Por Rachel

Nós havíamos tido uma noite mais tranquila que a anterior. E isso só faz com que eu fique mais surpresa com a força que a minha namorada consegue ter. Quinn é frágil, delicada, guarda um mundo de emoções dentro dela. Mas, ela se ergue. Levanta a cabeça. Sorri como a capitã das lideres de torcida. Às vezes eu acho que ela conseguiria conquistar o planeta com apenas um olhar. Ou com sua voz deliciosamente rouca. Sei que ela passou por muitas para conseguir manter-se firme e dói pensar que ela tenha entrado em uma espécie de costume em relação a essas coisas, mas não posso evitar sentir orgulho dela.

É inevitável eu não me apaixonar mais por ela vendo-a fazer piadas inteligentes para eu poder rir, mesmo seu mundo estando de cabeça para baixo. É inevitável não querer abraçá-la forte quando ela ergue uma sobrancelha e faz um comentário presunçoso para que eu brinque com sua falta de modéstia, mesmo que esteja se sentindo tão pequena. E mais uma vez, eu me pego pensando porque ela está comigo. Não reclamo, pelo contrário, só tenho a agradecer por tudo e lutar com toda a minha força para que ela continue aqui. Ela é tão, mas tão linda.

Depois de alguns minutos, Quinn suspira, agarrando minha cintura. Eu a encaro, esperando. Seus olhos demoram a se acostumar com a claridade, mas seus lábios se curvam para cima, lentamente.

– Bom dia, meu amor. – Sussurro.

– Dia... – Boceja, preguiçosamente. – Faz tempo que você acordou?

– Um pouco. – Ela põe a cabeça em meu braço. – Eu gosto de ver Barbra em cena, assistir musicais. – Coloco uma mecha do seu cabelo para trás. Ela franze a testa, sem entender. – Eu gosto de te ver treinar. Gosto de te ver dançar. Gosto de te ver tendo um orgasmo. – Ela estremece, com um sorriso tímido. – Mas, te ver dormindo... Me traz uma paz enorme.

– Acordou inspirada, Berry? – Esconde o rosto vermelho em meu peito. Eu sorrio.

– Acordei pensativa, eu acho. – Mordo o lábio. – Amor... Estou com vontade de fazer algo.

– Hmmmm... – Me olha, maliciosa. – Eu estou sempre...

– Não é isso, Q. – Viro os olhos. – Quer dizer, pode ser também.

– E o que é?

– Eu quero... – Me apoio nos braços. – Eu estava pensando... Faz tempo que eu não entro no mar.

– Você quer ia à praia?

– Quero, mas... – Suspiro. – Eu não sei.

Quinn tira o lençol de cima de mim, passando os dedos sob o ultimo corte que eu fiz em meu abdômen. Eu fecho os olhos.

– Já faz alguns dias. Não acho que vá doer. Está cicatrizado.

– Eu não quero que vejam isso.

– Coloca uma blusa com mangas. – Eu balanço a cabeça. – Você não tem uma folgadinha?

– Tenho...

– Então? Vamos. Se demorarmos, o sol vai ficar muito forte. – Levanta.

– Eu te amo. – Seguro seu punho.

– Eu também te amo. – Me dá um beijo rápido. – Vamos!

~~

Nós havíamos colocado biquínis nas bolsas, porque eu avisei que a casa tinha piscina, então não precisamos ir embora tão cedo. A praia não está cheia, mas tem alguns grupos de pessoas espalhados. Quinn se aproxima mais de mim, olhando feio para os lados.

– Se cubra, Rachel. – Resmunga.

– Mais? Eu já estou coberta, Q. – Rio.

– Da cintura para cima. – Me abraça por trás. – Não quero que fiquem olhando suas pernas.

– Amor, você vai me derrubar. – Tento me afastar, mas ela me prende. – Quinn! Ninguém está me olhando. Além do mais, suas pernas são bem mais interessantes.

– Já estou me arrependendo.

– Ok, Fabray, estamos na praia. Você queria que eu vestisse um jeans?

– Não, mas...

– O que aconteceu com aquela história de que não fazia mal que me olhassem? Que era até bom pra mim? – Provoco.

– Cale a boca. – Eu solto uma gargalhada, sendo puxada para baixo. – Aqui está bom.

