Além da superfície.

6 Eu preciso de ajuda.


Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=Z2ZCYwBjrEY

Por Quinn

Eu tive que me controlar para não ir atrás de Mercedes depois que Santana me contou o que havia acontecido. Meu coração quis explodir dentro de mim. Imaginar essa cena toda me embrulha o estômago. E tudo por causa de um comentário desnecessário e totalmente errado. A voz de Rachel é a voz mais linda que eu já ouvi na vida. Se ela desafina ou não, problema é o de que não a escuta. Chego em casa e lembro que os cadernos dela ficaram comigo. Mordo o lábio. Abro ou não? É invasão de privacidade, Fabray, não faça isso. Coloco-os de lado. Bom, mas ela precisa de ajuda, talvez eu ache algo importante aqui. Respiro fundo, abrindo um deles. Nada demais. A maioria das matérias têm assuntos escritos no inicio. Percebo que com o tempo ela parou de anotar. Isso prova que ela realmente não estava se concentrando nas aulas. Suspiro.

Passo as folhas. Sua letra é linda. Um sorriso bobo se forma em meu rosto. Alguns rabiscos vão aparecendo, fazendo meu sorriso se apagar. Franzo a testa, confusa. Tem um que ela riscou tanto, que rasgou mais duas folhas. E nada mais. Abro o outro caderno, sem esperança. O mesmo acontece: algumas matérias escritas e vazias com o tempo. Já ia fechá-lo, quando algo me chama atenção. Alguns desenhos estranhos, tristes. Ela escreveu todos os apelidos que ela tinha ao redor da folha. Eu estremeço. A maioria deles fui eu quem colocou. Mas, o mais importante, haviam frases soltas.

“Nós parecíamos ser uma boa ideia.

Sangue não será derramado se desistirmos agora.

Ainda assim é difícil apagar o fogo.

O que parecia ser uma boa ideia,

Se transformou em um campo de batalha.”

Sinto meus olhos queimarem.

“Seja forte por nós dois

Não, por favor, não corra, não corra”

Não havia mais nada escrito. Folheio o resto do caderno, sem sucesso. Fecho-o com força, engolindo o nó na minha garganta. O que é isso? Rachel tentou escrever sobre seus sentimentos. Ela estava implorando por ajuda, pedindo para que não desistissem dela, que fossem forte por ela. Um novo nome vira alvo em minha mente: Finn. Ele era a boa ideia dela, certo? O beijo deles nas nacionais parecia ser uma boa ideia, até destruir tudo. O que inferno nós fizemos? Seguro os dois cadernos contra mim, tentando sentir o cheiro dela. Eu não posso esperar até amanhã. Preciso fazer isso agora. Dou tchau a minha mãe e a minha irmã, que estavam vendo tv na sala e pego meu carro, indo em direção à casa dos Berrys, mais uma vez nessa semana. Toco a campainha, segura, diferente do outro dia. Leroy abre a porta.

– Boa noite, Sr. Leroy. – Falo firme, estendendo uma mão. Ele a aperta, com uma sobrancelha levantada.

– Boa noite, Quinn. Você precisa de algo? – Eu não os culpo por serem tão desconfiados comigo. Se fosse minha filha, estaria me chutando para fora.

– Rachel esqueceu os cadernos no ensaio hoje. Eu gostaria de entrega-los. – Tento parecer o mais normal possível. Ele acena, me dando passagem.

– Ela precisa ser mais cuidadosa com suas coisas.

– Oh, não a culpe. – Digo apressada. – Eu peguei para copiar algo e me esqueci de devolver.

– Você disse que ela tinha esquecido. – Merda. Engulo seco.

– Ela se esqueceu de me cobrar. Eu me esqueci de devolver. Então, eu achei melhor vim trazê-los.

– Você poderia ter esperado para fazer isso amanhã. – Ele está começando a me irritar. Tento controlar a respiração.

