era uma das únicas cidades de Drakairth que sabia o valor dessa sigla. Sir Charles salvara-o com sua indagação sem mesmo usar uma linguagem apropriada.
–Não posso declará-lo um membro de minha tropa, Visconde?
–Ah, Sir Charles. Sabe que nossas casas somente rumam em tornar-se uma. Mesmo que teve essa infortuna dificuldade em arrumar um herdeiro, tenho certeza que meu filho manterá os estandartes dos Martins.
Aquela conversa fora do assunto deixara Charles irritado.
–Deixe os assuntos sobre a família de lado e retorne ao assunto.
–Ok. Fique com ele. Não duvido de que tenha capacidade para treiná-lo.
Enquanto retiravam-se da sala, Daniel agradecera Charles, que rispidamente respondeu:
–Se soubesse o que virá a seguir, arrependeria-se de eu ter lhe escolhido.
Longe da corte, Charles montou em seu cavalo. Um garanhão branco com uma pelagem de tom avermelhada, assim como seus cabelos. Fez um aceno e um homem trouxera um cavalo para seu novo recruta.
Cavalgaram até uma tenda de aspecto bem feita, perto dos limites da cidade. No lado de fora, alguns homens treinavam com espadas de madeira, mas todos pararam para cumprimentá-lo. Entraram nessa tenda. Havia uma mesa com mapas e outras coisas sob a luz de um candelabro. Em volta dela, estavam três homens. Dois homens pareciam ser poe mas o outro, mais velho do que Charles. Este vestia uma roupa da cor oposta de seus cabelos; um traje preto com um brasão de um tigre branco.
–Este é seu novo recruta?
Perguntou um dos de trinta. Tinha o cabelo marrom e vestia uma cota de malha simples. Era notável que estava segurando sua risada.
–Exato. Algum problema?
–Digamos que parece ser meio fraco...
Quem respondeu foi o outro. Ambos eram extremamente similares um ao outro, a única diferença era que esse em vez de ligas de anéis trajava couro.
–Então o tornem forte. Lucas, Pietro e irmão. Me ausentarei por hoje.
–Isso tem haver com aquela criatura ainda?
–Dois anos e nenhum de nós teve coragem de passar por ali. Devo verificar se aquele posto ainda está a ativa, agora que estou de volta.
Simplesmente deixou a tenda, montou seu cavalo e seguiu enquanto a luz da manhã ainda permanecia posta no céu. O tal "irmão", como Charles tinha se referido a ele, dirigiu a Daniel uma indagação.
–Olha, para ser sincero não sei o motivo de meu irmão ter feito tudo isso por ti. Mas deve ter um motivo específico para decidir treinar um homem do zero.
–Senhor, não é do zero.
–Claro que não — comentou o vestido de couro, pelo que entendeu chamava-se Pietro. -ele é da nossa idade, deve possuir alguma noção de luta, apesar de seu corpo não ajudar.
–Consiga-me uma besta ou algo do tipo. -falava com uma expressão rancorosa -Verá essa noção.
–Vamos ver se este rapaz presta para algo -disse o outro, Lucas, chamou um dos soldados e pediu para conseguir o que fora pedido. Quando alcançou a arma, e Daniel carregou-a, virou-a para o lado onde estava Pietro e disparou, sem mirar. A seta passou zunindo pela orelha do homem e parou na lona da tenda. Lucas soltou uma gargalhada sem graça, o irmão de Charles, apladiu. Mas Pietro apenas ficou quieto. Já Dan, estava praguejando.
–Uma ótima pontaria senhor. Perdoe-nos pelo pré conceito. A principio chamo-me Adam. Adam Martin. Fui escolhido como conselheiro para o exercito que meu irmão está montando, pois apesar da idade, meu amplo conhecimento na arte da guerra não deve ser desperdiçado. Pode contar com aquele da esquerda -Apontara para Lucas. -Pada o treinamento relacionado ao corpo a corpo. O gêmeo dele, Pietro, pode ajudar com as questões relacionadas a pontaria também, apesar de que acho que não necessita.
