Além Digimon

7 Capítulo 7: Qual é o nosso destino? - Parte 1


Notas iniciais
Trechos da Vida de Valéria são revelados. O grupo se vê perdido na floresta tentando descobrir o que aconteceu com sua algoz que desaparecera, misteriosa.

Pessoas com roupas coloridas, bem soltas. Pareciam estar animadas, pois se movimentavam bastante. Há quem diria que elas estavam a dançar, pois ao fundo a música não parava, mas vai saber se realmente estavam dançando ou apenas fingindo para não passar por ridículo.

Passar por ridículo. Rolava de tudo em festas de faculdade. Naquela, festa, não seria diferente. Enquanto naquele salão principal as pessoas dançavam e tentavam arrumar parceiras para a terminar a noite com alguém, aqueles que já haviam conquistado alguém aproveitavam a companhia fora daquele ambiente.

- Aí, seu mauricinho metido a besta, cai dentro! Pode ser sua namorada, mas ela tava me dando mole! Quero essa vaca agora! -

Mauricio estava tendo problemas no estacionamento da festa. Ele havia deixado Valéria com suas amigas, enquanto foi levar um amigo ao hospital, ele havia bebido demais. Contudo, Valéria acabou ficando sozinha e o álcool rapidamente subiu o sangue.

Valéria apesar de jovem já tinha problemas com bebidas, não era daquelas fracas que com poucas doses já estava mau, mas ela tinha um limite que ao ser passado causava-lhe uma ausência de realidade. Fazia qualquer coisa que lhe parece empolgante. Enquanto estava acompanhada, ela sempre segurava a onda da bebedeira. Se ficasse sozinha com muita bebida em volta, não havia possibilidades dela conseguir parar antes de perder o senso de realidade.

Mauricio não conhecia aquele lado de Valéria, pois nunca a pegou na bebedeira. Aquelas bebedeiras, onde ela mudava completamente o seu comportamento, era um dos principais fatos de Fabrício a odiá-la. Pois ela não se lembrava nem de quantos anos tinha ou onde estava.

Era como se ela se privasse de varias coisas durante sua vida, mas no momento que bebesse um pouco mais, ela ficava desinibida e resolvia fazer tudo o que se privava de fazer. Parecia não se lembrar de anda do que havia feito. Mas, caso lembrava-se, no outro dia, de tudo o que tinha feito, mas não se importava.

Alterada, Valéria foi abordada por um rapaz que estava chapado também. Ele não demorou conversando com ela ou outras coisas, foram apenas umas goladas de bebidas, juntos, e Valéria já estava sendo arrastada para o estacionamento. O rapaz zonzo sabia bem o que queria dela, mas Valéria ria da situação falando que ele não ia ter a chance de tocar num fio de cabelo dela.

O rapaz encostou Valéria no primeiro carro que viu em sua frente, e a abraçou forte, enquanto Valéria ria e desviava seu rosto para não ser beijada. O rapaz escutava as risadas dela, não sabia se ela estava gostando ou achando graça da situação, mas tão logo forçou a barra sentiu que algo o separava de Valéria.

Mauricio saiu do carro em que o rapaz tentou imprensar Valéria. Valéria riu e zoou o cara brincando com ele que tinha avisado. Mauricio apenas colocou Valéria no carro e foi partir. Não fez menção de bater, falar ou notar a presença do rapaz embriagado. Ele simplesmente ignorou-o. O rapaz deu-lhe um tranco querendo arrumar briga, como era visível que Mauricio não ia reagir ele socou o vidro do carro o espatifando.

Reagir era a única coisa que Mauricio não faria. Ele sabia se defender e não era covarde. Já havia mostrado ser melhor em socar pessoas do que muitos dos seus amigos marombeiros que passavam horas na academia. Ele era contra violência, era a pessoa calma e cheia de paciência. Sabia que o cara estava bêbado, então não era culpa dele aquilo tudo. Não! Ele não atacaria aquele cara, afinal era apenas um vidro e nada havia acontecido com Valéria.

Mauricio olhou calmo para o rapaz que foi para cima dele, mesmo com a mão sangrando. O rapaz nem chegou perto de Mauricio, ele foi jogado no chão pelos dois seguranças que estavam na porta da festa e acompanhavam o caso.

Não demorou em Mauricio se encontrar em casa com Valéria, que agora ficava a beijar Mauricio. Ele tentava fazê-la parar, pois não queria acordar Fabrício.

Ela tentava agarrá-lo a todo o momento, querendo beijá-lo. Não importava aonde fosse, puxava-o para encostar-se nas paredes, derrubando alguns quadros, ou nos armários que fazia com que alguns vasos e outras coisas caíssem no chão. Qualquer lugar onde ela pudesse se apoiar, ou fazer Mauricio apoiar-se lhe parecia convidativo.