– Sim, eu poderia. Mas, sabe como é Rachel. Ela certamente faria um drama amanhã. – Sorrio falso. Ele balança a cabeça concordando. – Licença, eu vou... Vou subir.

– Pode ir, Quinn.

Suspiro, aliviada. Pensei que ele não me deixaria fazer. Bato na porta, mas ela não responde. Eu giro a maçaneta, rezando para estar aberta e... A porta abre. Eu entro devagar, procurando-a. Vejo a pequena deitada na cama, com fones no ouvido, encarando o teto. Eu me aproximo, entrando no seu campo de visão. Seus olhos fazem contato com os meus e ela franze a testa, sentando-se.

– O que você está fazendo aqui? – Pergunta, tirando os fones do ouvido.

– Eu... – Limpo a garganta. – Eu vim te devolver os cadernos. – Os olhos dela aumentam. – Você esqueceu no Glee.

– Obrigada. – Murmura, segurando-os. – Você... – Ela se interrompe, mas eu sei o que ela quer me perguntar. Sento na ponta de sua cama, olhando-a.

– É uma música? – A deixo saber que eu li. Ela fecha os olhos com força. – Desculpe. Eu não deveria ter...

– Tudo bem. – Suspira, abrindo os olhos. – É uma música sim.

– Você terminou? – Aproveito.

– Terminei. – Ela sorri de lado.

– Eu posso... Quer dizer, você poderia me mostrar? – Ela me encara e eu engulo seco. – Não tem problema se você não quiser.

– Ela é no piano. – Diz. Eu assinto. – Talvez no colégio.

– Oh, sim! Eu adoraria ouvi-la. – Rachel ri do desespero da minha voz e eu coro. – Eu gosto de suas músicas.

– Sei. – Ela quebra o olhar e eu me repreendo. Ela ainda não acredita em mim. – Você não precisava ter vindo aqui, eu poderia ter esperado até amanhã.

– Me desculpe. Está tarde, certo? – Eu mordo o lábio, nervosa. – Eu precisava te ver. – Confesso, conseguindo seus olhos outra vez. – Nossa apresentação foi incrível, Rachel.

– Eu não quero falar sobre isso. – Sussurra.

– Ok. – Agora eu quebro o contanto, olhando para minhas mãos. – Então, eu já... – Sou interrompida por outra voz.

– Rachel, querida, seu pai e eu teremos que viajar esse final de... – Hiram aparece na porta. – Oh, eu não sabia que você estava aqui, Quinn.

– Boa noite, Sr. Hiram. – Levanto da cama para cumprimenta-lo.

– Boa noite. Como vai sua mãe?

– Muito bem, obrigada.

– Ótimo. – Ele sorri e vira para Rachel, que parece tensa, de repente. – Estrela, você se importa em ficar sozinha esse final de semana? Nós teremos uma reunião importante. – Meu coração congela. Rachel, sozinha?

– Não me importo, papai. – Responde em quase um suspiro.

– Oh, meu amor. Nós não iremos demorar muito. – Fala amoroso.

– Eu já estou acostumada. – Eu percebo um tom de mágoa em sua voz, mas parece que ele não alcança o homem.

– Sr. Hiram. – Chamo. Os dois olham para mim. – Eu poderia ficar aqui com ela. Digo, ela não precisa ficar sozinha. Pode ir lá para casa também.

– Não precisa... – Rachel fala depressa.

– Seria perfeito, Quinn. – Hiram vibra, sorrindo. A morena me manda um olhar reprovador. – Vocês vão se divertir muito, estrelinha.

– Uh, sim. – Ironiza.

– Você pode vim depois da escola amanhã, Quinn?

– Sim, senhor.

– Obrigado. – Ele passa a mão no meu ombro, dá um beijo na testa de Rachel e sai.

– Você não deveria ter feito isso. – Resmunga.

– Você prefere ficar sozinha? – Sinto minha garganta arranhar.

– Eu não ligo. – Fala irritada.