–Sou Daniel Schwartz. Mas não é pra tanto. Era pra seta tê-lo acertado.
Perto daquele fosso, Henrique acabara de, contra sua vontade, acampar perto da região. O mago dormia pesadamente durante a noite, algo que poderia levar à sua morte, e que se dependesse de Henrique, levaria.
Apesar das condições de que se encontrava, todo cuidado era pouco. Henri ficara sentado perto dos cavalos amarrados bebendo um vinho. Aparentemente "de guarda". O mago pegara suas trouxas e as ajeitou em baixo da cabeça. Ignorava o mato que perturbaria qualquer um. Repousou odre de vinho e sorrateiramente caminhou enquanto empunhava a espada da mão direita. Estava a dois passos de se ver livre e continuar a seguir seu rumo. Quando estava pronto para abrir o rasgo em sua garganta, algo que por algum motivo aquele colar estranho não impedia, um grito alto o bastante fez os olhos do mago abrirem-se. O mesmo que se levantou. Passou algumas dezenas de segundos até finalmente seus lábios moverem-se e projetar algum som.
–Um wendigo!
–O quê?
–Nunca ouviu as lendas?
O mago bocejou e coçou sua cabeça.
–Claro que já. Aqueles seres que com fomes se alimentaram do cadáver de outros...
–Bem similar a ti, não acha? -Henrique calou-se após este comentário do mago. -Então o que acha que o separa de ti? O sangue? Estas lendas estão erradas. Os wendigos não descendem dos humanos, são uma raça própria. Criaturas que para matar suas fomes imitam gritos de outras para atraírem e as devorar. Eles não julgam as espécies, devoram qualquer uma. Bem mais evoluídas que os humanos.
–Concordo. -Desembainhou sua espada e foi pegar seu odre de vinho novamente.
–Mas a questão é: Por que estariam aqui? Que eu saiba Drakairth manteve-se implacável e destruiu praticamente qualquer espécie ou inteligente, ou perigosa. Apesar de por ser inteligente, julgam perigosa. -Levantou-se e começou a se alongar. -Diga-me uma coisa, o gosto do sangue humano é tão apetitoso para atrair criaturas de uma região tão distante até aqui?
–Não. Há muitos melhores. Por exem... -o mago não o deixara continuar, interrompendo-o.
–Porquê recentemente estou recebendo dezenas de chamados frequentemente dos moradores desta região. Está se tornando lucrativo viver nesta área mesmo tendo de viver com estes seres atrasados. Mas a sua moeda vale tanto por aí... -Procurou em sua trouxa algumas daquelas pedras estranhas e colocou-a novamente em suas costas. -Vamos seguir o barulho dele.
Henrique guardou o odre e ambos montaram nos cavalos roubados.
–Como sabe onde ele está?
–Apenas sei. Nunca siga a direita. Há um posto de controle lá.
E assim seguiram. Mesmo sendo um riacho escasso, era largo. Uma trilha de cadáveres de animais, humanos, e alguns nem Henrique reconhecia de primeira. Não conversaram durante todo o trajeto. Não conheciam muita coisa um sobre o outro, apenas presumiam. Mas essa presunção era suficiente. Após um certo ponto, ouviram um grito. Dessa vez não fora algo humano. O grito ecoou e os ouvidos de ambos encontravam-se em uma súbita agonia.
O cavalo de Henrique empinou e fugiu, enquanto ele por pouco não caíra em uma enorme cratera circular que havia ao seu lado, esta que ele não tivera tempo de prestar atenção.
Mas ele não fora o mais azarado. Quando recuperou a consciência e Levantou-se, enxergou o mago em baixo de metade de seu cavalo. Suas túnicas encontravam-se praticamente destruídas, manchadas pelo sangue. Mais adiante estava o resto do animal. Mesmo sabendo de que o gosto de sangue de cavalo não era nada muito apetitoso, sentiu-se tentado. Estava há alguns dias sem se alimentar.