Nós nos sentamos na areia. Eu tiro o protetor solar e passo por suas costas, vendo suas caretas aumentarem.

– Isso é nojento.

– Você é muito branca, amor. Se não passarmos bastante, vai te queimar. – Começo a colocar em seu rosto.

– Eu e o sol não temos uma relação muito boa.

– Eu sei. – Sorrio. – Mas, o sol tem vitamina D, vai te fazer bem, melhorar seu humor. – Beijo sua testa. – Não quero mais você triste.

– Eu vou me lembrar disso um dia e usar contra você. – Sussurra. Eu rio alto, mais uma vez.

– Você vai fazer isso. – Ela esfrega o rosto em meu ombro. – Quinn!

– Está parecendo minha mãe.

Eu sento na sua frente, encostando em seu peito e apoio meus braços em suas pernas. Quinn faz carinho na minha pele, enquanto o vento sopra forte em nós. Suspiro lembrando quantas vezes eu vim aqui quando era mais nova com meus pais e como deixamos de fazer isso com o tempo. É como se aquela época não tivesse existido. Fosse apenas uma criação de minha mente. Por muito, foi um buraco na minha memória. As coisas vão voltando aos poucos, como se eu tivesse sofrido uma amnésia temporária e estivesse me recuperando. Não é certo. Eu só não queria lembrar.

Sinto algo bater em meus pés e o corpo de Quinn tencionar. Viro para o lado, descobrindo um pequeno garoto vindo em nossa direção.

– Desculpem. – Ele aponta para a bola. – É minha.

– Tudo bem. – Sorrio. – Aqui está.

– Obrigado. – Ele abre a boca e fecha. Abre e fecha.

– Hey, você está ok? – Franzo a testa.

– Sim. Eu... – Inclina a cabeça. – Vocês... Vocês...

– Nós...?

– Vocês são... – Encolhe os ombros.

– Nós somos namoradas. – Finalizo para ele, que arregala os olhos.

– Oh, eu... Isso pode?

– Você consegue ver algum problema em nós? – Meu tom era quase de brincadeira, apesar da cara séria da loira.

– Não. – Coça a nuca. – Vocês são bonitas juntas. – Minha namorada sorri lentamente. – Meu pai diz que é errado. – O sorriso some outra vez.

– Talvez seu pai esteja enganado. – Sussurro. – Talvez ele esteja precisando ver que o amor não faz mal a ninguém. – Ele assente.

– Vocês...

– IAN. – Uma mulher grita, nos assustando. – VENHA PARA CÁ. AGORA.

– EU JÁ VOU, MÃE. – Ele grita de volta. – Eu... já vou. – Acena.

– Divirta-se, menino.

O pequeno corre na direção contrária, colocando a bola na areia e chutando para outros garotos de sua idade. Ele nos dá um olhar rápido e nos sorri.

– Isso foi estranho. – Rio. – Quinn?

– Hm?

– Tudo bem? – Viro. – Está calada.

– Eu lembrei... – Ri baixo. – Nada. Vamos tomar banho?

– Agora? – Mordo o lábio.

– Sim! Foi para isso que viemos, não foi? – Levanta uma sobrancelha.

– Foi. – Suspiro.

Quinn tira a roupa, ficando só de biquíni e eu engulo seco. Ela ri quando percebe meus olhos em seu corpo. Eu não sei se sinto mais vontade de levá-la de volta para casa ou de beijá-la e tirar o resto agora mesmo. Ela segura minha mão, enquanto vamos em direção ao mar. Nós paramos alguns segundos, encarando as ondas batendo em nossos pés. Frio. Suportável.

– Pronta? – Eu assinto.

Fecho os olhos, entrando devagar. A água começa a bater em minha cintura.

– Rach? Incomoda?

– Não. – Sorrio. – Só algumas fisgadas pequenas.

– Tem certeza que quer ficar?

– Tenho. – Mergulho de vez. – Eu senti tanta falta disso.

– Prefiro piscina. – Encolhe os ombros, escondendo um sorriso.

– Você é muito chata. – Pulo em cima dela, fazendo-a mergulhar. – Chata, chata, chata.

– Para, Rachel. – Tenta segurar meus braços.

– Então deixa de ser chata e aproveita comigo. – Ela me envolve por trás.

