Akairo No Nensho
8 Capítulo 8
CAPITULO 08
~*~ FLASH BACK ON ~*~
- Ah, mordomo – chamou Undertaker, com um sorriso macabro. – Só quero lhe dizer uma coisinha a mais… em particular.
Sebastian estreitou os olhos, mas concordou. Educadamente, pediu para que seu jovem mestre o esperasse, enquanto falava com o Shinigami.
- O que quer falar comigo, Undertaker? – indagou, olhando-o com desconfiança. Nunca havia tido muita simpatia por ele, afinal, um Shinigami desertor não era exatamente alguém em que você podia confiar, ainda mais levando em conta a rixa existente entre Shinigamis e demônios.
- É sobre a sua refeição – falou Undertaker, soltando uma risada diabólica. – Antes o nome dele não aparecia em nossos registros de almas, afinal, a alma dele será devorada, não é mesmo?
- Exatamente – afirmou Sebastian, sem nem mesmo se abalar. – Bocchan tem um contrato e por ele eu cumpro seus desejos, para que no fim ele me entregue sua alma.
- Exatamente, no entanto, sabe o que apareceu há dois dias no meu livro de almas? – indagou Undertaker, com um sorriso diabólico, fazendo com que a expressão do demônio mudasse levemente. – Isso mesmo. O nome do conde. Ele morrerá antes de você ter tempo de comer sua alma. É triste não é mesmo? Depois de se esforçar tanto para preparar uma refeição.
Sebastian estreitou os olhos. Não se deixava abalar facilmente, mas não aceitaria que alguém se atrevesse a tirar aquela deliciosa refeição de seus lábios.
- Uma pena que ele seja humano, não é mesmo? – indagou Undertaker, dando uma risada e pegando um pote com biscoitos em formas de ossos. – Humanos são frágeis demais e logo o jovem conde morrerá e terá sua alma recolhida por um Shinigami.
Sebastian estreitou os olhos. Sim. Ele havia entendido claramente o que o ceifeiro que lhe insinuava. Humanos eram fracos e frágeis. Igual a uma porcelana chinesa. No entanto, de corpos frágeis e fracos, pode surgir um ser imortal, mas se isso acontecesse, muita coisa mudaria e a balança do destino iria se inclinar para um lado inesperado.
- Não permitirei que qualquer outro ser tome a alma do bocchan – afirmou, dando as costas para o Shinigami que soltou uma risada ao escutar aquilo.
- E você está pronto para pagar o preço por suas palavras, mordomo? – indagou, sabendo que aquilo seria algo muito divertido de se presenciar.
- Pelo contrato, nunca permitirei que outro ser tenha a alma de Ciel Phantomhive. O preço por minhas palavras não importa – afirmou, terminando com a conversa e saindo da funerária.
Suas palavras haviam acabado de serem pesadas pela balança do destino. Tudo mudaria por meio daquelas simples palavras.
~*~ FLASH BACK OFF ~*~
Pânico. Horror. Desespero. Esses eram os sentimentos que se podia detectar na face do mancubus, enquanto via o demônio se erguer com a criança humana em seus braços. Ele não podia acreditar que havia se encontrado com aquele demônio. Pior. Havia despertado a cólera daquele demônio. Não costumava se arrepender de seus atos, mas naquele momento se arrependeu do momento em que pisará naquele navio, atrás de boas refeições.
Sebastian sentiu prazer ao ver o desespero que o mancubus sentia. Iria mostrar aquele ser repugnante o que acontecia quando se cruzava seu caminho de forma impensável. Virou-se para o indiano que estava atrás de si, com uma expressão lívida em seu rosto. Obviamente estava em choque.
- Agni-san você pode fazer com que o sangramento pare por algum tempo? – indagou, estendendo o jovem conde para o indiano.
Ainda um pouco atordoado Agni pegou Ciel no colo e se ajoelhou, erguendo a mão direita e desfazendo as faixas que a cobriam, para então pressionar dois pontos ao redor da ferida.
- Isso só vai durar alguns minutos – alertou Agni, erguendo os olhos para o demônio, sem conseguir ainda acreditar no que via.
- Se o bastante – afirmou Sebastian, para então se virar e dar alguns passos na direção do mancubus, que recuou quase que imediatamente. – Ara… está com medo de mim agora, verme?
- N… não era para você estar aqui! – gritou apavorado, recuando ainda mais. – Por que alguém como você, um lorde, faria um contrato?!
- Uma escória como você, não seria capaz de compreender, não é mesmo? – indagou Sebastian, sorrindo de forma diabólica, enquanto fazia com que a escuridão começasse a envolver o lugar. – O sabor e a beleza de algo quente e vivo. E eu já iria mata-lo, apenas por você ser a escória que é, mas agora… farei isso de forma muito mais lenta e dolorosa.