Um ser que parecia uma mulher nua, porém com uma grotesca pele. Suas pernas assemelhavam-se às de águias. E as garras, manchadas de sangue do cavalo. Vindo de seus estendidos braços havia asas, o que a fazia voar. Devia estar seguindo para o mesmo caminho que o wendigo, mas agora que os avistou iria matá-los. Mergulhava em súbito ar em sua direção para o atacar. Henrique em reflexo desembainhou ambas as espadas e colocou-las sobre sua cabeça com ambos os braços estendidos. Mas a harpia, como Henrique conhecia aquele tipo de ser, o atingiu pelas costas. Mas mal arranhou seu sobretudo. Talvez o mago estranharia e logo começaria a questioná-lo, mas naquele momento, mal pode notar. Mesmo em meio ao som estridente conseguiu ver o mago em posição de combate e a harpia no chão,
também preparada para atacar. Com as garras, a harpia tenta um ataque, mas com maestria, o mago esquivou.
Henrique percebeu que ele possuía muito conhecimento sobre luta, algo já esperado. Ele pegou uma daquelas pedras e estendeu em direção à harpia.
Por um instante, o grito parou. Henrique não conseguia respirar e o mago, com a outra mão sacou uma diferente e a apontou.
O ar retornou a seu pulmão, mas a harpia continuava silenciada, com os braços caídos e sem reação. Mas ainda continuava de pé. Não precisavam de nenhum dialogo entre ambos para Henrique entender que era sua vez. Aproximou-se e logo agiu. Preparou um golpe, com suas duas espadas, uma para cada lado oposto na linha do pescoço da harpia. Moveu-as para as lâminas encontrarem-se como um beijo. Quando ambas tocaram uma na outra, a cabeça da harpia simplesmente deslizou para frente.
Mas Henrique subestimou os sentidos do mago.
–Aquele golpe deveria ser suficiente para arrancar seu braço. Não parece estar vestindo nenhuma armadura.
Mas estava. Apesar de seu sobretudo ser leve e não interferir em nada sua movimentação, era resistente como aço. Do que era feito, nem Henrique sabia responder direito.
Comprou-o de um estranho comerciante que ficava nas regiões próximas a muralha de Drakairth, ao norte, perto da praia onde habitava os trasgos.
Na verdade, ao leste daquelas enormes muralhas ondulares, mantidas por milhares de arqueiros, havia muitas civilizações de pessoas que abandonaram a humanidade, simplesmente por não concordar com sua ética. Eram chamados de bárbaros informalmente.
Mas o viajante ficava ao norte. Apenas alguns quilômetros da civilização dos trasgos, um amontoado de tendas tribais. Apesar de serem "atrasados" deviam ter cuidado com eles, existe mais de dez milhões. Por sorte desse comerciante, que aparentava ser humano, eles não costumavam explorar a região.
Em sua memória, o homem deveria ter quarenta anos vestia um manto, sua pele era escura e tinha feições fortes tinha uma cabana cheia de caixas empilhadas de coisas. Nem tinha espaço para ele dormir, apostava Henrique.
Oferecera distintas coisas para Henri, mas o que aparentava ser mais quente era o sobretudo que traja até os dias atuais. Quando Henrique perguntou do que era feito, o mercador logo respondeu:
–Couro de wyvern costurado com fios de linha élficos, além de uns ajustes especiais.
Era caro demais. Mas Henrique era um homem que não tinha ouro, mas sobre sua pele nua tinha muito frio. Mas o homem disse algo estranho. "Um dia voltarei para buscar a quantia de você, mas por agora o pegue, filho. Acabe com seu frio!
E o instinto falou mais alto. Apesar de aquilo ter salvado sua vida várias vezes, esta agora mais uma. Perguntava-se o homem teria morrido, de velhice ou então até assassinado, se um dia voltaria para buscar o tal dinheiro ou se foi a única vez que alguem fora gentil com ele.
