Além da superfície.
31 Marcando território.
Notas iniciais
A explosão de aplausos e gritos soou no auditório. New Directions ficou em primeiro lugar. Todos do grupo se abraçaram calorosamente, inclusive Santana e Rachel, que assistiam na plateia, sendo observadas por duas loiras do palco, sorrindo. Depois que terminou a apresentação, professor Schue sugeriu aos meninos em dar uma volta na praia, para comemorar a vitória do grupo. Todos concordaram, em uma onda de entusiasmo e felicidade. Finn voltou para o lugar ao lado de Rachel no ônibus, enquanto Quinn se juntou a Brittany e Santana, que pareciam estar em um mundo só delas. A loira mais baixa estava feliz, claro, eles ganharam sem as principais vozes no clube. Mas, ela queria estar com a baixinha lá da frente e tudo o que recebeu foi um abraço tímido de parabéns.
– Vocês foram incríveis! – O professor grita ao chegar à praia. – Eu sabia que conseguiriam. Estou muito orgulhoso. Vamos dar as boas vindas aos novos participantes?
– Do nosso melhor jeito. – Finn bate no ombro o Puck, que assente, posicionando o violão. – Rachel?
A morena olha desconfiada e todos a incentivam a cantar. Ela sorri fraco, rendida. O moicano dá as ordens, batucando no violão e ela inicia We Are Young de Fun sendo seguida por Finn. Sam entra, acompanhado de Quinn. Rachel desvia os olhos, tentando se concentrar. Depois de todos cantarem juntos o refrão, Santana levanta continuando a música, e dá a mão para Rachel, que sorri, voltando a cantar. Blaine, Sugar, Joe e o professor aplaudiram o grupo calorosamente.
Por Quinn
Vejo Finn abraçá-la no final da música, com um sorriso sincero. Ela se aconchega nos braços do menino alto, parecendo confortável, enquanto todos riem em torno deles, como nos velhos tempos. São os capitães do clube, afinal. O casal Glee. As melhores vozes. Sempre foram. Suspiro forte, me afastando. O que diabos eu estou fazendo aqui? É tão lógico que eu estou sobrando, que não tem chance para mim. Molho os pés na água fria, vendo as ondas quebrarem, longes.
Santana e Brittany caminham para o outro lado, de mãos dadas. Eu sorrio para a cena, tirando minha câmera da bolsa. Enquadro as duas no visor, fazendo uma foto delas. É quase possível ver o carinho transbordando entre as duas. Sento na areia, brincando com as imagens. É mais fácil tentar me distrair assim. Não sei quanto tempo passa, mas sei que já passou muito, porque já consta mais de cem fotos. Alguém senta ao meu lado, me assustando.
– O que você está fazendo? – Reconheço a voz e meu coração imediatamente dispara.
– Fotografando. – Dou os ombros.
– Você gosta? – Eu assinto, tentando capturar uma criança correndo atrás de uma bola, distante. – Posso ver?
– Eu gostar não significa que eu seja boa. – Digo, sem graça.
– Não ligo. Posso? – Mordo o lábio, encarando-a. – Não tem problema, se não quiser...
– Tudo bem. – Entrego a câmera.
– Uau, essa foto ficou incrível. – Seus olhos brilham, apontando a foto de Santana e Brittany. Eu sorrio, concordando.
– Eu gosto de fotografar onde vejo sentimento, não importa qual. – Sussurro.
– Então você só faz fotos de pessoas? – Pergunta, passando as imagens.
– Não. – Inclino a cabeça, pensando. – Há paisagens, objetos, que também transmitem algo. – Franzo a testa. – Não sei explicar. Mas, prefiro pessoas.
– Você nunca me contou que gostava. – Não respondo, encarando o mar.
Rachel fica em silêncio. Desvio os olhos para ela, que olha uma foto fixamente. Meu estomago embrulha. Quando eu bati essa?
– Você vê sentimento aqui? – Sorri falso, mostrando uma foto dela e Finn, rindo juntos.
