Notas iniciais
https://www.youtube.com/watch?v=PKNUBQvsIvs

Por Rachel

Hoje em dia existem poucas coisas que me encantam. Eu poderia enumerar falando sobre a Broadway, sobre Barbra, sobre NY. Bem, elas deixaram de ser tão significantes pra mim. Então, eu conheci Quinn Fabray. Digo, claro que eu já conhecia, mas não de verdade, não além da superfície. O sorriso de Quinn me encanta. A voz de Quinn me encanta. O beijo de Quinn me encanta. Mas, o corpo de Quinn... Ele me paralisa, me hipnotiza. Eu posso ficar horas encarando-a sem roupa. É a coisa mais perfeita que existe nesse mundo, eu tenho certeza. Aliás, eu não posso passar horas encarando. É impossível. Meu corpo queima quando eu a tenho assim. Mais ainda.

Traço os dedos suavemente em seu abdômen, deixando algumas mordidas travessas. Minha namorada suspira, enquanto sua pele se arrepia contra a minha. Paro na parte inferior de sua barriga e ela põe os joelhos em cada lado da minha cabeça, instantaneamente. Eu sorrio, orgulhosa por saber todos os pontos fracos da loira. Escuto um barulho e solto um grunhido em resposta. Quinn vira a cabeça para o lado.

– Não atenda. – Peço.

– Pode... Pode ser importante. – Respira com dificuldade. – É Santana outra vez.

– Eu não vou parar. – Aviso, voltando para minha obra de arte. Quinn deixa escapar um gemido baixo.

– Oi. – Fecha os olhos, colocando o aparelho no ouvido. Eu mordo a parte anterior de sua coxa. – Hm... – Seus dedos fecham no lençol. – Mas vocês discutiram? – Pergunta em uma voz falha. – Subo um pouco mais, sugando todo o local. – Ahr... – Arqueia um pouco as costas. – Estou ouvindo. – Sussurra. Eu levanto uma sobrancelha e deixo um beijo suave em seu ponto pulsante. – Puta que pariu. – Solta. Eu rio, repetindo o gesto. – Não, não é... Não é com você e... Santana, eu preciso desligar. Tchau.

A loira joga o celular para o lado e levanta por cima de mim, unindo nossas intimidades. Eu prendo o lábio com força. Sua mãe está em casa e não podemos fazer muito barulho. Quinn se apoia, segurando minha perna esquerda e começa um movimento deliciosamente irresistível. Eu posso ter um orgasmo só em sentir sua necessidade com isso. Ela me aperta e se move cada vez mais rápido. Coloco um travesseiro no rosto, tentando abafar meus sons, mas ela tira, me encarando de forma intensa. Meu corpo estremece com seu olhar e explode em prazer. Eu sei que ela está chegando perto quando seu gesto fica quase que desesperado. Ela morde meu joelho e deixa seu corpo suado cair por cima do meu.

– Se continuarmos assim, eu dormirei em todos os treinos das Cheerios. – Avisa. Eu viro os olhos, sorrindo.

– Você quer dormir? – Provoco.

– Querer eu não quero. – Se aconchega em meus braços. – Foi um dia cheio, cansativo. Tomamos banho de piscina. O cloro não te deixa sonolenta?

– O cloro teve outro efeito em mim. – Nós rimos. Eu bocejo preguiçosamente. – O que Santana queria essa hora?

– Você acha que eu consegui prestar atenção? – Protesta.

– Não muito. – Beijo sua cabeça. – Será que ela fez as pazes com Britt?

– Se elas fizeram as pazes ou não, uma coisa é certa: Não dormiram juntas hoje. – Pega o celular novamente. – Aqui. Ela ligou seis vezes.

– Melhor retornar?

– Melhor esperarmos até amanhã. – Esconde o rosto em meu peito. – Me põe pra dormir. – Segura minha mão, levando-a para seu cabelo.

Por Quinn

Abro os olhos, franzindo a testa com a claridade em meu rosto. Rachel sorri travessa e pula em cima de mim na cama. Diferente de ontem, não tem desejo em seus beijos, só carinho. Esqueço a luz entrando em meu quarto e me deixo relaxar com a morena. Nós ficamos na cama, namorando um pouco.

– Professor Schue disse que nenhum professor nos daria falta se perdêssemos o primeiro tempo de hoje. – Traça minha barriga. — Eu duvido que alguém do Glee, além do Artie, apareça por lá agora.

– Quer faltar também? – Ela assente. – Tudo bem. Mas, a tarde iremos.

– Sim. – Põe a cabeça em meu peito. – Papai me ligou nos chamando para almoçarmos lá.

