Além do Caos

3 Capítulo 3 - Futuro.


— Dia (1)

Não entendia como isso poderia estar acontecendo. Fui um tolo em imaginar que já entendia tudo do meu poder. Afinal, talvez eu não seja capaz de pular unicamente no espaço, mas sim no tempo e como consequência, no espaço. Quem garante que quando pulamos para Paris não pulamos para um, dois dias anteriores... Ou até mais...

Estava com medo. Ter meu nome atribuído ao de Albert Einstein me fez pesquisar um pouco a respeito do trabalho do cientista e uma coisa que posso garantir é que mexer com o tempo é arriscado. Pisar em uma borboleta que não tinha sido pisada dois dias atrás pode resultar em uma catástrofe.

Para piorar, eu já estava caminhando em direção a essa catástrofe. Pulei no tempo e modifiquei a conversa que tive com Layla, pensava enquanto subíamos as escadas para seu quarto. Se tudo correr como o esperado ela deve tentar fazer... Aquilo.

“Droga!”, pensei. Já havia feito a burrice de rejeitar Layla uma vez e teria que fazer de novo?

Chegamos ao seu quarto e sentei-me em sua cama e, como da outra vez, fui direto ao ponto:

—Layla, venho sentindo algo estranho...

Como da outra vez ela colocou a mão sobre minha boca, isso me deu tempo para tentar relembrar minhas palavras da outra vez.

—Layla, você é minha melhor amiga. Você pode contar comigo para tudo!

Ela então colocou a mão sobre minha calça. Tudo estava se saindo quase como o programado, exceto... Eu não tinha adrenalina em meu sistema. Já tinha visto tudo aquilo acontecer, era como assistir a um filme duas vezes. Ignorei isso no momento e disse:

—Eu venho sentindo algo estranho...

Então ela colocou a minha mão sobre sua perna e disse em meu ouvido:

—Eu também sinto algo estranho...

“Merda!”, pensei. Essa não foram suas palavras da ultima vez. Ao menos isso servia para trazer adrenalina ao meu corpo, estava nervoso. Por um segundo parei para pensar o que poderia acontecer caso a adrenalina não fosse suficiente... Se eu não pulasse para Paris, não descobriria meus poderes e então eu nunca iria ter pulado para cá! O que iria acontecer comigo?

Decidi-me que iria trazer o máximo possível de adrenalina a aquele momento. Segurei Layla pelos ombros e joguei-a na cama. Ela sorriu, colocou a mão em minha nuca e fazendo carinho, puxou meu rosto próximo ao dela, beijando-me. Ela começou a desabotoar sua camisa e eu tirei a minha. Foi nesse momento em que tudo saiu errado, pois ela olhou o mais fundo possível dentro de meus olhos e com seu lindo sorriso disse:

—Eu te amo.

Meu mundo desabou. Eu a amava, mas não estava fazendo isso por amor. Estava fazendo isso por medo. Não podia prosseguir. Então, levantei-me da cama, olhei para ela e disse:

—Eu também te amo, Layla. Mas... M-mas o que estou fazendo não é certo. Te prometo que vou arrumar as coisas.

Pensei em sair correndo do quarto, mas não tive tempo. Ela segurou minha mão e disse:

—Quem é você?

A pergunta me assustou, mas com um tom de pergunta respondi:

—E-eh? Sou eu, Al...

Em questão de segundos ela retrucou:

—A conversa de hoje não deveria ter se saído assim.

Estava confuso então perguntei:

—O que você quer dizer?

Parecia que Layla olhava dentro de minha alma quando ela falava. Seus olhos estavam fixados nos meus e eu não ousaria desviar o olhar. Após um período de silêncio, Layla disse:

—Desde dois dias atrás... Desde... O acidente... Eu venho tendo sentimentos sobre o que vai acontecer. É como se eu... Como se eu visse o futuro... Sabia que essa conversa iria acontecer...

Eu sabia! Layla também foi afetada pela explosão. Consegui a resposta que tinha vindo buscar na primeira vez em que estive aqui. Layla prosseguiu:

—No começo eu achei que era somente uma espécie de sentimento, mas depois de um tempo percebi que tudo que eu sentia, realmente acontecia... Isto é, tudo até essa conversa...

—O que quer dizer?

— Bem... Essa conversa se saiu totalmente diferente do que eu tinha visto... E existia uma parte em que eu não conseguia ver mais...

Ah! Deveria ser a parte que nós pulamos para Paris! Isso quer dizer que o pulo para lá não foi algo determinístico? Foi algo imprevisível? Seria meu poder tão caótico assim?

—Alby...?

Ela percebeu que havia algo de errado comigo também e sabia que ela também merecia respostas, então contei tudo a ela... De Paris até o momento de agora. Enquanto contava as coisas percebi que uma hora havia se passado, o tempo estava além do momento em que fiz o pulo com minha bicicleta. O passado havia se tornado o futuro.

Notas finais
Olá povo! Tudo em cima? Só lembrando que comentários são sempre bem vindos ^^