Além da superfície.
66 Abstinência.
Por Quinn
– Quinn...
Eu calo sua boca, beijando-a novamente. Rachel prende as mãos firmes em minha cintura, como quem procura manter um controle da situação. Solto um grunhido, mordendo seu lábio inferior, conseguindo um gemido baixo. Sorrio, sentindo sua boca explorar meu pescoço, do jeito que ela gosta e costuma fazer. Como eu sinto falta disso! É como se meu corpo precisasse do dela desde o momento que ela tomou conta dele em Nova York. Aliás, posso arriscar que ele implora por Rachel desde antes.
Minha namorada sabe exatamente o que fazer, consegue tirar minha consciência em questões de segundos. Seu joelho pressiona o meio de minhas pernas, fazendo com que eu busque apoio no lençol da cama.
– Quinn... – Chama outra vez, se afastando.
Tento virar por cima dela, sem sucesso. A morena segura meus braços, enquanto eu continuo buscando seu toque. Abro os olhos, frustrada.
– Não podemos.
– Você que me provocou primeiro, Rachel. – Choramingo.
– Eu sei. – Morde o lábio. – Eu não deveria ter feito.
– Eu preciso de você. – Sussurro, desesperada, puxando-a para perto.
– Eu também...
– Então, não pare. Não faremos barulho.
– Quinn...
– Feche a porta, depois nós abrimos. Ele nem saberá.
– Amor...
– Ou podemos ir lá embaixo. – Sugiro, provocando-a. – O que você acha?
– Eu estou cansada.
Eu apenas a encaro, esperando que ela diga que é brincadeira e ria da minha cara, porque uma pessoa cansada não estaria fazendo o que ela fazia há poucos minutos. Eu conheço Rachel, eu sei respeitar seus limites. Ela não pode dizer algo e seu corpo gritar o contrário. Definitivamente, essa foi a pior mentira que ela poderia me dar. Antes ela usasse a desculpa de Hiram. Eu me sinto como naqueles casamentos de novela, em que a mulher se esquiva do marido pedindo um remédio para dor de cabeça.
– O dia foi cheio e... – Ela continua, provavelmente percebendo minha expressão incrédula. – Para onde você vai? – Franze a testa.
– Estou indo tomar um banho. – Digo, levantando da cama.
– Oh... Certo. – Suspira.
Eu tranco a porta e meus olhos, instintivamente, correm pela pia do banheiro da pequena. Eu não quero procurar isso. Sinto medo do que eu possa encontrar. Felizmente, não há nada cortante por aqui. Abro o chuveiro na água gelada, obrigando meu corpo a relaxar. Encosto um pouco no box, tentando não molhar a cabeça. Não sei quanto tempo eu perdi aqui, mas minha pele já começa a reclamar. Coloco meu pijama mais uma vez e prendo meu cabelo no alto.
Rachel se remexe na cama, virando para o meu lado assim que eu deito. Ela se aproxima, colocando a cabeça em meu peito, me envolvendo com um braço, tomando a posição que nós gostamos de ficar. Eu coloco uma mão em seu cabelo, espalhando o seu cheiro.
– Eu sinto muito por isso. – Diz, quando eu pensei que ela já tivesse dormindo. Inclino o rosto, puxando seu queixo para cima.
– Eu vou te fazer uma pergunta e eu quero que você seja sincera comigo, porque eu não penso em repeti-la. – Aviso. Ela estremece em meus braços. – Você está me escondendo alguma coisa?
– O que... Eu... – Desvia o olhar. — Lógico que não, Q. Por que você está me perguntando isso?
– Achei que você queria me contar algo. – Dou os ombros. – Mas, se você está me dizendo que não tem nada, deve ser só uma impressão idiota. – Ela assente, devagar. – Eu ficaria muito chateada se você fizesse isso, sabe?
– Eu não...
– Ficaria ainda mais se você mentisse. – Rachel fecha os olhos e eu sinto meu estomago embrulhar. – Eu sei que você sabe. Vamos dormir. Você está cansada...
– Eu te amo. – Sua voz sai trêmula.
– Eu também te amo, Rach. – Beijo o topo de sua cabeça. – Mais que tudo.
Desperto sozinha na cama. Levanto um pouco, buscando-a pelo quarto. Vou para o banheiro e escovo meus dentes, antes de tomar um banho rápido. Desço a escada, desconfortável. Rachel nunca fez isso antes. Escuto um som vindo da sala, me direcionando o caminho. Fico mais aliviada ao ver que seus pais não estão aqui. A morena levanta os olhos, deixando o violão de lado.