– Eu... – Levanto uma sobrancelha. – Sim...
– Qual? – Vira para mim.
– Não sei, Rach, só vejo. – Murmuro. Ela assente, trocando de foto. Merda. Uma sequencia de imagens só dela aparece. – Acho que já basta. – Tento puxar a câmera, mas ela segura firme. – Rachel...
– Eu quero ver. – Se afasta um pouco. Escondo o rosto nas mãos, envergonhada. – Você... Você tem talento. – Ela faz uma careta, vendo sua própria imagem no visor. – Mas... Talvez se... Você fotografasse pessoas mais... Bonitas...
– Você é linda, Rachel. – Solto, interrompendo-a. Ela fecha os lábios com força, tentando não me contrariar. Suspiro alto, pegando minha câmera de volta.
– Você sumiu depois da música. – Muda de assunto.
– Quis vim tomar um ar. – Deito.
– Deveria estar comemorando a nossa vitória.
– O único jeito que eu quero comemorar, eu não posso, Rach. – Fecho os olhos.
– Que jeito? – Balanço a cabeça. – Então... Você... – Limpa a garganta. – Você não vai me cobrar? – Abro os olhos, confusa. – Você disse que ia cobrar algo, caso ganhassem e... – Puxo seu braço, fazendo-a perder o equilíbrio e cair do meu lado.
– Não brinca comigo, Berry. – Sussurro.
– Eu não estou brincando, Fabray. – Devolve no mesmo tom.
Aproximo nossos rostos, deixando nossas respirações se misturarem. Deslizo meu nariz no dela e encosto nossas testas. Tiro seu cabelo do rosto, alisando-o para trás. Ela suspira pesado.
– Por que você faz isso comigo? – Choramingo.
– A culpa é sua. – Sua voz sai grave e me tira do controle.
Acabo com a distância, tomando conta de sua boca. Rachel geme baixo quando nossas línguas se encontram, desesperadas. Definitivamente, eu não posso mais ficar sem isso. É a melhor coisa que eu provei. Subo em cima dela, querendo todos os contatos possíveis. Suas mãos deslizam nas minhas costas, em um jogo contra minha camisa. Sinto meu lábio ser puxado suavemente por seus dentes e depois ser sugado com vontade. Abro os olhos, desejando-a. Seus olhos castanhos estão fervendo. Quando eu ia beijá-la novamente, escuto um barulho que me tira do transe.
– Deus! – Saio de cima. – Eu sinto muito. Eu...
– Pra onde Santana e Brittany foram? – Pergunta, controlando a respiração.
– Eu não sei. – Franzo a testa. – Por quê?
– Por que não vamos andar um pouco? Talvez... – Ela morde o lábio. – Ficarmos mais distantes... Digo, para comemorarmos, não? – Ri, nervosa.
– Você tem certeza?
– Sim. Eu estou cansada. – Suspira. – Eles me fazem muitas perguntas.
– Eu entendo. – Levanto. – Me desculpe não ter estado lá para pedir que parassem, eu...
– Por favor, eu só quero um lugar mais tranquilo. – Pede.
Estendo minha mão e ela segura, se equilibrando para levantar. Nós andamos em silêncio, em direção contrária ao grupo. Paramos em um lugar, não tão distante, mas incrivelmente calmo e vazio. Sorrio, sentando outra vez. Ela senta ao meu lado, se abraçando.
– Está com frio?
– Um pouco. – Sussurra. Eu tiro minha jaqueta da bolsa e cubro-a. – Obrigada.
– Você é muito friorenta. – Rio. Ela vira os olhos. – Estou começando a achar que isso seja uma desculpa para eu te abraçar. – Brinco.
– Você precisa de desculpa pra isso? – Provoca. Eu arqueio as sobrancelhas, envolvendo-a em meu peito. Ela descansa a cabeça, tranquila. – Esse lugar é lindo.