– Uma vez, Frannie e eu estávamos brincando, veio uma onda um pouco forte e nos desequilibrou. – Quinn solta uma gargalhada gostosa. – Mamãe quase nos matou.

– Por que?

– Porque ela já havia nos chamado para voltarmos mil vezes. Tivemos que escutar os “eu avisei” dela todo o caminho.

– Vocês não queriam sair? – Ela nega. – Quer dizer que teve um tempo que você não era chata? – Seus braços me apertam.

– Eu era uma criança. – Suspira. – As coisas mudam tanto quando a gente cresce, né?

– Elas precisam mudar. – Viro, ficando de frente para ela.

– Você se imaginava assim? Digo, que teria essa voz linda, que iria correr atrás da Broadway... Que namoraria uma mulher...

– Eu não me lembro de uma etapa de minha vida que eu não tenha sonhado com isso. Sempre gostei de cantar. É sonho de infância. – Ela sorri. – E sobre namorar uma mulher... Não, eu nunca tinha me imaginado até aparecer você. Mas, nunca vi problema nisso, então...

– Talvez você não tenha mudado tanto assim, no final das contas. – Beija minha boca rapidamente.

– Claro. – Ironizo. – E você?

– Minha vida é totalmente diferente do que eu imaginei que seria, Rachel. – Me encara. – E eu estou amando isso.

Nós paramos de conversar e decidimos aproveitar o tempo que ainda tínhamos antes de voltarmos para nossas casas. O final de semana passou praticamente voando e a realidade já está batendo em nossas portas. Nenhuma de nós duas parece querer que isso aconteça tão cedo. Nos perdemos em nós mesmas, esquecendo que existiam pessoas em nossa volta. Era só eu e ela, como tinha que ser.

~~

Terminamos de arrumar a casa de meus tios e ajeitarmos nossas bolsas no final da tarde. Quinn cantarola baixinho, enquanto eu dirijo em direção a sua rua. Pensativa, a loira solta um suspiro arrastado.

– O que houve? – Pergunto, preocupada.

– Quando nós iremos dormir e acordarmos juntas todos os dias? – Faz um pequeno bico, me fazendo sorrir.

– Logo, logo, Quinn. – Aperto seu joelho. – O ano está quase no final.

– E você está pronta pra isso?

– Como assim?

– Está pronta para morar comigo? Sozinhas? É quase um casamento. Ou você prefere que moremos separadas até...

– Shhhhh... – Interrompo-a. – Eu prefiro morar com você assim que sairmos dessa cidade. Aliás, eu queria ir agora, mas... – Ela sorri.

– Eu quero te fazer muito feliz.

– Você me faz. – Beijo sua mão. – Você me faz, Quinn.

Por Quinn

Depois que eu guardar minhas coisas, eu respiro fundo, chamando minha mãe e irmã para a sala. Rachel segura minha mão com firmeza. As duas loiras nos olham preocupadas, enquanto eu vou tentando relatar tudo o que aconteceu durante o baile. Ou melhor, quase tudo. Não precisam saber o que fizemos no banheiro. Eu coro com a lembrança e Rachel faz o mesmo que eu, sabendo exatamente no que estou pensando. Elas comemoram quando conto sobre termos sido as “rainhas”. Mostro a coroa que recebi. Judy a coloca junta das suas. Finalmente eu consegui dá-la o que ela sempre quis.

Quando vou chegando perto da parte difícil, peço uma ajuda silenciosa para a morena. Rachel assume a conversa, contando sobre o encontro inesperado que tivemos. Frannie abre a boca, surpresa. Mamãe arregala os olhos à medida que a história ia passando. Enxugo umas lágrimas que me escapam. O silêncio se instala na sala.

– E tudo isso aconteceu na sexta e você não nos avisou? – Minha mãe pergunta, de repente.

– Eu...

– Quando pretendia me contar?

– Hoje! – Suspiro. – Não é como se a senhora tivesse descoberto por terceiros.

– Você mentiu!

– Eu não menti. – Digo, impaciente. – Eu só...

– Não, Quinn! E agora? Ficar preocupada com vocês é algo inevitável, mas agora eu não sei quando vou poder acreditar que está tudo bem.

– Está exagerando...