– O que está fazendo? – Sento no outro canto do sofá.
– Estou tocando sua música. – Aponta para o papel. – Ela ficou muito boa, Quinn.
– Não é grande coisa.
– Sério? Se tivéssemos feito isso para as regionais do ano passado, teria saído algo bem melhor que Get It Right. – Eu solto um riso fraco, virando os olhos.
– Não seja exagerada.
– Não estou exagerando. – Batuca os dedos no violão. – Você pensou em alguma letra?
– Não. As notas apenas... Saíram.
– Entendo. Posso ficar com uma cópia para mim?
– Claro. – Eu levanto uma sobrancelha. Rachel senta em meu colo. – Hey...
– Hey. – Sorri, me beijando. – Bom dia.
– Bom dia. – Encosto nossas testas. – Onde estão seus pais?
– Saíram logo cedo. – Suspira. – Eles ainda estão furiosos comigo.
– Não é pra menos...
– Essa é a hora que você deve me defender.
– Você merece umas broncas, moça. – Aperto-a. – Talvez até um castigo.
– Mereço, é? – Sua língua traça sua boca, me hipnotizando. – O que mais eu mereço?
– Rachel... – Limpo a garganta. – Não me provoca.
– Mas, eu não estou fazendo nada.
– Estamos sozinhas em casa...
– Sim. – Ela levanta. – E eles podem chegar a qualquer minuto. Você quer um sanduíche ou alguma fruta? – Caminha para a cozinha.
Eu me jogo no sofá, cobrindo meu rosto com as mãos. Comemos, desviando o assunto e vamos para o colégio. Estamos separadas na minha primeira aula. A morena deixa um beijo nos meus lábios e vai para sua sala. Tento fazer o mesmo, até o corpo de Sue aparecer em minha frente.
– Fabray, hoje...
– Nós teremos treino até mais tarde. – Completo logo. – Sim, as meninas já devem estar cientes disso.
– Será...
– Na quadra. – Interrompo novamente. – Como a senhora avisou ontem... Quinze vezes.
– Ótimo. Então, não aceito desculpas para atraso.
– Não atrasaremos. – Suspiro, cansada. – Já posso ir?
Ela assente, entrando em sua sala. Eu jogo minha mochila no ombro, tendo consciência do olhar curioso de Santana em minhas costas. A latina me puxa para o banheiro, não deixando que eu complete o meu caminho.
– Desse jeito eu não chego na sala hoje. – Encosto na pia.
– O que você tem? – Franze a testa.
– Nada, por quê?
– Brigou com Rachel?
– Não. – Coço minha nuca. – Estamos bem.
– E o que aconteceu ontem?
– Ela apenas... Saiu para dar uma volta. – Encolho os ombros.
– Sério? – Entrecerra os olhos. – Quinn?
– O que, Santana? – Bato as mãos na parede, em uma raiva repentina.
– Uou. – Ri, incerta. – Já vi que não podemos conversar... – Vira. – Nos vemos em Glee.
– Rach está me evitando. – Minha voz sai um sussurro, paralisando a latina.
– Brigaram?
– Não! – Repito. – Ela me evita na... Hm...
– Na cama. – Sinto meu rosto arder forte. – Quando você vai aprender a falar de sexo comigo?
– Não é o ponto, Santana. – Esfrego meu rosto. – Não estou assim porque nós não estamos... Nós... – Ela levanta uma sobrancelha. – Não estamos transando. – Solto rápido. – Digo, também, claro. Mas, o que me assusta são os motivos, entende?
– Na verdade, não. – Se aproxima.
– Se ela tem tesão, se ela não tem esse medo de que nos peguem...
– Você acha que ela voltou a se cortar. – Eu assinto. – E por que ela não diria?
– Não sei. – Respiro fundo.
– Quais as chances disso de ter acontecido?
– Ela surtou no dia que saiu com Kurt. – Lembro. – Acho que são muitas.
– Merda. – Encosta a testa na parede. – Merda, Q. Você precisa saber.
– Eu dei chance pra que ela me falasse, Santana.
– E daí agora você vai deixar que teu orgulho fale mais alto?
– Hey, ela é minha namorada! Ela precisa me contar as coisas.
– E VOCÊ PRECISA INSISTIR. – Me assusta.
– Santana. – Tento manter a calma. – Não grite comigo como se a culpa fosse minha.
