Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=ZemPI9jlFXo

Rachel acorda, sentindo a respiração da loira em seu pescoço. A pequena observa Quinn dormir tranquilamente, aproveitando o calor de seu corpo. O lençol mal posicionado deixa à mostra as costas nuas da menina, fazendo Rachel estremecer. Ela ri, puxando-o mais para cima. Definitivamente, Quinn não gosta de dormir coberta. Ela sempre dá um jeito de se livrar dos panos antes de amanhecer. A morena tira o braço da outra de sua cintura, sem querer acordá-la, e sorri ao ouvi-la choramingar pela falta de contato.

Rachel se enrola em um roupão, fazendo piada interna. Uma cena clássica. Ela acenderia um cigarro se tivesse. Bom, se fumasse. Então, ela resolve arrumar suas coisas. Elas voltarão para Lima no final da tarde. O que é um pouco assustador, depois de tudo. A pequena senta na poltrona em frente a janela, admirando a cidade. Seu coração bate forte. No final de semana das Nacionais, Rachel havia escapado com Finn uma noite. Ela contou sobre seus diversos sonhos em NY. Um deles era fazer amor respirando o ar da grande cidade. E eles fizeram.

Os dois namoravam fazia algum tempo e já tinham feito sexo diversas vezes. Em nenhuma delas Rachel se arrependeu. Pelo contrário, ela gostava de Finn, gostava de estar com ele, era realmente bom. Só que essa manhã, ela não sabe dizer o que sentia. Perguntas rodeiam sua cabeça, deixando-a confusa. Nenhum momento que eles tiveram juntos se compara ao que ela sentiu na noite anterior. Quinn explorou o seu corpo de um jeito surpreendente. Despertou sensações nunca experimentadas antes.

A loira abre os olhos, lentamente. Quase salta ao perceber que Rachel não estava na cama. Mas, seu coração se acalma ao vê-la na janela. Ela levanta, se enrolando no lençol e caminha em direção à morena.

– Bom dia. – Sussurra, sem querer assustá-la. Rachel sorri.

– Bom dia. – Se afasta, dando espaço para que ela sente ao seu lado. A loira o faz, beijando seus lábios rapidamente. – Não quero voltar. – Admite, encostando a cabeça no ombro de Quinn.

– Eu vou procurar um emprego mais tarde, ok? Você pode fazer o mesmo. Tenho certeza que achará algo rapidamente. Existem lanchonetes com cantores incríveis trabalhando. Por enquanto, ficaremos por aqui. Depois procuraremos algum apartamento para morarmos. – Brinca. A morena ri, virando os olhos.

– Idiota. – Enterra o rosto na curva de seu pescoço.

– Não gostou dos meus planos? – Finge mágoa.

– Você já me iludiu demais, Fabray.

– Ei, eu não te iludi. – Se defende. – Não diga isso.

– Eu sei. – Sorri contra a pele da loira, fazendo-a se arrepiar. – Só queria que esse fim de semana durasse um pouco mais.

– Eu também. – Suspira sincera, levando as mãos para o rosto da pequena. – Que bom que você veio.

– Sim. Em pensar que eu quase desisti. – Zomba, traçando a clavícula de Quinn com os dedos. – Eu perderia essa cidade incrível, essas roupas, esse corte. – Enumera. – Deus, eu perderia Santana bêbada se declarando para Brittany. – Ri. Quinn a aperta, arrancando uma risada mais alta de Rachel. – Perderia NYADA. – Provoca, recebendo um aperto mais forte. Dessa vez, um gemido escapa de seus lábios. – Perderia você. – Sussurra.

O sorriso de Quinn se expande, antes de tomar conta da boca de Rachel. As duas aproveitam o beijo, que já tem um gosto nostálgico, para ambas.

– Você nunca vai me perder, no entanto. – A loira lembra.

As mãos das meninas brincam pelos seus corpos pouco cobertos. Quando Rachel muda de posição, descendo os beijos para o pescoço da loira, os barulhos na porta as separam.

– Acordem! – Quinn fecha os olhos, bufando. – Perderemos o resto de nosso tempo por aqui. Levantem.

– Já estamos acordadas, Santana.

Por Quinn

Volto a me cobrir, enquanto Rachel vai em direção a sua bolsa, rindo. Abro a porta, chateada pelas meninas terem nos interrompido. Brittany me dá seu abraço típico, entrando no quarto saltitando. Ela não cansa de ser assim todo o tempo? Digo, não é uma reclamação. Eu até a admiro, mas é surreal para mim. Vejo Santana levantar uma sobrancelha, me analisando. Oh, merda. Rachel percebe seus olhares e corre para o banheiro, murmurando que irá tomar banho. A latina sorri, maliciosa.