– Perdão. – Me sinto magoada. Santana disse que ela prometeu tentar, mas talvez seja só com a latina e com Britt. – Eles não precisam saber que eu não vim, no entanto. Ou eu invento que adoeci e me desculpo depois. – Abro a porta do quarto, sem encará-la. – Até amanhã.

Apresso o passo, desejando sair dessa casa o mais rápido possível. Ela me odeia. Eu fiz com que ela me odiasse.

Por Rachel

Sinto-me culpada por ter deixado Quinn sair assim. É só tão frustrante ter meus pais fora de casa o tempo inteiro. Quando eu consegui reagir, escutei seu carro se distanciando. Essa sou eu, estragando tudo sempre. Olho para o curativo que Santana fez mais cedo e engulo seco. Quão longe isso está indo?

Entro no colégio e vejo as três lideres nas posições de sempre. Outra Cheerio se aproximou com uma raspadinha, mas Brittany apenas afastou-a. Essa proteção me deixa confusa. Tento olhar para Quinn, mas ela abaixa a cabeça e sai para o outro lado. Ótimo. Não tivemos nenhuma aula juntas. No horário vago, fui para o auditório com Brittany, como combinamos. Aproveitei para agradecê-la por mais cedo. Sinto a falta de Quinn. Achei que ela ia querer ouvir a minha música. Talvez ela tenha desistido. Suspiro. A dançarina não puxa muita conversa hoje, o que é estranho também. Depois do almoço, decido ir para quadra e faltar Glee. Não estou interessada em ouvir as opiniões estúpidas deles sobre quão desafinada eu sou. Vejo Santana sentada na arquibancada, sozinha. Ela não está vendo o jogo, está encarando um ponto mais interessante no chão.

Eu penso em ir lá, mas ela pode não gostar. Tem muita gente. O treino acaba e todos os jogadores saem da quadra. Eu me escondo, esperando o último. Santana não se moveu. Vou em direção a ela e me sento ao seu lado.

– Você deveria estar em Glee. – Ela fala, sem me olhar.

– Eu sei. Você também. – Devolvo. A latina sorri. – Tudo bem? – Pergunto temorosa.

– Artie pediu Brittany em namoro. – Solta, me assustando.

– Ela... Ela aceitou?

– Não.

– Oh, ela não vai aceitar.

– Ainda não. – Continua, virando para me encarar. – Ele só fez o que eu não tenho coragem de fazer. Talvez ela o mereça mais.

– Brittany te ama. – Digo segura. Ela assente, sorrindo triste.

– E eu a amo. Mais que tudo. – Suspira. – Mas, isso basta?

Eu não sabia o que responder. Ficamos em silêncio até o toque sonar. Santana fica em pé e oferece a mão para me ajudar. Eu aceito, levantando.

– Vocês vão se acertar. – Falo.

– Eu espero. – Sorri. Eu assinto, virando para ir embora. – Rachel. – Eu viro de volta. – Eu ficaria com você esse final de semana, mas eu tenho certeza que outra pessoa fará melhor.

Santana sai, me deixando surpresa. Então, eu tento não demorar a reagir e corro em direção à sala do coral. Por sorte, eles ainda estavam saindo. Espero Quinn na porta.

– Hey. – Chamo, quando ela aparece. A loira me olha, preocupada.

– Por que você não participou da aula?

– Porque eu não senti vontade. – Murmuro. Ela assente, pronta para ir embora. – Quinn. – Ela para. – Eu quero que você fique comigo. Digo, esse final de semana.

– Sério? – Me encara, sorrindo. Eu sorrio de volta. – Oh, eu vou pegar minhas coisas e vou, ok?

