Notas iniciais
https://www.youtube.com/watch?v=Zh3v0vyGkuI

Por Quinn

– Onde você estava, meu amor? Eu te pedi pra não soltar da minha mão. – Repreende. – Oh, Deus. Você está bem?

– Sim. – Responde. – Ela me achou. – Aponta para mim.

As duas mulheres olham na minha direção. Isso não pode está acontecendo. Essa criança é a minha... É minha filha? Meu estomago embrulha. Não consigo me mover. Não consigo falar. Sinto meu corpo entrar em uma espécie de torpor. Rachel sai de trás da mãe e caminha para o meu lado. Seus olhos preocupados.

– Quinn... – Segura meu ombro. Abro a boca, me esforçando. – Amor.

Beth pede para descer dos braços de Shelby e a mais velha obedece, colocando-a no chão. A menina segura a mão da mulher, trazendo-a para perto. Não. Por favor, não.

– Minha mamãe. – Sorri, mostrando-a.

Eu tento sorrir. Encaro Shelby, depois encaro suas mãos entrelaçadas e, mais uma vez, encaro a pequena loira sorridente.

– Como é que se diz, Beth? Uma das nossas palavrinhas mágicas?

– Obligada... – Entorta um pezinho, tímida.

– Não... – Tento puxar o ar. – Não tem de quê. – Respondo.

– Obrigada, Quinn. – Limpa a garganta. – Muito obrigada. – Eu apenas assinto. – Vamos, linda. Já está na hora de voltarmos. Já tivemos muitas emoções por hoje. Dê tchau as meninas. – A criança abraça minhas pernas e eu não tenho tempo de reagir.

– Tchau. – Acena, exageradamente.

– Tchau, Beth. – Rachel afaga seu cabelo.

– Tchau, princesa. – Sussurro.

Ela se pendura novamente, querendo colo. Shelby a alinha em seu corpo nos dando mais um olhar. Vejo as duas sumirem no corredor, saindo do colégio. Sinto uma pontada no peito, enquanto perco um pouco do equilíbrio. Minha namorada me segura, envolvendo seus braços ao redor do meu corpo. Pela primeira vez, encaro os olhos castanhos, cristalinos.

– Quinn...

– Sua... – Engulo seco. – Sua mãe... Você... Você está bem? – Pergunto-a, segurando seu rosto.

– Eu estou bem, meu amor. – Alisa meu braço. – Não se preocupe comigo.

Meu pulmão grita, implorando por ar. Agora não. Não hoje. Não essa noite.

Por Rachel

– Ela... – Quinn balança a cabeça, respirando com dificuldade. – Eu... Ela estava...

– Calma.

– Chorando. E... Eu... Eu... – Passa a mão no peito. – Rach...

– Não fala. Shhhh... – Puxo-a para baixo, nos sentando. – Respira, por favor.

– Eu... Eu não... – Esfrega o rosto. – Não consigo.

– Quinn, calma. – Merda. O que diabos eu faço? – Está tudo bem.

– Rachel... – Sussurra.

– Estou aqui, meu amor. Calma.

– Dói. Dói muito. – As lágrimas aparecem em seus olhos.

– Shhhhhhhh... Respire. – Seu rosto está ficando vermelho. – Por Deus, Quinn, respire. Apenas... Puxe o ar. Está cheio dele aqui. Veja. – Tento repetir o que Santana falou no dia que ela entrou em crise na sala do coral. – Amor... Respire.

– Dói...

– Respire. Você vai desmaiar, Quinn! – Digo, desesperada. Ela se agita. – Por favor, me imite. – Puxo seu vestido, suavizando o aperto. – Está tudo bem. Estou aqui com você. Eu estou aqui. E aqui no corredor está cheio de ar. Veja, eu estou respirando normalmente. – Ela chora mais forte. – Merda. – Sussurro. – Amor. Você está me ouvindo? – A loira assente. Coloco sua mão esquerda em sua barriga e a direita em meu peito. – Inspire. Vamos, Quinn.

Ela começa a tremer. Por que diabos não está funcionando? Solto suas mãos, tiro minhas sandálias e corro para a enfermaria. Não tem ninguém aqui.

– Inferno! – Grito, empurrando as coisas.

Vejo alguns sacos de papel em cima de uma bandeja e pego um, voando de volta para o corredor. Minha namorada está apoiada com os braços no chão. Levanto-a, colocando o papel em sua boca.

– Aqui está. – Ela segura com força, soprando-o. – Está tudo bem. Continue. – Quinn absorve o ar. – Ótimo, meu amor. Continue. – Ela me olha apreensiva e repete. – Muito bom. – Sorrio, me acalmando. – Você está conseguindo.

