Além da superfície.

15 Estranhos no mesmo lugar.


Notas iniciais
Primeira música: http://www.youtube.com/watch?v=j5UFUAgHmFs Segunda música: http://www.youtube.com/watch?v=w9UBv0pdeLc

Por Rachel

Acordo sentindo uma respiração suave em meu pescoço. Abro os olhos, confusa, e vejo o cabelo loiro de Quinn bagunçado em meu travesseiro. Afasto um pouco, porque nossos rostos estavam incrivelmente pertos. Tento mexer as pernas e não consigo. Então, percebo que elas estão entrelaçadas nas de Quinn. Sinto meu rosto queimar forte. Não tem motivo para eu me envergonhar. Ela nem mesmo está acordada, mas eu o faço ainda assim. Enterro minha cabeça na outra metade do travesseiro, olhando o relógio. 9:30h. Já era para eu estar levantada. Não vou dormir novamente, mas aqui está tão confortável. Eu senti falta desse abraço essa semana. De todas as pessoas que eu cheguei a imaginar estar assim comigo, a loira era a última da lista, bem como Santana. E agora, ambas já dormiram aqui. Quão louco isso é?

Louco é a palavra certa para definir esses últimos dias. Eu descobri que duas das pessoas que mais me atormentaram, que eu mais temia, são incrivelmente frágeis. Sempre soube que Britt tinha um coração. Sua inocência, apesar das muitas brincadeiras ruins que ela tirou comigo, me mostrava seu lado diferente. Inocência essa, que desarma a latina mais dura do colégio. E juntas, elas seguraram a capitã das Cheerios, que anda de cabeça erguida pelos corredores, com seu olhar superior, mas que no fundo, tem seus próprios fantasmas. Eu as julguei, por tudo que elas fizeram para mim. Todos nós temos segredos, nossas fragilidades. Alguns só demonstram mais que outros. Os passos do lado de fora me jogam de volta para a cama. Eu tento sair do lugar, mas Quinn coloca seu braço na minha cintura e me puxa mais para perto. Eu sorrio, vendo-a resmungar coisas sem sentindo.

– Quinn... – Sussurro. Ela encaixa o rosto em meu pescoço, sonolenta. – Hey, acorde. – Tento outra vez.

– Durma, Rach. – Pede.

– Vamos, Quinn. Já está tarde. – Aviso. Ela coloca a mão na minha boca, me calando. Eu viro os olhos e mordo-a fraco.

– Aush!!! – Abre os olhos, segurando a mão. – Você me mordeu? – Pergunta rouca. Eu rio, baixinho.

– Você não queria acordar.

– Aí você me morde? – Franze a testa, mas não tem irritação em sua voz. – Bastava levantar, Berry.

– Se você tirar suas pernas das minhas, eu conseguirei. – Levanto uma sobrancelha. Vejo a loira olhar para baixo e corar, puxando-as para longe.

– Sinto muito. – Sussurra. – Eu não...

Uma batida na porta a interrompe, fazendo-a saltar da cama e correr para o banheiro. Eu não evito a gargalhada. Leroy aparece confuso no meu quarto. Puxo o lençol, cobrindo os meus braços o mais rápido que posso. Ele se aproxima e beija minha testa.

– Bom dia, estrela. Você chegou tarde ontem?

– Não muito. – Encolho os ombros.

– Hm, pensei que sim, porque está na cama até agora. – Ele ri. – Desculpe por não ter avisado, mas...

– Reuniões importantes. – Completo. Ele assente. – Eu sei. – Sorrio falso.

– Certo. – Meu pai olha para a bolsa de Quinn, desconfiado. – Tem alguém aqui? – Sussurra.

– Ahn... Quinn não quis me deixar sozinha, então ela ficou. – Na verdade, eu a convidei, já que meus pais saem e não dizem nada.

– Oh, Quinn é uma boa menina. – Ele balança a cabeça, sorrindo. Eu apenas aceno. – Bom, Hiram preparou o café da manhã. Desçam.

Ele sai do quarto. Olho em direção ao banheiro trancado. A porta abre timidamente. Eu prendo os lábios com os dentes, tentando não rir dessa cena. A loira aparece devagar, como se procurasse pelo homem que acabou de sair. Quando ela vê que ele não está, abre completamente a porta e sai. Continuo prendendo o riso. Quinn percebe e joga um travesseiro em mim.