Por Quinn

Meu coração se aquece. Corro para minha casa, faço uma pequena mala e saio em disparada para Rachel. Ela abre a porta, já sozinha. Eu coloco minhas coisas no quarto de hóspedes e vou para a sala. Falo sobre assuntos leves, conseguindo conversar com a morena. Ela também puxava conversa, às vezes. Estou feliz por ela estar se deixando levar. Eu arrisco brincar sobre as comidas vegan dela e, para a minha sorte, ela devolve a brincadeira. Jantamos em um clima bom. Estar com Rachel é realmente agradável. Eu me pergunto por que eu não fiz isso antes. Sinto tanto ter perdido aquela menina.

– Professor Schue resolveu fazer uma votação entre nós para saber qual dupla vencerá. – Falo, sentando no sofá, enquanto ela liga a televisão.

– Você sabe que nós perderemos, não é? – Pergunta irônica.

– Eu acredito que ganharemos. – Digo segura. Ela nega com a cabeça, procurando um filme.

Um musical começa. Eu prendo uma risada. Tão previsível. O filme é mesmo chato, mas a morena está vidrada nele. Algumas coisas nunca vão mudar, Rachel Berry. Desisto de prestar atenção na tv. Estava quase adormecendo quando escuto um soluço abafado. Rachel está com as mãos no rosto, tremendo. Eu levanto e sento ao lado dela. Sem pensar mais, puxo seu corpo para mim. Ela quebra em meus braços, soluçando. Sinto suas lágrimas caírem no meu pescoço.

– Shhhh, está tudo bem. – Controlo minha respiração, apertando-a no abraço. – Eu estou aqui.

Depois de alguns minutos, a morena se afasta. Eu limpo seu rosto com minhas mãos, tirando o resto de lágrimas de lá. Ela suspira arrastado.

– O que houve? – Pergunto suave. Ela aponta para a tv, onde os créditos estão subindo. Franzo a testa. – Você estava chorando pelo filme?

– Não. – Sussurra. – Estava chorando por mim. Eu nunca... – Soluça fraco. – Eu nunca vou...

– Você vai ser uma estrela. – Completo. Ela nega. – Claro que vai, Rachel. Sua voz é maravilhosa, você vai fazer muito sucesso.

– Eu não vou. — Eu suspiro frustrada. Nunca pensei que sentiria falta da Berry ambiciosa. – Eu não posso mais.

– Por quê? – Suplico.

– Porque eu sou louca. – Dá os ombros. – Porque... Eu sou nojenta, sou um lixo.

– Rach...

– Olhe para isso, Quinn. – Ela levanta as mangas e meu coração para. Tento passar a mão nas cicatrizes, mas ela afasta. – Eu sou um monstro. – Sua voz sai embargada.

– NÃO É. – Grito. Ela encara o chão. Respiro fundo, recuperando o controle. – Você sabia que Angelina Jolie se automutilava?

– O... O que?

– Demi Lovato?

– Oh, ela eu sabi...

– Sabia que até a Princesa Diana passou por isso? – Rachel abra a boca, surpresa. — Amy Winehouse? Lindsay Lohan? Troian Bellisario admitiu um dia desses que fazia.

– Você... Você andou pesquisando? – A morena parece chocada. Eu abaixo a cabeça corando.

– O que eu estou tentando te dizer, é que as pessoas procuram ajuda e superam isso. Ou ao menos tentam. Eu citei nomes de gente famosa para te mostrar que elas não deixaram de crescer por isso. – Suspiro. – Você vai ser uma estrela. Mas, tem que começar admitindo que precisa de ajuda.

Rachel olha para os braços, com os olhos cristalinos. Eu a abraço de novo. Ela, pela primeira vez, devolve o abraço, rodeando minha cintura e descansando a cabeça em meu peito. Passo a mão por seu cabelo. Quando eu achei que ela tivesse adormecido, ela sussurra baixinho:

– Eu preciso de ajuda.

Notas finais
Hey, gente! Espero que vocês gostem do capítulo. E comentem, para eu saber o que vocês estão achanado, é muito importante. O que esperam do final de semana delas? ;) Até o próximo!! :** http://ask.fm/FlorDeLins_