O som de um cavalgar o tirou de suas lembranças, e os dois tiveram de se esconder em meio a vegetação que havia do outro lado do riacho.
–Teremos de passar por aqui antes de deixarmos Drakairth -Disse o mago.
Após o som do trote do cavalo sumir enquanto seguia ao sul, a esquerda que o mago prevenira. Mas mesmo sem o som do cavalo, aquilo nunca deixaria de ser silencioso. Ouviam som mais estranho. Por fim, encontraram uma cabana. Feita de uma madeira bruta, mas ainda muito bem construída. Por ser no meio do mato, poderia acabar sendo um abrigo mais do que perfeito, mas só havia um problema. Pra ser exato, vários. Era cada criatura diferente que a cercava...
Seres quadrúpedes, ou ao menos pareciam ser pela sua coluna torta. Era possível enxergar de longe seus ossos e crânios. Parecia um humano mais animalesco, provavelmente os wendigos.
Havia também um que parecia com um pequeno lêmore com um aspecto de ave, era difícil descrevê-lo. Estes Henrique conhecia por gremilins.
Um monstro gordo de três olhos com tetas que lembravam as de uma mulher, assim como um estranho cabelo de serpentes. Górgonas.
Também havia harpias, chupa-cabras e até um cérbero, assim como outras que Henrique não foi capaz de reconhecer. Talvez o mago sabia. Mas o que mais atraía a atenção era o fato de a cabana continuar intacta mesmo com tantos monstros. Nenhum atrevera a aproximar-se.
Mas por seu infortúnio, ou talvez um erro que poderia ter sido evitado. Mas não tiveram tempo para pensarem nos detalhes.
O cérbero fungou. Todos abriram passagem para o animal gigantesco. Seguia o cheiro do cavalo, percebeu Henrique. Ele podia simplesmente se esconder, o cheiro de wyvern passaria despercebido.
Era o que ele desejava ter feito. Mas aquele maldito colar... Não é possível que algo tão básico pudesse o atrapalhar tanto. Ou então fora vacilo seu. Mas se fosse ou não, gracas àquilo, acabaria morrendo ao lado do mago.
Talvez ele pudesse usar aquela mesma técnica que usou na harpia. Pelo que Henrique entendera, deixou a área em torno sem oxigênio. Mas uma vez com seu rastro descoberto pela criatura, não adiantava mais. Ficar em meio a floresta poderia ter mais chance. Mas Henrique conseguiria ver nos olhos do mago, mesmo parecendo estar relaxado, ele não tinha o que fazer.
A respiração do animal oscilava em sua pele vindo de meio às árvores. Henrique sacou as espadas, mesmo que fosse em. vão.
O animal tinha abrido caminho em meio as árvores e preparava para atacar um dos dois. Era o dobro de sua altura. Suas três cabeças eram sem peles, com uma coloração de carne podre. A do meio e a da esquerda, iam se aproximando cada vez mais dos dois. A da direita, virou para trás rosnando, afastando os outros seres.
Subitamente a porta da cabana abriu-se. De dentro da cabana uma estranha luz emanava direcionando-se para fora. Quando a fera sentiu os feixes de luz em sua face, subitamente esqueceu dos dois. Recuou e encolheu-se como um cachorrinho indefeso. Todas as outras criaturas fugiram. Para volta ao mato, ou de onde quer que elas vieram. Henri também de fato sentiu-se intimidado perante àquela estranha o luminosidade, mas não amedrontadfôraomo as outras criaturas, obviamente.
Flutuando em meio àquela luz, um ser vinha. Não possuía corpo, apenas aquela luz formando algo meio humanóide. Conseguíam vê-lo pois por algum motivo a clareza não incomodava sua visão. Além de que a criatura era um tanto quanto transparente.