– Rachel. – A morena levanta a cabeça. – Querida, você já pode ir para casa, certo? Eu preciso conversar com minha filha. Vocês já tiveram muito esse final de semana. É a minha vez.

– MÃE.

– Está tudo bem. – Rachel fala, segurando meu rosto. – Eu já estava de saída. – Se aproxima. – Não fica assim. Ela só quer conversar. – Sussurra. – Judy, eu sinto muito que tenha ficado chateada. De verdade, não foi nossa intenção quebrar sua confiança. Gostaríamos de ter falado, mas Quinn precisava de um tempo e eu apenas respeitei isso.

– Eu sei, Rachel. Obrigada por ter ficado com ela. Sei que você a cuidou bem. – Abraça minha namorada. – Não fique com raiva. Nós realmente precisamos conversar.

– Eu entendo. – Sorri fraco. – Boa noite, Judy. Boa noite, Fran. – Elas se despedem.

Eu a levo até a porta, tensa pela reação inesperada da minha mãe. Rachel me envolve em um abraço apertado, fazendo com que meu corpo relaxe quase instantaneamente.

– Tudo vai ficar bem, meu amor. Eu prometo. – Nós nos beijamos. – Me liga mais tarde?

– Ligo. – Abro a porta. – Até amanhã.

– Até amanhã.

Volto para sala, cruzando os braços.

– O que diabos foi isso?

– Não fale assim, Quinn! – Judy me repreende. – Nós temos um problema aqui.

– Temos mesmo. Precisa me tratar como se eu tivesse feito a coisa mais horrível do mundo?

– Abaixa o tom, moça. – Range os dentes.

– Não é hora para brigarmos, gente. – Frannie nos separa. – O que deu em vocês?

– Ela ficou louca!

– OLHA O RESPEITO, FABRAY.

– Oh... – Eu dou um passo pra trás. – Sinto muito... Pai!

Mamãe paralisa. Frannie me olha, pedindo calma, mas eu nego e subo as escadas correndo. Eu queria apoio, não briga. Abraço o travesseiro, enterro a cabeça no colchão, desejando mais que tudo que Rachel volte, dizendo que esqueceu algo. De repente, sinto como se eu estivesse voltando no tempo. Fecho os olhos, tentando não perder o controle da respiração. Está tudo bem. Tudo bem, Quinn. A porta se abre.

– Filha... Eu posso entrar? – Assinto, sem olhá-la. – Eu... Primeiro eu preciso que você me perdoe. Quinn, eu não sei lidar com esse assunto. – Viro.

– Me deveria ter dito aquilo. — Desvio o olhar. — Ninguém sabe muito bem como lidar.

– Mas, eu preciso saber. – Se aproxima. – Eu sou sua mãe, preciso te proteger. É que... Você saiu daqui e voltou como se... Como se nada tivesse acontecido. – Ela chora.

– Aconteceu, mamãe. – Soluço. – Beth é real. Ela existe.

– Eu sei. – Me abraça. Eu a aperto. – Eu sei, pequena. Eu sei.

– Ela é tão linda...

– Eu imagino. – Alisa meu cabelo. – Você é a minha bebezinha, Quinn. É difícil te imaginar dessa forma, ainda mais quando nós estivemos tão distantes durante essa fase. Durante a sua... Gravidez.

– Minha filha. – Sussurro.

Nós ficamos abraçadas durante um bom tempo, nos acalmando.

– Hoje fomos a praia. – Minha voz sai rouca. – Um menino, tinha uns 7 anos, se aproximou de nós... – Mamãe espera. – Ele perguntou se era certo que fossemos namoradas.

– Foi uma criança, Quinn.

– Ele disse que nos achava um casal bonito. – Sorrio, encarado minhas mãos. – Mas, que o pai... O pai acha que é errado.

– Quinn, Russel...

– Não estou falando de Russel, mãe. – Suspiro. – Estou falando dessas tantas crianças que crescem achando que o amor entre pessoas do mesmo sexo é um erro. O garoto achou bonito, mas... Na cabeça dele, é errado achar bonito.

– Por que está pensando nisso?

– Porque... Eu quero que Beth seja educada sabendo que isso é normal, que não é errado. Me enjoa a ideia de que ela possa... Ser que nem o garoto de hoje. Pior, que ela seja como o pai dele.