– Já entendi a demora. – Cantarola, sentando na cama.

– Nós acordamos tarde. – Tento parecer casual, buscando uma roupa.

– Foram dormir tarde também?

– Sim... Talvez. – Dou os ombros. – Conversamos muito.

– Claro. — Diz, sarcástica. – Nós também conversamos muito, não foi, Britt-Britt? – Abraça a dançarina.

– Nós não conversamos, San. – Franze a testa. – Nós queríamos fazer amor a noite inteira. – Sorri, orgulhosa. Eu sinto meu rosto corar.

– Oh, sim! Foi mesmo. – Santana beija o queixo da namorada, rindo. – Espero que tenham tido boas conversas. Você está me ouvindo, Rachel? – Fala um pouco mais alto. Eu prendo meus lábios com os dentes.

– Estou, Santana. – Responde, constrangida. Eu não aguento, rio com minha amiga.

– Você é uma idiota, sabia? – Empurro-a.

– O que está acontecendo? – Brittany pergunta inocentemente.

– Depois eu conto. – A latina sussurra no ouvido da namorada. – Eu esqueci meu celular no quarto. Q, vamos comigo?

Eu assinto, colocando um vestido. Santana me leva até o quarto que elas estavam. Já está tudo arrumado e não tem nenhum celular por aqui. Eu levanto a cabeça, encontrando o olhar curioso de minha amiga e sorrio. Sorrio grande. A latina retribui sorriso, dando um soco no ar em comemoração. Eu rio, abraçando-a.

– Então? Como foi? – Pergunta, sentando. Eu deito na cama, abrindo os braços.

– Foi sensacional, foi maravilhoso. – Santana deita virada pra mim. – Rachel é incrível. – Sussurro.

– Fico muito feliz por vocês, Quinn, de verdade. – Diz, sincera.

– Eu também, San. – Suspiro. – Embora eu esteja com um pouco do medo.

– Medo do que? Dela se arrepender? Quinn...

– Não, não é isso. – Mordo o lábio. – Só... Não sei como será agora, entende?

– Não importa. – Segura minha mão. – Você quer um conselho? – Eu assinto. – Aproveite o que vocês têm. Continue indo devagar. Do mesmo jeito que Rachel precisa de tempo, você também precisa. Aos poucos, vocês constroem um relacionamento saudável e sincero, que é o que importa.

– Ela confia em mim. – Sorrio segura. Santana levanta uma sobrancelha.

– Sim, Fabray, ela confia. – Ri.

– E confia em você e em Brittany também. – Marco. – O que você fez ontem foi incrível.

– Não fiz muita coisa. – Encolhe os ombros. – Só mostrei a Rachel Berry que eu enxergava.

– A de verdade. – Ela balança a cabeça concordando. – Ela está voltando, certo? Ela vai melhorar.

– Eu tenho certeza. – Sorri. Eu a abraço novamente. – Lute por sua garota, Q.

– Estou lutando, San. Eu estou lutando. – Eu levanto. – Ah, por favor, controle suas brincadeiras. Ela ainda não está totalmente bem, ok? Não sei como ela vai reagir.

– Tudo bem, tudo bem. – Vira os olhos. – Eu tentarei.

Nós voltamos para o quarto, encontrando Rachel e Brittany conversando na cama. As duas se calam quando nos veem, mas logo sorriem. É lógico que Rachel estava contando para a dançarina. Dou um beijo em sua cabeça, indo para o banheiro, tomar um banho. Eu escuto as risadas vindas do quarto, enquanto lavo o cabelo. Eu sorrio para a voz da morena, gritando para Santana parar com algo. Claro que a latina não se controlaria. Santana é tão óbvia. Brittany avisa que está descendo com ela para arrumarem uma mesa para o café da manhã. Eu saio do banheiro, enxugando o cabelo.

– Hmm, vou sentir falta de seu cabelo rosa. – Rachel faz um pequeno bico.

– Vai, é? – Bagunço-o com as mãos, pendurando a toalha.

– Vou. – Sussurra, segurando meus braços. – Você deveria sair assim. – Sorri.

– Com o cabelo despenteado? – Rio.

– Sim. – Me dá um selinho. – Está linda.

– Acordou de bom humor, Berry? – Levanto uma sobrancelha, provocando-a. Ela vira os olhos.

