Akai Tsuki
15 O Destruidor de Anjos e Corações
Notas iniciais
Os anjos brilhantes voam pelo céu como raios e aterrissam em nossa frente com suas asas e expressões solenes. Como deuses alados brancos. São só cinco, mas o suficiente para me intimidar, somos apenas três.
–Pode soltar nossa arcanja e esquecer essa ideia de derrotar Kami – ordena o mais intimidador deles, talvez seja o líder.
Tsumi solta àquela risadinha ridícula de sempre.
–Nunca.
–Então teremos que apagá-los – todos se preparam pra lutar.
Nos preparamos também.
–Como assim “apagá-los?” – cochicho pra Tsumi e Chiyo.
–Eles são policiais, aqueles que quebram as regras celestiais são apagados de qualquer mundo, roubam sua existência. Assim ninguém se lembrará de você, como se nunca tivesse existido – explica Chiyo.
–Vão desistir? – pergunta o líder dos anjos.
–Até parece – Chiyo sorri e investe contra ele.
Os outros nos atacam começando a luta. Eles são tão rápidos como raios e fazem ataques consecutivos e aleatórios, não posso adivinhar de que lado vão vir. Assim apanho dos policiais anjos, começo a fraquejar e não tento mais acertá-los. Tsumi é forçada a me ajudar.
–Você vai ter que treinar um pouco depois – comenta ela – Como pretende vencer Kami lutando como uma banana?
–Eu não luto como uma banana! – me encho de raiva, não posso deixá-la me humilhar assim.
Acerto um anjo e levo um golpe no queixo, depois ele me atira pra cima e investe contra mim. Colido com a parede e levo uma cotovelada na barriga, fico tonto e cuspo sangue, a força dele é incrível. O anjo puxa meus cabelos forçando-me a olhar pra seus olhos brancos e leitosos.
–Kori! – Tsumi chuta o anjo para o lado – Acho melhor ficar escondido Kori, você está correndo o risco de morrer.
–Eu consigo! – digo e dou um soco certeiro no nariz do anho, ele me joga no chão e só então percebo que estava voando.
–Cara, o que é isso? Os anjos se rebelaram por que você quer derrotar Kami? – Riki e Fukawa estão parados nos fitando chocados.
–Riki vem nos ajudar! – peço.
Riki empurra o anjo de cima de mim para a parede e o ataca.
–Eles não vão ficar bravos por causa disso? – indaga ele depois de dar um soco e uma joelhada no anjo.
O garoto parece não gostar e atira Riki tão alto que ele quase bate no teto, então machuca seu rosto e o joga no chão de volta.
–É, eles ficam bravos – assimila Riki escapando de uma investida.
Vejo Fukawa indo embora com uma expressão estranha no rosto, talvez decepção, tristeza ou raiva. Não sou bom em ler as expressões das pessoas. E também não tenho tempo, um anjo chuta minhas costas e por um impulso raivoso me viro e corto algo com minha espada. Uma tinta dourada me cega e ouço gritos. Esfrego os olhos e vejo o anjo se contorcendo no chão sem uma de suas pernas, aquela tinta dourada sai de onde foi o corte. Cortei a perna dele.
Todos param de luta e observam a cena.
–Mas como?! – Aoi quebra o silêncio – Isso é impossível!
–Kuriho Kankazi – o líder pronuncia pasmado.
–Acha mesmo senhor? – pergunta um anjo – Mas nós o tínhamos destruído, e a sua alma também.
–Kankazi? – Tsumi abre um sorriso de Cheshire – Minha irmã tem um ótimo gosto pra garotos!
Fico confuso. Do que eles estão falando?
–Se ele é mesmo Kuriho Kankazi... – fala Aoi.
–Então devemos apagá-lo não importa o quê! – completa o líder.
Ele se desloca rápido demais pra eu assimilar, sou atirado pra trás tão fortemente que não consigo gritar, sangue flutua a minha volta. Uma dor indescritível e iminente toma conta de meu corpo quando colido com as pedras duras e frias, tudo entra em colapso em minha mente fraca, isso é a pior coisa pela qual já passei. Não consigo enxergar mais nada.
Talvez eu tenha ficado cego e surdo, mas não quero morrer ainda, preciso fazer muita coisa ainda.