– Não sei onde você está vendo graça. – Ela diz, com um tom de rosa em suas bochechas.

– Você está parecendo um garoto que foi pego pelos pais da namorada em seu quarto, Quinn. – Rio, fazendo-a corar ainda mais.

– Eu apenas me assustei, ok? Não estávamos em uma posição... Apresentável. – Murmura.

– Não tenho culpa se você me agarra durante o sono. – Brinco.

– Eu? Que eu saiba, você quem enfiou as pernas nas minhas. – Nós rimos. – Olha, não estou achando ruim, viu? Santana morreria pra ter pernas assim com ela.

– O que? – Pergunto surpresa.

– Suas pernas, Rachel. – Fala como se fosse óbvio. – São... Boas. – Ri. Eu dou uma tapa em seu braço.

– Ok, eu vou trocar de roupa e nós descemos para comer. – Mudo de assunto, constrangida.

– Não precisa. Eu não quero incomodar. Sério. – Diz, nervosa.

– Eu já falei pra Leroy, Quinn. Não tem problema. – Ela assente devagar.

Vou para o banheiro e encosto na porta. Tomo um banho e resolvo repetir o que fiz ontem. Cubro meus braços com maquiagem e jogo uma camiseta leve. Quase sorrio para o espelho, antes de voltar para o quarto.

Por Quinn

Ok. Eu dormi abraçada com Rachel. Meu coração está batendo loucamente no meu peito, desde a hora que eu acordei. Se o pai dela nos pega daquele jeito? Deus, nós nem fizemos nada. Respire, Quinn. Apenas... Respire. Ela sai do banheiro e um sorriso se espalha no meu rosto com sua roupa.

– Hey, Rachel Berry. – Digo orgulhosa.

Eu sei que as cicatrizes estão ali ainda, mas é bom vê-la como antigamente. A morena acena para a porta e eu a sigo, nervosa. Seus pais estão na mesa, conversando. Por que eles parecem tão normais? Rachel nem mesmo os considerou família ontem. Eu comprimento os dois, que sorriem e pedem para que nos sentemos. Vejo a pequena falar com Hiram, quase que mecanicamente. Engulo um suspiro. Ela senta ao meu lado e eu passo uma mão em sua perna carinhosamente, para que ela saiba que estou aqui. Rachel sorri de lado.

– Quinn, é muito bom te ver aqui de novo. – Leroy fala animado. Hiram assente, desconfiado. Eu estremeço.

– Eu não sabia que vocês eram tão amigas. – O outro homem diz. Por que eu tenho a sensação de que ele me odeia? Será que ele sabe que eu infernizei a vida de Rachel?

– Nós somos. – A morena diz normalmente. Eu sorrio, esquecendo seus pais. Ela me considera uma amiga?

– Você não namorava o Finn? – Pergunta. Eu olho pra baixo, envergonhada. Rachel ia responder outra vez, mas eu aperto sua perna, impedindo-a.

– Faz tempo que nos separamos, Sr. Hiram. Nós somos apenas bons amigos agora. – Tento parecer simpática.

– Ele e Rachel formam um casal tão bonito, não acha, Quinn? – O que é isso? Eles estão brincando comigo? A morena fica tensa na cadeira. Eles não sabem que eles não estão juntos? Eu coloco um pedaço de bolo e assinto, para não ter que responder.

– Por que vocês não fazem uma reunião como todo o Glee aqui em casa? – Leroy sugere. Rachel solta o garfo, de repente, conseguindo nossa atenção. Ela se desculpa, voltando a comer. – Nós gostamos de ver vocês juntos.

– Outro dia.

Meu coração se aperta ao ouvir a voz quebrada de Rachel. Eles não percebem mesmo? Então, a impressão que eu tive ao ver os dois na mesa quando entramos, se desfez. Eles são apenas desconhecidos, comendo no mesmo lugar. Me sinto mal por ela. Quando Russel estava lá em casa, as coisas também eram assim. Apesar de tudo o que aconteceu, isso serviu para me aproximar da minha mãe e irmã, que antes não sabiam nada sobre mim, nem eu delas. É realmente bom poder contar com as pessoas de nossa casa. Como se nada, os homens entram em uma conversa entre eles, nos fazendo de invisíveis. Olho para a morena pelo canto do olho.

– Eu vou ao banheiro, licença. – Seus pais assentem, sem prestar atenção. Minha respiração fica presa. Banheiro? Eu levanto? Deus...

