Além do Mito

1 Silêncio Quebrado


Saara, nas suas tenebrosas noites um silêncio aterrador predomina, onipresente como um deus, aonde quer que um indivíduo vá, lá estará ele, ostentando seu poder sobre aquele mar de areia, observando qualquer um que seja extremamente louco, ou talvez verdadeiramente são, para enfrentar a imensidão do vazio que ocupa o deserto e o vento gelado que corre pela infinidade arenosa tão rápido quanto o bater de asas de um beija-flor e corta as almas dos pobres mortais tal qual um fantasma, deixando-os como se estivessem despidos, não importando quantas túnicas o condenado esteja usando, sim, pode-se chamar quem por ali caminha de condenado, pois, se lá fica por mais de três dias, morrerá louco, graças à solidão, ou de frio, graças ao vento.

Aquela noite não era diferente das outras, o único som que se ouvia era o dos grãos de areia se arrastando e voando ao sabor vento, ao ignorar esse som da natureza em harmonia também era possível ouvir os leves porém rápidos passos dos besouros escondidos sob a areia, até que o sagrado silêncio do deserto foi profanado pelo industrial e diabólico som de um tiro. Além das nuvens de areia, que se erguiam do chão sem cessar jamais, era possível enxergar a silhueta de um homem com uma pistola na mão, tinha aproximadamente 1,65m, era muito magro e essa característica era realçada por causa de suas roupas folgadas, tinha um nariz comprido com um bigode enorme no melhor estilo Nietzsche bem abaixo e usava um chapéu panamá com a aba amassada, não dava pra ver em quê, ou em quem, o homem tinha acertado o tiro, mas era possível ver a fumaça saindo de sua pistola.

A misteriosa figura continuou ali, imóvel, sem mover nenhum músculo desde que deu o tiro, com excessão de quando recarregou a pistola logo depois de usar a arma. Uns 10 minutos depois de recarregar sua pistola, o homem começa a gritar palavras incompreensíveis com sua voz cavernosa. Quando para de gritar o magrelo bigodudo começa a falar, ainda com seu tom de voz cavernoso, de um modo bastante agressivo, com pausas curtas entre uma frase e outra:

"Agora que está morto não pode mentir para mim, animal!!!"

"Me responda agora: Quem matou aquele pedaço de estrume do libanês?"

"Como assim você não pode contar? Você estava lá!!!"

"Hum, votos de silêncio, entendo..."

"Que outro medíocre estava naquele monte de merda deplorável?"

"Peter? Peter Wiegen? hahaha, agora as coisas estão ficando divertidas..."

O bigodudo de chapéu amassado agora andava em linha reta se escondendo por entre as nuvens de areia até que, aparentemente sem motivo, grita "Volte pro inferno, Filho da Puta!!!" e dá um tiro para o alto, desaparecendo de uma vez por todas entre os grãos de areia flutuando no ar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.