– Claro, só preciso avisar a minha mãe. – Sorrio.

– Eu teria que trocar de roupa de todo jeito. – Passa a mão no cabelo. – Oh, meu Deus. Meus dedos nem entram aqui. – Solto uma risada sonora. – É sério, Q. – Se senta, procurando o espelho. – Eu deveria ter lavado assim que chegamos.

– Eu falei, mas você estava apressada para fazer outra coisa. – Ela levanta a sobrecelha.

– Vou me lembrar disso da próxima vez, ok? Lavaremos o cabelo e dormiremos. Sem comemo...

Eu a interrompo com um beijo. Ela suspira em minha boca. Levo a mão em sua nuca e começo a rir ao sentir seu cabelo totalmente embaraçado. Rachel dá uma tapa em meu braço.

– Auuush. – Continua me estapeando. – Para, Rachel. – Rio.

– Vou precisar cortar isso. – Choraminga.

– Não vai, amor. – Deslizo meu nariz no dela. – Toma um banho e põe uma roupa minha. Vou preparar algo para comermos e avisarei a mamãe sobre almoçarmos com seu pai, ok?

Nós levantamos. Eu entrego uma roupa para ela e ela vai para o banheiro, enquanto desço, procurando minha mãe. Vejo um recado na geladeira, dizendo que já saiu e que só voltará mais tarde. Eu mando uma mensagem para o seu celular, avisando-a. Preparo nosso café da manhã e vejo meu celular vibrar. Eu desbloqueio, achando que era ela respondendo.

Você irá agora para a escola? – Santana.

Não e você? – Q

Voltando a dormir. Boa noite. – Santana.

Eu viro os olhos, rindo. Mas, lembro que não conversamos direito ontem e ligo para ela.

– O que é, Fabray? – Resmunga.

– Como você está? – Prendo o celular no ombro.

– Com sono.

– E Brittany?

– Deve estar com sono também. – Eu bufo.

– Vamos lá, San. Me ajude.

– Estou cansada. Nós brigamos, conversamos, ficamos bem e ela foi para casa. Pronto.

– Ficaram bem e ela foi pra casa? – Repito, escutando o suspiro da latina do outro lado.

– Eu que pedi, tudo bem? Ainda estou chateada, não estava no clima.

– Uou, Santana Lopez não estando no clima. – Tento brincar. – Ok, desculpe.

– Podemos conversar mais tarde? Eu realmente preciso dormir.

– Não tem problema.

– Desculpe por interromper a sessão de sexo ontem. – Sinto meu rosto corar.

– Até mais tarde, ok? – Ela ri baixo e meu coração se aperta. Gostaria de ouvir sua gargalhada, mesmo que fosse rindo de mim. – Fica bem, por favor.

– Ficarei. Beijo.

Sinto os braços de Rachel me abraçarem pela cintura e apoio minhas costas nela. O cheiro do meu shampoo em seu cabelo não é algo que eu prefira, porque eu perco o seu cheiro próprio, mas é bom de qualquer jeito. Frannie desce correndo e come rapidamente, nos parabenizando pela apresentação. Elogia Rachel, diz que viu Karofsky saindo de relance e vai embora para o trabalho, se desculpando pela pressa.

– Qual seu pressentimento dessa vez? – Pergunto, mastigando um pedaço de panqueca. – Sobre David.

– Não sei. – Coça a nuca. – Não consigo pensar em algo.

– Ele estava estranho ontem.

– Demais. – Suspira. – Não podemos esperar nada, certo?

– Não podemos. – Beijo sua mão.

Por Rachel

Quinn estaciona o carro na frente de minha casa, reclamando do trânsito. Eu rio da loira, que me prende entre a parede e seu corpo, me olhando firme. Sinto minhas pernas bambearem. Quinn segura minhas mãos e as leva para cima da minha cabeça, enquanto une nossos lábios de um jeito torturante e demorado. Ao sentir sua língua entrar, minha força volta e eu me desprendo de seu agarre e levo minhas mãos para suas costas, aproveitando o beijo travesso. Alguém limpa a garganta ao nosso lado e nós pulamos em susto.

– O que está fazendo aqui? – Franzo a testa, me ajeitando.

Quinn coloca um braço em minha cintura, protetoramente e me puxa para ela. Eu seguro sua mão.

– Eu moro aqui, esqueceu? – Sorri, correndo os olhos sobre nós. – Quinn Fabray. – Acena.

– Sr. Berry. – Acena de volta.

– Leroy foi fazer umas compras. Pequenas. – Explica. – Em poucos minutos estará de volta. Entrem.

