Akai Tsuki
14 Quem Pode Dizer o Que é Certo ou Errado?
Notas iniciais
–Kami? Você quer dizer Deus? – me surpreendo por ela não ter medo de pensar assim, bem, ela foi amaldiçoada por Kami.
–Ele não é um Deus, é um idiota que nos dá um destino injusto só pra se divertir com nosso sofrimento – diz Tsumi rispidamente, ela odeia Kami – Se Ele não tivesse essa sede egoísta de ver as pessoas sofrendo sadicamente, tudo isso seria diferente! Nozomi poderia estar viva... Poderíamos ser normais.
–Kami é o culpado de TUDO?! – sinto um ódio inaceitável para cristãos, odiar Deus é um pecado. Mas quem pode dizer o que é certo ou errado? Eles nem ao menos sabem o que Kami é, um louco sádico que ri quando choramos – Se Kami é como você diz... Então deve morrer!
–Você está dizendo que quer matar Deus? – Tsumi sorri maliciosamente – Até que minha irmã tem um bom gosto ao escolher um garoto. Se me permite, vou junto com você nessa missão impossível.
–Nada é impossível – sorrio, talvez Tsumi me ajude a esquecer a morte de Dely.
–Hitasura-kun! – grita Fukawa correndo até mim – Hitasura-kun, o que está fazendo com ela?
–Ah...Fukawa – fico feliz por ela estar viva e bem.
Um arrepio atravessa meu corpo, Tsumi lambe meu pescoço.
–Eh! Tsumi! O quê?! – pergunto pasmado.
–Sai de cima do meu Hitasura-kun! – Fukawa berra.
–Seu? Que eu saiba ele deixou você morrer e não estava nem aí – fala Tsumi – Depois ele beijou minha irmã e...
–Você beijou a Hiiro? – indaga Fukawa quase chorando.
–E agora ela está morta ali! – me altero, Fukawa vê o corpo e vira o rosto com pesar.
–Tsumi é melhor sair de cima de mim – mudo de assunto.
Tsumi se levanta um pouco frustrada, parece meio tonta, mas logo se equilibra.
Olhamos para o corpo de Dely no chão.
Ajoelho-me e abraço seu corpo sem vida, chorando desta vez sem nenhuma vergonha.
–Ela deu a vida pra mim – conto – Pra salvar todos nós! Eu nem a conhecia, mas sei que era uma boa pessoa, senão teria cooperado com a irmã e destruído o mundo. Porém ela não quis isso, ela lutou pra nos salvar.
–E nos matar também – murmura Riki baixinho pra que eu não ouvisse.
–Dely estava sob controle de Tsumi! – falo.
–Então a culpada é ela! – Fukawa aponta pra Tsumi que está virada de costas chorando em silêncio – Ela armou tudo, queria destruir o mundo, controlou a todos, matou meu irmão!
–É – concorda Riki – Ela deveria pagar por ter matado Tatsuya, até a morte de Dely foi culpa dela! Provavelmente está nos enganando pra fazer tudo de novo!
–Calem-se! – me sobressalto – Tsumi também está sofrendo. Sabem por que ela queria matar todos? É porque vocês, todos, nunca aceitaram ela e a irmã tendo um Oni!
–Porque ela usa os poderes de propósito! – protesta Fukawa – Ela mata e ri! Matou meus pais, agora meu irmão... Destruiu minha família!
–E a sua destruiu a minha! – rebate Tsumi – Sua família matou todos da minha! Se eles não tivessem feito isso, seus pais ainda estariam bem vivos! Eu pude aguentar ver todo aquele sangue... Ouvir aqueles gritou... O choro de Nozomi... Só eu poderia fazer algo, só eu poderia fazer aquilo tudo passar.
–E você os matou – completa Fukawa incrédula – Eu não sabia que meus pais fizeram isso, mas você não tinha o direito...
–Quem pode dizer o que é certo ou errado?! – a corto – Isso é passado! Não importa mais!
–Como você é frio cara – comenta Riki – E se fosse sua família?
Me incomodo com a pergunta.
–Não importa, não é – digo tentando não fraquejar e chorar – Fukawa, a culpa pode ser em parte de Tsumi, mas foi Kami quem planejou tudo isso! Ele é o verdadeiro culpado, Ele quem temos que matar e...fui eu que matei Tatsuya.
–Hitasura-kun? – ela arregala os olhos – Ah, esqueça meu irmão. Você não pode estar falando sério, matar Kami é impossível! E mesmo que fosse possível, Kami é Aquele que coloca ordem no mundo, se você matá-lo tudo será destruído. O mal reinaria na Terra, todos morreríamos ou sei lá.
–Você não precisa vir se não quiser – me levanto dando um último beijo em Dely – Preciso vingar a morte dela.
–Vingança não vai adiantar de nada! – Riki tenta me dissuadir.
–Diz aquele que antes queria vingar a morte do melhor amigo – retruco.
–É diferente, você quer matar Deus!
–Você não precisa vir se não quiser! – me irrito e acabo gritando.
Ele ergue as mãos se rendendo.
–A Hiiro está te mudando, né? – questiona Fukawa sem acreditar – A morte de Nozomi te deixou pior do que antes.