– É verdade. – Apoio o queixo em seu ombro. — Estou feliz por você ter vindo.
– Eu também. – Ri fraco. – Eu não perderia você cantando Control por nada nesse mundo.
– Ah, é? – Belisco sua cintura, aumentando sua risada. – Posso saber o por quê?
– Claro que não. Auuush, Quinn! – Me dá uma tapa. – Você vai me marcar com esses beliscões.
– Prefiro te marcar de outro jeito. – Sussurro. Sinto seu corpo estremecer no meu. – Continua com frio?
– Não. – Suspira. Puxo seu rosto para o lado, devagar. – Por que foto minha, Q?
– Essa pergunta já foi respondida. – Traço sua mandíbula com os dedos.
– Por que eu, Quinn?
Abro a boca, mas não consigo falar. Ela fecha os olhos, engolindo seco. Beijo seus lábios suavemente, uma, duas, três vezes. Até que ela resolve virar nos meus braços, ficando de frente para mim. Rachel respira fundo, antes de me beijar de verdade. Suspiro entre sua boca, sentindo toda a energia voltar, eletrizando meu corpo. Coloco a mão na nuca dela, querendo-a mais perto. A morena estica as pernas ao meu redor, encostando nossos corpos. Abraço sua cintura, enquanto seus dedos sobem e descem no meu braço, fazendo um carinho suave. O ar falta, fazendo com que nos separemos.
– Não pare. – Suplica.
Eu obedeço, sem condições de negar minha maior vontade. Eu posso beijar Rachel por uma vida, sem precisar fazer qualquer outra coisa. Apenas isso bastava. Maldito oxigênio que atrapalha sempre. Dessa vez, a morena aproveita a falta do folego e brinca com minha orelha, dando pequenas mordidas. Tento controlar minha respiração, sugando seu pescoço.
– Hmm... – Ela sorri. – Você vai me marcar? – Sussurra. Não penso duas vezes, aumentando a força. Ela solta um gemido baixo, me deixando louca.
– Não me provoque. – Aviso, voltando para sua boca.
Toda vez que nossas línguas se encontram, parece ser diferente. Incrivelmente diferente. E bom. Perfeito. Ela puxa um pouco meu cabelo.
– Eu gosto quando você prende assim. – Fala, respirando pesado. Eu sorrio.
– É? – Encosto nossas testas. Ela assente, buscando minha boca outra vez. Eu rio, afastando. – O que é isso, Rachel?
– Pensei que você quisesse comemorar. – Resmunga, fazendo bico.
– Eu quero. – Mordo o lábio, encarando-a. – Vem cá.
Deito na areia, trazendo-a junto. Perco a conta dos inúmeros beijos que demos. Só quero que essa tarde não termine nunca. Conversamos um pouco, entre um beijo e outro, contando detalhes sobre a apresentação e falando sobre os novos participantes. Rachel disse que não via problema de Sugar se juntar ao grupo, apesar da falta de técnica e de ter saído com Finn semanas atrás. Isso me tranquilizou de certo modo. Saber que o ciúme que ela sentia não existe mais, ou ao menos não incomoda.
A morena estava deitada no meu braço, quando Santana e Brittany apareceram, sorrindo. Rachel quis levantar, mas eu segurei seu corpo, fazendo-a ficar. A latina levanta a sobrancelha, de forma maliciosa. Vejo sua namorada apertar sua cintura, repreendendo-a. Prendo uma risada. Ah, Santana... Quem diria?
– Vocês não querem entrar no mar? – A dançarina pergunta, com os olhos brilhando. – San não quer vim comigo.
– Britt-Britt, a água está congelando. – A latina choraminga, nos fazendo rir. – O que é, Fabray? Vai você então.
– Você quer ir? – Sussurro para a morena.
– Eu não... Eu... – Desvia o olhar. – Não posso. Vai... – Ela estende os braços. – Vai doer.
– Tudo bem, não tem problema. – Me bronqueio internamente por me esquecer disso.