Depois de alguns segundos, ela tira o papel do rosto e inspira o oxigênio com toda a sua força, deixando sair um gemido angustiado ao expirar. Seus soluços escapam facilmente agora. Quinn segura meu corpo, me puxando para perto. Faço carinho em suas costas, sem apertá-la. Alguns alunos passam, nos encarando.

– Eu... – Se afasta. – Preciso... – Faz uma careta.

– Você consegue levantar? – Ela assente, incerta. – Ok, apóia em mim.

Eu a levanto, sentindo seu corpo ter o dobro do peso que realmente tem. Mas, eu também preciso ter o dobro da minha força. Nos conduzo ao banheiro mais próximo e mando um olhar para a menina que estava se maquiando. Por sorte, não era nenhuma popular curiosa. Pelo contrário, ela parece bem preocupada com o estado da loira.

– Você pode me fazer um favor? – Sussurro. A garota me olha. – Encontre Santana Lopez e peça para ela vir para cá com minhas coisas o mais rápido possível.

– Tu... Tudo bem...

– Seja discreta. – Imploro.

Assim que ela deixa o banheiro, Quinn sai dos meus braços e corre para dentro do box, se ajoelhando. Eu me posiciono atrás dela, segurando seu cabelo. A loira tosse, agoniada, mas não consegue colocar nada para fora.

– Não força. Hey, não força. – Seguro sua mão.

– Ahr... – Ela se senta.

– Calma.

Dou mais espaço para que ela possa respirar melhor. A porta do banheiro abre de repente, revelando Santana e Brittany completamente assustadas. Eu aceno para a entrada e a dançarina troca um olhar com a namorada, passando a chave.

– O que aconteceu? – A latina se abaixa. – Você está passando mal? – A loira soluça alto, assentindo. – O que houve?

– Ela está aqui. – A voz de Quinn sai por um fio.

– Quem? – Ela volta a chorar forte. – Quinn! Tenha calma. – Santana a levanta, tirando-a do box. Brittany ajuda a latina a sentá-la no banco. – Rachel, quem está aqui?

– Beth. – Respondo o mais baixo que posso. Quinn segura meu punho e esconde a cabeça em meu peito. – Shhh, estou aqui.

– Puta que pariu. – Santana passa a mão na testa. – Eu...

– San, pega um papel molhado para mim. – Peço. Ela o faz, rapidamente. – Britt, vocês trouxeram minhas coisas?

– Sim! – Ela coloca minha bolsa em cima da pia. – Aqui está. Quer que eu pegue um pouco d’água?

– Por favor. – A loira mais alta sai. Santana me entrega o papel. – Obrigada.

Eu seguro o rosto avermelhado de Quinn e meu coração afunda. Beijo suas lágrimas com suavidade. Seu choro é silencioso. Passo o papel, tirando sua maquiagem borrada, pela segunda vez na noite. Só que agora o motivo não era bom. Santana senta ao lado da amiga, sem saber o que dizer e aperta sua mão. Quinn suspira. Logo Brittany volta com um copo em mãos e oferece para a capitã das lideres.

– Você quer ir pra sua casa? – Pergunto devagar.

– Não. – Balança a cabeça. – Eu quero ficar sozinha. Sozinha com você.

– Tem certeza?

– Tenho! Eu juro que isso não vai acontecer de novo. Foi só...

– Amor. – A interrompo. – Se você entrar em crise outra vez, eu vou te segurar... Outra vez. Não importa quantas forem, eu vou te segurar, tudo bem?

– Unhum... – Franze as sobrancelhas, como uma criança prendendo o choro.

– Onde é a casa do seu tio, Rach? – Santana pergunta.

– Fica há algumas quadras daqui. – Mordo o lábio. – Não é muito longe.

– Eu levo vocês. — Britt anuncia. — Santana vai com o meu carro e nós voltamos juntas.

– Vocês não beberam?

– Claro que não. – A dançarina põe a mão no meu ombro.

– Não quero estragar a festa de vocês. – Quinn sussurra.

Vejo Santana se abaixar na frente da minha namorada, segurando seus joelhos. A loira a encara. Em silêncio, as duas ficam assim por alguns segundos, como se conversassem com os olhares. E se entendessem.

– Não nos importamos com a festa. Você é mais importante. – Afirma, com certeza. – Além do mais, nós já estávamos de saída.

– Obrigada.

– Você vai ficar bem, ok? Eu vou te deixar com Rachel, posso confiar nela? – Quinn assente, sorrindo de lado. – Bom! Sei que não é o momento para conversarmos, mas se por acaso, você quiser fazer isso, pode me chamar.

– San está certa. – Brittany se aproxima. Eu desvio os olhos, sentindo-os arder. – Estamos aqui para você.