Uma chance não deve ser desperdiçada. Isto era parte da ideologia de Henri que ele guardava para si. Sacou as suas duas lâminas finas. Mesmo sentindo o odor de aço desembainhado, a luz intimidava tanto a fera que ela não se moveu. Henrique arrancara sem esforços a primeira das cabeças, mas isso foi o suficiente para criatura voltar para si e reagir. Avançou mesmo com o pescoço esquerdo ensopado de sangue na direção de Henrique.
Suas garras chocaram-se em suas espadas. Henri fôra forçado a recuar. Em uma das investidas do animal, teve que colocar suas espadas em cima da cabeça para tentar bloquear sua mandibula de avançar contra ele. Caiu. Rastejava para trás em meio ao mato tentando afastar a criatura.
Em uma das muitas tentativas de mordidas que a besta desferia, Henri conseguiu observar algo voando na direção da boca do monstro. Ele a engoliu e logo começou a tossir. Tentava rosnar ou produzir qualquer tipo de som que seria produzido. Mas em vez disso apenas saia sangue de sua boca. Era possível sentir cheiro de queimado ali em volta. Henrique tentou aproveitar a chance para desferir um golpe final nesta cabeça da fera, mas ela ainda conseguiu acertá-lo com um corte usando suas garras. Henrique voou para trás com o impacto e quando ver os olhos da criatura já estavam brancos. Ao lado dela estava o mago, apontando outra daquelas pedras e terminando de conjugar um dos seus ritos. A cabeça ferida simplesmente pendeu para baixo, provavelmente morta, e a última que restou fora em direção ao mago. Este tentou sacar mais uma, mas a criatura era bastante forte para ele, que nem somente vestia uma túnica. Levou uma mordida no ombro. Mesmo se a criatura não arrancar, poderia até perder o braço se não for logo tratado, pensou Henri. Mas antes de ela realmente arrancar o braço, aquilo estava claro demais. Estava iluminado. Mais uma vez aquela visão estava ao seu lado. O cérbero novamente amedrontou-se, e a visão apenas estendeu uma mão, como se fosse fazer carinha na última de suas cabeças. E fez, a única diferença é que ela caiu também após isso.
Henrique levantou-se e se aproximou do ser.
–O que é você? -Perguntou, mas não obteve resposta. Pelo menos não vindo da criatura, ela apenas ficou observando-o mesmo sem olhos. Fora o mago que respondeu.
–Um Qhali. — Henrique sabia que o mago estava esperando que ele indagasse o que havia falado para continuar. Mesmo em um dia já se desenvolvem hábitos. Após o fazer, ele continuou. -Um ser feito de luz e energia que seguem o bem. Não era pra existir algum aqui. Eles habitam uma dimensão paralela e existe um para cada ser que aqui habita, com excessão de alguns. Eu e você devemos estar incluídos.
–Tipo um anjo.
–Talvez. De onde eu vim não cultuamos anjos. Procuramos sempre a verdade. Mas devem ter sido baseados destes seres. -De onde ele veio. Esta era uma questão que perturbava a cabeça de Henrique desde que viu um humano que usava magia, há menos de dois dias atrás. Ele voltou a se virar para o anjo e tentou contato: -Você consegue nos entender? -A criatura não respondeu. Continou sem reação. -Deve ser a primeira vez que vê um humano. Mas não faz diferença nenhuma. Eles têm aprendizado rápido.
Uma das coisas era certa. Não fazia sentido uma criatura que habita um plano diferente estar ali. Se ela existia por um ser que habitava ali, o que a faria estar no mesmo plano que o ser? Onde ele estaria agora? Mas decidiu não fazer questões. Somente perguntou uma coisa:
–Não pretende ensinar esta criatura que acabou de encontrar somente para te beneficiar nesta porra de caminho até o lugar que quer me levar que se recusa a falar merda nenhuma sobre?
Ironicamente, como se soubesse, esta foi a resposta do mago:
–Uma chance não deve ser desperdiçada.
Fale com o autor