Além do Jardim
1 20 de Abril de 2013
Notas iniciais
Amerigo Vespucci Airport
Tenho 28 anos, sou italiana, mais especificamente, nasci em Toscana, clara, olhos castanhos escuros, cabelo preto, nada que chame atenção. Sou muito independente e toco meu próprio negócio, viajo umas 6 vezes por ano e posso dizer que busco me realizar cada vez mais profissionalmente. Estou com um vestido branco leve, bem solto, quase que praiano, um óculos de sol. Prendi o cabelo em coque alto, coloquei uma mochila pequena nas costas, isso é até mais do que eu preciso.
São exatamente 6:35 AM quando o avião decola, e aqui estou eu novamente rumo ao Keukenhof, em Lisse, Amsterdã. E sinceramente não há nada que me dá mais tranquilidade do que estar a 11 quilômetros acima do nível do mar, passeando pelas aerovias, dentro das nuvens, sabendo que posso cruzar o mundo em apenas 1 dia e meio se necessário. Não há nada mais libertador do que saber que posso fazer tudo isso, sem me preocupar em ter que voltar para o meu apartamento ou ter alguém me esperando.
Alguns passageiros apertam com um pouco mais de força os apoios por medo de voar, já outros simplesmente pela sensação da subida. Observo com mais atenção o meu redor, não me surpreende o fato de que o voo está lotado, visto que essa é uma das melhores datas para se visitar o parque de Tulipas. Muitas famílias com crianças, fotógrafos, apreciadores ou apenas visitantes de primeira viagem.
São apenas 2h e 25min aproximadamente de voo, então peço a uma das aeromoças um vinho porto Graham's Tawny 10 years old para acompanhar o um saboroso quark (a coalhada cremosa holandesa), apenas detalhes indispensáveis da boa e velha gastronomia. Saboreio tudo de forma contemplativa, como sempre, com ares de critica gastronômica, porém para fins prazerosos.
Pretendo aproveitar ao máximo minha curta estádia em Lisse, então após o Breakfast, relaxo, fecho os olhos e começo a planejar a minha agenda, mesmo sabendo que não vou segui-la. Gosto de ter uma rotina, ter regras, por que amo quebra-las, é contraditórios, porém emocionante. Minha nona costumava dizer que 'a vida é curta, porém bela, difícil, mas prazerosa, cheia de problemas, mas também de alegrias, tudo depende de você'. Essa é um dos princípios que regem a minha vida e que me definem.
Você deve estar se perguntando o que vou fazer lá no Keukenhof. Aqui vai um pouco mais sobre mim. Sou fotógrafa, por hobby e por amor, as paisagens de Lisse são lindas e os românticos casais são graciosos, posso dizer que uno o útil ao agradável. Além disso, é uma ótima oportunidade de conhecer pessoas de diversos países, culturas e costumes, para mim isso é conhecimento, o que sempre é bem vindo. E eu? Eu sou uma nuvem. As nuvens vão para onde querem ou pra onde o vento manda, são livres como os pássaros, porém não precisam de asas pra voar, observam diversas vidas ao longe, mas não podem interferir nelas.
Começo a sentir meu corpo pesar e é o sono que está me tomando, me permito descansar. Cerca de 1h e meia depois eu acordo, quando o Comandante avisa que devemos colocar o cinto, porque vamos pousar. Aguardo o pouso, recolho minhas coisas e faço o desembarque no AeroportoAmesterdão-Schiphol, por sinal muito agradável. Caminho calmamente até o ponto dos taxistas, uma senhora muito educada e sorridente me oferece uma corrida, a qual aceito. Começamos a conversar e ela se mostrou apreciadora das artes naturalistas, em particular, as pinturas de William Bliss Baker, foi incrível e surpreendente saber mais sobre essas pinturas e suas histórias, tanto que é que o percurso se tornou rápido.
Ao parar em frente ao Hotel Oude Pastorie, agradeci muito a Dona Anelise por conhecê-la e por compartilhar um pouco do seu conhecimento comigo durante aquele breve período de tempo. Retirei minha bagagem do porta-malas. E fui novamente a ela para realizar o pagamento.
— Muito obrigado pela conversa também, querida. Você também é muito encantadora e tem um jeito único, posso lhe afirmar que me trás a memória uma de minhas filhas que amo muito.
— É lisonjeiro da parte da senhora, mas uma vez, eu que agradeço. – digo de forma sorridente.
— Durante toda conversa, não lembro que tenha me falado seu nome...
— Realmente eu não falei... sinceramente, eu não me importo com nomes, pode ficar a vontade para me chamar como quiser.
— Tem certeza? – Ela me pergunta com uma expressão de que está confusa.
— Absoluta.
— Então até mais Aliet.
Entro no hotel e faço o check-in, subo para o meu quarto com uma única sensação no peito, estranha e emocionante, de que é aqui que começa algo novo.
"As borboletas tem apenas um dia de vida, mas sabem viver da melhor maneira. Vão pra onde querem mostrando a sua delicada beleza, a qual nem sempre é apreciada por todos, mas o que importa é o que ela é e não o que pensam dela."
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