Um silêncio cai sobre nós. De repente, eu me vejo voltando no tempo, quando nós queríamos nos aproximar de Rachel e ela não nos aceitava. Santana sempre ficava com raiva por não conseguir e isso nos levou a discutir diversas vezes. Brittany era a responsável por nos acalmar. Hoje Britt não está aqui, mas eu tenho certeza que minha amiga está pensando no mesmo que eu, porque seus ombros logo baixam, relaxando.
– Me desculpe. – Sussurra. – Daremos um jeito nisso, certo? – Garante.
– Assim espero. – Falo baixo.
Santana me puxa, me envolvendo em um abraço apertado. Eu descanso a cabeça em seu ombro. Isso não pode estar acontecendo. Não de novo...
Por Rachel
Quinn não busca minha mão durante todo o ensaio e eu sinto falta disso. Seus olhos estão um pouco distantes. Aliás, seus pensamentos também. Professor Schue precisou chamar sua atenção diversas vezes. Assim que bate o sinal, ela e as outras duas lideres saem rapidamente.
– Barbra! – Kurt pula na minha frente. – Você não vai acreditar.
– No que? – Sorrio, vendo seus olhos cristalinos. – Oh, Deus, o Blaine te pediu em casamento?
– O que? Não! – Ri, me empurrando. – Isso seria maravilhoso, no entanto. Ainda mais agora. Nós poderíamos morar em NY e, quem sabe, em um golpe do destino, atuarmos em uma peça da Broadway juntos e...
– Kurt, você está divagando. – Arqueio as sobrancelhas.
– É felicidade, Berry. Felicidade. – Bate palma, antes de se pendurar em meu pescoço.
– Ok, o que aconteceu? – Pergunto curiosa.
– Minha carta de NYADA chegou! Fui aprovado para a primeira etapa. – Ele quase grita. Eu sinto meu sorriso cair.
– A sua... – Fecho a boca. – Já...
– Oh! – O menino franze o cenho. – A sua não chegou?
– Não, eu... – Passo a mão no cabelo, nervosa. – Nossa, Kurt! Parabéns. – O abraço novamente. – Isso é incrível.
– Obrigado, Rachel. – Sorrio fraco. – Você está bem?
– Claro! – Digo um pouco agitada. – Uau! Você... Eu estou muito feliz por você, sério.
– Eu sei. – Segura minha mão. – A sua vai chegar, tenho certeza.
– Sim, só... Deve ter havido algum problema com o correio.
– É isso. – Eu assinto. – NYADA não dispensaria um currículo tão bom quanto o seu. – Pisca o olho, brincando.
– Óbvio que não. – Rio. – Então, eu... Eu já vou indo. Parabéns outra vez. Você merece essa chance.
– Obrigado.
Eu puxo meus cadernos rapidamente e saio em disparada pelos corredores, sentindo um peso em meu peito. Entro no banheiro que, infelizmente, está ocupado. Quatro meninas olham para mim, de cima a baixo. Meus braços queimam. Ignoro os sussurros e ligo a torneira, jogando água em meu rosto.
– O que é? – Encaro a loira, depois de ouvir uma risada.
Ela ergue as sobrancelhas e balança a cabeça, sendo seguida por suas discípulas, que gostam de serem chamadas de amigas. Quando elas já estão longe, me jogo no banco, apertando meus dedos. A carta de Santana tampouco chegou, certo? Ela teria me avisado. Harmony também não mencionou nada ontem. Calma, Rachel. Kurt tem razão. Modéstia parte, meu currículo é impecável. Eu participo de clubes desde que entrei no colégio, minhas notas são ótimas, apesar de terem um pouco caído esse ano, não tenho nenhuma advertência, nunca fui expulsa de sala, nem me meti em confusão. Não tem porque eles não me chamarem.
Respiro fundo e vou para a quadra, sem me importar se o treino é privado ou não. Se fosse, Sue já teria levado as meninas para longe. A treinadora me dá um olhar mortal. Eu me encolho e sento no canto da arquibancada, sem ser percebida pelas outras. Meu coração bate violentamente, me obrigando a inspirar direito. Sorrio ao ver Quinn pegar impulso nas mãos de Santana e girar algumas vezes no ar. Mas, minha calma logo vai embora quando uma ruiva se aproxima delas. Lena fala algo que faz minha namorada rir de forma sonora. Aperto minha mão em punho.
Vejo Quinn posicioná-la, enquanto a latina volta a se abaixar, talvez ensinando como executar o salto. A ruiva perde o equilíbrio e minha namorada segura seu corpo, impedindo-a de ir de encontro ao chão. Esfrego meu braço nos joelhos, engolindo a vontade de gritar com essa idiota.