– Acho melhor você arrumar suas coisas. Nós sairemos do hotel daqui a pouco e ainda queremos andar pela cidade, antes de... – Eu não me seguro. Puxo-a em meus braços, beijando-a. Ela suspira em minha boca, prendendo suas mãos na minha cintura. – Antes de irmos. – Sussurra.

– Não quero ir. – Encosto nossas testas.

– Nem eu... – Suspira. – Temos outra opção? – Eu nego, triste. – Então, precisamos ir. – Ela passa o nariz levemente no meu. – Arrume suas coisas.

Eu resmungo, juntando tudo. Como em consegui fazer essa bagunça toda em dois dias e meio? E eu nem sou uma pessoa bagunceira. Rachel me ajuda a guardar o resto das coisas, fechando minha mochila. Ela dá um sorriso de lado, incerto e me estende a mão. Eu seguro firme, levando-a para fora. Rachel deita a cabeça em meu ombro, enquanto esperamos o elevador descer. A morena bufa, passando pelo recepcionista, apertando minha mão mais forte. Eu prendo meus lábios, evitando um gemido de dor. Ou uma risada. Santana e Brittany acenam para nós. Hoje o restaurante do hotel está cheio. Antes de nos juntarmos a ela, preparamos nossos pratos.

– Já estou sentindo falta dessa comida. – A latina choraminga. De fato, é deliciosa.

– Eu prometo fazer um café da manhã especial pra você amanhã. – Britt diz, doce. Santana sorri, beijando sua bochecha.

– Vocês lembram da outra vez que viemos? Nós quase roubávamos a comida do hotel. – Nós rimos com a lembrança.

– Os doces. – Falamos ao mesmo tempo.

– Nossa, aqueles doces estavam divinos. – Britt fecha os olhos, rindo.

– O idiota do Puck ainda quis seduzir as balconistas para conseguir alguns.

– Verdade. Mas, nada superou as ideias de Sam. – Nós gargalhamos. Rachel dá um sorriso desconfortável.

– O que houve? Vai dizer que você também não quis, Rach? – Santana brinca.

– An... Nada. – A morena brinca com a comida. – Eu só... Eu... – Balança a cabeça. – Eu não estava nessa hora. – Encolhe os ombros. Eu suspiro, me bronqueando. Claro que ela não estava. Ninguém estava falando com ela.

– Sinto muito. – Sussurro.

– Não tem problema. – Força um sorriso. – Eu comi um dos doces em meu quarto. Estava bom mesmo.

– Você não desceu? – Eu olho para Santana, repreendendo-a por querer continuar com o assunto.

– Não. – Levanta os olhos. – E você não percebeu.

– Eu era apenas uma estúpida. – Bufa.

– Nós éramos. – Eu coloco uma mão no joelho da morena. – Isso não importa mais, certo?

– Certo. – Rachel me dá um selinho. — Vamos?

Por Rachel

Apesar de termos nos distraído, aproveitando nossas ultimas horas pela cidade, a conversa no café da manhã me trouxe de volta para a realidade. As pessoas de Lima ainda me odeiam, odeiam minha voz e tudo o que eu possa fazer. É fácil eu passar uns dias fora, fingindo que elas não existem. Agora eu posso lembrar porque eu sempre tive vontade de sair de lá. Aqui ninguém me conhece. Ninguém me olha com cara feia. Todo mundo me cumprimenta direito e sorri. Apoio minha testa no ombro de Quinn, esperando anunciarem nosso voo. Brittany aponta algo em uma revista para Santana, fazendo-a sorrir.

Assim que fazem a ultima chamada, nós levantamos. Entramos no avião, buscando nossos lugares. Quinn me cede a janela. Um frio na barriga me apavora. Eu não quero voltar. Não quero ter que encarar todo o mundo de novo. Sinto uma mão puxando a minha.

– Pare. – A loira diz suavemente. – Está se machucando. – Eu suspiro, olhando para meus braços arranhados. Como eu consigo fazer isso inconscientemente? – No que está pensando?

– Estou com medo. – Admito.

– Não fique. – Beija minha mão. – Eu estou com você, não vou deixar que nada de ruim te aconteça.

– Obrigada. – Sorrio, sincera. – Esses dias... Pareceram um sonho.

– Não foi sonho. – Sorri, acariciando meu rosto. – Nós voltaremos. Já pensou todas nós morando aqui?

– Você acredita nisso? – Sussurro, fechando os olhos.

– Mais que tudo.