– Não acho que Shelby seja assim, querida.

– Talvez ela não seja. – Me afasto. – Mas, ela pode encontrar alguém, não pode? Se ela casa com um homem estúpido? Não sei, se... Se... Beth tenha amigos que sejam assim? Se...

– Ok, veja o porquê eu fiquei chateada por você não me contado logo. – Sorri, enxugando meu rosto. – Mãe é assim. Sempre vamos nos preocupar.

– É mais que preocupação, mãe. – Sussurro. – É medo. Eu não sei se iremos nos encontrar outra vez, mas se num futuro distante ela me ver e me olhar estranho...

– Shhhhh, isso não irá acontecer.

– Eu me vi tanto naquele garoto. Eu lembrei quando... – Me interrompo.

– O que?

– Eu... Não quero te machucar.

– Não machucará. Apenas fale.

– Eu podia não ser mais uma criança, mas... – Inclino a cabeça. – Eu flagrei Santana e Brittany se beijando. Não tinha nada demais, era só um beijo inocente. Nada comparado aos de hoje. – Nós rimos. – Quando elas me viram, elas se assustaram muito. Pediram desculpas, choraram. E eu só me perguntava por que elas não haviam me contado antes.

– E você perguntou? – Eu assinto.

– Elas disseram que tinham medo de minha reação. – Suspiro. – Eu não tinha nem parado para pensar nisso. Estava tão feliz por elas. No fundo, sempre soube que se gostavam. Mas, era...

– Era errado. – Conclui. – Eu te disse que era errado. Várias vezes.

– Mãe...

– Eu sinto muito, Quinn.

– Eu sei. – Abraço-a outra vez. – Eu sei. A senhora mudou. Me acolheu. Me cuida. Trata bem a mim e a pessoa que eu amo. Não tem porque sentir muito.

– É o que eu posso fazer, depois de tudo...

– É o essencial, mãe, o que importa. É tudo. Gostaria que todos tivessem uma mãe como a senhora. Eu... Gostaria de ser uma mãe assim.

– Oh, meu amor. – Me alinha. – Você será uma mãe maravilhosa. – Beija o topo de minha cabeça. – Percebe, Quinn? Mesmo que tenhamos crescido aprendendo de um jeito, a vida nos fez perceber o outro. Nós crescemos. Eu um pouco mais tarde do que você, mas eu cresci também. Nunca é tarde demais. Não importa o que digam. O que importa é o que você sente. Se o garoto achou certo. É certo e pronto.

– Karosky acha certo, no entanto...

– Tem medo. Ele irá crescer um dia.

– Como pode ter tanta certeza?

– Se ele achasse realmente errado, eu não diria nada.

– E se eu tivesse descoberto na época que... Antes da minha gravidez, que eu sou gay. A senhora acha que eu teria coragem?

– Seria diferente. Mas, você teria. Você é forte.

– Russel me expulsaria do mesmo jeito.

– Isso, creio. – Balança a cabeça. – Não importa mais. Somos uma família melhor assim.

– Essa família tem espaço pra mim, ou... – Nós sorrimos, abrindo os braços.

– Ciumenta. – Estiro a língua para Frannie, que deita entre nós.

– Tudo bem? Pararam com o estresse? – Brinca.

– Sim. – Mamãe responde. – Vocês são tudo pra mim, minhas pequenas. E sinto muito orgulho das duas.

– Não somos mais tão pequenas assim, mas... – Fran ri. – Eu digo o mesmo, para ambas.

– Eu também.

– É que eu ainda sinto vocês crianças. – Faz bico. – Cresceram tanto. São mulheres lindas, por dentro e por fora.

– Precisamos crescer, mamãe. Todos precisam crescer.

Notas finais
"Ahhhhhhh, mas você diz que está de férias e demora mais do que outros dias para postar." Ok, calma. Eu tenho uma explicação e ela é bem rápida: Sem inspiração. Hey!! Acontece nas melhores famílias :p Não quero postar de qualquer jeito, mesmo achando que esse capítulo não ficou como eu queria que ficasse. Entrando na reta final, então... Não vamos estragar tudo agora, certo? Com calma, chegamos lá. Perdoem a demora e... Espero que gostem. http://ask.fm/FlorDeLins_ Até o próximo ;**