Além Das Estrelas
1 Prólogo
Notas iniciais
Esta fic é recomendada para quem gosta de ficção científica, especialmente se o assunto for astronomia!! (:
Andrea Ghez não nos pertence.
Divirtam-se!
O céu mudava vagarosamente os seus tons de cor. Do laranja ao vermelho; do vermelho à um anil tímido, e deste à negritude completa. O crepúsculo era a hora do dia que mais fazia com que o humor de Amy Richards mudasse. Era ele que anunciava a chegada de um véu negro que cobriria a tudo na Terra, e cujo único indício de luz deixado para trás era o reflexo do Sol na Lua. Apenas a visão de centenas de estrelas conseguia animar os dias de Amy, mesmo que ela soubesse que eram solitárias em seus cantos do Universo.
Depois de um longo dia de viagem, a visão do céu estrelado era especialmente o que Amy precisava.
A jovem subiu os degraus da casa de sua tia, mas parou antes de completar o gesto de apertar a campainha. O seu passado a encarava, nítido o bastante para ela relembrar até mesmo as exatas palavras pronunciadas naquela tarde de verão.
_Tia! Tia! _ Chamava a garota, incansavelmente. Ela repetia os gritos ao longo do jardim, mas não obtinha resposta. Ela então subiu as escadas da casa, passou pela sala de estar levemente iluminada pelo sol poente, e em seguida entrou em um corredor. Foi até a última porta, e recostou os ouvidos para tentar identificar qualquer ruído. Mas tudo o que ouvia era um silencio profundo, interrompido apenas por sua própria respiração.
Todos que conheciam Andrea Ghez, sabiam que ela passava maior parte do tempo naquele lugar do que em qualquer outro cômodo da casa. O escritório era onde geralmente ela costumava passar a maior parte de seu tempo livre. Mas o que inquietava Amy, era que a tia não fazia sequer um barulho. Talvez estivesse dormindo, ou escrevendo, desenhando... O que quer que estivesse fazendo, Amy precisava de sua ajuda. Sua prima, Ashley, havia caído e machucado o joelho, e precisava da mãe para ajudá-la.
A garota tirou os ouvidos da porta, tomou fôlego e bateu três vezes. Não obteve resposta. Ela então bateu mais duas vezes, desta vez, gritando pela tia, novamente.
Alguns segundos depois que gritou pela última vez, Andrea abriu a porta, tranquilamente.
Na soleira da porta, a tia parecia ainda mais intimidadora em frente a Amy. A pequena garota temeu que ela estivesse, no mínimo, chateada com a situação. Em sua mente de criança, perturbar a tia, para qualquer que fosse o propósito, era algo que deveria ser evitado. Amy aprendera isso com Ashley, e não se esquecera das palavras da garota. Lembrando-se da situação da sua prima, apressou-se em dizer o motivo pelo qual viera, e olhou para sua tia pela primeira vez desde que essa abrira a porta.
Andrea, ao contrário do que Amy esperava, olhava-a serenamente nos olhos. Ainda usava seus óculos de estudo, o que lhe dava um ar inteligente. Seus cabelos tinham um caimento desajeitado, proveniente das horas em que passava nas sombras de seu escritório, absorta em seu trabalho. Suas roupas eram tipicamente casuais; Andrea não era o tipo de mulher que se deixava levar pelas frivolidades de sua aparência. Preferia levar em sua mente as preocupações referentes ao trabalho.
_O que houve, querida? _ A tia perguntou. Sua voz estava tranquila, mas seu rosto estampava preocupação. Ela não costumava ser interrompida quando estava em seu escritório, porém, quando isso acontecia, era por motivos sérios e importantes.
_A... A Ashley, titia. Ela estava indo rápido demais na bicicleta. Ela… Ela caiu. _Disse a menina, receosa.
_Oh, e ela se machucou?
_Um pouco, no joelho… _ A menina disse, olhando fixamente para a tia. Sem esperar por mais nenhuma palavra da garota, Andrea se adiantou no corredor, seus passos demasiado longos para que Amy pudesse acompanhar.
A garota, então, ficou para trás, parada no corredor, atraída por um estranho brilho que vinha de dentro do escritório. Virando o rosto, Amy notou um curioso objeto apoiado num tripé e virado para fora da enorme janela, escancarada para o céu agora noturno.
O objeto cilíndrico era adornado com alguns detalhes em prata, contrastando com sua cor escura. Amy imaginou corretamente ser pesado demais para alguém conseguir carregar. Porém, não era essa a fonte da luz refletida, e sim um pequeno espelho no canto superior da parede, brilhando com a luz da lâmpada acesa.
A garota sabia que não deveria fazer o que fez a seguir, mas não conseguiu conter o impulso que a curiosidade proporcionara. A pequena Amy deu um passo incerto à frente, e parou na soleira da porta do escritório de sua tia. Olhou para o corredor, para se certificar que não havia ninguém, em seguida, entrou de vez no cômodo e fechou a porta.