- Não… por favor… piedade… eu… certamente, você pode conseguir comida melhor! – gritou, caindo no chão e começando a se arrastar para trás.
- Piedade? Comida melhor? – indagou divertido, soltando uma risada fria que fez o pânico do mancubus apenas aumentar. – Um lorde incarna não conhece o significado de piedade. E eu teria de esperar mais seis mil anos, para saborear algo que ao menos tivesse um sabor parecido.
O mancubus soltou um gemido agudo de medo e horror, ao ver Sebastian erguer a mão, fazendo com que uma espiral de chamas negras a rodeasse, conjurando uma espada de punhal prateado e lâmina negra com vários rajados em vermelho. As chamas começaram a se alastrar pela lâmina, fazendo com que ela desprendesse um brilho roxo avermelhado, fazendo com que o mancubus recuasse ainda mais.
- Não… por favor… qualquer coisa… qualquer coisa menos isso… a lâmina do inferno…
Sebastian riu ao ver o desespero no rosto daquele demônio. Certamente ele pagaria pelo o que havia feito ao seu delicioso bocchan. Olhou de relance para a espada em sua mão. Aquela era uma espada realmente especial, de todas as armas confeccionadas no inferno, aquela de longe era a mais poderosa, isso é claro, quando usada por um demônio de alto nível. Sua lâmina causava a mais insuportável das dores com o menos dos cortes… faria com que ele sofresse… lenta e cruelmente.
- Por favor… eu… eu não tinha ideia de que era você… eu… eu imploro…! – gritou o mancubus desesperado, se arrastando pelo chão em desespero.
- Eu já lhe disse, verme – proferiu, erguendo a espada fazendo com que o mancubus se encolhesse mais no chão, quase como uma criança amedrontada. – Um lorde Incarna não conhecesse a palavra misericórdia.
O mancubus tentou fugir, fazendo com que seu corpo se tornasse uma massa gasosa, mas não adiantou. Com um movimento que não poderia ser acompanhado por olhos humanos, Sebastian fez um corte fundo e longo no corpo daquele demônio asqueroso, fazendo com que ele caísse no chão gritando e se contorcendo de dor. Sebastian deixou que um sorriso diabólico adornasse seus lábios. Sentia um prazer demoníaco vendo aquela escoria se contorcendo e gritando no chão, como se seu corpo estivesse sendo dilacerado. Mas não era apenas o corpo. Era a alma… a mente… cada parte daquele ser repugnante estava sendo dilacerada aos poucos, com uma dor tão profunda que seria o bastante para matar qualquer um. Mas para o prazer de Sebastian, mancubus tinham certa resistência, então aquele demônio ainda sofreria por um longo tempo, antes de morrer.
- Sebastian-dono! – gritou Agni, fazendo com que o demônio parasse de apreciar a dor e a agonia do mancubus. – Ciel-sama…
Sebastian tremeu ao escutar o nome de seu bocchan. Virou-se e correu na direção em que ele estava junto com o indiano. Olhou para a face infantil, que já estava terrivelmente pálida. Seu pequeno mestre não tinha mais tempo. Não havia como salvar sua vida humana. No entanto…
- Serei alvo de chacota quando voltar para o inferno – murmurou Sebastian, pegando o pequeno conde nos braços. – Agni-san se afaste – falou, olhando para o indiano que concordou.
Agni ainda estava surpreso com o fato de Sebastian ser um demônio real, mas havia uma coisa que não havia mudado. Uma coisa que fazia com que o indiano continuasse a olhá-lo com admiração e um pouco de inveja. A devoção que estava nos olhos demoníacos não havia diminuído. Sebastian servia um mestre humano, mesmo sendo um demônio. Mais do que isso. Ele servia uma criança. Saber que um demônio, um ser das trevas, havia se rebaixado a tal ponto, fazia com que Agni o olhasse com ainda mais admiração, pois se fosse ele no lugar do demônio, Agni não saberia se seria capaz de fazer aquilo.
Com cuidado, Sebastian ajeitou seu pequeno mestre em seus braços, enquanto usava um dos joelhos como apoio para a parte superior do corpo do pequeno, e o outro para servir de apoio para seu próprio corpo. Fechou os olhos e fez com que o circulo com pentagrama, seu símbolo, brilhasse no chão abaixo de seus corpos. Abriu os olhos, erguendo uma das mãos e levando o pulso aos lábios, mordendo-o e fazendo com que o sangue corrompido começasse a pingar.
O sangue escorreu pelo rosto pálido e quase sem vida de Ciel, para então começar a ser derramado pelo corpo inerte. As gotas de sangue começaram a reluzir uma luz negra, começando a se alastrar por todo o corpo do garoto.