Eu respiro fundo, buscando ajuda nos olhos verdes. A loira dá um beijo na minha testa e sussurra um “tudo bem” antes de entrarmos. Eu gostaria de ir trocar de roupa logo para irmos embora para a escola o mais rápido possível e esquecermos a ideia de faltarmos o primeiro tempo. Mas, eu nunca deixaria Quinn sozinha com Hiram. Então, sentamos no sofá, como se estivéssemos em uma casa estranha. O homem sentou próximo. Por alguns segundos, lembrei-me da noite em que eu contei para eles sobre os cortes e me senti tonta. Mais uma vez, o aperto da mão de Quinn estava presente. Sorrio para ela, agradecendo-a silenciosamente por tê-la comigo.

– A apresentação foi muito boa. – Ele cruza as pernas. – Você estava divina no palco, Rachel.

– Obrigada. – Sussurro.

– Foi muito emocionante te ver cantando daquele jeito depois... Bom, depois de tudo. – Inclina a cabeça. – Eu realmente estava com saudade de sua voz. Você não tinha cantando tanto nos últimos meses.

– Eu não tinha motivos. – Quinn dá um pequeno sorriso.

– Oh, sim! Eu soube que se inscreveu para NYADA. – Ele ignora e eu arqueio as sobrancelhas. – Fiquei muito feliz. De fato, será preciso bastante treino, tendo em vista ao tempo que você perdeu.

– Estou ensaiando o necessário. – Falo um pouco irritada. – Preciso respeitar o meu ritmo atual.

– Claro, claro. – Se apressa. – E você conseguirá, sem dúvidas.

Eu assinto, encostando a cabeça no ombro de Quinn, enquanto ligo a televisão. Ela faz carinho em meu braço e eu tento não pensar na presença de Hiram na sala. Ele bate os dedos vagamente no joelho.

– Então... – Eu fecho os olhos quando escuto sua voz outra vez. – Como está o... Relacionamento de vocês?

– Nosso namoro. ­– Suspiro, sem me mexer. – Melhor impossível.

– Bom. – Silêncio. A mão de Quinn para no meio do meu braço e dá um pequeno aperto. – Poderíamos aproveitar esse tempo que estamos sós para aquela nossa conversa?

– Já estamos conversando. – Digo, sem emoção.

– Rachel. – Minha namorada sussurra para mim. – Abra os olhos. – Eu a encaro. – Hey, está tudo bem. – Alisa minha bochecha. – Estou com você.

– Eu não tenho dúvida. – Beijo seus lábios rapidamente, mas quando tento aprofundar o gesto, a loira apenas se afasta, sem jeito.

– Isso é real mesmo? – Hiram parece perguntar para si.

– É real sim, senhor Berry. – Dessa vez ela responde. – Posso não ter passado uma boa impressão antes, mas eu estou disposta a mudá-la.

– Eu quero acreditar nisso, Quinn. – Descruza as pernas, colocando os braços apoiados em cada uma. – Você precisa entender que é algo difícil para mim, depois de tudo o que você aprontou.

– Papai. – Repreendo. Ele me olha assustado e tenta esconder um sorriso por eu não ter dito seu nome.

– Deixa, Rach. – A loira pede. – Eu sei o que fiz, não tem nenhuma novidade aqui. E eu entendo completamente seu receio, Sr. – Diz, educada. – Mas, sou sincera ao dizer que quero mudar sua opinião.

– Vejo que você soube da minha conversa com minha filha. – Me encolho desconfortável. – Quando eu digo que não concordo com isso, não quer dizer que eu apoiaria Rachel com qualquer outra. Lógico que você ser Quinn Fabray torna ainda mais difícil, mas...

– Você não aceita o fato de eu ser gay. – Rio, sarcástica. – Isso é incrível vindo de um cara que é casado com outro. É inédito, talvez.

– Eu nunca faria isso, Rachel. – Recua, magoado. – Eu aceito e te dou forças, mas... Você não está bem. Não deveria ter exposto tudo isso agora. É muito complicado. Olha o que aconteceu com o David.

– Eu estou bem, ok? – Levanto. – Eu tenho pessoas que me apoiam. Tenho Quinn.

– Eu sei que você tem, estrela. Mas, eu não posso suportar você passando por maus momentos outra vez. Tudo o que você não precisa é de julgamento. Quando você passar pra NYADA e tiver uma vida em Nova York, eu vou te dar toda a força do mundo.

– As pessoas já sabem, Sr. Berry. – Quinn continua calma. – Sua preocupação é normal, nós mesmas tivemos muito medo sobre tudo isso, mas estamos indo bem.

