Além De "irmãos"
41 Justiça, Afinal...
Notas iniciais
Boa leitura!
POV Renan
Onde deixei a chave da minha moto? Muita saudade da minha companheira de aventuras e badalação pela cidade grande. Céus! Onde deixei aquela chave antes de sair viajar? Estou atrasado pra faculdade. Preciso sair.
PRIMMMMM . A campainha do meu apartamento soou. Era só o que faltava. Afinal, que som estranho. Mudarei na primeira oportunidade. Fui até a porta antes que a alma do outro lado resolvesse apertar outra vez e... PRIMMMMM. Trevas! Tarde demais. Abri a porta e dei de cara com uma amiga da faculdade. Cristina.
-Oi Cris. _Ela sorriu mostrando a arcada dentária perfeita e brilhante e jogou os cabelos de uma maneira terrivelmente provocativa.
-Oi Rê. Fiquei sabendo que você voltou então eu vim te fazer uma visitinha. E dizer que você fez falta. _Eu fiz um gesto para que ela entrasse e a mesma se recusou.
-Entre.
-Não. Tenho que ir, faculdade sabe?
-Tá de carro?
-Carro? Não. Moto. _Olhei para ela dos pés a cabeça. Uma bota de couro marrom, uma calça legging preta, uma blusa branca e uma jaqueta de couro também por cima. Os cabelos ruivos presos num coque e duas argolas penduradas na orelha. _Quer uma carona? _Ela falou me olhando.
-Você caiu do céu! _Falei entrando no apartamento, pegando minha mochila e capacete. Ela riu quando saí do apartamento trancando a porta. _Não sei onde deixei a chave da minha moto. _expliquei a ela.
-Sem problemas. Será um prazer te levar. _Saímos tagarelando e eu quase surtei quando vi a Twister pink. Paralisei e fiquei encarando a moto. _Renan?
-Uau, você tem um bom gosto incrível. _Falei passando a mal na lateral já sentado na moto.
-Obrigada. _Coloquei a mão na cintura dela (E que cintura) e me aproximei mais. Pensei que ela fosse reclamar por eu ter praticamente acochado ela mas, pelo espelho retrovisor. vi um sorriso maroto.
POV Luan
Sentei com a Samanta num dos bancos moles e de plástico da recepção do hospital e a abracei.
-Não acredito que mamãe está morta. Será que posso vê-la? _Ela perguntou inquieta.
-Quer mesmo ver ela?
-Não _Ela respondeu levantando. _Por que logo ela? Aquele cachorro lazarento não era digno de sobreviver, Luh.
-Eu sei amor mas, ele sobreviveu. Pra tristeza do diabo.
-E nossa! _Ela completou dando um sorriso rápido. Eu a olhei. Ela estava horrível. De repente as luzes do hospital começaram a piscar sem parar até apagarem completamente. Me assustei.
POV Carlos
Eu tinha acabado de abrir os olhos. Não vi ninguém ao meu lado e demorei pra reconhecer o lugar onde eu estava. Um hospital. Conclui ao ver o tanto de aparelhos ali. Não conseguia falar e tampouco sentia meu corpo. Como avisar alguém que eu estava consciente?
Foi quando as luzes começaram a apagar e acender e depois não acenderam mais. Com isso todos os aparelhos foram desligados. A força havia acabado? Num hospital? Logo pensei que daqui a pouco tudo estaria resolvido pois, hospitais têm geradores de energia para emergências.
Alguns minutos de escuridão passaram e ao longe ouvia pessoas conversarem exaltadas. Uma dor muito forte começou a passar pelo meu corpo. Pareciam estar arrancando algo perto do meu peito. Tentei me mexer e com bastante esforço, me sentei. Com isso puxei um treco louco que segurava várias bolsas com líquidos que estavam ligados a minha veia, fazendo com que o mesmo caísse sobre mim e me derrubasse da cama. Senti todas as agulhas no meu corpo afundarem mais, invadindo espaços que não as pertenciam. Uivei de dor, mas ninguém apareceu. Senti algo molhado e coloquei a mão, estava escuro mais pela luz da lua que atravessava o vidro da janela, pude ver o sangue que se acumulava mais. Segui seu rastro tentando enxergar da onde ele saía e engoli em seco quando vi, que era de mim. Quando me dei conta de que eu podia estar tendo uma hemorragia. Tentei me arrastar até a porta na esperança de abri-la e encontrar alguém no corredor.