– Eu sei. – A loira suspira. – Obrigada, de verdade. – Sua voz ainda é instável, mas um pouco mais calma. – Eu só preciso digerir isso tudo.

– Esperaremos. – Santana levanta. – Vamos? Você está melhor?

– Sim. – Solta o ar, sonoramente.

Eu entrego a chave do carro para Brittany, envolvendo os braços no corpo de Quinn, que mesmo com essa roupa e esse jeito de mulher intocável, parece uma menina indefesa. De todas as vezes que conversamos sobre assuntos sérios, de todas as vezes que fizemos amor, e de todas as vezes que ela se mostrou baixando as armas, essa é a vez que a vejo completamente nua. Quinn está transparente, com seus sentimentos e maiores temores brilhando nos olhos, sem medo do que eles possam mostrar. Ela me lembra o dia das seccionais do primeiro ano, quando Finn soube que não era o pai de Beth. Bom, por minha culpa. Vê-la chorar sozinha no corredor foi uma das piores cenas que eu presenciei, porque eu sabia que ali não era aquela que me maltratava e me desenhava no banheiro e sim, alguém que estava se sentindo perdida no meio de uma confusão enorme em que se meteu. Quando ela disse que não tinha ficado com raiva de mim, eu só comprovei isso.

Mas, hoje ela não pede para que eu saia de perto. Pelo contrário, sinto seus braços me apertando cada vez mais, como se dependessem de mim para viver. Brittany destrava o carro e nós entramos atrás. Quinn deita a cabeça em meu peito, fechando os olhos instantaneamente. Eu mexo em seu cabelo, enquanto a dançarina dirige, mandando olhares preocupados pelo retrovisor quando pode. Aponto para a casa de primeiro andar na esquina e abro o portão, para que ela estacione dentro. Santana estaciona o dela na calçada e desce, rapidamente, antes que o portão feche.

– Me ajuda aqui. – Sussurro. – Ela dormiu.

A latina entrega suas coisas para Brittany e coloca Quinn nos braços. Abro a porta, guiando-a até o sofá. As loiras ficam na sala, enquanto eu vou à cozinha com Santana, preparar algum chá.

– Você está bem? – A líder de torcida segura meu punho.

– Preocupada com ela. Eu me assustei! Não sabia o que fazer. Tentava acalmá-la e ela simplesmente se desesperava mais. – Solto de vez.

– Foi a primeira vez que você a viu assim, é normal.

– Mas, naquele dia na sala do coral você conseguiu ajudá-la.

– Ela se controlou. E eu já estou acostumada com isso. O segredo está em não entramos no desespero dela. Enquanto ela ache que está perdendo esse controle, você mostra que não é certo, que não tem motivos para isso.

– Fiquei com medo.

– Eu também. – Sorri triste. – Admito que tive longas conversas com Frannie sobre isso. Ela chegou a desmaiar?

– Não. Estava quase, mas...

– Mas, você conseguiu acalmá-la. – Eu mordo o lábio. – Rachel. Eu perguntei se você estava bem.

– Eu respondi. – Franzo a testa.

– Eu te vi discutindo com Shelby.

– Fale baixo. – Seguro sua mão, puxando-a para o canto da cozinha. – Isso não tem importância.

– Tudo bem, só perguntei porque você parecia bem chateada e agora está tendo que segurar Quinn.

– Ela já me segurou muitas vezes enquanto o mundo a chateava e nem por isso se importou. Eu também não me importo. Eu só quero que ela fique bem, Santana. Não suporto vê-la sofrendo. É mais doloroso que tudo que já passei.

– Você está sendo forte por ela e eu não estou conseguindo me aguentar de orgulho sem ter que te dar um aperto, Berry. – Brinca. Eu viro os olhos, rindo.

– Idiota.

– É de Beth que estamos falando. – Volta ao tom sério. – De Beth e Shelby. – Fecho os olhos. – Vocês precisam mesmo ser fortes, mas não estão sozinhas. Eu estava preocupada em deixá-las aqui, mas te vendo falar assim, eu tenho certeza que vocês irão cuidar uma da outra.

– Nós iremos. – Garanto-a. – Qualquer coisa eu ligo para vocês.

– Faça isso. Nos mantenham informadas. – A latina me abraça forte. – A casa é linda, por sinal. Boa escolha.

– É aconchegante. – Encolho os ombros.

– Nós já vamos. Aproveitem como puderem.

Levo as duas até a porta e nós nos despedimos. Fecho a porta, respirando pesado. Quando eu estive aqui mais cedo não imaginei que voltaria desse jeito. Ligo a televisão, diminuindo o som e me junto a loira no sofá. Nós ficamos assim alguns minutos. Até eu adormecer com ela.

– Rach? – Eu abro os olhos rapidamente.

– Hey! Você acordou. – Me levanto, segurando seu rosto.