–Cala a boca! – ordeno.
–Não! – se nega – Eu só quero te ajudar.
–Isso por acaso vai trazer Dely de volta?! – pergunto insensivelmente.
Fukawa chora sem parar, Riki tenta acalmá-la.
–Fukawa – sinto pena.
–Meu nome é Kiyoko – corrige ela.
–Vai embora cara, você só vai piorar tudo – avisa Riki – Já basta de fazer os outros chorarem por causa de sua frieza, né?
Sinto-me culpado, minha frieza está ferindo Fukawa novamente, estou me tornando aquele Kori de novo. Mas é inevitável, Kami me criou pra ser assim, não consigo mudar. Ah, eu sou um fraco. Me desculpe Kasai.
–Ah, Nozomi... Nozomi! Nozomi?! – ouço Chiyo gritar.
Tsumi voa até ele, Chiyo sente medo dela e se esconde num canto com um olhar doentio, grita pedindo ajuda. Digo a ele o que aconteceu antes e o asseguro que ela não é mais um perigo. Tsumi o faz recobrar a consciência e devolve pra ele “seus desejos e pecados” (não entendi direito o que ela faz, é como deixar a pessoa vazia eu acho).
–E vocês querem derrotar Kami? – supõe ele sorrindo despreocupadamente.
–Chiyo sempre procurou Kami para acabar com este jogo idiota chamado vida – conta Tsumi – Bem, ele parou de procurar quando se apaixonou por Nozomi.
–Dely me disse que ele era um Oni bom – lembro meio confuso.
–Só porque não quero matar toda hora e não fico atormentando as pessoas não quer dizer que sou bom – fala Chiyo.
–Você se apaixonou por Dely, certo? – sinto uma pontada de ciúmes – Mas não está nem aí por ela ter morrido, não é?
–Quero matar Kami tanto quanto você.
–Ele não demonstra seus sentimentos facilmente – explica Tsumi – Como qualquer Oni.
Acho isso meio estranho, me irrita o fato de ele gostar de Dely e estar sorrindo depois que ela morreu, mas algo me diz que por dentro seu coração está despedaçado como o meu. Será?
–Bem, não podemos perder tempo, logo vai aparecer um aviso – alerta Chiyo se levantando.
–Uma aviso? Como assim? – indago confuso.
De repente um clarão de luz me cega. Quando a luz apaga posso ver uma garota de cabelos lilás com um pirulito na boca e uma roupa meio gótica, ela tem duas asas brancas e majestosas nas costas. Poderia ser um anjo, mas com aquelas roupas parece até um Oni disfarçado.
–Então vocês querem derrotar Kami? – diz ela – Vamos ver se eu deixo.
–O aviso – Chiyo responde minha pergunta.
Ele passa por mim tão rápido que quase não o vejo e investe contra a garota, os dois são empurrados pra trás, mas não cedem, continuam com os pés firmes no chão.
–Eu até ia lá lutar – fala Tsumi – Mas é muito fácil derrotar um arcanjo.
–Ah, é? – a garota alada vibra de raiva e tira o pirulito da boca – Vamos ver se é assim!
Eça atira Chiyo na parede e ataca Tsumi com uma corrente. A corrente se enrola no braço dela, mas ela sorri. Quando a arcanja a puxa, Tsumi lhe dá um chute no estômago, a garota vai pra trás e Tsumi a joga na parede puxando-a pela corrente. Então dá um soco no rosto dela e a atira no chão.
–É muito fácil – Tsumi aponta uma lâmina para a garota no chão, e coloca o pirulito que antes era dela em sua boca como se tivesse vencido.
Porém a arcanja não desiste e puxa a corrente fazendo Tsumi cair.
–Pode me devolvendo meu pirulito! – ordena se agarrando nela.
–As duas estão brigando por um pirulito? – fico incrédulo.
Tsumi e a arcanja rolam no chão dando socos e chutes, o pirulito rolando de uma mão para outra.
Fico estupefato com tal criancice.
–Tá, Tsumi vamos lá. Podem parar de brigar por bobagem? – pede Chiyo.
–Mas o pirulito é meu! – protesta a garota.
–Perdeu a luta, perdeu o pirulito – provoca Tsumi.
–Ah...
–Tá, mas quem é você, aliás?! – pergunto rispidamente.
–Aoi, Kumo Aoi – responde ela.
–Você não vai nos atrapalhar em nossa missão de derrotar Kami – diz Chiyo – Ele pode mandar todos os anjos e arcanjos que tiver, mas não vamos parar!
–Ele não deixará barato – avisa ela.
–E você vai nos ajudar – decide ele.
–O quê?
–Agora, Aoi, você é nossa prisioneira – Chiyo coloca uma coleira nela.
–O quê? Mas isso não está certo!
–Quem pode dizer o que é certo ou errado? – indago.
–Vamos ver se Kami vai deixar isso assim – fala Aoi.
–Acha que Kami se importa como você? – debocha Tsumi – Ele é egoísta demais pra se importar comigo, que dirá com você?
–Olhem para o céu – Aoi sorri.
Vemos raios atravessando o céu, mas espera, não são raios.
São anjos.
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