Um dado momento ela olhou a mesa, puxou rápido para lá, Mauricio estava um pouco perdido e tentava fazer menos barulho. Finalmente ele falou para ela se acalmar por conta de seu irmão mais novo.

- Esquece o moleque... Liguei para ele enquanto você falava com os seguranças... Mandei ele dar o fora ou ia ficar escutando do quarto dele... Escutando-nos a noite toda... hihih... -

- Você está completamente alterada! Aquele cara deve ter posto algo na sua bebida. -

Mauricio não imaginava que Valéria fosse alcoólatra. Perto das pessoas ela não bebia, mas se estivesse sozinha, não havia modo de parar. Ele ficou olhando a casa e percebeu, realmente Fabrício havia saído e parecia que havia saído com muita raiva, pois havia derrubado as coisas pelo caminho e notava-se que as portas foram batidas e não fechadas. Alguns segundos depois de perceber que seu irmão não estava lá realmente, encontrou o bilhete dele dizendo \"Foi Maur isso! Vou dormir fora\". O famoso trocadilho pondo a culpa no Mauricio, aquilo significava que realmente Valéria havia ligado para ele, e certamente o irmão estaria uma fera pela manhã.

- Val... Eu vou te dar um banho de Água fria... Espero que ele não tenha te drogado com nada forte... -

- Droga... Toma atitude de homem, seu merda... -

Valéria de repente irritou-se com Mauricio e o jogou no chão com força o empurrando. Ela queria algo que ele parecia não querer naquele momento. Aquilo era inadmissível para ela. Como ele poderia estar mais preocupado com algo que não aconteceu, do que com o que ela dizia com todas as letras que queria. Como ele poderia ser tão cego, que não via que aquilo era normal de acontecer.

Valéria começou a bater com força em Mauricio, que estava meio perdido no que deveria fazer.

<><><><>

Respiração ofegante e profunda. Era necessário se acalmar naquele momento. Verde de plantas por todos os lados. Alguns tons mais escuros e avermelhados, na verdade tons marrons de alguns caules das arvores.

Nada era escutado, a não ser batida de corações. Quatro batidas que não estavam se acompanhando, mostrava claramente que o medo era intenso em cada um que estava li. Estavam completamente assustados e sem saber o que estava acontecendo. De repente tinham uma ameaça de morte, com contagem regressiva para serem mortos, e no outro, nada havia acontecido e a algoz havia desaparecido do nada.

- Será que alguém atacou Palmon para nos salvar? Será que ela está bem? -

Armadinomon imaginava que algo deveria ter acontecido a sua ex-companheira de vila, não haveria outro motivo para ela simplesmente desaparecer daquela forma não atendendo ao pedido imediato de Baromon, líder de sua antiga aldeia. A fala dele mostrou um pouco de preocupação.

Bárbara que chorava nos braços de Valéria sentou-se no chão não entendendo. Ela estava confusa com a situação. Estava aliviada por estar viva, mas ela era uma menina curiosa, não conseguiria continuar sem saber o que estava acontecendo.

- Valca! Explica o que aconteceu no mato! Por que ela nos fez acreditar que ia nos matar e nos deixou vivo? -

Fabrício olhava para Valéria querendo respostas. A mulher ainda estava assustada com tudo o que havia acontecido. Sabia que tinha algo errado e não estava conseguindo raciocinar direito sozinha, ainda mais com Fabrício começando a tagarelar.

- Cala a boca, moleque! Ta reclamando de ter ficado vivo? Se quiser eu te mato agora mesmo! -

- Bêbada imunda... Quero é que me conte o que aconteceu lá na vila... Certamente você sabe o porque... E duvido que conseguisse matar-me... O álcool não ia deixar. -

Não precisou demais nada, ambos começaram a se ofender, em alto e bom tom na floresta. Armadinomon olhou para Bárbara, ele esperava que a menina fizesse algo para fazê-los parar, mas Bárbara, sentada no chão, só encolheu-se mais onde estava. Abraçou suas pernas e ficou ali quieta esperando que eles parassem logo.

A menina estava assustada com tudo o que acontecia. Sua vida era tão calma, poderia dizer comum. Amigas, alguns garotos a bajulá-la. Escola, conversas com os pais. Desde que tinha resolvido ir a festa da cidade nas montanhas, onde seu tio morava, ela tinha tido sua vida mudada. Viajou sozinha pela primeira vez, nunca tinha feito isso. Tentaram se aproveitar dela, mentiu para a prima para ela não brigar com o amigo. Agora estava ali, em um lugar estranho onde acontecia a cada momento uma coisa mais esquisita que a outra. O pior é que ela se perguntava se conseguiria voltar para casa.