– Estão bem porque todos estão recuados pelo o que aconteceu com o rapaz. – Resmunga. – E quando voltarem ao normal?

– Estaremos juntas. – Respondo rápido.

– Rachel, a vida não é um conto de fadas.

– EU SEI QUE NÃO.

– Calma. – Quinn levanta, me segurando.

– Que calma? Como você pode me pedir calma? – Me afasto. – Você é um estúpido hipócrita. – Aponto no peito do homem.

– Sou seu pai e você me deve respeito. – Fala grosso. – Só me preocupo por você. Não acha que eu não enlouqueci pensando que poderia ter sido você naquela cama do hospital? Você está doente, Rachel.

– EU NÃO ESTOU DOENTE.

– Certo. – Esconde o rosto nas mãos. Eu deixo que Quinn me envolva dessa vez. – Você tem razão. Desculpe.

– Você não enlouqueceu pensando nisso. – Digo em tom baixo. – Não quando me virou as costas.

– Não te virei as costas. – Choraminga.

– Virou. – Minha voz falha. – Saiu de casa sem pensar duas vezes, sem se importar com o que estava acontecendo, me pedindo pra eu me afastar da pessoa que eu amo.

– EU ERREI. – Ele revela as lágrimas correndo em seu rosto. – Droga! Eu errei, eu tive medo. Eu não sabia como agir. Você não entende.

– Talvez o senhor pudesse nos explicar.

– Eu não posso, Quinn. Seria... – Suspira. – Quando vocês tiverem filhos, entenderão. – Limpa os olhos. Sinto minha namorada estremecer. – Você gostaria que eles passassem pelo mesmo que você, minha pequena estrela?

Abro a boca para responder, mas nenhuma palavra sai. Encaro o rosto distorcido em mágoa do homem na minha frente e uma súbita vontade de abraçá-lo percorre o meu corpo. Eu não consigo sair do lugar. Não consigo falar, não consigo respirar direito. Tento fazer sentido na minha cabeça, mas está tudo muito confuso. Um barulho nos tira do transe, interrompendo o silêncio pesado. Leroy aparece com sacolas na mão. Seu sorriso some quando nos vê.

– O que está acontecendo? – Pergunta preocupado. Quinn me solta, segurando algumas sacolas para ele. – Obrigada, querida.

– Não está acontecendo nada. – Hiram anuncia. – Estávamos apenas conversando.

– Está tudo bem? – Desconfia. Eu enxugo meu rosto na camisa. – Discutiram?

– Está tudo bem. – Respondo.

– Ok... – Fala sem certeza. – Eu vou deixar as compras na cozinha para prepararmos o almoço.

– Para você preparar e nós observarmos. – Hiram corrige e nós rimos fraco.

– Tanto faz. – Dá os ombros. – Já volto.

Meu pai vai para a cozinha e nós caímos em outro silêncio. Quinn volta para o meu lado e eu entrelaço nossas mãos.

– Quero que me perdoe pelas minhas falhas. Eu não sei o que acontecerá agora, mas eu preciso tentar. Preciso da minha família de volta.

– Apoiará meu namoro? – Sussurro.

– Não. – Respira fundo. – Mas, eu aceitarei. Aceitarei, defenderei... Não posso apoiar ainda.

– É o suficiente, por enquanto. – Quinn sorri de lado. – Tenho certeza que logo estará nos apoiando, Sr. Berry.

– Assim espero. – Devolve o sorriso. – Cuide bem da minha filha, por favor.

– Se isso é um voto de confiança, vou agarrá-lo com toda a força. Sua filha é tudo que eu mais amo nessa vida. – Minha vez de sorrir. – Eu cuidarei dela, não tenha dúvida.

– Não quero que você me ganhe hoje, Fabray. – Ele limpa outra lágrima. – Não será fácil assim. – Brinca.

– Não custa tentar. – Nos rimos.

Leroy nos chama para a cozinha e envolve um braço no de Quinn, puxando-a na frente. Hiram me encara e eu suspiro arrastado, deixando os braços firmes me segurarem. Demoro a devolver o abraço, mas o faço. Nós ficamos mais alguns minutos assim até ouvirmos meu pai gritar novamente. Rimos, nos afastando. Não precisa que digamos nada mais. Não hoje. Outro dia nossa conversa será acabada, mas hoje... Só precisamos de uma trégua.

Notas finais
Hey, vocês. Como estão? Well, eu acho que eu nunca tive um final de período tão longo em todo tempo de universidade u.u Ainda por cima, invento de adoecer. Tá complicado atualizar, mas consegui um tempo, espero que gostem. Não deixem de comentar. http://ask.fm/FlorDeLins_ ;* Até o próximo.