Ela se aproximou, lentamente, do objeto do qual não sabia o nome, muito menos para que servia. Notou que havia uma espécie de vidro circular, onde poderia encaixar perfeitamente os olhos se possuísse altura suficiente para tal coisa. Ela sabia que o certo a fazer era sair dali e ver se sua tia e sua prima precisavam dela, mas a curiosidade a deteve.
Ela se aproximou, carregando uma cadeira que arrastara da mesa do escritório até ali, posicionou-a perto do tripé e subiu nela, ficando de joelhos. Estava na altura perfeita para manipular o objeto. Amy então aproximou-se do vidro circular, olhando diretamente para um ponto brilhante que atraia sua atenção em meio aos outros pontos um pouco menos brilhantes, que podia ver através do vidro. Mas o que seria aquilo?
Ela ficou observando o ponto brilhante por alguns minutos, mas ficou entediada e mudou a posição do objeto, e encontrou não só mais um ponto, como vários. Ela notou que os pontos formavam desenhos, tornando sua observação cada vez mais divertida. Amy estava adorando a brincadeira, agora ela entendia porque sua tia passava a maior parte do tempo no escritório.
Ela estava prestes a mudar o objeto novamente de posição quando sua tia entrou no escritório. Quando Amy percebeu a presença de Andrea, seu susto foi tão grande que quase caiu da cadeira. Instantaneamente, um sentimento de culpa se apossou dela, fazendo com que baixasse suas mãozinhas do objeto, que até então segurara com firmeza. Ela ficou parada de joelhos, sem poder fazer mais nada que a livrasse da bronca que decerto estava por vir.
_ Amy! _ Disse sua tia. Porém, sua voz estava isenta de qualquer traço de raiva.
_Eu só estava olhando, tia... _ Disse a garota. Andrea então se aproximou, e Amy não conseguiu identificar sua expressão. Talvez estivesse furiosa, a ponto de começar a gritar, ou talvez não se importasse com o fato de ela estar mexendo em suas coisas.
Andrea fez sinal para que Amy se afastasse do objeto. A garota imediatamente se afastou, se sentando em uma poltrona próxima, aguardando por qualquer sinal da tia para que pudesse sair. Suas pernas balançavam em sua agitação, como se fosse levantar a qualquer hora. Ela esticava o pescoço para ver melhor o quer que sua tia estivesse fazendo com aquele objeto, e esperava que não o tivesse quebrado ou causado qualquer dano.
Após alguns minutos de silencio, Andrea se afastou e se sentou na poltrona do lado da de Amy, com uma das mãos cobrindo o rosto e a outra segurando firmemente seus óculos.
_Titia? _Perguntou a menina, insegura. Andrea então olhou para a sobrinha, que aparentava estar muito assustada. Ela se sentiu culpada, não era sua intenção deixa-la daquele jeito, porém o que Amy fizera era grave e não podia se repetir.
_Amy _Começou a tia._ Você não pode voltar aqui se eu não estiver junto, tudo bem?
A garotinha assentiu, calada. Estava disposta a acatar qualquer ordem que fosse. Andrea continuou:
_ O que eu estou fazendo aqui é de extrema importância. É o meu trabalho. Preciso que me prometa que não vai mais mexer no meu telescópio, nem em nada aqui. Combinado?
Amy, mais uma vez, apenas concordou com a cabeça, sentindo a seriedade nas palavras de sua tia. Mas a sua curiosidade mais uma vez a venceu, e ela perguntou:
_ O que é um telescópio?
_Isto _Andrea apontou para o objeto com o qual Amy brincara por longos minutos_ Isto é um telescópio. Ele serve para fazer com que nós enxerguemos mais longe, que enxerguemos as estrelas.
_Então… Aqueles pontinhos brilhantes eram… estrelas? _Perguntou a menina, pensativa.
_Sim, eram estrelas. Estrelas que demorei muito tempo para encontrar, por isso, a posição do telescópio não podia ter sido alterada.
_ Alterada? _ perguntou Amy, se lembrando de cada momento em que mudara o telescópio de posição. – Isso quer dizer que eu estraguei sua pesquisa? – ela se sentia mais envergonhada a cada momento, o que a fez desviar o seu olhar para baixo. – Me desculpe, titia. Eu não sabia... _ Disse sinceramente.
_Tudo bem, querida. Por sorte, eu anotei as coordenadas de um local próximo, não será tão difícil de reencontrar o local que eu estava observando. Mas eu quero que você entenda que isso não poderá se repetir, poderia ter sido muito pior!
_Claro, titia... Eu prometo, nunca mais vou encostar no telescópio!
Promessa que jamais conseguira cumprir.
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