Armadinomon estava confuso, ele caminhou para os lados, ele estava na direção de sua vila. Parou lembrando-se das palavras de Baromon. Era para ele morrer. Ele baixou a cabeça entristecido naquele momento, era dado como um assassino em sua vila.

- Armadinomon, poderia me dizer o que aconteceu? -

Bárbara falava com o digimon que aparentava tristeza profunda. A menina percebeu que o digimon não estava bem. Ela também não estava bem, aquela coisa de escutar que iriam matá-la realmente a assustou, seus olhos ainda estavam vermelhos e inchados pelo choro. Bárbara e Armadinomon precisavam se distrair, e a própria começou isso. As palavras saíram sem querer de sua boca, ela iria falar outra coisa, mas realmente o pequeno tatu amarelo era o único naquele local de mata fechada que poderia esclarecer o que havia acontecido realmente, pois parecia que Valéria não saberia explicar.

Armadinomon olhou para Bárbara e percebeu que novamente o silêncio havia voltado, Fabrício e Valéria concordaram com Bárbara, interromperam a briga e ficaram a olhar para o digimon. Se alguém poderia dizer algo seria ele, afinal ele conhecia Palmon e Baromon. Também conhecia aquele local. De todas as possibilidades para explicar o que haveria acontecido, do momento em que Palmon iria matá-los para o momento do completo silêncio, onde se descobriram sozinhos, a melhor e com mais possibilidade de acerto, viria da boca de Armanomonovarde.

Armadinomon sentou-se e contou tudo o que havia acontecido, do momento em que correu atrás de Palmon até o momento onde eles estavam. Era do jeito que Valéria conhecia a historia. Não havia nada que foi acrescentado e ela se admirava com o fato de que ela contaria daquele jeito.

- Eu não entendi o que o tal Baromon fez. Ele tratou-os como se fosse os ajudar, e mandou matá-los? -

Fabrício ficou sem entender, mas viu que Armadinomon estava de cabeça baixa vendo algo. O pequeno digimon desde que terminou seu relato observava algo no chão. Ele parecia estranhar algo que via, e ia e vinha com a visão.

- Acho que ela nos deixou vivos! -

Armadinamon ao dizer isso olhou em volta e começou a caminhar para frente, indo como se aquilo tudo tivesse sido uma pequena pausa para descanso.

- É evidente que ela nos deixou vivos! Mas, porque? -

Fabrício fez pouco caso do dito pelo digimon. Ele queria respostas.

Armadinomon apenas iniciou uma caminhada, ele queria se afastar daquele local. Com isso os três se olharam e foram a segui-lo. Não havia outra coisa que eles poderiam fazer no momento, o pequeno digimon sabia de algo que eles precisavam saber.

A caminhada durou cerca de duas horas. Eles pareciam continuar seguindo um suposto caminho que Palmon parecia guiá-los anteriormente. Chegaram as margens de um rio. Possivelmente o mesmo em que eles caíram, mas em um ponto dele completamente diferente.

- As pegadas da Palmon... Se escondiam no mato. Eu sou bom com terra. As pegadas... Mostrava agente chegando naquele local, e ela indo para direita, onde tinha uma grande árvore. Acredito que ela ficou ali escondida observando-nos. -

Armadinomon finalmente falava. Ele parecia querer chorar naquele momento. Valéria escutou aquilo e sentou-se ali a beira do rio. Ficou olhando a paisagem em volta enquanto Bárbara e Fabrício olhavam para o digimon.

Armadinomon agradecia em silêncio o que a amiga havia feito por ele. Eles sempre se deram bem na aldeia, não tiveram oportunidade de conversar desde que fracassara no ritual do guerreiro. Ela era uma das mais fortes, talvez a mais forte agora que Dorumon o Indomável havia morrido. Armadinomon tinha muito a dizer a Palmon desde que fracassou no ritual, mas não podia falar, fracassados não devem dirigir a voz a um guerreiro, este era o código da aldeia.

- Aquela montanha... É isso! -

Valéria exclamou. Olhou o digimon que balançou a cabeça afirmando. Ambos haviam chegado na mesma conclusão daquilo tudo. Parecia claro para eles o que havia acontecido. Para Armadinomon um pouco mais, pois conhecia tanto Baromon quanto Palmon. Valéria deduzia o que havia acontecido, e na mente dela era a explicação mais clara.