Espero alguns minutos, incomodada por estar sozinha com eles. Eu preciso ir atrás dela. Murmuro um licença, que não é nem escutado. Subo a escada correndo e, antes de bater na porta do banheiro, ouço um som estranho, parecendo um soluço abafado.

– Rachel? – Chamo. – Rachel, abre para mim, por favor.

– Só um minuto. – Pede, com a voz rouca.

Eu fecho os olhos, sentindo vontade de descer e gritar com seus pais. Estava pronta para chamar outra vez, mas ela abre a porta, olhando para baixo. Seus punhos ainda estão com a maquiagem. Suspiro, aliviada. Sem pensar mais, envolvo meus braços em seu corpo pequeno, que se encaixa perfeitamente no meu. Depois de alguns segundos, ela reage, abraçando minha cintura e descansando sua cabeça em meu peito. Passo as mãos em seu cabelo, querendo segurá-la o resto da vida. Ela não está chorando, sua respiração é calma.

– Você está bem? – Sussurro.

– Estou. – Se afasta um pouco para me olhar. Seus olhos, no entanto, estão um pouco vermelho. – Isso é mais comum do que você imagina.

– Sinto muito.

– Não sinta. Não é sua culpa. – Ela suspira. – Obrigada... por estar aqui.

– Eu vou estar sempre que você precisar, Rach. – Garanto. Ela sorri de lado, voltando a me abraçar.

Por Rachel

Quinn ainda ficou para o almoço ontem, não querendo me deixar sozinha. Nós conversamos algumas besteiras, enquanto isso. Ela me faz rir facilmente, me distrai. Quando eu cheguei ao colégio hoje, ela, Santana e Brittany já estavam me esperando. Eu acenei para as três, que me seguiram para a sala. Não que eu ache mais necessário, ninguém nem mesmo resmungou um apelido para o meu lado. O primeiro tempo foi realmente tranquilo.

Termino de almoçar e sigo para o auditório, como todos os dias, para ensaiar com Brittany. Entro com o violão na mão, indo para o palco. Mas, percebo duas pessoas sentadas no chão, muito próximas uma da outra. Um sorriso se abre quando eu consigo identificar Santana e Britt se beijando. Eu viro, para deixa-las a sós, mas o violão acaba batendo no piano e fazendo zoada. O casal salta.

– Me desculpem. Eu não queria atrapalhar. Eu já estou indo. – Digo depressa.

– Rachel. – Brittany chama. – Fique, nós... Estávamos te esperando. – Eu olho para Santana, que dá os ombros. Mas, eu consigo ver o sorriso que ela está tentando esconder. – Vamos ensaiar.

– Tem certeza? – Sussurro.

– Claro que sim. – Sorri, levantando. – San, você dança comigo hoje?

– Sempre, Britt-Britt. – A latina segura as mãos que a loira oferece e levanta também.

– Que música, Britt? – Pergunto, sentando no chão.

– A que vier na sua cabeça, Rach. Cante algo que você está sentindo agora. Nós iremos só te acompanhar.

– Meus sentimentos não são tão dançantes. – Rio, irônica.

– Não importa. Apenas cante. – A dançarina segura Santana pela cintura, que ri, maliciosa. Eu viro os olhos. – Quando estiver pronta...

Eu não preciso pensar muito. Eu sei exatamente como eu me sinto. Começo tocando a introdução de Torn. Sorrio fraco, vendo Britt começar a se movimentar com Santana. Então, começo a cantar. Cada palavra sai da minha boca rasgando tudo por dentro. Meus olhos começam a arder, eu seguro as lágrimas, firmemente. Mas, minha voz vai ficando fraca, à medida que a emoção vai tomando conta. Antes que eu desafine por completo, ouço outra voz me acompanhar. Viro em direção a ela, mesmo já sabendo quem era. Quinn sorri, cantando e senta ao meu lado. Eu retribuo o sorriso, encontrando uma força estranha e tranquilizante. Nós terminamos a música, nos encarando. Brittany pula nos braços de Santana, quase a derrubando. Nós rimos da cena.

– As vozes de vocês duas juntas é surreal. – A dançarina comenta, se aproximando, com as mãos entrelaçadas a da latina. O que aconteceu com Artie, afinal? – Seus sentimentos podem ser dançantes sim, Rachel. – Sorri.