– Estamos no sofá.

– Estamos. – Rio, sem graça. – Desculpe por isso. Como você está?

– Hm... Eu não sei.

– Sua cabeça dói? – Pergunto, preocupada. Ela chorou muito, isso sempre deixa uma dor fina em mim quando faço.

– Um pouco. – Admite. – Casa bonita.

– Sabia que você ia gostar. – Sorrio. – Meus tios não mexeram tanto nela, então ela tem esse jeito desde muito tempo. Minha tia preza pela arquitetura, mas não liga em enchê-la de tecnologia. Há alguns anos meu tio queria deixar uma decoração retrô, mas não deu certo. Ela diz que ama os antigos modos de construções e isso não significa que tenha que ficar presa no tempo. – Respiro. Ela arqueia a sobrancelha. – Divagando?

– Talvez? – Ri. – Eu gosto quando você faz isso. – Encosta a cabeça em meu ombro. – Ela soube equilibrar as coisas. Esse desenho... – Aponta para o quadro na parede. – Perfeito.

– Prefiro os seus. – Brinco. – Amor, o enjôo passou? – Ela assente. – Vamos tomar um banho?

– Vai me dá um banho? – Faz bico.

– Vou te dá um banho, vou te dá comida, vou te dá tudo o que você quiser!

– Que namorada boa eu fui arrumar!

– Digamos que você tenha bom gosto.

– Ah! Você assumiu isso! – Levanta os braços. – Sim, eu tenho.

Eu rio, segurando a mão dela e nós subimos as escadas. Vou mostrando os quadros no caminho e falo sobre os que eu sei o significado. Ou ao menos tento. Quando abro a porta do quarto, Quinn paralisa. Seus olhos passam por todo o local.

– Rachel...

– Eu vim aqui mais cedo. – Puxo-a, delicadamente. – Eu queria ajeitar tudo do nosso jeito. – Meu sorriso se apaga ao ver seus olhos lacrimejarem outra vez. – Não! Não chora, amor.

– Estraguei tudo.

– Não. – Abraço-a. – Está tudo bem.

– Não está.

– Quinn!

– Eu quero fazer amor com você.

– Eu também.

Ela beija meu pescoço, apressada. Suas mãos soltam o meu vestido fazendo com que ele caia no chão. Minha namorada me empurra até a cama, tirando sua própria roupa. Seu toque é nervoso, é desesperado. Meu corpo reage a isso e o tesão logo aparece quando ela une nossos corpos nus. Mas, eu não faço nada. Quinn continua mordendo minha cintura, até sua respiração começar a ficar irregular. Seguro seus braços, puxando-a para cima.

– Vamos tomar banho.

– Rach...

– Shhhhh... – Beijo seu rosto. – Olha pra mim, meu amor. – Ela me olha, com pesar. – Você está aqui comigo, é o que importa.

– Nossos planos...

– Faremos outros e outros, não se preocupe.

– Me sinto uma idiota. – Sussurra. – Sou uma bagunça.

– Eu sei. – Sorrio de lado. – Somos um casal bagunçado. – Ela ri, alisando meu rosto.

– Eu te amo!

– Eu também te amo, Q. – Encosto nossas testas. – Muito.

Abro a torneira da banheira, deixando a água quente escorrer, enchendo-a rapidamente. Despejo os sais separados e entro com Quinn. Ela suspira, sentando na minha frente e encosta as costas no meio peito. Abraço-a, beijando pescoço. Seu corpo vai relaxando aos poucos.

– Ela é linda. – Sussurra, depois de alguns minutos em silêncio.

– É sim. – Concordo, sabendo o que ela está falando. – Foi como te ver pequena. – Rio baixo.

– Você... Você nos achou... Nos achou parecidas? – Levanta um pouco a cabeça.

– Muito. É assustador. Ela tem uns traços de Puck, mas os seus são bem mais fortes. Os olhos, o jei... – Sinto suas lágrimas em meu ombro. – Perdão! Eu não...

– Continua. Por favor.

– O sorriso, a sobrancelha arqueada. Foram cinco minutos só, com certeza ela tem bem mais coisas que isso.

– Nós... Passamos mais tempos juntas.

– Foi? – Assente. – Você quer falar sobre isso?

– Sim. – Suspira. – Amanhã. Estou cansada.

– Descansa, amor.

– Canta pra mim. – Pede.

Eu respiro fundo e não penso muito antes de cantar a mesma música que cantei anos atrás para ela.

You're not alone, together we stand. I'll be by your side. You know I'll take your hand... – Ela sorri.

Notas finais
FEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEERIAS! I'M FREE!!! LET IT GO, LET IT GO (8) http://ask.fm/FlorDeLins_ Até o próximo ;**