Alguém me agarra e de repente não sinto o chão, lábios macios e molhados por algo com gosto de sangue pousam em minha boca impetuosamente. Envolvo com os braços o tecido das roupas dessa pessoa. Será Fukawa? Mas ela parecia tão magoada que duvido muito que quisesse me beijar.
Minha audição retorna consigo ver a pessoa que me beijava.
–Até que você beija bem – comenta Tsumi – Agora lute Kankazi.
Um anjo me ataca e me atira na parede destruída, estamos do lado de fora, o líder me fez quebrar um pouco a parede do castelo e dessa forma a luta foi para o ar livre.
Avisto a figura de Fukawa me fitando com os olhos azuis penetrantes tristes. Há um certo ódio ali também, até entendo porquê, e agora beijei Tsumi.
–Kuriho Kankazi – o anjo me tira do torpor – Como não percebemos que um lixo como você estava aqui? Só podia ser, pra se envolver com aquele demônio, Hiiro Nozomi.
Uma raiva incontrolável me sobe a cabeça, o atiro no chão e parto para o ataque.
–Você não tem o direito de falar assim da Dely! – berro.
Chuto seu rosto e desvio de um gole que ele tenta fazer meio atrapalhado, o golpeio com a espada antes que volte a ativa, finco bem profundamente pra que morra de uma vez. Levo um chute na cabeça e dou um soco impulsivo no ar, um anjo é jogado pra trás. Aparece mais um, me defendo de sua lâmina dourada que por pouco não corta minha cabeça. Ele desaparece, e numa tentativa de achá-lo no ar com a espada, corto sua garganta.
A cabeça rola e para aos pés de Aoi que grita histericamente incrédula com o fato.
O sangue dourado celestial respinga no chão, num impulso inevitável dou uma lambida na lâmina.
Meu interior se esquenta como se eu pudesse transbordar como um vulcão a qualquer momento. O sangue dos anjos é bom, é delicioso! Não posso explicar o que acontece comigo neste momento, fico louco e de repente todos os anjos estão no chão sem vida alguma, os matei. Não posso evitar agir como um demônio canibal e começo a morder os corpos, a carne também é boa e quero comer mais e mais daquela coisa deliciosamente inexplicável. É como uma droga, eu quero, eu preciso.
–Pare Kori! – Tsumi me afasta dos corpos – Eu sei que é bom, mas você não pode comer demais!
–Por quê? – pergunto sedento pelo sangue viciante.
–Quer se alimentar de alguém? Eu estou aqui – ela me olha de uma forma estranha – Isso poderia ser uma vingança por eu ter quase te devorado uma vez, mas eu até ia gostar, afinal sou uma masoquista.
Sinto uma louca vontade de devorá-la também.
–Hitasura-kun – Fukawa desvia minha atenção, ela parece estar apavorada – Quem é você Kori? Então é por isso que você sempre foi frio e insensível? Por isso se apaixonou mais pela Hiiro do que por mim? Por que monstro eu estava apaixonada?
Olho em volta, Riki e Aoi também estão com medo estampado no rosto.
O que eu sou? Um monstro? Matei aqueles anjos e estava me deliciando com sua carne e seu sangue... Como um demônio faria.
–Bem vindo ao clube Kuriho Kankazi – Chiyo sorri maliciosamente.
–Não se preocupe – Tsumi também está zombando – Você sabe que a culpa não é sua.
Ela mostra um papel, nele está escrito descaradamente: “Qual é o seu desejo?”
–Kami... – uma chama intensa e crescente de ódio me domina, esse cara tem que morrer, se eu posso matar anjos também posso matá-lo.
Caminho sem olhar pra trás, determinado a encontrar Kami e me vingar por tudo o que Ele já fez pra humanidade. Ele matou Dely, fez todos sofrerem, me tornou um demônio devorador de anjos e destruidor de corações bons como o de Fukawa, fez milhões e milhões de injustiças pra seu divertimento... Ele merece algo ainda pior que a morte.
Algo me derruba surpreendendo-me, uma lâmina cortante e brilhante está em meu pescoço quase me impedindo de respirar. Olhos de gato me encaram, esse olhar frio lembra o meu a não ser pela cor amarelada que parece brilhar no escuro.
–Q-quem é você? – questiono entorpecido por seu olhar.
–Hikari. E quem é você? – diz a garota.
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