– Obrigada, Britt. – Quinn agradece, vendo que eu não posso fazer. – E vocês duas na dança parecem uma só.

– Não só na dança. – Completo. Quinn assente, sorrindo. Santana abaixa a cabeça, escondendo suas bochechas coradas.

– San disse que quando estamos...

– Britt, elas não querem saber. – A latina corta, envergonhada. Eu arqueio as sobrancelhas, rindo. – Vamos, nós iremos nos atrasar para o Glee. Vemos vocês lá. – Santana sai, levando Brittany.

– Essas duas são impossíveis. – Quinn ri, balançando a cabeça. – Então, é assim que você se sente? – Eu franzo a testa. – A música...

– Oh... sim. – Sussurro. Ela segura minha mão com força.

– Será por pouco tempo, ok? – Eu rio, sem acreditar. – Lembra quando você duvidou de mim sobre a torta, né?

– Ah, claro. Eu não posso duvidar de você. – Ironizo.

– Berry, o que eu faço contigo? – Ela levanta a sobrancelha, se aproximando.

– O que... O que você vai fazer? – Eu não estou com medo. Estou com vontade de rir, seu rosto está divertido. Então, Quinn levanta as mãos e começa a me fazer cócegas.

Por Quinn

– Para! Para! – A morena gargalha dobrado. Deus, que som maravilhoso.

– Você duvida de mim, Rachel Berry?

– NÃO. Eu não duvido... – Ri. – Eu não duvido de você, Quinnie. Pare. Pare. – Eu queria parar, mas sua risada é tão linda... – Aush! – Ok, isso não foi bom. Eu paro, assustada, vendo sua expressão dolorosa.

– Rach? Eu te machuquei? – Pergunto temorosa. Ela sorri, mas eu não sei se é verdadeiro. A morena me vira no chão, ficando por cima de mim.

– Te peguei. – Levanta uma sobrancelha.

– Você me enganou, Berry? – Ela morde o lábio assentindo.

Meu coração dispara. Rachel está sentada em mim, prendendo meus braços. Nossos rostos estão pertos. Tento respirar normal. Ela parece perceber e se afasta, envergonhada.

– Vamos? Temos que anunciar nossa decisão sobre a música hoje. – Sorrio, entrelaçando nossos braços.

– Você acha que eles irão gostar? – Sussurra.

– Lógico que sim. – Digo decidida.

Nós entramos na sala, sentando ao lado de Santana. Britt está com Artie. Rachel olha para a latina, confusa. Professor Schue entra, sorrindo, batendo palmas e aquilo de sempre. Quando eu levanto meu braço, para que ele me dê a chance de falar, Finn levanta e sussurra algo no ouvido dele. O professor sorri, assentindo.

– Bom, gente. Antes de sabermos a decisão das meninas, Finn cantará uma música. – Avisa.

Por que eu não estou com um bom pressentimento? Santana me olha, como se pensasse a mesma coisa. Eu vejo Rachel ficar tensa na cadeira. Finn canta Can't Fight This Feeling, olhando diretamente na morena ao meu lado. Eu prendo minhas mãos na cadeira, irritada. Quem ele acha que é? Ela não se move em nenhum minuto, parece nem piscar. O menino sorri de lado, quando termina.

– Pode ser meio tarde pra te dizer isso, mas eu não posso mesmo mais lutar contra esse sentimento, Rachel. – Eu viro os olhos. Ele fica na frente dela e puxa uma de suas mãos, beijando-a. Eu quero chutá-lo, agora. Santana coloca uma mão em meu ombro. – Todos sabem que nós dois somos feitos um para o outro. Nós cometemos erros. – O que? Ele está se culpando? Puta que pariu. – Mas, quem não comete? Eu gosto de você, sempre gostei. Por isso eu estou aqui, Rach, mais uma vez, te pedindo outra chance.

Ouço umas palmas felizes e rosno para a cara de idiota que todos estão fazendo. Eles acreditam mesmo nisso? Brittany está olhando diretamente para mim, eu posso sentir o seu olhar, mas não tenho força para encará-la.

– Então, Rachel. – Continua. – Você quer namorar comigo?

Notas finais
E ai, gente bonita? Como estamos? Espero que vocês gostem do capítulo... Não deixem de comentar, ok? Alguém quer ver cena de Rachel com Frannie? :)) Até o próximo!! ;** http://ask.fm/FlorDeLins_