Baromon diante de sua vila estava em um grande dilema. Ele sabia que a morte de Dorumon não era culpa de Armadinomon. Dorumon havia sido infectado por Phantomon na luta deles, e com isso ele estava agressivo. Baromon conhecia muito bem a Armadinomon e sabia que ele jamais descumpriria alguma regra de sua aldeia, ainda mais matar sem motivo algum alguém que fosse da vila.

Baromon não tinha como provar sobre o a infecção de Dorumon, e assim não poderia salvar Armadinomon e Valéria da morte. Perante a vila, ele estava sendo justo, mas perante seu coração e aos preceitos divinos, ele não estaria. Para salvar a humana e digimon, ele precisava ser hábil.

Palmon já sabia da infecção de Dorumon, contou a ela quando mandou buscá-lo. Afinal, era perigoso para ela ir ao encontro dele desprevenida. Claro que a pobre digimon jamais esperava presenciar o que presenciou. Assustou-se ao ver Armadinomon junto com criaturas jamais vistas, ainda mais atacando a Dorumon.

Palmon escutava e compreendia tudo o que acontecia na cabana. Era claro que Baromon apenas com os gestos mostrava para eles um caminho que deveriam seguir, revelava o que podia a eles. Encenava o restante da fúria e das ameaças de morte. O golpe em Valéria certamente fora real, precisava fazê-la escutar e entender os perigos que todos estavam passando e que ainda passariam.

As falas de Baromon foram para que Palmon \"fazer o que devia ser feito\". Com o acréscimo da prova da morte, eles se assustaram e acreditavam na morte. A vila pedia a morte deles para honrar o Indomável Dorumon. Um canivete, arma vista por todos ser de Valéria. Prova da morte. Se a arma estava com Palmon que era a uma ótima guerreira e estava viva, então eles estavam mortos.

- Foi então tudo um plano para nos deixar vivos? -

Bárbara estava surpresa. Ela agradecia por Valéria e Armadinomon serem inteligentes. Ela se julgava incapaz de perceber tais acontecimentos. Por ela teria voltado à vila para entender o que acontecia, ou avisar que Palmon desaparecera. Ela condenaria a todos.

- Então o que devemos fazer é ir até Pico da Força. -

Fabrício parecia ter entendido bem o que tinha acontecido e tentava confirmar se sua interpretação estava correta. Haveria uma forma de retornarem as suas vidas caso chegassem ao Pico da Força.

- Acredito que sim. O tal líder Baromon certificou-se de termos entendido o percurso. Lá deve ter uma forma de voltarmos para casa. -

Valéria se lembrava do percurso que o digimon havia mostrado no mapa. Ela de posse de uma folha e papel, que pegara na mochila, tentava desenha, ou redesenhar, tudo. Ela ficou estranhando o fato da folha não ter molhado. Não percebeu que as mochilas tinham isolamento. Na verdade quando Mauricio fora comprar, ela estava um pouco alta, o fez comprar aquelas pensando em chuvas e tudo mais, mas não se lembrava disso.

- É incrível pensar que estamos em outro mundo. Parece tão impossível isso acontecer justo com agente. Parece tanto com o nosso mundo. -

Bárbara estava surpresa com aquilo de estarem em um outro mundo. Eram tantas revelações que ela não estava conseguindo nem expressar uma reação sobre tudo aquilo. A cada momento um novo sentimento tomava conta de todo o seu ser. Predominava a surpresa de estar em um mundo diferente do que conhecia, mas também predominava aquele sentimento de impotência. Sentimento de impotência diante do que acontecia e da certeza de que ela não conseguiria chegar a aquela conclusão sozinha. Outros sentimentos lhe invadiam, mas não eram tão fortes ou constantes quanto aqueles dois.

- Você quer dizer que parece tão impossível isso acontecer com qualquer um, né? Pessoalmente não perceberia esses detalhes. Acho que o Armadinomon deve ser muito amigo desse Palmon para confiar nas habilidades dele ou dela, não sei. Mas, também acho que Valéria definitivamente está bem sóbria. —

- Seu moleque! Eu ainda não acabei com você! Agora está satisfeito, ou ainda prefere estar morto? -

- E quem vai me matar? Acaso esqueceu-se que ela nem ia fazer isso? Quer que eu te acuse de tentativa de assassinato quando agente voltar, quer? -

Armadinomon ficou surpreso em ver que os dois iniciaram uma briga tão repentinamente. Ele teve vontade de perguntar o que exatamente eram aquelas coisas sobre bêbados e sobriedade que ele estava escutando, mas uma coisa em sua mente estava lhe perturbando para se apegar a aquele detalhe.