Ao me rastejar pelo chão, deixei um caminho com meu sangue. A porta estava trancada e não consegui abri-la. Encostei a cabeça numa cômoda ao lado da porta e respirei fundo. Outra vez senti pontadas perto do peito e dessa vez, alguém parecia estar pisando em mim. Com o impacto da dor bati a cabeça na cômoda e nos milésimos de segundos que se seguiram, eu pensei em tudo que fiz e no que causei principalmente a minha filha, foi tempo suficiente para um objeto indefinido e pesado, cair sobre mim e minha vista escurecer.
POV Samanta
A escuridão repentina me assustou. Olhei para Luan que segurava minha mão e a apertava de tempo em tempo.
-O que será que aconteceu? Tipo, pode faltar energia num hospital? _Perguntei ainda encarando meu irmão.
-Não. Hospitais têm gerador de energia.
-Eu sei, Luan. Por que eles não podem ficar sem energia. Né? Ainda mais num local onde possuem aparelhos ligados a força que monitora a vida de centenas de pessoas, né? _eu estava nervosa.
-Pare de falar "né" toda hora. _Ele advertiu, me puxando pela mão.
-Onde vamos?
-Saber o que aconteceu. _E nessa hora todas as luzes se acenderam novamente. Luan parou e me olhou. Um enfermeiro passou do meu lado e Luan soltou minha mão e agarrou no braço do sujeito.
-Moço, será que o senhor pode me dizer o que aconteceu? _O enfeiro nos olhou compreensivo e assentiu.
-A cidade está sem energia.
-E por que o hospital também ficou? _Eu me intrometi.
-Os geradores não estavam carregados. Recebemos recentemente.
-E por que a luz já voltou?
-Estamos usando os geradores antigos. De acordo com o que ouvi, foi só um apagão e o pessoal da CPFL já está resolvendo. Agora, se me permitem... _Ele olhou pra mão do Luan no braço dele que logo foi retirada de lá.
Nos sentamos novamente nos bancos e ficamos em silêncio. Eu nem sabia o que estávamos fazendo naquele lugar ainda.
***
Meia hora depois eu olhei para Luan.
-Luh?
-Fala Samy.
-Vamos embora?
-Tenho que cuidar das coisas pro funeral da mamãe. _Ele falou passando a mão nos meus cabelos.
-E por que você já não está fazendo isso?
-Tenho que esperar o pessoal do necrotério liberar o corpo e preciso do documento de óbito, sei lá. Mas você não precisa ficar aqui. Pode voltar pra casa. Eu cuido das coisas.
-Não vou te deixar sozinho. _eu falei tirando a mão dele dos meus cabelos e a segurando. Foi quando vi um médico muito perturbado nos olhando com uma feição estranha e indecifrável. _Doutor? _Falei me pondo em pé e vendo de esguelha, Luan fazer o mesmo.
-Já terminou a papelada? _Luan perguntou esperançoso. Ele estava tão louco quanto eu para dar no pé.
-Da sua mãe, sim. _O homem falou inconsolável.
-Como assim da minha mãe sim? _Perguntei me ligando nas palavras que ele tinha usado anteriormente.
-É que... Encontramos seu pai morto _eu juro, queria dar pulinhos de alegria quando ouvi. Mas aquilo não fazia sentido. Luan tomou a frente sustentando um olhar com o médico.
-Esclareça. _Luan falou autoritário.
-Acho que ele acordou enquanto sofríamos o blackout e se desesperou, também temos a hipótese dele ter sentido fortes dores e tentado nos avisar já que não podia falar. Não tem como saber. Encontramos ele morto, em um estado deplorável, perto da porta. _engoli em seco. _Já chamamos legistas e tem policiais aqui, se você quiser me acompanhar para ver. _Luan virou e me encarou. Eu consenti com a cabeça e ele me deu um beijo na testa antes de sair com o doutor.
Me deixei cair no banco. Meu pai estava morto. Por que eu não me alegrava com isso?
[...]
Notas finais
~Keel
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