Rachel! Acabei de encontrar aquela reportagem de Barbra que eu comentei ontem, você acredita? Me diga quando e te mostrarei. Espero que seu dia esteja sendo bom. Beijo. – Harmony.
Desvio o olhar do celular para a quadra e da quadra para o celular.
– Um ótimo dia. – Resmungo para ninguém.
Mas, não precisava ter ido atrás por minha causa. Vou ver quando posso e te aviso. Eu espero que seu dia esteja sendo melhor que o meu. Beijo. – Rachel.
Está tudo bem? – Harmony.
Sim, obrigada. Apenas cansada. – Rachel.
Se precisar, estou aqui. – Harmony.
Eu sei. – Rachel.
O céu já estava escurecendo quando Sue resolveu liberar as meninas. Apresso o passo em direção a elas. Quinn me olha, surpresa, mas abre um sorriso que quase me desmonta. Quase. Seguro seu braço com força e puxo-a para o vestiário.
– Rachel, o que... -Abro um box dos chuveiros e tranco atrás de mim. – Amor...
– Cala a boca.
A loira estremece com o meu tom. Imprenso seu corpo contra a parede, subindo sua saia. Ela tenta fazer o mesmo comigo, mas eu seguro suas mão, dando-a um olhar reprovador. Tomo conta de seu pescoço, mordendo toda a área. Seus joelhos cedem. Coloco uma perna como apoio e arranco um gemido lindo de sua boca. Tiro a blusa de seu uniforme, abocanhando seu corpo nu. É como se existisse um imã entre nós, é magnético.
Suas mãos voltam para minhas costas, se sustentando, enquanto a minha desce e invade sua intimidade, sem aviso, sem esforço. Quinn tenta esconder o rosto em meu pescoço, mas eu me afasto.
– Eu quero que todo mundo te escute gemer. – Digo, rouca.
– Rachel...
– Só gemer, Quinn. – Apresso o movimento. – Sem falar. – A loira arqueia as costas. – Quero que essas idiotas saibam que você tem namorada.
– Elas sabem... – Sussurra.
– Cale a boca. – Tiro os dedos, fazendo seus olhos arregalarem. – Você tem mais alguma coisa pra falar? – Ela nega, puxando minha mão. – Ótimo.
Apoio com o outro braço na parede e introduzo mais um dedo, em um ritmo agonizando até mesmo para mim, fazendo Quinn gritar toda excitação que está sentindo. Ignoro a agonia em minhas próprias pernas. Seu som vai me trazendo de volta a realidade. Olho para ela, encontrando seus olhos fechados, sua boca meio aberta e uma expressão de puro prazer. A imagem mais sensual e bonita que eu já vi na vida. Sinto seus músculos contraírem, prendendo meus dedos, enquanto seu corpo treme descontroladamente sob o meu. Afasto minha mão, devagar, recuperando minha sanidade. Poucos minutos depois, com uma respiração mais regular, Quinn tira a testa de meu ombro e levanta a cabeça. Meu coração se aperta.
– O que diabos foi isso?
– O que? Você... Você não gostou? – Engulo seco.
– Lógico que eu gostei, Rachel. – Sussurra, irritada. – Você poderia ter esperado ao menos um pouco? Sue está aqui. Isso poderá me enfiar em um problema enorme.
– Pensei que você não se importasse com isso...
– Rachel. – Bronqueia, colocando a blusa de volta.
– Você preferia que a Lena tivesse feito?
– Foda-se, Rachel. – Abre a porta, olhando para os lados. – Você sabe que eu não me importo com ela.
– Não parecia.
– É isso? Você me tranca aqui por causa de um maldito ciúme? Não era nem mesmo uma surpresa?
– Você não queria sexo? – Pergunto, começando a ficar com raiva. – Ta aí, te dei sexo.
– Eu não... – Se interrompe, séria. – Ok, eu posso te tocar agora?
– O que? – Rio, nervosa.
– Deixa eu te tocar. – Se aproxima. – Deixa eu ver seu corpo.
– Quinn...
– Levanta a blusa, amor. – Sussurra.
– Alguém pode entr... – Ela me põe no box outra vez. – Não...
– Eu não vou te estuprar, Rachel. – Cruza os braços. – Eu só quero te ver.
– MERDA, QUINN. – Empurro-a. – É ISSO QUE VOCÊ QUER VER? PRONTO! – Tiro minha blusa, furiosa.
– Puta que pariu... – Ela fecha os olhos.
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