Armadinomon lembrava de Baromon nada ter dito, apenas mostrado o caminho no mapa. O Pico da Força era contado em sua aldeia como um local de superação e resignação. Aqueles que tivessem cometido grandes erros poderiam ir até ele para encontrar a um ser que tudo via e tudo sabia. A divindade que regia a tudo, o Servidor. O Servidor lhe concederia o perdão para que ele pudesse seguir sua vida a partir do ponto onde cometeu o grande erro.

Também existia a lenda que seria o local para aqueles que buscavam por grande poder, ganhariam.

Armadinomon naquele momento precisou contar aos três a historia que lhe foi contada diversas vezes. Era preciso ter certeza de que eles precisavam ir até o pico, pois além de difícil, era perigoso.

- Pelo que diz... Baromon pode ter nos mostrado aquele caminho por nada? -

Valéria naquele momento ficou chateada. Ela tinha esperanças de conseguir voltar para o seu mundo. Naquele momento, ela lembrou-se de que todos os humanos entravam por um acidente. Que ela entrou por um acidente. Havia a possibilidade de estarem mortos realmente. Aquilo a deixou perplexa, e ao olhar para o lado viu a face de Fabrício. Ele havia pensado a mesma coisa.

Os olhos de Fabrício se mostraram assustados, eles nada sabiam daquele mundo, e ninguém disse que eles poderiam retornar. Seria aquele mundo o céu? Estariam eles realmente mortos? Era assim que as coisas aconteciam quando se morria ia para um mundo estranho?

- Não por nada! Pense... Eu estava lá. Ele disse que não sabia mais nada sobre humanos. Mas continuou toda a conversa. Aqueles com grandes erros vão lá para conseguir o perdão e continuar do momento em que fizeram o grande erro. Eu cometi um grande erro. Eu matei Dorumon o Indomável. Talvez ele tenha mostrado o caminho para mim, e não para ti. -

Armadinomon havia ficado pensando por um bom tempo. Ele não sabia ao certo se fora realmente esse o motivo. Foi a primeira coisa que pensou, mas só teve certeza quando Valéria mencionou que então aquilo tudo de Baromon seria por nada. Não, ele conhecia seu antigo líder, nada era por mero acaso. Tinha uma razão.

Bárbara ficou olhando incerta sobre o que pensar sobre aquilo tudo. Ela estava demorando em aceitar e entender as coisas. Demorava em se refazer, e parecia que a cada momento, um novo fato vinha para amolá-la.

A menina naquele momento fechou os olhos indo pedir ajuda a Deus para que ela pudesse voltar para sua casa e seus pais, em completa segurança. Foi ai que ela percebeu uma semelhança entre Servidor e Deus.

- Talvez... Armadinomon explicou sobre esse tal Servidor como um a divindade. Seria como se ele fosse um Deus? -

- Deus? Hum... Já ouvi Baromon referir-se ao Servidor como Deus de tudo. Deus criou a tudo existente, inclusive o universo. -

Armadinomon tinha pouco conhecimento sobre aquilo. Ele era jovem, mas sabia dizer o que era Deus.

- Então... Nesse caso o Servidor é Deus. Eu sei que talvez uma das duas não acredite em Deus, mas... O tal Servidor está no Pico da Força. Se ele vê e sabe tudo, criou a tudo... Se Baromon disse para um dos dois ir até lá, seja Valéria ou Armadinomon... O Servidor vai saber nos enviar de volta. Se formos até lá, independente de qual dos dois deveria ir, parece que conseguiremos alcançar ambos os objetivos. Quero dizer... Não sei explicar muito bem, ainda estou um pouco confuso. Mas, temos outro caminho a seguir? Acho que ficarmos aqui pode causar problemas para Palmon e Baromon se alguém da vila nos ver. -

Fabrício naquele momento tinha convencido a todos com suas palavras. Se eles fossem até o pico da força porque Valéria estava certa, iriam para casa. Se fossem por Armadinomon estar certo, o digimon teria seu perdão e haveria a possibilidade daquela entidade os mandar para casa, afinal era Deus. De tudo, o mais importante era, afastar-se das proximidades da aldeia de Armadinomonovarde. Não poderiam ficar ali e deixar que descubram a farsa da morte deles.

Não precisou que ninguém mais falasse. Os olhos de cada um confirmavam que iriam até o Pico da Força. Independente de quem estava certo, era a única coisa que tinham para fazer, até porque precisavam sair das redondezas da Vila de Armadinomonovarde.

Notas finais
Espero que gostem. Esse capitulo é um pouco mais explicativo, mas para quem gosta de enigmas...

A próxima postagem será no dia 21/05/2010