– Vai com Britt. – Eu abro a boca pra negar, mas ela me interrompe. – Pode ir, sério. Eu fico aqui vendo vocês.
Assinto, deixando um beijo rápido na pequena. Brittany pula, feliz, enquanto caminhamos em direção ao mar. É possível ver o resto do Glee mais na frente. Estão quase todos dentro da água. Sorrio para eles. É tão boa a sensação de dever cumprido. Em um surto de coragem, entro com toda no mar gelado. Santana tem razão, está muito frio. Brittany bate o queixo, mas parece não ligar, pulando para aquecer.
– Nós atrapalhamos algo? – Pergunta, curiosa.
– Não. – Sorrio de lado, olhando Rach e Santana na areia. A latina deve estar soltando alguma brincadeira, pela expressão que Rachel está fazendo. Balanço a cabeça, rindo. – Estou tão perdida, Britt. – Suspiro.
– Ficando com Rach? – Levanta a sobrancelha. – É só questão de tempo, Q. Ela vai perceber que também se sente assim.
Por Rachel
Ignoro as piadas de Santana e fico olhando para as duas loiras no mar. Que vontade de entrar também. Mas, eu tenho certeza que vai arder o inferno em mim se eu fizer. Vai ser pior que sabonete. Sinto ódio por ter feito isso.
– Puta que pariu. – A latina me assusta. – Quinn não brinca em serviço. – Franzo a testa, sem entender. – Acho melhor você soltar o cabelo quando chegar em casa, se não quiser que alguém veja isso no seu pescoço.
– SANTANA. – Eu cubro com a mão, envergonhada. Ela gargalha alto. – Pare.
– Ah, Berry, pare você. – Me empurra com os ombros. – Olha só... – Santana puxa a camisa, discretamente, revelando uma marca perto do peito. Abro a boca, surpresa. – Britt também tem seus truques. – Sorri orgulhosa.
– Uau... – Rio. – Pensei que você fizesse isso, não ela.
– E eu faço, Rachel. – Zomba. – Só que você não vai ver as delas. – Pisca o olho. Eu viro, corando. – É só um jeito de marcar território, mostrar o que é nosso.
– O... O que? – Santana não responde, sorrindo para as duas meninas molhadas vindo em nossa direção.
Brittany se joga nos braços da namorada, se queixando do frio. Escuto Santana falar algo sobre as roupas da dançarina e ter cuidado para não ficar doente, enquanto a envolve em seus braços, aquecendo-a.
– Estou com frio também. – Quinn diz, encolhida. Eu sorrio, abraçando-a. – Você é tão pequena, que é capaz de você ficar com frio, ao invés de me deixar com calor. – Ri.
– Brittany é bem maior que Santana e não está reclamando. – Viro os olhos. – Você se acha muito alta né, Q?
– Mais que você, de fato. – Beija minha bochecha. – Deus, que frio!
Ela treme. Eu esfrego minhas mãos em seus braços, tentando fazer algo. Mas, Quinn tem razão. Estou ficando com frio também. Ela se aconchega em meu peito, como eu estava minutos atrás nela. Nossos rostos estão muito próximos. Dane-se. Eu sei um jeito que nos esquenta. Beijo sua boca, com desespero. A loira se ajusta no abraço, achando uma posição melhor para ficarmos. Quase instantaneamente, nossos corpos param de tremer e uma onda de calor sobe entre nós. Enfio a mão em seu cabelo, agora molhado e solto, conduzindo o beijo.
– Hmmm... – Ela sorri, quando o ar falta.
– Você está com gosto de sal. – Brinco.
– Está reclamando? – Arqueia as sobrancelhas.
– Não. – Me apresso a dizer, fazendo-a rir. Olho para sua boca, contendo um sorriso.
– O que foi? – Ela passa a mão no lábio. – Aush, Rach, você me marcou!
É só um jeito de marcar o território, Quinn... Mostrar o que é meu.
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