- O contrato diabólico foi estabelecido – proferiu, fazendo com que o símbolo abaixo deles começasse a brilhar mais intensamente. – Trevas intensas consumam a luz. Asas da impureza se abram, corrompam a luz e desgracem a santidade. Pelo contrato das trevas feito, essa cerimonia se conclui. Pelo lorde do inferno, cujo sangue provém dos anjos maculados. Abonda está vida mortal e renasça.
Ao fim de suas palavras, os olhos de Ciel se abriram e um grito agudo deixou sua garganta. O brilho negro que antes envolvia seu corpo se transformou em chamas negras, consumindo-o completamente.
Sebastian observou enquanto escutava os gritos agudos e dolorosos de seu mestre, sabendo exatamente o quão doloroso era aquilo. Ciel Phantomhive estava morrendo em seus braços, no entanto, era uma morte que iria muito além da que os tolos mortais estariam acostumados.
Ciel gritou mais do que imaginou que poderá gritar. Era uma dor dilacerante, que queimava todo o seu corpo, como se estivesse matando cada pedaço seu. Foi então que a dor simplesmente parou de existir e um calor gélido surgiu. As chamas negras que consumiam seu corpo se extinguiram e tudo a sua volta pareceu se tornar diferente. Os sons, por mais silenciosos que fossem, pareciam claros e nítidos. Os cheiros mais acentuados. As cores mais vibrantes.
Sebastian sorriu vitorioso e aliviado, ao ver seu bocchan abrir os olhos, revelando um tom ametista vibrante. Havia conseguido.
- Sebastian… o quê…? – murmurou, se apoiando no demônio e olhando para si próprio, sem conseguir acreditar no que estava vendo.
Seu corpo continuava o mesmo, mas as roupas que vestiam eram completamente diferentes. Seu corpo estava envolto em uma espécie de colam negra, que ia da parte inferior de sua virilha até seu pescoço formando uma cola alta e justa. Por cima um casco branco e formava uma saia de babados após sua cintura. Em sua perna direita havia uma meia de renda trançada negra que se prendia na barra da colam, semelhante à luva que percorria toda a extensão do seu braço direito. Em seus cabeços haviam surgidos um arranjo de rosas negras e brancas, adornando um par de orelhas de gato negras. Em suas costas havia um par de asas finas, semelhante às asas de morcegos.
- Você despertou bocchan – declarou Sebastian se erguendo e olhando o, agora, pequeno demônio. — Para impedir que morresse, eu executei um ritual que o transformou em uma espécie rara de demônio, conhecida como Gryyphus. Agora bocchan é semelhante a mim. Um demônio, porém de uma espécie diferente.
Ciel olhou para o demônio que lhe servia, sem acreditar no que ele havia feito. Sebastian o havia transformado em semelhante, para impedir que morresse! Mas… a troco de quê ele faria tal coisa?
- Sebastian e o nosso contrato? – indagou, olhando fixamente para o demônio maior.
- Ele foi quebrado no momento em que eu assumi minha real forma – afirmou Sebastian, fazendo então que o menor reparasse na aparência do demônio e corasse levemente. Sebastian estava muito mais belo daquele jeito. – Porém, bocchan não poderá se separar de mim. Pelo menos pelos próximos sete séculos, até que você esteja devidamente maduro e forte, para poder conseguir a comida que precisa sem se arriscar indevidamente.
Ciel sentiu uma veia saltar em sua testa. Sebastian nunca fazia um movimento sem pensar nas consequências.
- E o que exatamente eu como? – indagou, olhando fixamente para o demônio a sua frente.
- Um Gryyphus precisa de sangue demoníaco de alta qualidade, assim como energia sexual e alguns doces – respondeu, com um sorriso maldoso nos lábios. Ele realmente havia pensado em tudo.
“Às vezes, eu realmente te odeio” pensou Ciel, mas depois suspirou e virou o rosto. Parecia que aquele jogo havia terminado e agora eles poderiam ir embora. Foi quando Ciel pensou em uma coisa, se virando para o mordomo.
- Sebastian, nos vamos voltar para a Inglaterra? – indagou, pois não sabia se deveria continuar a viver como antes, já que agora não era mais humano.
- Não bocchan, vamos para a minha casa – afirmou o demônio puxando Ciel para seus braços e o envolvendo em um abraço possessivo. – Creio que você vai apreciar muito o inferno, bocchan. É um lugar melhor do que os humanos costumam dizer.
Ciel ergueu as ires ametistas e fitou o demônio, sentindo um frio percorrer sua espinha. Aquela história estaria longe de acabar. Na verdade nem havia começado ainda.
Fim?
Notas finais
O que vocês acharam? Gostaram da fic? Odiara? Me digam ^^
Bem, agora eu estou com aquela sensação de dever cumprido e ansiosa pelas opiniões de todos ^^
Bjj
=*
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