Eu adormeço no colo da loira e só acordo com o avião pousando em Lima. Respiro fundo. Está tudo bem, Rachel. Está tudo maravilhosamente bem. Quinn me dá um sorriso encorajador. Funciona. Por alguns minutos eu esqueço onde estou. O que essa mulher está fazendo comigo? Que efeito louco é esse que ela tem em mim? Nos despedimos das meninas no aeroporto. A loira me acompanha até em casa. O táxi estaciona na frente.

– Vai ficar bem? – Quinn faz um leve beicinho. – É muito idiota eu dizer que já estou sentindo sua falta? – Meu coração se aperta.

– Vamos nos ver amanhã, Q.

– Eu sei. – Suspira, envergonhada. – Enfim...

– Eu também já estou sentindo sua falta. – Sussurro. Ela me encara, com os olhos cristalinos e um sorriso perfeito. – Se você continuar me sorrindo assim, eu vou perder a noção do mundo, Fabray.

– Desculpe. – Arqueia as sobrancelhas. Eu beijo sua boca, timidamente. – Até amanhã, Rach.

– Até amanhã, Quinn!

É a verdade. É quase um vazio quando vejo o táxi sair. Ficamos muito tempo juntas, quase me esqueci de como realmente vivemos. Entro em casa, olhando para os lados. Leroy aparece da cozinha, abrindo os braços. Uma onda de alivio me atravessa. Eu abraço meu pai fortemente. Ele me puxa para o sofá, querendo saber sobre a viagem. Quando eu conto sobre NYADA, ele quase me ensurdece, gritando emocionado.

– Estou tão feliz, minha estrelinha.

– Eu sei, papai. Mas, vamos com calma, ok? Eu apenas me inscrevi. – Digo, querendo evitar a pressão. Ele assente.

– E esse cabelo maravilhoso? Rachel você está divina. – Eu viro os olhos, rindo.

– Não seja exagerado.

– Não é exagero. NY te fez muito bem, filha.

– Verdade. – Mordo o lábio.

– Quero saber de mais. O que vocês aprontaram?

– Ah, nós batemos perna, conhecemos diversos lugares. É tudo lindo. NYADA é incrível. – Conto, encantada. – Comemos em restaurantes perfeitos. Fomos para um bar. Ficamos bêbadas. – Rio. Fiz amor com Quinn Fabray, acrescento em pensamento.

– Isso é coisa de Santana. – Balança a cabeça, rindo. Eu concordo. – Posso perguntar algo? – Assinto. – O que está acontecendo com você e Quinn? – Paraliso. Eu o encaro, incrédula.

– Quinn é... – Limpo uma garganta. – É minha amiga. – Franzo a testa, com um leve sorriso. – Bom, ela é mais que uma amiga. – Corrijo.

– Quinn é sempre mais na sua vida, Rachel.

– Como assim? – Pergunto, confusa.

– Quinn sempre foi mais que uma colega de turma. Sempre foi mais que uma companheira de coral. Sempre foi mais que uma menina que tentava te perturbar. Quinn sempre foi mais que uma simples ex namorada de um namorado seu, mais que uma rival. – Abro a boca, sem conseguir falar nada. – Você sempre mencionou Quinn assim. Tudo o que contava, Quinn sempre ganhava destaque especial.

– Eu... Eu não percebi. – Sussurro.

– Eu sim. – Sorri. – Ao contrário do que você pensa, eu presto muita atenção no que você conta. – Segura minha mão. – O que está acontecendo com vocês duas agora? Eu sei que ela gosta muito de você.

– Gosta. – Sorrio. – Nós... Papai...

– Não tenha medo de me contar. Eu vou te apoiar em qualquer coisa.

– Nós estamos ficando. – Solto.

– Você gosta dela?

– Claro. – Suspiro. – Ela me faz muito bem.

– Se ela te faz bem, meu amor, é o que importa para mim. – Eu o abraço, deitando minha cabeça em seu peito. – Está tudo bem para você ficar outra mulher?

– Você sabe que eu nunca tive problema com isso. – Bufo. – Seria ilógico vindo de mim, né? Fui adotada por dois homens.

– Talvez. – Ri fraco. – Pode ser confuso mesmo assim.

– Não está confuso. – Digo, sincera. – Está tudo muito claro pra mim. Quinn é... Especial.

– Mais que especial. – Brinca. Eu sorrio.

– Sim. Mais que especial...

Notas finais
Desculpem a demora! ;)) Espero que gostem, meuzamores. Não deixem de comentar.